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Nesta fase foram desenvolvidas as duas próximas etapas do processo de construção da escala, consistindo em planejar e aplicar o instrumento a uma parcela representativa da população-alvo.

5.3.1 Local do estudo

O polo empírico foi desenvolvido entre os meses de novembro de 2009 e fevereiro de 2010, na cidade de Fortaleza, Ceará, cuja população estimada é de 2.447.409 (IBGE, 2010), sendo que as crianças de zero a 5 anos de idade equivalem a 20,1% do total da capital (IBGE, 2007).

Fortaleza é dividida em Secretarias Executivas Regionais (SERs), que são subsecretarias com suporte técnico, autonomia financeira e administrativa. Cada SER conta com uma estrutura de Centros de Saúde da Família (CSF), portas de entrada no sistema de saúde hierarquizado, contando com a assistência de equipes da Estratégia Saúde da Família para o acompanhamento da população adstrita de seus respectivos CSFs.

O estudo foi desenvolvido em seis CSFs, os quais pertencem às SERs III, IV e VI. A coleta de dados iniciou-se após a anuência da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza e dos coordenadores dos CSFs estudados.

As referidas SERs foram selecionadas por se destacarem em relação ao número de crianças com idade até 5 anos. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde, no ano de 2008, as SERs III, IV e VI possuíam, respectivamente, 31527, 24057 e 40386 crianças menores de 5 anos. A coleta de dados iniciou-se nos CSFs da SER III, seguida pelos da SER

IV e, por fim, da SER VI. Tal ordem deveu-se à prioridade dada às SERs de mais fácil acesso para os entrevistadores. Em relação à escolha dos CSFs, estes foram selecionados por conveniência.

5.3.2 População e amostra

A população do estudo foi composta por mães de crianças com idade de zero a 5 anos, cadastradas nos CSFs participantes e residentes nas áreas adstritas aos mesmos. Os critérios de inclusão no estudo foram: mães com pelo menos um filho (a) com idade inferior a 5 anos; e mães cujos filhos fossem acompanhados nos CSFs selecionados pelo estudo.

O critério de exclusão adotado foi: mães com problemas mentais que impossibilitassem a compreensão da escala. Em relação aos critérios de descontinuidade, estes consistiram em desistência da mãe para participar da pesquisa, após início da coleta; desistência da mãe ou do responsável legal (no caso de mães adolescentes) de participar da pesquisa; falecimento da mãe ou da criança durante o estudo.

Tendo em vista o considerável aumento no número de gravidezes na adolescência (CREMONESI; FERREIRA, 2009), a idade não foi utilizada como critério de seleção. Desse modo, nesses casos, além do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, obteve-se o consentimento verbal das mães ou responsáveis que acompanhavam as adolescentes que eram mães de crianças menores de 5 anos aos CSFs.

A amostra foi calculada a partir da fórmula para populações infinitas apresentada a seguir:

n = t25%x P x Q

e2 onde:

n = tamanho da amostra

t = valor da distribuição t de Student (t5%= 1,96);

P = percentagem de crianças < 5 anos com diarreia (P=24,85% e Q=75,15%); e = erro amostral (e = 4%)

Para o cálculo considerou-se uma prevalência de 24,85% e uma população de 198.267 crianças menores de 5 anos de idade, dados obtidos na Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza, em relação ao ano de 2008 (FORTALEZA, 2008). O erro amostral adotado foi

de 4%, dessa forma, a coleta de dados propriamente dita, com a quinta versão da escala (instrumento-piloto), foi realizada com uma amostra de 448 mães de crianças menores de 5 anos de idade, as quais atenderam aos critérios de seleção do estudo.

Ressalta-se que a amostra foi obtida por conveniência, o que acarreta o uso das pessoas mais convenientemente disponíveis como participantes do estudo (POLIT; BECKER; HUNGLER, 2004). Dessa maneira, as mães eram convidadas a participar da pesquisa no momento em que buscavam atendimento nos CSFs selecionados, enquanto aguardavam consulta, ou após o atendimento, sendo entrevistadas mediante o consentimento formal por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE E).

5.3.3 Instrumentos

Os instrumentos utilizados no momento da coleta de dados foram a quinta versão da EAPDI (instrumento-piloto), composta por 25 itens (APÊNDICE L) e um formulário elaborado, validado e pré-testado pela pesquisadora (APÊNDICE J) que abordava dados relacionados à mãe e à criança, como o perfil sociodemográfico, dados obstétricos da mãe, condições higiênico-sanitárias, dieta infantil e saúde da criança, além de dados relacionados à doença diarreica na criança.

5.3.4 Coleta de dados

A coleta de dados nesta fase, bem como nas fases de análise semântica e pré-teste, foi realizada por meio de entrevistas, tendo sido esta opção escolhida para se evitar possíveis constrangimentos para as mães, visto que algumas não sabiam ler nem escrever.

A entrevista é o método de coleta de dados em que um entrevistador faz questionamentos verbais ao sujeito da pesquisa, podendo ser face a face ou por telefone, aplicando-se perguntas dissertativas ou de múltipla escolha (LOBIONDO-WOOD; HARBER, 2001).

As vantagens deste método consistem no ritmo da resposta, já que, estando diante do entrevistador, é mais difícil de a pessoa se negar a responder às perguntas; a entrevista favorece também a participação de crianças, pessoas muito idosas, deficientes visuais e analfabetos; permite que algumas medidas de segurança sejam tomadas na ocasião da coleta, como o esclarecimento de informações dúbias, a possibilidade de observar o nível de

entendimento e o grau de cooperação da pessoa que responde (POLIT; BECKER; HUNGLER, 2004).

Além disso, por meio da entrevista, sabe-se com certeza quem está respondendo às perguntas, fato que não ocorre quando, por exemplo, questionários são enviados via correio; o pesquisador possui controle acerca da ordem das perguntas, não havendo a possibilidade de o respondente modificá-la; dessa forma, as entrevistas permitem a coleta de dados mais ricos e complexos (LOBIONDO-WOOD; HARBER, 2001).

Contudo, apesar das vantagens citadas, deve-se ressaltar que as respostas dadas pelos entrevistados podem ser afetadas pela chamada desejabilidade social, quando as pessoas buscam responder às perguntas de forma favorável por estarem diante do pesquisador. Dessa forma, na maioria das vezes, o pesquisador é forçado a acreditar naquilo que os sujeitos respondem, por não haver possibilidade de comprovar essa tendenciosidade dos respondentes (LOBIONDO-WOOD; HARBER, 2001).

As entrevistas foram realizadas pela pesquisadora e por três alunos do Curso de Enfermagem da UFC, previamente selecionados e treinados para a coleta de dados, no período de setembro a outubro de 2009. Os critérios de seleção dos alunos foram: ter tido contato anterior com trabalhos científicos, sob orientação de docentes do Departamento de Enfermagem da instituição; e serem membros do Projeto de Pesquisa Enfermagem na Promoção da Saúde da Criança e da Família.

Assim, os três alunos selecionados cursavam o terceiro, quarto e sexto semestres do Curso de Enfermagem da UFC e eram bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP) ou do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O treinamento desses alunos foi realizado pela própria pesquisadora no decorrer de cinco encontros, nos quais foram explicitados o tema e objetivo do estudo, o conceito de autoeficácia, a operacionalização da coleta de dados (abordagem das mães, condução da entrevista, registro das informações), a distribuição das questões do formulário e dos itens da EAPDI, bem como a disposição do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Nos encontros foram realizadas entrevistas simuladas entre os alunos, com a finalidade de padronizar e aprimorar a técnica da entrevista, no sentido de não induzir as respostas e prevenir possíveis falhas.

Durante a coleta de dados, as questões do formulário e os itens da EAPDI eram lidos e registrados por escrito pelos entrevistadores. Para tanto, contou-se com o apoio dos

coordenadores de alguns CSFs, pois os mesmos disponibilizaram uma sala reservada, tanto no período da manhã quanto da tarde, para a realização da pesquisa. Dessa forma, buscou-se garantir o conforto e a privacidade dos respondentes no momento da coleta de dados. Cada entrevista durou, em média, 20 minutos, sendo 14 minutos no formulário e seis minutos na aplicação da EAPDI.

5.3.5 Organização dos dados para análise

O banco de dados foi desenvolvido no programa Access 2007 (Microsoft Office), o qual possibilitou maior rigor durante a formação da base de dados, pois permitiu a dupla entrada dos dados, ou seja, a dupla digitação com conferência automática. Dessa forma, no momento em que era detectada alguma divergência entre a primeira e segunda digitação, prontamente os dados da fonte primária (formulários e instrumento-piloto aplicados no campo) eram conferidos, para que as informações fossem checadas, fazendo-se, então, a correção no banco de dados.

Com todos os dados digitados, checados automaticamente e corrigidos, as informações que se encontravam no Access 2007 foram exportadas para o programa Excel 2007. Neste, foram separados os dados de identificação e informações subjetivas ou variáveis que, inicialmente, não interessariam às análises estatísticas. Por fim, as planilhas geradas foram revisadas e exportadas para o programa Predictive Analytics Software (PASW), versão 18, para proceder às análises descritivas e inferenciais.

Os dados foram apresentados por meio de tabelas, gráficos e quadros. A análise exploratória dos dados constou de testes estatísticos descritivos, frequências absolutas e relativas, médias e desvios-padrão. A apreciação dos mesmos se deu de acordo com a literatura pertinente ao tema. Solicitou-se o apoio de um profissional estatístico para esta fase. Os testes estatísticos foram selecionados conforme a necessidade de análise dos dados, com o intuito de se alcançar os objetivos propostos, sobretudo de validade e confiabilidade do instrumento, sendo estes apresentados no polo analítico.