5 REGNSKAPSANALYSE
5.4 Analyse og justering av målefeil
5.4.4 Justering av goodwill
Este documento é um CD que intitula-se Negro work songs and calls, e foi editado pelo Archive of Folk Culture da Library of Congr ess (FIGURA 42).
FIGURA 42 – Capa do CD Negr o Wor k Songs and Call s
Este documento possui, como dissemos no capítulo dois, 19 cantos registr ados por Lomax no Sul dos Estados Unidos, entre 1933 e 1939. Apenas um dos cantos, o de número 15, proveniente das ilhas Bahamas, não ser á incluído nas minhas considerações. As outras localidades são os estados do Texas164, Mississipi, Arkansas, Tennessee e Virgínia.
Essas gravações foram produzidas com a mesma direção de pensamento com que Luiz Heitor procedeu às suas viagens. Ambos os pesquisadores produziram uma documentação de extrema importância, construindo os mais importantes acervos de música popular/ folclórica do Brasil e dos EUA, hoje localizados respectivamente no Laboratório de Etnomusicologia da UFRJ e no American Folklife Center da Library of Congress.
Em contraste com a publicação de Allen, o material coletado por Lomax pôde se valer de um importante r ecur so tecnológico, a gr avação fonográfica, inventada por Thomas Edison em 1877, dez anos depois da publicação de Slave Songs of United States.
164 Atualmente, não se consider a que o estado do Texas integre a r egião sul dos EUA. Entr etanto, o estado
– cuja indexação foi tardia, apenas em 1845 –, por ter per tencido inicialmente ao México e posterior ment e ter sido uma r epública independente, acabou também r ecebendo muitos africanos ou descendentes que fugiam par a ali. Além disso, a gravação de Lomax, nos anos 30 do século XX, foi realizada apenas com netos e filhos dos africanos escravizados da região sul.
106 Contudo, para além de apenas uma questão tecnológica, vemos que Lomax e seu pai, John Lomax, acreditavam que tal metodologia de registro traria uma imagem sonor a mais confiável dos cantos que iriam registar em todos os EUA. Segundo White,
Os afr o-ameri canos ent r evist ados e gr avados pel os Lomax em sua ‘máquina por t átil de gr avação elét r ica de som’, como John Lomax a chamava – em sua vi agem de 1933 a máquina pesava cer ca de 160kg –, eram filhos e net os de escr avos. Difer ent ement e dos pesquisador es ant er ior es, cujas t r anscr ições dependiam da habilidade e do julgament o do t r anscr it or, os Lomax confiavam na t ecnologia par a assegur ar o que acr edit avam ser o imedi ado mat er i al or i gi nal. Após uma viagem de campo, John Lomax descreveu as 150 músicas com as quai s r et or nou como ‘fot ogr afias sonor as das canções dos negros, int er pr et adas em seu pr óprio element o, sem limit ações, sem i nfluências e dir eci onament os de ninguém com noções pr óprias de como as músicas dever iam ser int er pr et adas.165
Os Lomax, alinhados com os movimentos de pesquisa de sua época, visavam a construção de um ideário de elementos retir ados das manifestações populares, que poderiam de alguma for ma sustentar uma cultura nacional. Entretanto, como foi criticado no capítulo anterior com r elação às gr avações realizadas por Luiz Heitor, tal recur so é apenas uma r epresentação bastante r eduzida de tais manifestações. O próprio Lomax descreve que precisou, em certos casos, teatralizar a situação de trabalho, indo de encontro com o descrito acima na citação: “interpr etadas em seu próprio elemento”. Da mesma maneir a que Luiz Heitor, ele diversas vezes interrompe o cantor (CD faixa 19) e em outras estimula-o verbalmente a continuar cantando. Somam-se, ainda, os problemas técnicos, tais como a velocidade das rotações e as decisões finais de edição, inclusive com utilização de fade out (CD faixa 20). Neste sentido, o contínuo como constitutivo do cantar per ece na moldura proposta por Lomax. A importância do contínuo é também atestada por White, quando nos traz a fala de Whitelaw Reid:
quase cer t ament e não deixou de per ceber o complexo colóqui o r ít mico ent r e o vocalist a principal e a base, mas sim as vari adas formas de embelezament o vocal. El e falhou t ambém em apr eciar o aspect o cíclico, ao i nvés do linear , da
165 WHITE. The sound of Slaver y, p. 21: "The African Amer icans whom the Lomaxes auditioned and ten
recorded on what John Lomax called their “portable-machine for electrical sound-recording” – on the 1933 trip the machine w eighed 350 ponds – were the children and grandchildren of slave. Unlike earlier collectors, whose transcriptions of perfor mances depond on the transcriber's skill and judgment, the Lomaxes relied on technology to secure what they believed was the unmediated original. After one fild trip, John Lomax described the 150 tunes w ith which he had retur ned as “sound photogr aphs of Negr o songs, render ed in their own element, unrestrained, uninfluenced and undirected by anyone who has had his own notions of how the songs should be render ed." (tradução minha)
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for ma. O cant o dos ex-escr avos não cont inuava at é a músi ca acabar, como na pr ática ocident al, mas at é que os cant or es ti vessem t erminado.166
Não obstante as críticas, alguns tr aços marcantes do cantar africano estão presentes na coleção de Lomax, da mesma for ma que nos vissungos de Luiz Heitor. É visível a presença de cantos para diversas situações do cotidiano, sobretudo aquelas que marcam o percurso do dia, tais como chamar pelo almoço ou pelo pôr do sol (final do trabalho), e a utilização do canto para imprimir ritmo ao tr abalho. Adicionalmente, há a utilização do canto responsorial, evidenciado, inclusive, pelo título Work Songs and Calls do CD pesquisado, de onde a palavra "calls", que significa "chamados", indica essa relação dialógica. E ainda há o consistente empr ego dos materiais musicais já consagradamente atribuídos à presença africana nos EUA: as pentatônicas, as blue notes e as síncopes.
Segue abaixo a listagem dos cantos do CD (FIGURA 43):
FIGURA 43 – Contracapa do CD Negr o Wor k Songs and Call s