De um modo geral, Cabré resume a metodologia de sua proposta teórica nos seguintes pontos:
a) A metodologia da TCT serve se marco restritivo para a atividade prática. Porém, cada trabalho em concreto adota uma estratégia em função de sua temática, objetivos, contexto, elementos implicados e recursos disponíveis. A metodologia defendida por Cabré é livre para se adaptar às circunstâncias sem contrariar os princípios. Assim, um trabalho pode adotar uma perspectiva semasiológica ou onomasiológica; pode partir de texto ou de bancos de dados; pode processar automaticamente texto em suporte digital e utilizar detecção semiautomática; b) A unidade terminológica se concebe como uma unidade conceitual e
denominativa poliédrica na qual o conceito é percebido segundo uma perspectiva determinada pelo grupo científico;
c) Paralelamente à conceptualização, a denominação dos conceitos pode ser variada no interior da mesma língua ou pode refletir prioridades distintas em diferentes línguas ou grupos;
d) As unidades podem coincidir totalmente ou parcialmente com unidades de outros campos. A denominação aceita pela TCT como resultado da observação dos dados na realidade, explica-se pela necessidade de adequar a expressão às características discursivas de cada tipo de situação comunicativa;
e) Na TCT o método é necessariamente descritivo e consiste na recopilação das unidades reais usadas pelos especialistas de um campo em distintas situações de comunicação. Esta diversidade de situações pressupõe que o corpus de extração
dos termos deve ser heterogêneo e representativo. Isso não impede que para que um trabalho determinado possa ser homogêneo tanto em nível de especialização e no tipo de textos selecionados, como também na perspectiva de tratamento do tema. Os selecionados são unidades reais. Não necessariamente satisfatórias nem normalizadas, simplesmente reais;
f) A categoria básica dos termos é a nominal, as unidades adjetivas e verbais de caráter terminológico estão presas a um termo nominal. Existem também locuções de valor terminológico, composto de preposição e sintagma nominal que são semanticamente específicas de um âmbito temático e funcionam habitualmente como complemento de verbo ou de nome deverbal;
g) As unidades retidas nos textos como representativas do conhecimento especializado podem ser termos (nomes, verbos, adjetivos, advérbios) ou formas fraseológicas, ou ainda mais amplas que constituem unidades oracionais próprias de uma área especifica;
h) Os termos reais podem ser polissêmicos e podem compartilhar com outros sinônimos a denominação de um conceito;
i) Na TCT, a terminologia se concebe como o conjunto de unidades, e este pode dar-se em distintos níveis de especialização e para distintos propósitos de forma que quanto maior o grau de especialização menor o de variação. Neste sentido, a sinonímia faz parte da comunicação especializada (CABRÉ, 2005b).
Cabré descreve algumas consequências metodológicas sobre os princípios terminográficos, dentro do conjunto de princípios terminográficos relevantes para qualquer teoria terminológica de base comunicativa:
- A orientação metodológica geral
- A posição ante a segmentação e estruturação - A atribuição de âmbito a cada termo
- A aceitação da variação conceitual e denominativa - A relativização da biunivocidade
- A concepção da definição (CABRÉ, 2005b).
Da mesma forma, a autora apresenta as consequências metodológicas sobre a prática terminográfica. Nessa fase é necessário dividir em tarefas o trabalho terminográfico sistemático, com interdependência da teoria que serve se base:
- Delimitação do tema e definição do trabalho - Preparação e planificação
- Realização
- Apresentação dos resultados (CABRÉ, 2005b).
Grosso modo, para a TCT, as fases de elaboração de uma terminologia sistemática
seguem estas fases acima. Seguindo a lógica e o arranjo dessas fases, o objetivo primário é a delimitação do tema e a definição ou caracterização do trabalho. Nesta fase, o terminólogo ou pesquisador deve adquirir conhecimento sobre a área pesquisada, suficientemente para ter o mínimo de controle sobre organização conceitual da área em estudo. Para tanto, o pesquisador tem a sua disposição documentação variada, além de poder fazer consultas aos especialistas da área.
Outra etapa consiste em traçar um esquema estrutural cujo objetivo é construir um mapa conceitual da área. Este servirá de base para delimitar o tema do trabalho e especificar as dimensões e abrangências da área temática.
Após ter organizado a estrutura temática da área com o esboço do mapa conceitual, é necessário estabelecer algumas variáveis: o tema, o tipo de trabalho, os destinatários, os objetivos do trabalho e as finalidades que buscam estes objetivos.
A partir desta organização, o trabalho está delimitado tematicamente, e isso facilita a seleção de material para recolha de informações terminológicas. Uma vez estabelecida a estrutura conceitual, pode se proceder à redação do plano de trabalho onde devem ser justificadas e explicadas as decisões a tomar.
Em princípio, as duas orientações teóricas – a Socioterminologia e a TCT – que se opõem à TGT são de base linguístico-comunicacional e são fortemente influenciadas pela Linguística a partir dos anos de 1990. Trata-se de uma nova visão epistemológica sobre as terminologias. A orientação notadamente normativa da TGT e a orientação descritiva da TCT são reveladoras de propósitos pragmáticos distintos. A TGT busca uma comunicação, no nível internacional, unívoca e monossêmica; por sua vez, a TCT visa descrever as linguagens de especialidade tal como concebidas pelos usuários, analisando-as em seus contextos de uso.
Cabré considera a Terminologia como uma disciplina porque possui bases teóricas delimitadas e um objeto de estudo bem definido. Outro argumento válido a favor dessa tese é que, como disciplina, possui também uma vertente teórica e uma vertente aplicada, além de aplicações específicas. A vertente teórica, por ter uma forte ligação com outras disciplinas linguísticas (lexicologia, lexicografia, por exemplo), coincide em parte com estas. É uma disciplina que toma fundamentos de outras disciplinas, e por esta razão, não é uma disciplina original, em sentido pleno. Mas por outro lado, tem sua originalidade porque, ao tomar alguns fundamentos de outras disciplinas, funda suas bases específicas, reconfigurando esses fundamentos emprestados para construir um espaço próprio, diferente de outras disciplinas, com objeto, metodologia e objetivos próprios.