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A palavra motivação, embora muito usada em contexto formal (sala de aula), parece ainda pouco compreendida, se levado em consideração o fato de muitas pessoas não entenderem a sua importância no processo de ensino e a aprendizagem de línguas. Alunos bem sucedidos no conhecimento de uma língua estrangeira e na aprendizagem de um modo geral são aqueles que apresentam motivação, traçando seus objetivos de acordo com suas necessidades.

Collins (2002) afirma que a aprendizagem de uma nova língua deve estar ligada às necessidades de aprendizagem. Em suas palavras:

A aprendizagem de uma língua pode ser mais eficiente e motivante se for orientada por necessidades e desejos de aprendizagem. Nem sempre o que é necessário aprender faz parte do nosso conjunto de vontades. Por outro lado, nem sempre o que desejamos aprender nos é útil de alguma forma mais evidente. Mas todos sabemos que aprendemos mais rapidamente e melhor quando nossas necessidades estão claras e quando vemos sentido no que estamos aprendendo (COLLINS, 2002, p. 137).

Para a autora, o contexto que envolve a aprendizagem de línguas quando relacionado a objetivos específicos e as necessidades dos aprendizes favorece uma situação de aprendizagem mais útil e produtiva. O atendimento dessas necessidades cataliza a motivação que conduz os alunos a esta busca. A motivação é fator importante na aquisição do conhecimento, pois é a mola propulsora que desencadeia atitudes diferenciadas voltadas para o atendimento das lacunas deixadas por um ensino deficitário.

Nem sempre é fácil definir motivação, mas Harmer (2001, p. 51) define-a da seguinte maneira “é um tipo de impulso interno que impele alguém para fazer coisas a fim de obter algo”1. Segundo o autor, a motivação é um elemento importante na construção do conhecimento por ser uma força interior que conduz a comportamentos diferentes quanto à aquisição do conhecimento, pois o indivíduo que possui motivação segue em busca do novo movido por seus interesses.

Harmer (2001, p. 51-52) afirma ainda que a motivação dos estudantes referente à aprendizagem de uma nova língua, neste caso o inglês, pode ser afetada ou influenciada pela atitude de outras pessoas desde que façam parte do mundo do estudante engajado nesse processo. Para ele a motivação tem várias fontes como “a sociedade em que vivemos, a significação para os outros (a influência das pessoas que estão próximas, atitude dos pais), o professor e o método 2”. No processo de ensino e aprendizagem, Harmer (2001) afirma que professor e aluno construam uma confiança a partir das relações existentes em sala para que sejam bem sucedidos e assim o ensino e a aprendizagem tenham sentido.

Jacob (apud WILLIAN et al, 2004) alude sobre a motivação no contexto específico de ensino-aprendizagem da seguinte forma:

1 Nossa tradução deste e das demais citações cujos originais sejam em língua estrangeira. Motivation is some

kind of internal drive which pushes someone to do things in order to achieve something.

Consideramos motivação no processo de ensino/aprendizagem algo que orienta um indivíduo, em um dado momento, a tomar uma decisão consciente sobre a busca do novo, orienta-o durante o processo para investir maior ou menor esforço na aprendizagem e dá condições para que ele possa avaliar, negativa ou positivamente, o processo em que está envolvido, tomando como base o atendimento ou não atendimento da motivação prévia que possuía (JACOB, apud WILLIAN et al, 2004, p. 34).

Com este ponto de vista, a motivação pode ser compreendida como um estímulo, conduzindo uma pessoa a buscar algo novo (neste caso aprender uma nova língua, o inglês) e que o mantém envolvido até conseguir alcançar seus objetivos ou mesmo que fatores externos ou internos possam interferir tentando impedir negativamente nesse estímulo.

O papel do professor na motivação do estudante é de orientá-lo com o propósito de construir seu próprio conhecimento, através de fatores – atitudes ou iniciativas - que contribuam para que o mesmo busque seus objetivos atendendo às suas necessidades. O professor, ao ter noções sobre os interesses dos alunos em relação ao que aprender, poderá definir melhor suas atividades, usando sua sensibilidade para escolher a forma mais adequada de trabalhar com ensino de línguas. Desta forma, o professor estará orientando e dinamizando seu ensino de forma a contemplar as expectativas e as dificuldades quanto à motivação demonstradas por seus alunos.

Para o autor supracitado (2004, p. 35), há dois tipos de motivação: intrínseca extrínseca. “A motivação intrínseca é caracterizada pelo interesse generalizado de investir esforço na aprendizagem pó si só, enquanto a extrínseca é derivada de algum tipo de incentivo externo”.

O aluno motivado intrinsecamente está ligado ao prazer que tem de aprender sem mercadejar prêmios. O seu objetivo é a construção do conhecimento com o propósito de satisfazer suas necessidades sejam elas de ordem estudantil, profissional ou cultural. Vale ressaltar que os estudantes não são motivados da mesma forma e nem aprendem do mesmo jeito.

O aluno motivado extrinsecamente “é aquele que persegue um objetivo somente para receber uma recompensa externa, ou seja, o reconhecimento de outros. (...) o aluno motivado intrinsecamente é aquele que busca o conhecimento para atender suas necessidades e objetivos pessoais” (PESSOLANO; CORTE, 2009).

Se a motivação, extrínseca ou intrínseca, é um pressuposto básico para a promoção do desempenho em sala de aula, o professor deve estar atento aos elementos geradores desta. Em outras palavras, buscar motivar significa procurar estar próximo ao aluno para descobrir suas necessidades e interesses em relação à aprendizagem. Uma boa iniciativa é investigar o grupo: onde trabalham, onde vivem, se consideram importante aprender línguas, como acham que aprendem melhor, o que esperam aprender, etc. (2009, p. 3).

A motivação, seja extrínseca ou intrínseca, é um elemento que auxilia o aluno na conquista dos seus propósitos. O professor envolvido em um ensino- aprendizagem de qualidade tenta implementar novas posturas a fim de conseguir que seus alunos encontrem interesses e significação na aprendizagem, pois a motivação é a mola propulsora de um estudo produtivo. Ela conduz a um desempenho favorável para a aprendizagem do aluno quando este por meio de sua autodeterminação e é capaz de transferir o que aprendeu a outras áreas de sua vida, pois um ambiente seguro se forma e mostra que autonomia e motivação caminham juntas.

Autonomia e motivação interagem, pois em um ambiente que busca fomentar a autonomia o professor com atitudes autônomas orienta as condutas dos alunos, os quais por sua vez traçam seus objetivos com propósitos definidos a fim de alcançar o que se pretendeu no início das aulas.

Brown (apud WILLIAN et al, 1994) fala sobre a importância da autonomia e da motivação para um estudo promissor e significativo:

Na sala de aula, quando os aprendizes têm oportunidade de fazer suas próprias escolhas sobre em quê se ater ou não, como em um contexto cooperativo de aprendizagem, eles estão preenchendo essa necessidade de autonomia. Quando têm as coisas empurradas por suas gargantas, a motivação pode minguar, de acordo com esta variação da teoria, porque tais aprendizes tiveram de ceder a desejos e comandos de outros (BROWN 1994, p. 37).

Se a motivação é algo promissor na aprendizagem de línguas, a desmotivação, muito presente nas aulas, por sua vez merece destaque, pois ela não estimula a aprendizagem nem a satisfação das necessidades dos aprendizes. Na rede pública, no âmbito estadual ou nacional, é comum se deparar com alunos e professores desmotivados em decorrências de vários fatores como a proficiência limitada de muitos professores de línguas, salas de aula superlotadas, poucos recursos didáticos, principalmente em LE etc., maximizando ainda mais os problemas no contexto de ensino e aprendizagem.

A desmotivação está relacionada, muitas vezes, ao método de ensino adotado na maioria das escolas, pois a repetição mecânica ou dissecação gramatical de atividades textuais acabam acentuando a desmotivação dos alunos e as aulas se tornam cansativas e monótonas. Um trabalho que incorpore o aprendiz ao contexto de aprendizagem, no qual a motivação esteja como pano de fundo, tornar-se-á mais interessante e significativo quando os alunos puderem desenvolver melhor o que estão construindo, se motivados e se capazes de traçarem seus objetivos ou fazerem suas próprias escolhas, abrindo espaço para uma aprendizagem autônoma.

Alunos com traços de autonomia são capazes de escolher atividades, partilhar das decisões, ouvir e serem ouvidos seja pelo professor ou pelos colegas, cooperando na aprendizagem. Essas atitudes e evidenciam que a autonomia dos alunos favorece a própria construção do conhecimento.