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De acordo com o dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (FERREIRA, 1986, p. 1391), “prevenção” é um substantivo feminino com origem no latim tardio, praeventione, tratando-se do “Ato ou efeito de prevenir(-se). Disposição ou preparo antecipado e preventivo. Modo de ver antecipado; premeditação (...). Precaução, cautela (...)”. Já o dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (HOUAISS; VILLAR; FRANCO, 2001) traz “prevenção” como um conjunto de medidas ou preparação antecipada (de algo) que visa prevenir (um mal).

Em relação a “prevenir”, palavra originada do termo latino praevenire (“vir antes”, “tomar a dianteira”), é um verbo transitivo direto e indireto, cujos significados são “avisar, informar com antecedência; influenciar; dispor”. Como verbo transitivo direto, “prevenir” refere-se a antecipar; dispor com antecipação; preparar; chegar antes de; antecipar- se a; evitar; impedir que suceda ou se execute; acautelar-se contra; dizer ou fazer antes que o outro diga ou faça; realizar antecipadamente; ir ao encontro de; atalhar (FERNANDES; LUFT; GUIMARÃES, 1991).

No contexto da saúde, a prevenção "exige uma ação antecipada, baseada no conhecimento da história natural a fim de tornar improvável o progresso posterior da doença" (LEAVELL; CLARCK, 1976, p. 17).

As ações preventivas definem-se como intervenções orientadas a evitar o surgimento de doenças específicas, reduzindo sua incidência e prevalência nas populações. A base do discurso preventivo é o conhecimento epidemiológico moderno, cujo objetivo é o controle da transmissão de doenças infecciosas e a redução do risco de doenças degenerativas ou outros agravos específicos. Os projetos de prevenção e de educação em saúde estruturam- se mediante a divulgação de informação científica e de recomendações normativas de mudanças de hábitos (CZERESNIA, 1999).

A doença que se pretende prevenir por meio da construção da escala é a diarreia; assim, “diarreia” é um substantivo feminino, advindo do grego diarrhoia, o qual significa, conforme Fernandes, Luft e Guimarães (1991), evacuações frequentes e líquidas; fluxo do ventre.

No latim a doença é chamada de diarrhoea, sendo um termo da patologia, cujo significado é “evacuação frequente de fezes líquidas e abundantes; fluxo de ventre” (FERREIRA, 1986, p. 586). Alguns sinônimos da palavra“diarreia”, quase todos populares e muitos deles brasileiros, são: “afitamento, afito, borra, caganeira, câmaras ou cambras, carreirinha, caseira, corredeira, desarranjo, destempero, ligeira, piriri, reira, sedeca, soltura, soltura de ventre” (FERREIRA, 1986, p. 586).

Além dos referidos conceitos, identificou-se que a diarreia pode ser definida como três ou mais eliminações de fezes fluidas dentro de 24 horas; duas ou mais incidências de fezes fluidas com pelo menos um dos seguintes sintomas: dor abdominal, cólicas, náuseas, vômito ou febre; ou a incidência de uma única eliminação fluida com sangue ou muco (BAQUI et al., 1991; ISENBARGER et al., 2001; WRIGHT et al., 2006).

Há autores que referem que a diarreia pode ser definida como a eliminação de quatro ou mais evacuações por dia (ENGLISH et al., 1997), e ainda aqueles que conceituam diarreia como uma alteração no hábito intestinal, com aumento no número e volume das evacuações e diminuição na consistência das fezes (FAGUNDES NETO; SCALETSKY; AFFONSO, 2000).

Agrasada et al. (2005) parecem concordar, ao afirmarem que a diarreia pode ser definida como fezes mais amolecidas, mais aguadas e mais frequentes do que o habitual.

Para o UNICEF e OMS (2009), a diarreia é definida como eliminações de fezes moles ou líquidas, pelo menos três vezes por dia, ou mais frequentemente do que o normal para um indivíduo. Embora a maioria dos episódios de diarreia infantil seja leve, os casos agudos podem levar à perda de líquido e significativa desidratação, resultando em morte ou outras consequências graves se os fluidos não forem substituídos no primeiro sinal de diarreia. A diarreia infantil pode ser entendida como um aumento do número de evacuações e redução da consistência das fezes, geralmente causados por agentes infecciosos que provocam uma secreção excessiva de eletrólitos importantes na fisiologia da criança, promovendo, assim, distúrbios ácido-básicos que, quando não corrigidos, podem levar a óbito por falência renal (KOTZE, 1992).

Existem três principais formas de diarreia na infância: diarreia aguda aquosa, diarreia sanguinolenta e diarreia persistente. Estas últimas são potencialmente fatais e necessitam de tratamentos diferentes. A diarreia aguda aquosa é associada com a perda de fluido significativa e rápida desidratação em um indivíduo infectado, e geralmente se prolonga por várias horas ou dias. Os patógenos que geralmente causam diarreia aguda aquosa incluem Vibrio cholerae e a bactéria Escherichia coli, bem como o rotavírus (UNICEF; OMS, 2009).

Diarreia sanguinolenta, muitas vezes referida como disenteria, é marcada por sangue visível nas fezes. É associada a danos intestinais e perda de nutrientes de um indivíduo infectado. A causa mais comum de diarreia sanguinolenta, sobretudo dos casos graves, são as bactérias do gênero Shigella (UNICEF; OMS, 2009).

Já a diarreia persistente se manifesta por episódios diarreicos, com ou sem sangue, que duram pelo menos 14 dias. Crianças desnutridas e pessoas com outras doenças, como AIDS, estão mais propensas a desenvolvê-la, tendo, então, sua condição de saúde agravada (UNICEF; OMS, 2009).

As crianças, devido à imaturidade no sistema imunológico, sobretudo aquelas com estado nutricional comprometido e expostas a precárias condições, são mais suscetíveis a episódios diarreicos graves (UNICEF; OMS, 2009). O pico de incidência da doença ocorre em crianças de 3 a 24 meses. Em relação aos recém-nascidos, estes tendem a escapar da diarreia provavelmente devido à protecção conferida pelos anticorpos maternos (GLASS et al., 2006).

Estudo epidemiológico realizado em Fortaleza constatou que a incidência de diarreia é 3,8 vezes maior em crianças menores de 1 ano, em relação àquelas que têm entre 1 e 4 anos de idade, e 13,5 vezes maior do que as de 5 a 9 anos (FAÇANHA; PINHEIRO, 2005). Estudos salientam que a diarreia é uma das cinco patologias mais prevalentes em crianças menores de 5 anos, no Brasil (AMARAL, 2002; JUCÁ; MARTINS, 2005).

Por esses motivos, o construto estudado englobou a faixa etária infantil. A palavra “infância”, do latim infantia, é um substantivo feminino que significa o período de crescimento do ser humano que vai do nascimento até a puberdade, tratando-se, portanto, das crianças. Assim, “infantil”, do latim infantile, é o adjetivo que se refere a algo que é “de, ou relativo à, ou próprio da infância, de crianças” (FERREIRA, 1986, p. 942).