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Issues of price formation on Norwegian herring products on the post-

4. Case study: a fish processor operating in Murmansk area. Trends and

4.4. Herring production by the company

4.4.2. Pricing

4.4.2.2. Issues of price formation on Norwegian herring products on the post-

Fica evidente que a grande maioria das mulheres que serviam nos bordéis militares como prostitutas eram aliciadas mediante falsas promessas de emprego como lavadeiras ou cozinheiras, o que foi identificado em 43,5% do total de incidências. Todavia, quando se atenta para o número de vítimas, os subterfúgios caem para a segunda posição, correspondendo a 23,8% do total de vítimas, uma vez que foram superados pela modalidade raptos, que representa 33,3% do total de vítimas e 21,7% do total de incidências identificadas.

5.2.3.2 O cotidiano e a cronicidade da violência nos bordéis militares

Feitos os estudos sobre as formas de ingresso de mulheres nos bordéis militares, cabe analisar o cotidiano do cativeiro. As informações contidas nas fontes permitem constatar que a vivência dessas mulheres era regida pela exploração e pela violência. Elas eram submetidas a várias formas de violência, desde a redução à condição de escravas, trabalhando efetivamente como lavadeiras em jornadas extensas, privadas do direito de locomoção e de qualquer remuneração, o número absurdo de parceiros por dia e a vergonha de serem molestadas.

As informações obtidas nas fontes fazem concluir que os locais de cativeiro, onde funcionavam os prostíbulos militares, eram hospitais militares ou casas abandonadas. Nos dois entretanto os quartos em que essas mulheres eram trancadas abusadas sexualmente eram simples galpões sem nenhum conforto para elas, que também eram mal-alimentadas e sofriam da falta de higiene.

Além disso, havia diferenças no tratamento dado a essas mulheres. As mais jovens e bonitas, por exemplo, mantinham relações sexuais com mais frequência do que as de mais idade. A média obtida a partir dos relatos colhidos nas fontes era de 10 relações sexuais por noite. Todavia, muitas jovens chegavam a ter 40 parceiros numa única noite. Dando voz às fontes:

Carta de James H. McCallum de 1º de janeiro de 1938.

Outra mulher chegou esta manhã em uma triste condição e com uma história horrível. Ela era uma das cinco mulheres que os soldados japoneses haviam levado às suas unidades médicas, para lavarem suas roupas durante o dia e serem estupradas à noite. Duas delas eram forçadas a satisfazer de 15 a 20 homens e as mais bonitas chegavam a 40 homens por noite.338

Relatórios da CIZSN protocolados nos dias 4 e 31 de janeiro de 1938.

As mulheres lavavam as roupas durante o dia e eram estupradas, noite adentro. As mais velhas eram estupradas de 10 a 20 vezes, enquanto as mais novas e as bonitas chegavam a ser estupradas 40 vezes por noite.339 [...] Ela tem sido estuprada de sete a dez vezes todos os dias, mas geralmente lhe concediam a oportunidade de dormir à noite.340

Carta de John G. Magee de 11 de janeiro de 1938.

De acordo com a história dessa mulher, as mais jovens e bonitas dentre elas haviam sido estupradas cerca de 40 vezes por noite após lavarem roupas durante o dia. Ela e as outras trabalhavam durante o dia e em seguida eram estupradas de dez a vinte vezes por noite.341

Carta de Lewis S. C. Smythe de 5 de janeiro de 1938.

Nesta tarde de segunda-feira que nós tomamos conhecimento de 6 garotas levadas ao que parecia um hospital militar japonês, lá elas lavavam roupas de dias e eram estupradas a noite, de 10 a 40 vezes conforme fosse sua beleza.342

Além da grande freqüência de conjunções sexuais com vários parceiros a que eram submetidas durante toda a noite, elas ainda sofriam agressões físicas. Algumas chegavam a apresentar escoriações e cortes nos braços, pernas e rosto. Todavia o maior perigo que corriam, excluído o assassinato, era o de serem contaminadas com doenças venéreas. O fato de não haver muitos cuidados por parte dos soldados, fazia com que fossem um grupo de risco.

338 MCCALLUM, apud ZANG, 2001, p. 235. 339 CIZSN, apud BROOK, 2003, p. 65. 340 CIZSN, apud BROOK, 2003, p. 119. 341 MAGEE, apud ZANG, 2001, p. 188. 342 SMYTHE, apud ZANG. 2001, p. 292.

Das 23 referências identificadas como exploração sexual, sete delas fazem remissão a doenças venéreas. Por exemplo, a mulher que havia sido sequestrada no dia 13 de dezembro desenvolveu todos os três tipos de doenças venéreas em suas formas mais virulentas: sífilis, gonorréia e cancróide. Devido a essas enfermidades ela foi libertada no dia 20 de janeiro, ou seja, permaneceu em cativeiro por 38 dias.343 Esse caso foi relatado também por Ernest H. Foster, quando salientou que “[...] os soldados japoneses estupraram-na de sete a nove vezes todos os dias e finalmente libertaram-na quando ela já não era de serventia. Ela tem três formas de doenças venéreas em seus piores estados como resultado de sua experiência”.344

Quando era constatado que a mulher submetida à escravidão sexual estava contagiada com alguma doença venérea, ela era descartada como se fosse apenas um objeto defeituoso. Isso não significa que ela ganhasse a liberdade, pois ainda corria o risco de se tornar infértil ou de ser assassinada.

James H. McCallum comenta sobre a tentativa de assassinato de uma dessas mulheres em sua carta datada de 1º de janeiro de 1938. Segundo ele “[...] os músculos do pescoço haviam sido cortados, mas eles [soldados japoneses] não conseguiram dilacerar a medula espinhal. Ela fingiu estar morta e se arrastou até o hospital”.345

John G. Magee complementa os relatos de James H. McCallum numa carta escrita em 11 de janeiro de 1938. Em suas palavras:

Ontem, no hospital, vi uma mulher que havia sido esfaqueada em vários lugares e sua cabeça quase havia sido decepada. [...] Um dia, dois soldados lhe disseram para segui-los e então eles a levaram para uma casa vazia e lá tentaram cortar sua cabeça. Ela tem um corte perfeitamente horrível em seu pescoço e o surpreendente é que ela ainda está viva. Felizmente, nenhuma parte vital foi cortada. Ela disse que alguns dos homens eram oficiais.346

Como este estudo abrangeu o período de dezembro de 1937 a fevereiro de 1938, compreendendo assim apenas os três primeiros meses da ocupação japonesa de Nanking, podemos supor que os estabelecimentos careciam de equipamentos e infraestrutura. Podemos aventar também que não eram realizados um

343 CIZSN, apud BROOK, 2003, p. 119. 344 FOSTER, apud ZANG. 2001, p.137-138. 345 MCCALLUM, apud ZANG. 2001, p.235. 346 MAGEE, apud ZANG. 2001, p.188.

acompanhamento médico adequado, pela falta de médicos e medicamentos.347 Essa suposição adquire ainda maior fundamento quando nos repotamos à historiografia e constatamos que, nesse período, o domínio japonês sobre as regiões próximas à cidade não estava consolidado, uma vez que estavam sob constante ataques das forças chinesas nacionalistas e maoistas.348 Essa situação se fez sentir na própria cidade, quando as fontes relatam os constantes bombardeios da força aérea chinesa à cidade. O nível de estresse das tropas japonesas posicionadas em Nanking estimulava a prática de ações terroristas contra a população civil, como se fosse uma transferência de opressão. As escravas sexuais estavam numa situação de fragilidade extrema, pois não havia nenhum instrumento que assegurasse um nível mínimo de segurança. Elas eram meros objetos utilizados para suprir os desejos sexuais dos soldados japoneses, e, assim, quando não tinham mais utilidade, eram simplesmente descartadas pelos seus agressores. Temendo que elas denunciassem os maus tratos à CIZSN ou a uma possível rede clandestina de

partisans chineses, os agressores as assassinavam, misturando-as às várias

mulheres vítimas de homicídio.

Por último, ressalte-se que o tratamento dado às mulheres submetidas à condição de escravas sexuais deixava clara a conjugação das discriminações de gênero e d etnia. Existiam prostitutas de origem japonesa na cidade de Nanking, mas estas não eram mantidas em cativeiro, Minnie Vautrin anotou em seu diário ter visto geisha andando com tranquilidade nas ruas da cidade sem nenhuma escolta de soldados ou mesmo conduzidas por eles. 349

Entre as prostitutas japonesas e as escravas sexuais de origem chinesa há um ponto em comum: as relações de poder assimétricas entre os gêneros masculino e o feminino, ao investir ao homem viril a acessibilidade ao sexo. A escravidão sexual era uma forma tripla de demonstração de poder. Primeiro, poder sobre as mulheres. Segundo, poder do grupo Nós invasor sobre o grupo Outros conquistado. Terceiro,

347 O acompanhamento médico não visava a saúde da mulher, mas manter a qualidade do seu trabalho. Não era também um serviço gratuito, uma vez que era descontado do valor que deveriam receber a titulo de salário. Era descontado 50% dos custos de tratamento médico caso ela se contagiasse com doença venérea ou ficasse grávida. Já no caso de doenças comuns, todas aquelas não relacionadas à atividade sexual, as mulheres deveriam arcar com 100% dos custos de tratamento. (YOSHIAKI, 2000, p. 142)

348 YAMAMOTO, 2000. 349 VAUTRIN, 2008, p. 166.

poder do indivíduo dentro de seu próprio grupo, ao reconhecer-se como autor de proezas sexuais. Em meio a essa demonstração de poder, o impacto que recaiu sobre as mulheres gerou efeitos colaterais. Muitas delas sofreram traumas que acompanharam toda a vida; outras foram afligidas com problemas físicos-motores; outras tornaram-se inférteis e algumas foram repudiadas pelos maridos e pais, bem como renegadas pelas suas famílias.