Devido à época em que vivemos, de aceleradas mudanças estruturais, em que a dinâmica da comunicação empresarial, cultural e entre nações é cada vez mais competitiva, é necessário e fundamental que se encontrem novas respostas, mais rápidas e inovadoras, de modo a fazer face à concorrência e, a resolver problemas sociais, políticos e ecológicos.
(Tschimmel, 2003)fundamental promover o reforço das competências criativas que irão sustentar o desenvolvimento futuro dos respetivos sistemas.” (Tschimmel, 2003)
Numa definição ontológica do design, considera-se tal como uma atividade: reflexiva, intuitiva e metodológica; de criação do mundo artificial, explorando o novo e o desconhecido, centrando-se no utilizador e no contexto (Tschimmel, 2003). Assim, o pensamento criativo em design trata-se de um pensamento sobre as funções e a linguagem dos produtos materiais e imateriais, a sua reinterpretação, reinvenção e reorganização, dando resposta às novas condições sociais, tecnológicas e comunicativas.
(Tschimmel, 2003) afirma que: “ Compreende-se por criatividade, a capacidade de um sistema vivo (indivíduo, grupo ou organização) produzir novas combinações, dar respostas inesperadas, originais, úteis e satisfatórios, dirigidas a uma determinada comunidade. É o resultado de um pensamento intencional, posto ao serviço da solução de problemas que não têm uma solução conhecida, ou que admitem mais e melhores soluções que as já conhecidas.”
Todos os seres humanos têm potencialidades para serem criativos, uns mais que outros, mas todos podem desenvolver e melhorar a sua capacidade criativa. O pensamento criativo não se processa, por exemplo, quando é dificultado pela falta de conhecimento da área, pela inexperiência ou pela falta de motivação.
Existem inúmeras variedades de teorias e modelos que explicam o pensamento criativo e muitos dos seus procedimentos mentais. Das teorias mais conhecidas, o conceito do “pensamento divergente” de J.P. Guilford (Guilford, 1986) – teoria determinante na investigação da criatividade nos EUA durante as décadas de 60 e 70; e, a teoria do “pensamento lateral”, desenvolvida por Edward de Bono (Bono, 1994) durante os anos 70 e 80.
(Guilford, 1986) fez parte de um grupo de psicólogos que, já nos anos 50, elaboravam testes que pretendiam medir a capacidade criativa. Desenvolveu então, o “pensamento divergente”, forma de pensamento original de modo a resolver problemas. Em oposição ao “pensamento convergente”, que é um pensamento lógico, racional e convencional, o “pensamento divergente” é um pensamento mais impulsivo, emocional e expressivo, voltado para a produção de muitas ideias diferentes. O pensamento divergente é um processo de pensamento cujo objetivo é encontrar o maior número possível de soluções para um problema. Esta habilidade, é
utilizada para gerar ideias e resolver algo de forma criativa. O pensamento convergente consiste em encontrar uma única solução apropriada a um problema.
(Guilford, 1986) após introduzir estes termos, visualizou dois tipos de resposta possível a um problema – a produção divergente e, a produção convergente. O pensamento divergente exige que se agrupem ideias de várias áreas do saber e, dela surge a produção divergente, ou seja, a obtenção criativa de múltiplas respostas a um problema.
Os testes concebidos por Guilford e os seus colaboradores procuram chegar ao “pensamento divergente” através de perguntas e tarefas que permitem várias soluções, sendo considerada a melhor solução a menos convencional.
A teoria de Edward de Bono (Bono, 1994), também das mais divulgadas, abrange o pensamento criativo e dá continuidade à distinção de Guilford. De Bono define o pensamento criativo como um “pensamento lateral” em oposição a um “pensamento vertical”. Por “pensamento vertical”, entende um pensamento lógico, matemático e seletivo que se dirige numa só direção definida a priori. O pensamento vertical só processa informações relacionadas com determinado problema e, o pensamento lateral integra, nos seus procedimentos mentais, informações que pouco ou nada têm a ver com o problema em si. Trata-se de um pensamento criador que procura novas visões e possibilidades, que se move continuamente, criando assim uma nova direção: o pensamento como um processo com um objetivo pré-definido. (Tschimmel, 2003).
De acordo com o Dicionário Inglês de Oxford, o pensamento lateral é “...uma forma de pensamento que procura a solução para os problemas intratáveis através de métodos pouco ortodoxos, ou de elementos que, normalmente, seriam ignorados pelo pensamento lógico”.
Edward De Bono sugere que o individuo que está perante a criação de uma solução para um problema deve explorar formas diferentes de examinar uma tarefa desafiante, em vez de aceitar aquilo que parece ser a solução, aparentemente com maior potencial. O autor não se opõe a nenhuma das teorias pois refere que o pensamento lateral e o pensamento vertical se complementam.
Numa conferência sobre Design Thinking, um dos oradores criticou os designers, afirmando que estes têm, frequentemente dificuldades de abdicar de uma ideia inicial e de escolher um novo caminho na procura de uma nova solução, chamando a atenção para a necessidade de uma maior utilização de um “pensamento lateral” no design. Embora a importância do “pensamento divergente” e “lateral” no processo criativo seja indiscutível, ambas as teorias omitem vários aspetos. Exclui-se por completo o pensamento analítico-racional do processo criativo.
O pensamento racional – em oposição ao pensamento intuitivo ou irracional – é um instrumento imprescindível em qualquer ato de criação: existem momentos de análise, seleção e avaliação. Comparam-se as diferentes ideias e soluções, certificam-se as prioridades e, avaliam-se e calculam-se os prós e contras. Esta análise exige assim, tanto um pensamento crítico e racional como um pensamento intuitivo e emocional.
Existem aspetos, menos divulgados, nas teorias de Guilford e De Bono. Os aspetos passam por caraterísticas pessoais e estilos cognitivos do indivíduo, pelas condições biossociais como por exemplo, as estruturas de trabalho, os estilos de comunicação, a gestão de conflitos, as hierarquias, etc e, pelas condições ou fatores ambientais como, as cores e formas dos espaços interiores ou exteriores, a temperatura, luz, ruído, entre outros. Todos estes fatores residem no local e/ou área em que o indivíduo trabalha. Estes aspetos foram também identificados por uma das teorias que explica ou tenta explicar a criatividade, a Teoria dos Sistemas9.
Esta visão da criatividade, de tipo sistémica, fundamenta-se na “Teoria Geral dos Sistemas” do biólogo Ludwig Von Bertalanffy (http://www.panarchy.org - consultado a 3 de fevereiro de 2015) que, aplicou este termo durante a década de 70, de modo a que descrevesse os aspetos em comum dos diversos sistemas, como por exemplo, os biológicos, físicos e sociais. Anteriormente, já se tinham desenvolvido outras teorias sistémicas, como por exemplo, a cibernética (Wiener), que dominava a complexidade de sistemas técnicos e económicos.
Ainda hoje se procura por uma teoria universal acerca dos princípios sistémicos comuns às diferentes ciências.
9 Existem inúmeras publicações acerca da Teoria dos Sistemas, pensa-se que a Teoria Sistémica da
Criatividade está ainda por escrever. Pode-se considerar que das primeiras abordagens ao tema encontram-se na obra “The Art of System Thinking” de O’Connor e McDermott, London, 1992, p.7.
Pode afirmar-se que sistema é um conjunto de partes que se comportam num todo, revelando funções e características que não se encontram em nenhuma das partes pois, só se criam e só existem através da interação entre as mesmas. Segundo esta perspetiva pode-se dizer que a capacidade criativa depende da interação de múltiplas variáveis, não sendo compreensível numa visão restrita. (Tschimmel, 2003). Os principais elementos deste sistema são, a inteligência específica da área, as habilidades e atitudes do pensamento criativo, a intencionalidade e a motivação, o conhecimento ou o know how do campo, o ambiente estimulante e, a orientação para objetivos concretos. Isoladamente, estes elementos não têm a capacidade de criar, só através da interação se pode aumentar a capacidade do sistema e possibilitar a emergência de ideias inovadoras.