5. PRESENTASJON AV FUNN OG DRØFTING
5.3 K JØNNSDELT RUSBEHANDLING I ET OFFERPERSPEKTIV
Os informantes mostraram convergência quanto às ameaças e oportunidades presentes no ambiente de negócios dos calçadistas de Jaú:
1- Futura escassez de mão de obra especializada: os informantes identificam uma serie de conjunturas que podem conduzir a esta situação, sendo as principais, a pouca valorização da mão de obra treinada pelo SENAI e outras escolas técnicas; a ausência de vinculo com o trabalhador – algumas empresas chegam a dispensar 90% de sua mão de obra na época de baixa produção; uma visão mecanicista do trabalhador, ao qual se paga o salário – elevado quando comparado a outros distritos industriais – e não se oferece mais nada, nem treinamento, nem condições satisfatórias de trabalho.
2- Acesso limitado ao crédito subsidiado em razão de um alto grau de informalidade. 3- Baixo grau de cooperação horizontal: não conseguem se unir para eleger um deputado estadual ou federal que represente seus interesses de maneira legitima, não exercem influencia na municipalidade proporcional à geração de riqueza do setor, buscam a solução isolada dos problemas comuns.
4- Baixo grau de cooperação vertical: as empresas apresentam dificuldades em estabelecer relacionamentos de longo prazo com fornecedores, buscam vantagens de curto prazo e não trocam informações. Neste tipo de indústria, geralmente a inovação – incremental – é trazida pelo fornecedor, em sua maioria pertencente a empresas maiores que as dos calçadistas. Portanto, o acesso a materiais e tecnologias novas chega somente àqueles que constroem relacionamentos semelhantes à parceria com seus fornecedores. Em Jaú, a baixa integração com fornecedores é considerada a principal fonte do baixo desempenho de entrega dos calçadistas com seus clientes lojistas.
5- Grau moderado de cooperação horizontal multilateral: as instituições presentes em Jaú, apesar de solidamente estabelecidas, são utilizadas de maneira ampla por poucas empresas do distrito. Aparentemente, o conhecimento e habilidades que estas instituições podem agregar às empresas não são percebidos como relevantes. As empresas mais participantes dos programas e atividades não somam duas dezenas e estão entre aquelas consideradas mais bem sucedidas. No entanto, há uma experiência considerada exemplar pelos informantes, ocorrida há cinco anos, descrita no item abaixo.
6- Em 2005, a Cetesb proibiu que a Prefeitura de Jaú continuasse a recolher o lixo industrial das fábricas de calçados e depositá-los em aterros sanitários, devido ao seu alto
potencial toxico. A Prefeitura atendeu à ordem e as empresas se viram, momentaneamente, com um problema comum a todos. Sob a coordenação do Sindicato da Indústria de Calçados, um acordo coletivo foi negociado com a Cetesb e todo o lixo industrial passou a ser depositado em um aterro industrial. Esta ação significou um custo adicional para as empresas – proporcional à quantidade de lixo gerada - sendo da ordem de R$ 2.000 por mês. As empresas maiores aderiram de pronto e continuam cumprindo à risca a determinação. Estima- se, no entanto, que aproximadamente 100 empresas, com dificuldades de arcar com esta despesa, e incentivadas pela falta de fiscalização, estejam jogando os restos de couro nos canaviais da região, contaminando o solo com metais pesados, principalmente o cromo. Segundo os informantes, foi a única situação em que parte dos empresários e as instituições agiram em regime de cooperação.
7- Este movimento colaborativo foi além da solução descrita anteriormente: um grupo formado por nove empresas, o SEBRAE, SENAC, Sindicato da Indústria e coordenados pela Fatec, buscaram uma parceria tecnológica com a Universidade Federal de São Carlos, no Centro de Caracterização e Desenvolvimento de Materiais, Departamento de Engenharia de Materiais com o objetivo de encontrar uma maneira de reciclar os retalhos de couro. O resultado foi a criação de um solado feito com couro reciclado e poliuretano (outro resíduo da fabricação de calçados), representando uma redução de 50% no custo e maior durabilidade quando comparado ao solado original. O novo produto e processo foram patenteados e ganhou uma marca: JauRecicla. No entanto, a fabricação em escala do solado exige investimentos em equipamentos que os parceiros atuais não estão prontos a assumir. Adicionalmente, fizeram ampla divulgação de conscientização nas escolas da região sobre o risco ambiental representado pelos restos de couro.
8- A localização de Jaú é privilegiada: está no centro do Estado de São Paulo, com acesso às melhores rodovias. Como aproximadamente 70% da produção de Jaú ficam no Estado, a localização favorece o desempenho de entrega e os custos logísticos.
9- Ampla rede de bancas de pesponto: conjunto de artesãos, geralmente da mesma família, que realiza o trabalho de costura do sapato, representa a maior fonte de flexibilidade do sistema produtivo de Jaú.
10- Em 2008, o Ministério Público do Trabalho do Estado de São Paulo considerou ilegal a terceirização de uma etapa da produção – o pesponto – como é tradição em todos os polos calçadistas no Brasil, Itália e Espanha. Após uma negociação intermediada pelo Sindicato da Indústria, foi acordado um TAC- Termo de Ajustamento de Conduta- que limita a terceirização a 30% da produção da fábrica, alem de exigir a formalização das bancas de
pesponto como micro empresas. Este fato provocou um aumento automático dos preços praticados pelas bancas de pesponto, que não foi aceito por grande parte das empresas. Aliado à ausência de fiscalização por parte das autoridades, muitas bancas retornaram a seu estado informal originais. As empresas maiores, receosas das multas vultosas previstas pelo TAC, iniciaram um movimento de verticalização desta etapa da produção. Algumas montaram bancas de pesponto em municípios vizinhos, para escaparem dos altos salários de Jaú. Outras adotaram um sistema misto: parte da produção é realizada pelas bancas próprias, e parte pelas bancas terceirizadas. Outras ainda preferiram arcar com os custos de trabalharem com bancas formais, dentro do limite de 30%, por considerarem mais vantajoso que a verticalização.
O Quadro 8 resume a visão dos informantes em relação a algumas variáveis do ambiente de negócio, apresentadas na seção 2.2.
Varáveis ambientais Código Visão dos
Informantes Custo da mão de obra CMO ↑
Disponibilidade de mão de
obra DMO ↓
Hostilidade da
concorrência CONC ↑
Dinamismo do mercado DIN ↑
Ambiente regulatório REG −
Ambiente político POL o
Cooperação COOP −
Quadro 8 - Ambiente de negócio - perspectiva dos informantes Fonte: elaboração própria