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A) Acolhimento

O acolhimento foi realizado fora da sala de aula, onde o pesquisador recebeu os participantes e informou que, para o último encontro presencial, havia preparado um experimento com estímulos sensoriais no qual cada um vivenciaria essa experiência sendo guiado descalço e com os olhos vendados (um por vez). O grupo iria aguardar fora da sala até que todos fossem conduzidos para dentro dela, local em que deveriam elaborar um relato por escrito cujo foco seria a vivência sentida naquele experimento. Em seguida, seria realizada a última sessão reflexiva e o último encontro presencial.

B) Atividade de sensibilização

Nesta experiência36 estética, o participante foi guiado pelo pesquisador a fim de que explorasse todos os estímulos postos intencionalmente na sala, para ativação de todos os

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Experiência inspirada no trabalho com objetos relacionais desenvolvido por Lygia Clark no trabalho denominado pela artista de estruturação do self. Essa experiência foi adaptada para a formação de Arte- -Terapia do Instituto Aquilae pelo pesquisador Raimundo Severo Junior.

sentidos. O piso do ambiente foi todo revestido de plástico-bolha; foram colocados vários tecidos de diferentes texturas fazendo divisórias em disposição de varais por toda a extensão da sala; num dos cantos, foi colocada uma mesa com quatro grandes vidros de boca larga (diâmetro de 20cm), cada um contendo materiais diferentes: o primeiro com água, o segundo com palha de aço, o terceiro com balões de plástico vazios e o quarto com bolinhas de isopor e bola de gude (bolinhas de vidro). Sobre a mesa, foram postos um maço grande de folhas de arruda, um maço de folhas de manjericão e outro de folhas de mastruz. Em outra mesa, foram colocados vários instrumentos sonoros: um chocalho, vários maracás (com sons distintos), um guizo e um sininho. Sobre uma cadeira, havia uma caixa grande (tamanho equivalente a 60 litros) cheia de bolinhas de isopor; mergulhadas nas bolinhas de isopor, havia dez bolinhas (com 6cm de diâmetro) de plástico bem macias. Sobre outra cadeira, havia uma bandeja de frutas para degustação (uvas doces e azedas). No chão, havia pelo menos uns dez pedaços de tule com tamanhos de 1,20cm x 3,50cm, fazendo uma cascata que rolava pelo piso. A sala estava com uma temperatura ambiente de aproximadamente 17ºC, com o ar aromatizado com eucalipto e com uma música contínua de sons extraídos da natureza (“Sinfonia pássaros” e “Sinfonia chuva”, de Antonio Carlos Marques).

Os participantes foram orientados a tocar em tudo o que encontravam, com muita liberdade para explorar ao máximo o ambiente, contemplando todos os sentidos: degustar as frutas (paladar), manipular os instrumentos (tato), decifrar os diferentes sons (audição) do ambiente, tocar e esfregar as ervas nas mãos e cheirar (tato e olfato), introduzir as mãos nos vidros e decifrar os materiais através do contato sensorial (tato), pôr os braços na caixa grande de bolinhas de isopor (tato), etc.

Após o percurso de explorações sensoriais, o participante sentava na cadeira, de olhos vendados, sendo orientado pelo (guia) pesquisador para ficar ali até que sentisse a necessidade de tirar a venda dos olhos. Ao tirar a venda, o indivíduo deveria se servir do que havia sobre a mesa (tortas, doces de chocolate e de avelã, sucos e refrigerantes), conhecer o ambiente (visão) e fazer um paralelo entre a experiência vivida (fantasia) e o cenário (realidade).

C) Sessão reflexiva

Os participantes, após terem vivenciado a atividade de sensibilização, estavam todos estesiados e manifestando o desejo de verbalizar o que estavam sentindo. A segunda sessão, assim como a primeira, foi videogravada. A disposição de todos sentados em círculo

facilitou a mediação do pesquisador e o manuseio da câmera no tripé. As perguntas norteadoras que mobilizaram a sessão reflexiva foram: O que você aprendeu nesses encontros? O que você vai fazer com o que aprendeu? Em que a metodologia abordada poderá contribuir para o ensino de Artes Visuais na escola?

Todos os participantes se posicionaram dando os seus depoimentos. O conteúdo das duas sessões (da primeira e da segunda sessão), somado aos demais dados adquiridos durante o trabalho de campo (curso experimental), constituiu-se como fonte para o corpus empiricus deste estudo, gerando cinco núcleos de sentidos assim denominados: i) poética do experimento artístico mediado pela poética pessoal; ii) poética do deslocamento da reprodução de modelos para a experimentação; iii) poética da liberdade de criação; iv) poética da segurança na docência em Artes Visuais; e v) poética da Educação da sensibilidade.

D) Avaliação dialógica e reflexiva

A sala estava ambientada objetivando propiciar aos participantes um mergulho numa experiência estética que pudesse afetar todos os sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato. Quando o pesquisador perguntou sobre o que marcou o último encontro, a experiência sensorial da sensibilização se fez como figura do encontro.

Essa experiência sensorial foi incrível. Quando eu tirei a venda, eu sabia que era a sala, mas não imaginava que a sala estava toda... [...] com pouquinhas coisas, dá para a gente ter várias sensações... [...] os tecidos, a água, os objetos, o cheiro, as bolinhas de isopor [...] Eu tenho certeza que seria um sucesso essa experiência aqui numa escola, numa feira de Ciências, de Arte. Isso aqui, com essa simplicidade, já dá para ter uma ideia de que isso é muito interessante. (P4).

Parecia que estava numa floresta, devido ao som dos pássaros, é interessante porque parece que a gente está em algo bem maior, né? Não associei que estava dentro de uma sala de aula. Senti todas as sensações, os cheiros, o gosto, os sons, foi fantástico. (P5).

Nosso último encontro foi belíssimo, estético e artístico [...] vivenciei uma oficina de experimentos. Com os olhos vendados, senti a temperatura do ar, os cheiros, os ruídos, apalpei objetos de variadas dimensões e texturas. O ambiente estava confortável, grande e mágico. Foi pura fantasia e diversão. (P8).

Ao final, além dos relatos citados, outros participantes revelaram as impressões que mais lhes marcaram, abordando que as sensações transitaram do medo à felicidade. Pode-se concluir que o encontro alcançou seu objetivo, na medida em que todos foram afetados, provocando muitas falas e, sobretudo, descrições de suas percepções sentidas.

Figura 36 – Horizonte 9

Fonte: Elaborada pelo pesquisador (2015).

Chega-se ao processo final da fusão de horizontes, o qual mostra as mudanças de visões e percepções dos participantes sobre onde se origina o processo de criação das Artes Visuais e a forma de melhor expressá-las. E assim foram explicitadas, em imagens de “nuvens e horizontes”, suas mudanças de visões: das preconcepções às concepções do ensino de Artes Visuais.

O próximo capítulo apresentará as análises descritivas do corpus adquirido no trabalho de campo – poética do encontro – deste estudo, fazendo uma análise entre o antes e o depois do curso experimental, aqui nesta tese denominado de preconcepções e concepções adquiridas pelos participantes em diferentes fases de suas trajetórias, ou seja, como alunos do Ensino Básico, como docentes no Ensino Básico e no atual momento, após experiências vividas nos encontros/formação.