A área de estudo abrange o município de Porto Nacional no Estado do Tocantins. Sua situação geográfica compreende entre os paralelos 09º 59‟ 21" e 11º 06‟ 31" de latitude Sul e os meridianos 48º 07‟ 54" a 48º 52‟ 07" de longitude Oeste de Greenwich, com uma área de 4.449,89 km² representando 1.60% do Estado; a população total do Município era de 44.991 de habitantes, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE (2010).
Situado na parte central do Estado do Tocantins, faz parte da microrregião homogênea de Porto Nacional, onde abrange os Municípios de Brejinho de Nazaré; Silvanópolis; Monte do Carmo; Porto Nacional; Palmas; Aparecida do Rio Negro; Lajeado; Tocantínia; Pedro Afonso; Bom Jesus do Tocantins e Santa Maria do Tocantins, conforme divisão regional do IBGE em 1989. O acesso é possibilitado partindo de Palmas, capital do Estado, pela TO-050, em direção Sul, da qual a sede do Município dista 65 km. Faz seus limites com os municípios, ao Norte, Miracema do Tocantins, ao Sul, Ipueiras e Silvanópolis, a Leste, Palmas e Monte do Carmo, a Oeste, Paraíso do Tocantins, Pugmil, Nova Rosalândia, Oliveira de Fátima, Fátima e Brejinho de Nazaré. (figura 7).
Fundado no início do século XIX, Porto Nacional esteve diretamente ligado histórica e culturalmente ao Rio Tocantins. Ao longo do século XIX e XX, a principal via de acesso era o Rio Tocantins. Embarcações navegavam pelo Rio Tocantins transportando mercadorias entre Porto Nacional e Belém no Pará. Na década de 1970, com a construção da BR-153, o fluxo de pessoas e mercadorias passou a ser por via terrestre. Foi uma das principais cidades do então Norte goiano, antes da divisão do Estado de Goiás.
O município teve a base econômica ancorada no turismo com as praias ao longo do rio. Com a construção da Usina Hidroelétrica Luis Eduardo Magalhães, na cidade de Lajeado, o município passou a sofrer a influência do lago. A divisão administrativa é composta pela sede municipal, a cidade de Porto Nacional, e pelos distritos de Pinheirópolis e Luzimangues.
Os aspectos geológicos, de acordo com Montalvão et al. (1981a), mostram que a área do município de Porto Nacional está embasada pelo complexo goiano, sobreposto pela Formação Pimenteiras, que aparece às margens esquerda do Rio Tocantins, sequenciada por cobertura sedimentar tércio-quaternário.
O complexo goiano constitui uma faixa de direção aproximadamente de N-S. Acredita-se que existem unidades formadas em épocas distintas, que vão do pré- cambriano inferior ao superior, e quando forma relevo montanhoso encontra-se capeado por sedimentos paleozóicos da Bacia do Parnaíba. Também ocorre extenso lajeiro de rocha de composição granodiorítica, de granulação grosseira, tendo como principal característica a presença de grandes cristais de álcalifeldspato retangulares.
A Formação Pimenteiras ocorre de forma contínua, sendo a unidade litoestratigráfica mais expressiva da Bacia do Parnaíba, data da era paleozóica, período devoniano, sendo representada pela litologia de siltitos, siltitos foliáceos ferruginosos, subordinados a folhelhos escuros.
A cobertura sedimentar tércio-quaternária está representada pelos sedimentos areno-argilosos, predominantemente inconsolidados e parcialmente laterizados, de granulação média a fina. Registra a ocorrência de cangas lateríticas, além dos siltitos, arenitos finos e grosseiros. “Suas origens estão relacionadas aos processos de Pediplanação terciário-quaternários, provavelmente provenientes dos arqueamentos „pós- cretácicos‟ do embasamento cristalino”.(BARBOSA et alii, 1966 apud MONTALVÃO et al., 1981b, p.143). (figura 8).
A figura 8 Mapa Geológico do Município de Porto Nacional, TO, apresenta os conjuntos litológicos representado pelos depósitos sedimentares inconsolidados e o embasamento em estilos complexos e ainda o conjunto geotônico, aqui representado pelas faixas orogênicas. Os dados são obtidos do SEPLAN – TO/ DEZ (2012), neste estudo considerado mapa geológico do Município.
Conforme Mamede, Ross e Santos (1981), o município de Porto Nacional está inserido nas unidades geomorfológicas de planalto residual do Tocantins e depressão do Tocantins. A unidade planalto residual do Tocantins gerou formas estruturais tabulares e dissecadas ao sofrer diferentes tipos de erosão. Este planalto está representado por dois compartimentos do relevo: a Serra Malhada Alta ou das Cordilheiras à Oeste e as serras Santo Antônio, João Damião, São Roque e do Saco, estas últimas situadas na parte Sul.
A serra Malhada Alta ou das Cordilheiras, representada por relevo residual, acha- se separada do bloco principal (Serra do Lageado e do Carmo) pelo Rio Tocantins e sua respectiva depressão. Constitui uma superfície aplainada, de topo parcial ou totalmente coincidente com a estrutura geológica, limitada por escarpas e retrabalhada por processos de pediplanação. A litologia está relacionada aos arenitos devonianos repousantes diretamente sobre as rochas de dissecação aguçadas, constituindo relevo de topo contínuo e aguçado, com diferentes ordens de grandeza e de aprofundamento de drenagem separados geralmente por vales em forma de “V”, apresentando dissecação muito fraca a fraca.
A unidade depressão do Tocantins apresenta como forma erosiva uma superfície pediplanada elaborada por processos de pediplanação, cortando litologias pré-cambrianas do complexo goiano e devonianas da bacia do Parnaíba. Representa o amplo vale do Rio Tocantins a 200-300m de altitude. (figura 9).
Na figura 9 Mapa Geomorfológico do município de Porto Nacional – TO, apresenta as unidades geomorfológicas formados por depressão, planaltos e serras. Os dados foram obtidos da SEPLAN – TO/ DEZ (2012), neste estudo considerado mapa geomorfológico do Município.
A rede de drenagem no município é composta por rio e córregos afluentes da bacia hidrográfica do Rio Tocantins, onde a área do município é seccionada de Sul para Norte. (figura 10), ver também anexo A.
Oliveira, Souza e Vieira (1981) descrevem que no município de Porto Nacional os solos encontrados são os latossolos vermelho-amarelo distrófico e mostram-se bastante representativos, acentuadamente drenados, com características concrecionárias, textura argilosa, ocorrendo em relevo suave ondulado, associado a solos concrecionários distróficos indiscriminados com argila de baixa atividade, apresentando textura média, ocorrendo em relevo suave ondulado e ondulado. Incluem-se, também, os latossolos vermelho-escuro distrófico, concrecionário, com textura argilosa.
O horizonte Bw ocupa posição superficial no perfil de solos, sendo desenvolvido em materiais minerais cujos constituintes revelam avançado estágio de intemperização, com alteração completa dos minerais primários, intensa dessilisificação e desalcalinização, com concentração residual os intensa dessilisificação e desalcalinização, com concentração residual de sesquiócidos de ferro e de alumínio, minerais de argila 1:1, areia de quartzo e outros minerais resistentes.
Quanto ao tipo de solo latossolo vermelho amarelo argiloso são profundos, bem drenados, com horizontes Bw, apresentando perfis com sequência de horizontes A, B, C, subdivididos em A1, A3, B1, B2w, B3w e C. (figura 11).
No mapa da figura 11 está representado os tipos de solo encontrados no município a constatar: Cambissolos, Gleissolos, Latossolos, Neossolos e Plintossolos.
A vegetação é representada por dois tipos de vegetação primária, a primeira a Arbórea Aberta com e sem floresta de galerias, que em geral ocupa as posições dos interflúvios suave traço ondulado, representando uma vegetação incompleta com pouca proteção de superfície de terreno. As representantes encontradas principalmente como floresta de galeria são: pindaíba (Xilopia sp), ipê amarelo (Tabebuia sp), itaúba (Physocalymma sp), jatobá (Hymeneae sp), quaruba (Vochysia sp) e jacareúba (Callophylum brasiliensis), lixeira (Curatela americana) e caraíba (Tabebuia caraiba).
O segundo tipo de vegetação é o de Savana Arbórea Densa, que garante aos solos que a sustentam não apenas proteção, bem como a melhoria das condições pedológicas, por meio de deposição de vegetais. Alguns representantes: lixeira (Curatela americana), pau terra (Qualea grandíflora), faveiro (Dimorphandra mollis), barbatimão, (Stryphomodendron barbatiman), angico preto (Piptadenia macrocarpa) e sucupira (Browdichia virgiloides). Podem ser encontradas espécies frutíferas a exemplo do pequi (Caryocar brasiliesis), murici (Byrsonima) e do cajuí (Anacardium Humile).
Assim, a vegetação no município de Porto Nacional apresenta espécies rasteiras, subarbustivas, arbustivas e arbóreas, compondo associações que refletem a tolerância e respostas gerais ou seletivas às condições oferecidas pelo ambiente.
Em geral existem relações muito próximas entre o solo e a vegetação que lhe é natural. Relações essas, sensíveis às alterações decorrentes do desmatamento, pastoreio, fogo ou manejo do solo. A vegetação natural é um ponto de referência que permite avaliar e interpretar as alterações de condições que as terras em uso ou desuso sofrem.