Figura 4.10: Dados de Kd a partir da regressão por unidade geológica.
A regressão dos dados de K segundo a geologia foi ajustada de acordo com os valores de coeficiente linear de cada unidade, visando a equiparação com valores médios de K da crosta. Esse ajuste foi necessário devido à natureza heterogênea da área e ao fato de que possíveis ações intempéricas poderiam mudar o comportamento médio radiométrico esperado. As regressões ajustadas são apresentadas nas figuras 4.11 e 4.12.
Figura 4.11: Regressões lineares e ajustes necessários para a equiparação com os valores de K médios crustais para as unidades geológicas da Bacia do Paraná. a) Folhelhos e Arenitos da Formação Vila Maria/Iapó, b) Arenitos e Conglomerados da Formação Furnas, c) Arenitos e Siltitos da Formação Ponta Grossa, d) Arenitos Ferruginosos da Formação Aquidauana.
Nem todas as unidades foram ajustadas, pois algumas já estão próximas dos valores globais. A figura 4.11 corresponde às regressões lineares das unidades da bacia. Os ajustes feitos nas unidades a,b e d reduziram os valores anômalos acima da reta de regressão, restringindo ainda mais a análise dos dados.
Formação Vila Maria/Iapó
A Formação Vila Maria/Iapó exibe gráfico de dispersão com concentração de pontos ao centro (Fig 4.11 – a), indicando que a formação possui características isotópicas parecidas. Para os dados acima da reta de regressão, os valores anômalos possuem dispersão que segue o padrão da análise como um todo.
Formação Furnas
bimodalidade dos dados. Há regiões onde a Fm. Furnas apresenta valores de K inversamente proporcionais aos de tório, enquanto outras possuem uma relação direta.
Formação Ponta Grossa
A unidade Ponta Grossa mostra uma baixa correlação entre os isótopos de K e eTh. Tal fato está correlacionado a valores dispersos que não acompanham a média geral da reta de regressão, o que pode indicar unidade com heterogeneidade composicional.
Formação Aquidauana
Os ajustes foram feitos a fim de aumentar o coeficiente linear da reta para 1,5% de K. O gráfico de dispersão apresenta concentrações anômalas em relação ao tório acima da reta ajustada. É observado que a forma de dispersão acima da reta segue um padrão uniforme com apenas algumas pequenas concentrações de pontos mais anômalos.
Embasamento Gnaissico
O Embasamento Gnáissico apresenta baixa correlação entre os isótopos analisados, apesar de indicar concentração alta de K (principalmente nos valores mais baixos de tório). Esse enriquecimento em rochas já ricas em K pode indicar presença de veios pegmatíticos gerados durante as intrusões dos corpos graníticos pós-tectônicos.
Grupo Bom Jardim 1 e 2
As unidades do Grupo Bom Jardim que faz parte do embasamento foram divididas a partir do trabalho de Andrade et al (2012), pois o mesmo foi realizado em maior escala e notou- se uma diferenciação bem marcada em campo. A divisão realizada não é encontrada em outras bibliografias. O Grupo Bom Jardim 1 é composto por metabasaltos na região, apresentando correlação ideal para o litotipo. Os valores iniciais de K correspondem ao ideal obtido pelo IAEA (2013), fazendo com que as anomalias sejam mais homogêneas e o gráfico mais simétrico.
Figura 4.12: Gráficos de dispersão das unidades do embasamento e seus respectivos ajustes quando necessário. a) Embasamento Gnaissico; b e c) sequência vulcânica sedimentar do Grupo Bom Jardim; d) Intrusão Granito Serra Verde; e) Filitos do Grupo Cuiabá, as populações P1 e P2 apresentam concentrações distintas no gráfico de dispersão e espacialmente; f) Cataclasitos da Falha de Serra Negra, a população P3 apresenta concentração espacial.
Os gráficos de dispersão das unidades 1 e 2 do Grupo Bom Jardim possuem parâmetros
observações encontradas em campo, pois há três variações litológicas no local, como observado em campo. Os basaltos com vesículas e precipitações de pirita representam os valores anômalos acima da curva, enquanto os afloramentos de basalto/riolito in situ e blocos rolados de brechas representam os pontos anômalos abaixo da curva.
Granito Serra Verde
Apesar da baixa dependência entre os isótopos de K e eTh, o Granito Serra Verde apresenta concentração dos maiores valores de Kd situados ao redor da falha de Serra Negra,
principalmente nos intervalos entre 12-30ppm de eTh e valores acima de 6% de K. Os valores de Kd tendem a diminuir à medida que se afastam da falha (Figura 4.13).
Figura 4.13: Diminuição dos valores de Kd a medida que os pontos se afastam da falha de Serra Negra.
O corpo granítico é posterior a falha, o que pode sinalizar possível reativação tectônica, com fluidos hidrotermais elevando os teores de K na área de influência da falha. A obliteração do granito e posterior intemperização do material encontrado na expressão da falha em superfície justificam as assinaturas isotópicas obervadas, muito próximas às do corpo granítico, como pode ser observado nas figuras 4.14 e 4.15.
Falha de Serra Negra
A falha de Serra Negra apresenta gráfico de dispersão sem necessidade de ajuste, porém ao analisar os dados, é notado que a dispersão dos pontos apresenta a partir do aumento isotópico uma concentração nos maiores valores de K e eTh no gráfico. Foi verificado que a população (P3) desses valores dispersos estão concentrados espacialmente, como observa-se na figura 4.14, indicando possível concentração anômala.
Figura 4.14: Espacialização dos pontos isolados (P3) a partir da análise do gráfico de dispersão da Falha de Serra Negra.
A disposição desses pontos sobre a falha encaixada em área de deposição próxima ao contato do embasamento com a Bacia do Paraná indica que a anomalia é causada por fontes rasas ou provenientes de deposição oriunda das frentes de recuo erosivo. Tal unidade geomorfológica circunda totalmente os pontos e possui processos erosivos atuantes, como pode
Grupo Cuiabá
O gráfico de dispersão dos filitos do Grupo Cuiabá teve seu coeficiente linear ajustado para aproximadamente 2,2, o que faz com que as áreas com valores anômalos de K acima da curva sejam muito restritas. Essa unidade possui três pontos de observação, duas populações abaixo da curva (P1 e P2) e as anomalias acima, que indicam uma heterogeneidade da análise observada na Figura 4.11.
Figura 4.15: Concentrações isotópicas espacializadas das populações de dados P1 e P2 identificados na figura 5.2.6.4 e sua relação com os filitos do Grupo Cuiabá em contato com outras unidades.
As populações P1 e P2 que estão com seus pontos concentrados abaixo da reta de regressão, possuem comportamento isotópico semelhante, onde o K se mantém constante enquanto os valores de eTh aumentam. Ambas concentrações possuem agrupamento espacial como se observa na figura 4.15. As concentrações de ambas populações não são consideradas anomalias de enriquecimento, pois estão abaixo da curva. Porém são válidas de destaque pois podem indicar possível diferenciação composicional devido a ambientes diferentes dentro da
mesma unidade.