Tendo em conta a natureza do trabalho e os seus objetivos, previamente delineados, será utilizado o método de estudo de caso, fundamentado na análise e interpretação dos dados obtidos em entrevistas realizadas a um pequeno grupo de supervisores cooperantes, alunas- estagiárias e supervisores da Universidade do Minho.
O fenómeno aqui em estudo é a supervisão pedagógica na formação prática em estágio, tal como ela é vista e compreendida pelos respetivos autores que por ela passaram. Neste sentido, com este estudo pretende-se não só recolher informações sobre o objeto do estudo em causa, mas também fazer uma interpretação, transformando as informações em dados capazes de nos fazer conhecer e compreender a importância da formação prática em estágio e de supervisão pedagógica nesse contexto prático.
Segundo Stake (2009), o método de estudo de caso tem um caráter holístico, dado que herda esta característica da investigação qualitativa, e centra-se no fenómeno como um todo para chegar à sua compreensão. O objetivo do estudo de caso é compreender a sua complexidade, de forma que permita compreender a sua atividade diante das circunstâncias importantes
A natureza mais ou menos abrangente dos estudos de caso é determinada pelo tipo de caso que se pretende estudar e pelo desenho do projeto para esse fim.
O caráter interpretativo constante é a outra caraterística dos estudos de caso, implicando, por conseguinte, alterações nas questões iniciais, à medida que a investigação avança. Stake (2009) considera que as questões temáticas iniciais são fundamentais para orientar a seleção do tipo de dados que se pretende obter e das técnicas para a sua escolha.
Mas pode haver a necessidade de reformular questões, à medida que se avança na compreensão do fenómeno em estudo. Note-se que este estudo foi orientado pelas suas questões temáticas, e que com o desenvolvimento da investigação ou do estudo do fenómeno foram feitas algumas alterações conforme às necessidades sentidas.
Stake (2009) considera que esta metodologia do estudo de caso requer exigências intelectuais e emocionais por parte do investigador que outras estratégias metodológicas descuram. Lidar com a sensatez no relacionamento social durante o processo investigativo
- 55 -
parece ser uma tarefa bastante árdua, principalmente se pensarmos que o investigador se deve integrar no meio sem se implicar totalmente, estabelecer uma relação empática com os seus informantes sem se tornar demasiado familiar e que deve estar atento a tudo sem ser indiscreto.
Neste tipo de metodologia de investigação qualitativa, o papel do investigador é complexo, o que implica que tenha consciência, logo de início, das vantagens e das limitações do tipo de estudo em que se envolve. Muitas vezes, é no final do seu trabalho que o investigador se sente mais preparado tecnicamente, facto que o poderá motivar a proceder a novas investigações ou, ainda, a fazer a mudanças na sua investigação
De acordo com o autor acima referido, os objetivos da investigação determinam o caráter intrínseco, instrumental ou coletivo do estudo de caso. No primeiro tipo de pesquisa, o interesse recai sobre um caso particular, porque ele é intrinsecamente interessante, e o que se pretende é a sua compreensão profunda. No estudo de caso instrumental, o caso em si tem um interesse mais secundário, funcionando como um instrumento que facilita a compreensão de algo que vai para além dele, uma formação, uma característica. No caso deste estudo, ou desta pesquisa, trata-se de um estudo de caso de natureza instrumental, dado que os casos selecionados constituem instrumentos para esclarecer ou compreender a relevância atribuída a formação prática no desenvolvimento profissional do educador e do modelo ecológico e socio-construtivista de supervisão.
Para a realização deste estudo de caso, foram selecionadas supervisoras cooperantes e educadoras principiantes que estiveram envolvidas no estágio profissionalizante enquadrado pelo modelo ecológico e sócio-construtivista de supervisão e que possuem um conhecimento deste modelo. Tendo em conta o fenómeno em estudo, que é compreender a importância da supervisão da formação inicial de Educadores de Infância, as entrevistadas selecionadas são as que melhor nos podem dar informações credíveis, que nos permitam conhecer a verdadeira importância que a supervisão tem na formação inicial de Educadores de Infância, visto que todas elas já tiveram uma passagem por este caminho.
Para Gómez, Flores e Jiménez (1999), os estudos de casos podem ser únicos e múltiplos. Para estes autores, o primeiro tem uma característica crítica, que nos permite fazer a apresentação de característica única e peculiar de um caso, para confirmar, complementar ou ainda, para ampliar os conhecimentos teóricos. O estudo de caso único tem um caráter revelador, pois o investigador tem a oportunidade de observar e analisar o fenómeno em estudo com precedentes inacessíveis, num contexto de investigação científica inacessível. O estudo de
- 56 -
casos múltiplos faz uso de vários casos únicos para chegar à realidade pretendida. Este baseia- se na replicación, ou seja, faz-se a contestação e a contradição dos resultados obtidos nas análises realizadas de forma parcial. Para este caso, a seleção dos casos é feita de forma a obter resultados similares.
O investigador determina o caso a ser estudado e tende centrar-se nos seus aspetos particulares. Bogdan e Biklen (1994) defendem que um estudo de caso comporta uma observação minuciosa sobre um determinado contexto, pessoas e acontecimentos. Ainda segundo esses dois autores, num estudo de caso o investigador escolhe pessoas ou contextos que lhe dá dados precisos para traçar os seus objetivos. O investigador qualitativo tenta ter em consideração a relação desta parte com o todo, mas, pela necessidade de controlar a investigação, delimita a matéria em estudo (Bogdan & Biklen, 1994,p.91).
Para a realização de um estudo de caso, existem fases a percorrer. Inicia-se com a recolha de dados, os quais, depois, são revistos e explorados, tendo em mente os objetivos que se pretendem atingir no trabalho. Assim, deve-se organizar e distribuir o tempo e fazer a seleção das pessoas que se pretende entrevistar e os pontos principais a tratar (Bogdan & Biklen, 1994).