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Justering av forskning og utvikling

5 REGNSKAPSANALYSE

5.4 Analyse og justering av målefeil

5.4.6 Justering av forskning og utvikling

A princípio, a palavra banto (ou bantu) refer e-se a um grupo linguístico da África subsaariana, que reúne cerca de 500 línguas e representa, ainda hoje, um terço dos africanos, possuindo por volta de 240 milhões de falantes. John Greenberg (1963) classificou as línguas africanas identificando quatro troncos: Nígero-Congolês, Nilo- Saariano, Afro-Asiático e Coissan. As línguas do grupo banto pertencem ao tronco Nígero-Conglolês e ocupam praticamente toda a r egião da África ao sul do Equador (FIGURA 48):

FIGURA 48 – Mapa linguístico da África

Fonte: FRANKE. Bant u Wor ds in American English, p. 30.

Entretanto, a palavra banto tem sido utilizada em diferentes contextos. O seu significado é bastante controverso; muitas vezes apar ece com o sentido de ‘povo’, ‘etnia’, ou como ‘língua’. Wilhelm Heinrich Imanuel Bleek, linguista alemão, no século XIX, utilizou o termo par a designar um conjunto de línguas encontradas ao sul da África, do tronco Nígero-Congolês, agrupadas pelo critér io de inteligibilidade mútua, e que têm, por conseguinte, muitos elementos em comum.

121 Um dos problemas de pesquisa deste e de outr os trabalhos que tratam de temas relacionados à África decorr e justamente da generalidade que assumimos ao reportar mos os elementos e estruturas estudados a um continente tão amplo e com tantas culturas distintas. A mesma generalização acontece quando pensamos sobre a cultura latina. Ainda que os países tenham inúmeras diferenças, algo os une, de for ma não específica, mas com elementos que estão aparentados. Esta união decorr e, em primeiro lugar, da proximidade da língua, em segundo, pela proximidade territori al e em terceiro, por dados sócio-históricos. A conjunção de um ou mais destes fator es aproxima as nações enquanto cultura. Desta forma, compreender o Br asil ao lado de países da América Latina pode ser mais factível do que se pensar mos na Fr ança ou até mesmo em Portugal. Da mesma maneira, quando tratamos de África, há autores que atestam pontos em comum entr e as culturas bantos e as culturas sudanesas:

Embor a o sist ema li ngüístico da civil ização sudanesa seja difer ent e do da ár ea bant u, algumas informações obtidas por sondagens nos per miti r am ver ificar que as duas zonas se encont r am em vários pont os do pensament o pr ofundo.176

Est e foco comum sub-saariano é t ambém a or i gem do par ent esco exist ent e ent r e os t r oncos li nguíst i cos mais import ant es. Todos apr esent am car act er es comuns com os saar ianos pr é-hist óricos. Out r os, ao cont rár io, j ul gam-nos semel hant es ao Egit o ant igo.177

Essa aproximação reside, segundo diversos etnolinguistas, no fato de as culturas banto e sudanesas pertencerem ao mesmo tronco Nígero-Congolês e, consequentemente, partilharem traços culturais comuns. Somado a isso, com o tráfico de africanos para trabalhar como escravos nas colônias das Américas, tal unidade acabou sendo intensificada, ao que Altuna chamou de “comunidade de sofrimento”.178

Possivelmente, por tal razão, os primeiros estudos sobre a presença africana no Brasil tenham visualizado uma maior importância do legado sudanês que do banto. Segundo Yeda Castro, desde o final do século XIX acreditava-se que havia a presença majoritária da cultura yoruba-nagô (do grupo sudanês), atestada por Nina Rodrigues na publicação Africanos no Brasil, e somente nos anos 70 foram realizados os primeiros estudos sobre a importância e a presença da cultura banto no Brasil. O mapa abaixo, extr aído do livro Falares Africanos na Bahia, de Yeda Pessoa de Castro, mostra a presença majoritária dos africanos banto no país (FIGURA 49).

176 KAGAME. A percepção empírica do tempo e concepção da história no pensamento bantu, p. 102. 177 ALTUNA. Cult ur a t r adi ci onal bant u, p. 30.

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FIGURA 49 – Mapa da presença africana no Brasil

Fonte: CASTRO. Falar es africanos na Bahia: um vocabulár io afro-brasileiro, p. 47.

O mesmo processo ocorr eu com os estudos sobre o legado banto nos Estados Unidos, cuja presença na cultura afro-estadunidense foi também controversa. O antropólogo Melville Herskovitsfoi pioneiro ao publicar The Myth of the Negro Past, em 1941, que tratava o legado africano de forma gener alista. O primeiro estudo estadunidense que trata especificamente da cultura banto é um trabalho intitulado Afr icanisms in the Gullah Dialect, publicado em 1949, pelo linguista Lorenzo Turner. Nesse ponto, a presença banto no Sul dos EUA já começava a ser percebida com mais clareza, e pesquisas nesta ár ea começar am a florescer, devido, sobretudo, à projeção que a música estadunidense do Sul obteve no início do século XX através do ragtime, do blues e do jazz. Apenas em 1979 foi apresentado o trabalho The Bantu Speaking Heritage of the United States, da linguista Winifred Wass, que identifica um grande número de vocábulos banto no inglês estadunidense.

A presença dos bantos no Brasil e nos Estados Unidos resultou de um tenebroso processo de comercialização, em que eles eram “caçados” e aprisionados na região do antigo Reino do Congo. Segundo Mukuna,

As r el ações ent r e a Cor oa Por t uguesa e o Reino do Congo começar am r ealment e com a segunda viagem de Diogo Cão à foz do Rio Congo em 1483, quando el e vi sit ou a cor t e de Manikongo [...] Em 1491, Por t ugal já est ava enviando pr esent es par a o Manikongo, ent r e os quais se mencionam órgãos [...]

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par a expor t ar escr avos do Congo e enviá-los par a as ilhas de Cabo Verde e São Tomé.179

Durante o período do tráfico negr eiro, muitos africanos banto foram escravizados e tr azidos para o Brasil e par a o sul dos Estados Unidos. O número de escr avos, entretanto, nunca é apresentado com pr ecisão. Estima-se que, entre bantos (provavelmente a maioria) e sudaneses, o montante pode ter chegado a cerca de 15 milhões de africanos.

Esclarecendo um pouco mais sobre a palavra banto, Alexis Kagame nos auxilia dizendo que:

Em 1851, W. H. J. Bleek apr esent ou na Univer sidade de Bonn uma t ese dout or al sobr e as línguas de cl asses faladas na Áfr ica Meridional. O fenômeno er a conheci do desde o sécul o XVII, gr aças às publicações dos mi ssionár ios, pr incipalment e em Angola e Moçambique. Em 1852, K. A. Bar t h, t ent ando impor uma denomi nação comum ao conjunt o dessas l ínguas de classes, chamou-as de BA-Spr achen, vist o que cada uma daquelas que ent ão se conheci a, empr egava par a expri mir o plur al de mu-nt u (homem), a forma BA- nt u. Consider ando que t odas essas línguas tinham a r aiz nt u par a designar o homem, Si r G. Gr ey chamou-as em seguida de línguas BAntu. Essa denominação se r eferia, port ant o a pr incípio soment e às línguas, mas os et nólogos a est ender am mai s t ar de aos povos e às cult ur as em que essas línguas de classes são fal adas.180

Sendo assim, mu-ntu designa o homem e ba-ntu, homens, de onde ba-, em muitas línguas da África subsaariana, é prefixação do plural. Em algumas línguas do universo banto, a prefixação plural pode apar ecer ainda como wa-ntu, ou ainda a-ntu. O sistema de classificação nominal banto é bastante complexo, de modo que as palavras são formadas por um processo de aglutinação de pr efixos que irão indicar, como mostramos no exemplo, o singular e o plural. Outra característica das línguas do grupo banto é o complexo sistema tonal, em que se pode distinguir, sobretudo, o tom alto, o médio e o baixo; e a mudança tonal pode se configurar tanto como variação de entonação quanto como mudança de significado.

O importante, entretanto, é destacar que o comportamento da pr efixação nas línguas do grupo banto não é o mesmo que para as línguas do indo-europeu. Nas línguas banto, o radical do substantivo sempre aparecerá junto a um prefixo, pois há um pr efixo para o singular, e outro para o plural, como no caso observado anteriormente, sendo ntu (radical) e mu (pr efixo singular). Esta prefixação parece reforçar a importância da

179 MUKUNA. Cont r ibui ção bant u na música popul ar br asil eira: perspecitvas etnomusicológicas, p. 53. 180 KAGAME. A per cepção empíri ca do t empo e concepção da hist ória no pensament o bant u, p. 103.

124 enunciação do falante, visto que o sistema de escrita desses idiomas nunca chegou a ser amplamente desenvolvido, caracterizando-se essa cultura como de tr adição oral. Segundo Altuna, a África negra “conheceu alguns sistemas de escrita. Certas tribos usar am expressões gráficas. Os Mandingo, Dogão, Bambara e Bozó usaram e ainda usam uma gama muito variada de sinais”.181 Entretanto, a cultura banto não está fundamentada na escrita e, sim, na dimensão da oralidade. Para Hampaté Bâ, o sistema de escrita nada tem a ver com o saber, e o saber africano r eside na ideia de testemunho: “o testemunho, seja escrito ou oral, no fim não é mais que testemunho humano e vale o que vale o homem.”182 Testemunhar é, então, a memória em seu mais alto grau de realização. No testemunho, o presente, o passado e o futuro fundem-se enquanto enunciação. A partir do intérprete (cantor) e de sua voz (enunciação), presentifica-se o saber, enquanto memória e ancestralidade:

A escr it a é uma coisa e o saber , out r a. A escrita é a fot ogr afia do saber, não o saber em si. O saber é uma l uz que exist e no homem. A her ança de t udo aquilo que nossos ancest r ais vier am a conhecer e que se encontr a lat ent e em t udo o que nos t r ansmit ir am, assim como o baobá já exist e em pot enci al em sua sement e.183