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a) Identificar e analisar quais são as ideias e conceitos utilizados pelos membros das Equipes de Saúde da Família em suas funções, ou seja, como seria feita a objetivação dos idosos que fazem uso problemático de álcool;

b) Formular hipóteses interpretativas sobre em que representações anteriores essas ideias e conceitos utilizados estariam ancoradas;

c) Formular hipóteses interpretativas sobre se, e como, o tipo de ancoragem feita pode se relacionar às condutas clínicas tomadas pelos membros das equipes.

Figura 10. Roda d´água com taças - desenho (Da Vinci, 1503). (Faz pensar nas ferramentas que são construídas visando certos objetivos e como, apesar de complexas, são situáveis no tempo).

3. Método

Qualquer que seja a abordagem escolhida para buscar o entendimento das relações entre os fenômenos estudados em alguma pesquisa, torna-se imprescindível um referencial teórico-metodológico para ajudar a estabelecer e delimitar o caminho percorrido rumo aos objetivos da investigação (GUALDA et al, 1995).

Para o presente estudo, no qual são abordadas as representações sociais dos membros de Equipes de Saúde da Família (ESF) em relação ao idoso que faz uso problemático de álcool, optou-se por um estudo de natureza qualitativa, pela sua adequação ao caráter exploratório e descritivo dos objetivos, e por possibilitar a compreensão das expressões dos sujeitos investigados.

Um estudo exploratório é caracterizado pela investigação de uma situação não conhecida ou pouco conhecida, da qual se tem necessidade de maiores informações. A pesquisa descritiva busca conhecer, descrever e interpretar a realidade, sem nela interferir, procurando descobrir que fenômenos ocorrem em determinado contexto de observação, sua natureza, características, possíveis causas, relações e conexões com outros fenômenos (LEOPARDI et al, 2001; OLIVEIRA, 1999). Considera-se ser o caso das representações sociais de membros de Equipes de Saúde da Família sobre os idosos que fazem uso problemático de álcool: não poderiam ser investigadas a não ser descritivamente e, ao mesmo tempo, ainda exigem os estudos exploratórios, dados os poucos estudos existentes sobre o tema específico e sobre a temática próxima.

Denzin & Lincoln (1994) 19, apud Turato (2005), descreveram de forma genérica como os métodos qualitativos são empregados nas práticas investigativas: “os pesquisadores qualitativistas estudam as coisas em seu setting natural, tentando dar sentido ou interpretar fenômenos nos termos das significações que as pessoas trazem para estes”, ou seja, o alvo dos pesquisadores qualitativos é a significação dos fenômenos para os que o vivenciam (TURATO, 2005).

Diversos autores, a começar pelas áreas da antropologia cultural e da psicanálise, utilizaram e utilizam os métodos qualitativos desde o início do século XX. Posteriormente a essas duas áreas precursoras, as áreas de educação, sociologia e diferentes subáreas da saúde (sobretudo medicina, psicologia e enfermagem) também passaram a se valer desses métodos. Essas áreas de conhecimento podem ser consideradas como pertencentes, ao menos parcialmente, às ciências humanas (FONTANELLA, 2000).

      

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Minayo (2004) ressalta que a pesquisa qualitativa se ocupa do universo dos significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos a operacionalizações de variáveis, preocupando-se com uma realidade que não pode ser quantificada.

As pesquisas qualitativas são fortemente indutivas, porque se inicia o estudo com questões por vezes um tanto vagamente formuladas e se parte do particular (por exemplo, ideias e conceitos expressos por indivíduos) para chegar ao mais geral (por exemplo, representações sociais de um grupo de pessoas).

Costumam ter um desenho metodológico flexível; são holísticas, uma vez que os cenários e grupos estudados não são reduzidos a variáveis, mas sim considerados como um todo; são naturalísticas, porque tentam reduzir o impacto produzido pelo pesquisador sobre o objeto estudado ao mínimo ou, pelo menos, procuram entender e considerar seus efeitos sobre as pessoas que são seu objeto de estudo (GRACIA & RECART, 2003; MARCUS & LIEHR, 2001).

O pesquisador que faz uso dessa metodologia acredita que as pessoas atribuem significados às suas experiências e que tais significados derivam dos seus contextos de vida, ou seja, das relações entre elas e seus ambientes, relações que surgem ao longo de seus cotidianos (GRACIA & RECART, 2003; MARCUS & LIEHR, 2001).

Reforçando os comentários acima, as abordagens qualitativas procuram se ocupar da totalidade do ser humano, concentrando-se em suas experiências tais como

naturalmente ocorrem. Partem de um acontecimento real, no sentido de que ocorre sem

provocações do pesquisador, acontecimento do qual se quer formular um conceito, considerando o pesquisador estar diante de algo que ele quer saber o que é e como ocorre (CHIZZOTTI, 2003; MARCUS & LIEHR, 2001).

O ponto de partida são as observações que se fazem a respeito de acontecimentos imersos na realidade; a meta é reunir e ordenar todas essas observações em algo compreensível, vale dizer, configurar um conceito a respeito dos fenômenos observados. Ou seja, os estudos qualitativos possuem como objetivo a descrição das qualidades de um fenômeno, procurando formulá-los conceitualmente (estruturando um conjunto de qualidades) a partir de observações feitas (CHIZZOTTI, 2003; MARCUS & LIEHR, 2001).

Fundamentam-se a partir de um modelo investigativo que se inicia com certas observações a partir das quais, indutivamente, se desprendem certas qualidades que, finalmente, geram um corpo teórico-conceitual a respeito dos fenômenos observados. A partir

de algumas observações da realidade empírica, chega-se a uma formulação geral (CHIZZOTTI, 2003; MARCUS & LIEHR, 2001).

Demo (2001) refere que, para a realização de uma pesquisa de abordagem qualitativa, é preciso que o pesquisador pelo menos vivencie e conviva com o fenômeno, ultrapassando o limiar de um visitante, pois é impossível sua realização à distância ou uma realização intermitente. Há a necessidade do diálogo entre o pesquisador e o campo pesquisado, superando a posição estereotipada de um avaliador formal, destacado e distante, de um lado e, de outro, o conjunto observado como mero objeto (no sentido de manipulável).

Este tipo de estudo envolve dados de uma forma ampla, num contexto que fornece subsídios ao pesquisador no momento da análise e interpretação dos dados, além de visualizar os vários recortes daquelas informações fornecidas ou dos fenômenos que ocorreram, fazendo com que o trabalho proporcione um melhor e mais flexível entendimento dos fatos influentes para determinadas ocorrências (OLIVEIRA, 1999).

As abordagens qualitativas têm oferecido a oportunidade para que os profissionais de saúde compreendam os significados, crenças e valores dos seres humanos sob seus cuidados (pacientes, familiares) ou dos que participam do cuidado (estudantes e trabalhadores do setor saúde ou setores correlatos). Os profissionais de saúde necessitam de métodos que os auxiliem a penetrar na complexidade do ser humano e os métodos qualitativos oferecem muito aos que estudam a atenção à saúde e os serviços de saúde (POPE & MAYS, 2009).