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3.5 Jordskifteloven av 2013

3.5.10 Jordskifteloven § 3-16. Avgrensning av jordskifteløsningen

O enquadramento temporal destina-se situar a abordagem no nível do tempo contado, ou seja, na temporalidade narrativa: a história contada. A imagem do espaço da história contada nos fornece dados narrativos históricos (tempo mortal214), e dados narrativos que vão além dos limites narrativos (tempo monumental ou escatológico). “Toda narrativa pode encarnar certa visão do tempo monumental, da mesma maneira que enuncia uma visão do mundo particular”215.

Buscando um enquadramento cronológico – sucessão histórica216 – para nossa

narrativa parabólica, primeiramente, abordaremos seu contexto imediato maior, o que entendemos remeter ao capítulo 14 do evangelho segundo Lucas.

O elemento factual da narrativa é identificado como o local onde Jesus vai comer a refeição (pão). Esse local é a casa de um dos líderes dos fariseus (evlqei:n auvtovn ei:V oi\kovn tinoV tw:n ajrcovntwn tw:n Farisaivwn). A narrativa dessa passagem é concreta.

Sobre o tempo cronológico, o início do texto descreve Jesus, num dia de sábado, entrando na casa de um líder fariseu para com ele partilhar da refeição (v. 1). É a partir dessa refeição que as narrativas subsequentes serão construídas.

Deduzimos que as narrativas de 14-16217 do evangelho de Lucas ocorrem nesse dia de “sábado” (sabbavtw|), o sétimo dia da semana, tempo que não podemos deduzir a ocorrência quanto ao período da tarde, noturno ou matutino. Dessa refeição, Jesus propõe muitas

213 MARGUERAT & BOURQUIN, 2009, p. 99.

214Para avaliação metodológica, εarguerat & Bourquin definem “o tempo mortal como os dados históricos; o

tempo monumental compreende o tempo das origens e o do fim”ν p. 100.

215 MARGUERAT & BOURQUIN, 2009, p. 100.

216 Cf. “Tempo da narrativa e da história” inμ τSBτRσE, Grant R. A Espiral Hermenêutica: uma nova

abordagem à interpretação bíblica. São Paulo: Vida Nova, 2009, p. 262-263.

217Segue as narrativasμ “Cura de um hidrófilo em dia de sábado”ν “A escolha dos lugares”ν “A escolha dos

convidados”ν “τs convidados que recusam o banquete”ν “Renunciar ao que temos de mais caro”ν “Renúncia a todos os bens”ν As três parábolas de misericórdiaμ “A ovelha perdida”ν “A dracma perdida” e “τ filho perdido e o filho fielμ ‘o filho pródigo’”ν “τ administrador infiel”ν “τ bom emprego do dinheiro”ν “Contra os fariseus, amigos do dinheiro”ν “Assalto ao Reino”ν “Perenidade da δei”ν “Indissolubilidade do matrimônio”ν e “τ homem rico e o pobre δázaro”ν emμ BÍBLIA, 2011, p. 1815-1819.

histórias e parábolas que dão a entender que tudo ocorre no momento dessa refeição. Decorremos que essa informação é o espaço cronológico (tempo mortal) que indica o gênero de tempo no qual tem lugar a ação (em dia de sábado).

Olhando para nossa narrativa, os indícios que marcam o seu tempo na primeira cena (vv. 19-21) são: a construção ]AnqrwpoV dev tiV h\n (E certo homem era...; ou E havia certo homem...), é tempo imperfeito, que não se pode determinar. Tanto o homem rico como o pobre Lázaro, ambos estão enquadrados nesse tempo onde a existência é puramente ficcional. O verbo no imperfeito (h\n) sugere que a narrativa é uma “história imaginária”218.

τ rico banqueteava e festejava “todos os dias” (kaq= hJmevran), é uma indicação que dentro da cena que descreve a vivência dos personagens e sugere um tempo mortal se define a duração dessa ação, ou seja, persiste até o fim de sua vida.

O anseio do pobre Lázaro de alimenta-se (ejpiqumw:n cortasqh:na) também se enquadra nesse tempo mortal. Sua fome não é apenas para aquele momento narrativo, mas para “todos os dias” em que esteve no portão do rico esperando as migalhas caírem da mesa. Sobre a narrativa, “Jesus não fornece nenhuma indicação de que ele nunca foi capaz de adquirir o objeto de seu desejo”219.

Na segunda cena (vv. 22-26) os verbos “sucedeu morrer” (ejgevneto de; ajpoqanei:n) e “morreu” (ajpevqanen) são pontuados como fatos reais220 dentro dessa narrativa de existências

fictícias. O infinitivo indica uma ação completa221, no caso, o fim da vida dos personagens na narrativa sem indicação do real motivo dessa morte. O leitor poderá deduzir, pelas condições do rico e de Lázaro, como cada um deles veio a falecer.

A partir da morte dos persnagens, se desvela o mundo pós-morte. Passamos para outro tempo. Do tempo real, que identificou a situação da vida de cada um, agora para um tempo monumental, a inversão que autentica a situação final deles. No v. 25, o verbo imperativo passivo “lembrai” (mnhvsqhti) refere-se ao tempo mortal como tempo que valída a condição atual do homem rico. Abraão remete o homem rico ao tempo histórico, tempo que está em sua memória, para trazê-lo a sua realidade do “agora neste lugar” (nu:n de w|de).

218 BOVON, 2004, vol. III, p. 141. 219 METZGER, 2007, p. 137. 220 Cf. METZGER, 2007, p. 140.

Outro verbo que situa essa realidade pós-morte como tempo monumental, é o perfeito passivo “permanece” ou “foi colocado” (ejsthvriktai) no v. 26, indicando que o abismo é permanente, o fim como “um estado atual que, geralmente é resultado de um acontecimento do passado”222. τ verbo subjuntivo presente “passem” (diaperw:sin), usado como expressão

de negação (não passem), finda qualquer expectativa ou desejo do rico de mudar do estado de sofrimento para um estado de consolo.

Na terceira cena (vv. 27-31), o homem rico pede a Abraão que “envie” (pevmyh/V), de forma implicita), Lázaro aos cinco irmãos. O vocábulo subjuntivo aoristo tem como função identificar uma ação no presente (o pós-morte) como um tempo imaginado, que pode interagir e interferir no/com o futuro223. Assim, o diálogo na terceira cena nos insere no momento exato da conscientização do rico sobre sua condição e, também, na sua proposta de mudar o tempo mortal (dos cinco irmãos) por uma ação futura (ressurreição v. 30) administrada do tempo monumental (Abrão enviar Lázaro para testemunhar aos cinco irmãos). Essa proposta se torna mais evidente pela resposta de Abraão no v. 29, onde o verbo imperativo aoristo ativo “escute-os” (ajkousavtwsan aujtw:n), sugere que a realização de observação constante de Moisés e os profertas, em vida, é que os livrará da situação futura no hades.