A Terminologia se ocupa especificamente do estudo dos termos, próprios de uma área de especialidade ou uma área profissional, diferentemente da Lexicologia que se ocupa do estudo das palavras. Em questão de análise lexical, Terminologia e Lexicologia não coincidem, o campo da Terminologia é mais restrito, uma vez que estuda conjuntos específicos do léxico; já a Lexicologia é mais abrangente, pois sua área de investigação abrange o léxico em geral, o que implica aceitar que abrange também as terminologias. Por este critério, a Terminologia seria parte da Lexicologia. Mas por outro lado, o que distingue Lexicologia de Terminologia é a diferente natureza de seus objetos, pois palavra e termo não são a mesma unidade, um mesmo objeto, embora sejam parecidos.
As unidades lexicais especializadas denominam, circunscrevem objetos, processos, máquinas, equipamentos e conceituações pertinentes às ciências, às técnicas e
tecnologias; por outro lado, as palavras de uso não especializado, que cumprem o mesmo processo denominativo e conceitual, realizam a mesma função, abrangendo toda e qualquer palavra de uso ordinário pertencente a uma língua natural.
Isso não significa que os objetos de ambas as ciências sejam distantes um do outro. Em uma obra de cunho terminológico são incluídos apenas termos de uso especializado de uma determinada especialidade ou de diferentes especialidades que estejam interligadas; já em uma obra de cunho lexicográfico podemos encontrar tanto palavras de uso comum quanto termos especializados das mais diferentes áreas do conhecimento. Por vezes, uma mesma palavra aparece em um dicionário com vários significados, dentre eles os significados comuns e o significado ou significados especializados.
No caso da Terminologia, subsídios da lexicologia contribuem para o exame do comportamento morfossintático das terminologias. De modo geral, estudos nessa ótica têm comprovado que a constituição estrutural das unidades terminológicas sintagmáticas, predominantes no componente léxico especializado, não se distingue das unidades do léxico geral. Sob essa perspectiva, comprova-se que ambos, palavra e termo, obedecem aos mesmos padrões e sofrem os mesmos efeitos da gramática dos sistemas linguísticos (KRIEGER; FINATTO, 2004, p. 46).
Considerando esses aspectos, não existe uma barreira entre palavras de uma língua geral e terminologias. Muitos termos que aparecem em domínios específicos se tornam elementos da língua geral. Por outro lado, uma palavra da língua geral pode mudar seu significado e se tornar um elemento de uma terminologia.
De modo geral, as características básicas que diferenciam a Terminologia da Lexicologia são: o domínio, a unidade básica, os propósitos e a metodologia.
A unidade básica de cada área se define pela própria natureza de seus objetos. A Lexicologia trata do estudo das palavras, ao passo que a Terminologia trata do estudo dos termos. Segundo Cabré, palavras e termos são similares e diferentes ao mesmo tempo.
Uma palavra é uma unidade descrita por um conjunto de características e tem a propriedade de se referir a um elemento da realidade. Um termo é uma unidade com características linguísticas similares usadas em um domínio especial (CABRE, 1998, p. 35).
A Lexicologia encarrega-se da coleta de vocábulos da língua geral para a produção de dicionários de língua geral, estabelecendo uma lista de palavras que constituem o inventário de entradas para o dicionário. O lexicógrafo descreve as palavras atribuindo-lhes uma definição. Esse processo é denominado semasiológico: começa-se pelas palavras para se chegar às definições.
De modo inverso, os terminógrafos primeiramente estabelecem uma lista de conceitos de determinado campo de atividade e em seguida os delimitam e atribuem termos ou designações a cada conceito. Em caso de mais de um termo para o mesmo conceito, descarta-se aquele com menor prioridade. Esse processo é denominado onomasiológico: começa-se pelos conceitos para se chegar aos termos. Esse procedimento caracterizava a Terminologia Clássica. Atualmente, a Terminologia moderna também utiliza o processo semasiológico, visto que seus objetivos são descritivos e não mais prescritivos.
A chave para o propósito onomasiológico assenta-se na suposição de que um conceito é universal, independentemente de diferenças culturais, e a variação restringe-se às várias possibilidades de representação dos conceitos de acordo com a diversidade de línguas ou o uso de designações alternativas para o mesmo objeto.
A crítica à abordagem onomasiológica, adotada pela Terminologia Tradicional, refere-se a uma inconsistência à abordagem onomasiológica adotada em Terminologia. Essa abordagem não se refere ao conteúdo semântico do signo, mas ao conceito visto como parte do mundo fora da linguagem (TEMMERMAN, 2000). Os conceitos são definidos a partir de uma posição em um sistema de conceitos, antes que a eles sejam designados algum termo. De outra forma, segundo Temmerman (2000), os conceitos não podem ser comunicados, e provavelmente não podem nem mesmo ser conhecido sem a linguagem. Por este ponto de vista, é impossível conceber um conceito sem que a ele esteja atrelado um termo.
Conforme Pontes (1996), devido aos objetivos específicos determinados pela necessidade dos usuários, os trabalhos terminológicos se dividem em duas categorias: a
metodologia da terminologia pontual e a metodologia da terminologia temática. A primeira é
fundamentada numa terminologia bilíngue e pode ser executada por um tradutor, redator de comunicação de língua técnica, terminólogo ou professor de língua de especialidade; a segunda busca a exaustão do conjunto de termos de um domínio, inventariando a terminologia ligada a um tema.
Pontes (1996) observa que há três tipos de ações desempenhadas pela metodologia terminológica temática: a onomasiológica, a semasiológica e a mista, exatamente uma mistura das duas primeiras.
Interessa-nos aqui a ação semasiológica, orientação que seguimos na execução da pesquisa. Essa ação, que utiliza métodos da Lexicologia e da Lexicografia, parte da listagem dos termos observados e depreendidos como portadores de significado especializado, para depois atribuir-lhes uma definição.