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7. ANALYSIS

7.3 D ISCUSSION OF RESULTS

Conforme apontado por Ostrower (2011), é necessário que a imaginação criativa nasça do interesse de indivíduos por possibilidades maiores de certas matérias ou contextos e de sua capacidade de se relacionar com elas.

Desta Forma, cabe destacar a importância das atividades criativas e relações desenvolvidas por Nacif Farah e Bimbo Azevedo para as atividades musicais em território tatuiano.

Nacif Farah foi um músico, professor e compositor sacro que viveu a maior parte de sua vida em Tatuí, vinculando-se a espaços comunitários e de congregação de pessoas da cidade, como a Igreja da Matriz e a Escola Barão de Suruí. (FOTO 27)

Foto 27. Músico, Professor e Compositor Sacro Nacif Farah. 1902-1955.

Fonte: CAMARGO e CAMARGO, 2006

De acordo com sua filha Alzira Camargo Farah Loretti (LORETTI, 2014), Nacif Farah veio para Tatuí em 1931 como primeiro professor de Canto Orfeônico do colégio Barão de Suruí.

De acordo com seu filho Mário Edison Farah (FARAH, 2014), não havia concurso para contratação de professores na época, e desta forma ele foi contratado através do envio de uma composição. Por também ter se formado em farmácia, juntamente ao ensino de música, dava aulas de química no colégio Barão de Suruí.

Para Loretti (2014) Nacif também atuava como um conselheiro da comunidade, principalmente de seus alunos. Coelho (ALMEIDA, 2014) aponta que além das aulas de química e do ensino musical, Nacif dava “aulas de vida”, aulas de comportamento humano. Para Coelho (ALMEIDA, 2014): “Se é para citar uma figura de mestre em toda minha vida escolar e acadêmica, o Nacif Farah era o protótipo do mestre”.

Em suas atividades musicais, ele se dedicou mais a música orfeônica, principalmente a música sacra, tendo legado relevante obras nesse gênero musical e tendo fundado o Coral Santa Cecília.

A sua principal composição, “As Sete Palavras”, possui reconhecimento internacional, tendo recebido premiação de segunda colocada em concurso internacional na Espanha, e sendo tocada no Vaticano até os dias atuais. (SANTOS, 2014)

A sua obra musical foi transcrita através de um trabalho de 12 anos de seu ex-aluno José dos Santos, e publicada através do apoio do Conservatório para a publicação para os dois primeiros volumes, e da Prefeitura Municipal de Tatuí para o terceiro e conclusivo volume. (FOTO 28).

Foto 28. Terceiro Volume da publicação “A Obra Musical de Nacif Farah”.

Fonte: CRUZ, 2014

Seu filho Mário Édison Farah, também se tornou um importante músico na cidade, mas teve uma maior atuação e preferência pela música popular. Devido à transferência de seu cargo de professor de música para o município de São Paulo, e sua contratação como músico por importantes casas da noite paulistana, fez a maior parte de sua carreira na capital, atuando até os dias atuais com importantes nomes da música popular nacional. (FARAH, 2014).

Mario Édison Farah cita que muitas vezes observava o processo de composição de seu pai, e que as músicas sacras e eruditas de sua casa e da cidade também o influenciaram em sua carreira:

“É que eu tive essa formação misturada em Tatuí, com papai, música sacra, uma bagunça, música popular, coral de criança. (...) é que a gente escuta muita coisa, desde que nasceu, a gente ouvindo música... fica no subconsciente né? Aquelas músicas sacras, fica tudo na cabeça.” (FARAH, 2014)

Além de seu trabalho como compositor e regente, Nacif atuava nas missas dominicais como organista, juntamente a músicos como Bimbo Azevedo, um importante parceiro musical em sua trajetória em Tatuí. Tal parceria nos encaminha para a explicação sobre outro importante espaço de encontro no município, a “Casa do Bimbo”, e a destacada importância de Bimbo Azevedo para o desenvolvimento das atividades musicais no município, inclusive a criação do Conservatório de Tatuí.

A trajetória de vida de Octávio Azevedo, mais conhecido como Bimbo Azevedo, revela uma impressionante contribuição para o desenvolvimento das atividades criativas e musicais no Município de Tatuí.

Bimbo Azevedo certamente figura como personalidade do mais alto protagonismo no desenvolvimento musical da cidade, e um músico com inúmeras conexões entre as diferentes dimensões do fazer musical, relacionando-se com diferentes agentes, espaços e gêneros musicais, em diferentes etapas do desenvolvimento das atividades musicais e criativas no município. (FOTO 29)

Foto 29. Bimbo Azevedo. Músico e Compositor tatuiano. 1888-1975.

Fonte: CAMARGO e CAMARGO, 2006.

Não é acontecimento banal que um músico atue com propriedade nos campos da música popular e erudita, em ambientes sacros e boêmios, construa seus próprios instrumentos, torne-se multi-instrumentista, compositor, professor de música, diretor de rádios, violinista de cinema mudo, membro de associações culturais com atuação em políticas culturais, e tenha conexões e influências internacionais e com centros nacionais de grande expressão. Bimbo Azevedo congregou ao longo de sua vida toda esta diversidade, habilidades, talentos, formações e conexões. (CRUZ, 2014)

Um primeiro aspecto a destacar é sua inserção e capacidade de transitar nos campos da música popular e erudita. Mesmo com a disputa e preconceitos que, por vezes, se encontram entre as referidas vertentes da atividade musical, Bimbo Azevedo era respeitado violinista,

spalla de orquestras no município, tocando em igrejas e solenidades, ao mesmo tempo em que

compunha inúmeras valsas, atuava em saraus e serestas em ambientes boêmios, sendo lembrado também por composições e atuações satíricas, sendo lembrado por muitos familiares e músicos contemporâneos pelo humor empregado em suas atividades e convívio.

Compôs inúmeras obras, um grande número de valsas, que em sua grande maioria levavam nomes de mulheres da cidade. Sua valsa Dirce foi premiada em concurso internacional no Chile, e esteve entre as mais tocadas na Alemanha.

De acordo com Coelho (ALMEIDA, 2014): “Ele teve essa faceta de ser o músico da orquestra, o músico da igreja e o músico que tocava nas outras solenidades da prefeitura”.

Ele possuía grande parceria com Nacif Farah, atuando em grupos de câmara e orquestras e no campo das músicas sacras. Ao mesmo tempo, atuou junto com o filho de seu parceiro musical, Mário Édison Farah (FARAH, 2014), na organização de um festival de música afro em Tatuí.

Bimbo atuava ainda em saraus e serestas, sendo que a casa em que morava, a “Casa do Bimbo”, era um espaço de referência na cidade para encontros de músicos e de ensino musical.

Suas interações e conexões com atividades musicais internacionais podem ser notadas de variadas formas. Durante os anos de atuação na capital paulistana, Bimbo Azevedo teve aulas com o professor italiano Ernesto Castagnoli, e lecionou música em colégios franceses.

Bimbo Azevedo aprendeu a arte da luteria de violinos através de seu contato com técnicos russos que vieram para a região para a construção e manutenção das turbinas russas da usina hidrelétrica construída no Rio Sorocaba no início do século XX para geração de energia para as indústrias têxteis. (JÚNIOR, 2014)

A sua interação com a rádio, tendo sido diretor da Rádio Record em São Paulo, e o cinema, com sua atuação em orquestras de cinemas mudos em Tatuí-SP, demonstram sua interação com estas atividades de comunicação e criação.

Destaca-se que seu aluno e parceiro musical, João Del Fiol, foi o principal articulador para a criação do conservatório musical, e Bimbo também estava presente em reunião histórica, na qual realizou-se o encontro entre músicos e políticos e se desenvolveu a ideia do

Figura 11. Conexões e Atividades Musicais de Bimbo Azevedo.