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IVARETAKELSE AV GEOMETRI OG TEKSTUR

5. RESULTATER

5.2. IVARETAKELSE AV GEOMETRI OG TEKSTUR

A avaliação é uma prática recorrente em diferentes contextos da sociedade e recai sobre diversos e múltiplos comportamentos sociais. Sendo a língua um comportamento social, também não poderia ser diferente: está sujeita à avaliação de quem fala, de um lado, e de quem a escuta, do outro lado; revelando aspectos desse complexo processo no qual reações subjetivas evidenciam como uma variedade linguística é avaliada, positiva ou negativamente.

11 Ressalta-se que, neste trabalho, os termos Teoria da Variação e Sociolinguística Quantitativa são tomados no

Assim, no contexto linguístico, Weinreich, Labov & Herzog (doravante, WLH), (2006 [1968]), ao discutirem os fundamentos empíricos para uma teoria da mudança linguística, elencaram cinco princípios que possibilitam discutir e descrever como os processos de variação e/ou mudança acontecem, se difundem, se encaixam e são avaliados socialmente nas comunidades de fala. Esses princípios foram abordados como problemas, pelos próprios autores, que buscam consolidar o que seus estudos dialetais estavam propondo. São eles, a saber: o Problema dos Fatores Condicionantes, o Problema da Transição, o Problema do Encaixamento, o Problema da Avaliação e o Problema da Implementação.

Volta-se a atenção para o Problema da Avaliação, que é o foco desta seção. Segundo WLH (2006 [1968]), a teoria da mudança deve demonstrar quais são os correlatos subjetivos (avaliação subjetiva) exibidos pelos ouvintes/falantes acerca da variedade linguística compartilhada pelos membros da comunidade de fala, pois essas avaliações podem contribuir para a propagação ou para interrupção de um dado fenômeno sociolinguístico.

O pressuposto subjacente ao presente estudo é que qualquer variedade linguística, dialeto, língua, etc., é objeto de avaliação sociolinguística. Assim, afirma Campbell-Kibler (2006, p. 49)12 “clearly, the evaluation of the utterance as a whole is a conscious act. But it is

clear how conscious the influence of specific variable is13.”

Neste sentido, a avaliação constitui não apenas uma prática sobre os usos da língua, mas, sobretudo, sobre seus usuários. Assim, semelhante à atitude linguística, torna-se uma prática sociolinguística, uma vez que não só são considerados aspectos relacionados à língua, mas também questões vinculadas ao próprio falante, seu lugar de origem, a outros fatores externos, como, por exemplo, sexo, idade, escolaridade, etnia, classe social, profissão, dentre outros.

Descrever essa estrutura sociolinguística, relacionando-a a aspectos atitudinais e/ou avaliativos, remete a uma questão central nos estudos linguísticos na atualidade: o processo de avaliação sociolinguística ocorre de maneira consciente ou inconsciente? Parece que encontrar respostas plausíveis para essa questão é um dos desafios de uma análise sociolinguística, pois, nesse ínterim, diferentes atitudes, avaliações, percepções, etc. podem ser indexicadas ao objeto em análise.

Ainda pensando nos aspectos avaliativos, baseia-se no fato de que a apreciação sociolinguística de dialetos, variedades e/ou de variantes está vinculada à capacidade cognitiva

12 Todas as traduções que figurarem neste trabalho foram por nós realizadas.

13 “Claramente, a avaliação da expressão vocal assim como um todo é um ato consciente. Mas é claro como

do falante e, ao mesmo tempo, a valores socialmente impostos. Neste sentido, a emissão de julgamentos, de atitudes sociolinguísticas, de comportamentos, etc., é originária desses dois campos.

Com relação aos fatores cognitivos, Labov (2010, p. 02) definiu-os, assim:

As factors that influence the acquisition of the linguistic system that conveys information on status of affairs – on what is being said rather than on the manner or style of expression. The study of the cognitive effects of sound change calls for measure of listener’s abilities to identify the phonemes in the stream of speech and so to retrieve the words intended by the speaker14.

Verifica-se, a partir da literatura específica, que os fatores cognitivos, alinhados aos fatores culturais e sociais, possibilitam a revelação acerca de informações e características sociais dos informantes, das relações de destinatários ou de apresentação e usos de itens linguísticos nas comunidades de fala.

Assim, propõe-se, neste estudo, que a avaliação sociolinguística seja compreendida como o resultado exibido e/ou falado acerca do posicionamento que o falante/ouvinte tem não só sobre o que se ouve/fala, mas também sobre de quem ouviu/falou e de suas características sociais, tais como sexo, idade, nível de escolaridade, profissão, dentre outras. Desse modo, esse processo é, simultaneamente, constituído por duas dimensões formadoras: dimensão objetiva, que toma o fato linguístico como fonte reveladora do ato de avaliar (por exemplo, uma variante linguística); e a dimensão subjetiva, a qual toma como referência o falante (por exemplo, suas características sociodemográficas).

O processo avaliativo acerca da língua irá revelar a existência de diferentes variedades linguísticas e não apenas de uma variedade que, geralmente, é denominada de standard, padrão. Essa realidade permite refletir acerca dos significados que são transmitidos e/ou das consequências e implicações que se acarretam sobre o processo de avaliação sociolinguística.

Assim, nos termos de Garrett, Coupland & Williams (2003, p. 154), os significados das avaliações sociais constituem fatos multidimensionais e apontam “social evaluation of the various stories involved much more than reacting to the stereotyped meanings of speakers’s dialects” (2003, p. 149)15. E, desse modo, a avaliação sociolinguística resulta de uma série de

fatores e, assim, constitui um fenômeno bastante complexo.

14 “Como fatores que influenciam a aquisição do sistema linguístico que transmite informações sobre o estado de

coisas - sobre o que está sendo dito, em vez da forma ou estilo de expressão. O estudo dos efeitos cognitivos da mudança de som para medida das habilidades do ouvinte com o intuito de identificar os fonemas no fluxo da fala e, assim, recuperar as palavras pretendidas pelo falante.”

15 "Avaliação social das várias histórias envolvendo muito mais do que a reação aos significados estereotipados de

Os estudos sociolinguísticos que focalizam o exame de avaliação sociolinguística têm se apropriado de um conjunto de instrumentos, técnicas e/ou escalas de diferenças semânticas para verificar aspectos sociais, pessoais, linguísticos, psicológicos, dentre outros, que podem ser vinculados aos usos da língua (FOULKES, KHATTAB & YEGER-DROR, 2010).

Diversas podem ser as dimensões, os adjetivos e/ou categorias utilizados em um instrumento de avaliação sociolinguística. Contudo, um dado item do julgamento pode ser mais saliente em uma dada comunidade de fala do que em outra, e assim, demonstra dimensões que agem diferentemente em comunidades diferentes, uma vez que os padrões sociolinguísticos existentes nessas comunidades não pertencem a um indivíduo “x”, mas à toda comunidade que ali compartilha diferentes aspectos sociolinguísticos. O processo de adjetivação, o qual é utilizado em escalas de diferenças semânticas, por exemplo, é um dos meios de aferição ou de medição de atitude e de avaliação sociolinguísticas e, ao mesmo tempo, pode indicar que a avaliação sociolinguística é divergente, em outras palavras, os grupos diferem quanto ao valor atribuído de uma dada variedade dialetal.

Na seção seguinte, pretendem-se abordar os efeitos de sentidos que há entre esses termos e o processo de variação linguística destacando o papel do falante/ouvinte.