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Helseøkonomisk evaluering

Vedlegg 1. Invitasjon til brukerorganisasjon

Influenciado pela etologia, Bowlby apresenta o termo “apego” ou “ligação”, como um comportamento inato do ser humano na busca de proximidade física com a pessoa que considera mais apta a atender suas necessidades básicas de sobrevivência. Segundo o autor, sua teoria busca esclarecer que a necessidade do bebê humano não é de dependência de um cuidador que atenda suas necessidades de alimentação, como a Psicanálise vinha postulando, mas de uma ligação de proximidade com um indivíduo diferenciado e considerado mais sábio ou mais forte (BOWLBY 1979/2006). A principal função do comportamento de ligação é a busca de uma garantia de proteção (op. cit., p. 153). Bowlby adotou da Etologia a concepção de Períodos Sensíveis. No estudo do desenvolvimento do comportamento de apego, a partir de observações de bebês de seis meses de vida, através da qual percebeu que a maioria dos bebês se encontrava em um estado de elevada sensibilidade para o desenvolvimento dos comportamentos de apego (BOWLBY, 1969/1990). Para uma criança eleger uma pessoa como sua principal figura de ligação é necessário que esta lhe dedique o maior tempo de cuidados maternos. O comportamento de ligação com uma pessoa significativa desenvolve-se durante os primeiros nove meses de vida e, quando o desenvolvimento é saudável, mantém-se até os três anos de idade. Este comportamento é internalizado pelo indivíduo e pode ser ativado em momentos de vulnerabilidade. Um estudo citado por Mazet e Stoleru (1990), envolvendo dois grupos da dupla mãe-bebê, comparou os pares com maior e menor contato no período logo após o nascimento e observou que o grupo que tinha mantido um maior contato no pós-natal apresentou, posteriormente, comportamentos de apego mais bem estabelecidos.

Da Teoria da Aprendizagem, Bowlby incorporou o conceito de Impulso Secundário, e o aplicou para explicar que o impulso do bebê em ligar- se à figura materna na busca de satisfação alimentar é secundário às suas necessidades de atenção e segurança, contra as ameaças do ambiente. Bowlby postulou o choro, a succção, o agarrar, o sorrir, o chamamento, como sendo modalidades básicas e inatas de interação e de apego do bebê à mãe (BOWLBY, 1969/1990, 1979/2006).

Durante os processos de formação, manutenção e rompimento de relações de ligação, surgem emoções intensas. A formação de um vínculo é chamada de “apaixonar-se”, a manutenção, de “amar alguém”, e a perda é “sofrer por alguém” (BOWLBY 1979/2006). Na obra Formação e rompimento dos laços afetivos, o autor enfatiza que a teoria da ligação tem dois enfoques: o primeiro é o modo de conceituar a tendência dos seres humanos em estabelecer fortes vínculos afetivos com a pessoa eleita como significativa, e o segundo é explicar as várias formas de aflição emocional e perturbação da personalidade, como ansiedade, raiva, depressão e desligamento emocional, a que as experiências da separação e da perda dão origem (op. cit., p. 165-187).

Ainsworth, Blehar, Waters e de Wall (1978) sugeriram que a figura de apego funcionaria como uma base segura, que permitiria à criança explorar o ambiente. O apego pode ser conceituado como sendo o conjunto de comportamentos do bebê, que se caracteriza não somente pela busca de proximidade física da mãe, mas também pela exploração do ambiente (BOWLBY 1979/2006).

O tipo de conduta do cuidador frente às necessidades do bebê determina o padrão de apego que este desenvolverá. Se mãe for capaz de responder às necessidades do bebê de modo contínuo e previsível durante o primeiro ano de vida, permitirá que ele desenvolva um apego seguro. Por outro lado, mães que assumem atitude distante contribuem para um apego evitativo, assim como mães inconstantes, que não estimulam a autonomia dos filhos, tendem a fixá-los em padrões ambivalentes. No apego inseguro, a mãe poderia estar fisicamente ausente ou presente, apresentando-se insensível às necessidades do filho ou fazendo ameaças de abandono. Por fim, o apego desorganizado estaria relacionado com uma interação traumática vivenciada pelo cuidador, que não conseguiria estabelecer respostas sensíveis na interação (BOWLBY 2006; MARRONE 2001).

O estabelecimento do padrão de apego vai depender da sensibilidade materna às necessidades infantis e da capacidade da criança em usar a mãe como base segura. Quando a criança apresenta um padrão de apego seguro, pode afastar-se para explorar o mundo com a garantia de ter para onde retornar quando estiver em situação de perigo ou angústia, o que contribui para o processo de construção de sua autonomia. A partir de 1980,

deixou-se de considerar que a sensibilidade materna seja influenciada somente pelos vínculos afetivos da mãe (BOWLBY, 1969/1990), passando a compreender-se que também é influenciada pela capacidade da criança em sinalizar suas necessidades (CLAUSSEN e CRITTEDEN, 2000).

Marrone (2001) revisa a Teoria do Apego proposta por Bowlby e cita o experimento de Ainsworth e col. realizado em 1978, com bebês de doze a dezoito meses, em que avaliou o padrão de resposta deles ante à separação de sua pessoa significativa. Com base nesse estudo, foi possível formular a primeira classificação do apego a partir de uma “Situação Estranha”:

• Apego Seguro: a criança, que se mantinha brincando, se aborrece e chora, na ausência da mãe, mas na sua volta a criança busca o reencontro, se consola e continua brincando e explorando o ambiente. Elas teriam um modelo interno de mãe disponível.

• Apego Inseguro-Evitativo: a criança não mostra desagrado com o afastamento da mãe. Parece mais interessada nos objetos do que nas pessoas.

• Apego Inseguro Ambivalente-Preocupado: a criança reage com forte desagrado diante da separação da mãe, buscando o reencontro, mas age com hostilidade.

• Apego Desorganizado: a criança que não tem um padrão fixo de comportamento ante o reencontro. Por exemplo, quando a mãe retorna a criança vai ao seu reecontro, mas pode parar caso se distraia com outra coisa. Este se revela como um colapso nas estratégias de atenção e comportamento deixando a pessoa mais vulnerável a estados dissociativos. Essa classificação foi incluída por Main e Weston, em 1981.

Segundo Bowlby (1969/1990), as interações do bebê vão se organizando em modelos internos de funcionamento psicológico, como regras aprendidas a fim de orientar as relações futuras, e se tornam evidentes no fim

do primeiro ano de vida. A criança que constrói um modelo seguro de apego vai poder desenvolver expectativas positivas em relação ao mundo, acreditando na possibilidade de satisfação de suas necessidades, enquanto a que desenvolve um padrão menos seguro pode ter expectativas menos positivas do mundo e menor autoestima. Esse modelo mantém-se relativamente estável, a menos que exista uma influência específica para mudança (BRETHERTON & MUNHOLLAND, 1999; MAIN & WESTON, 1981; FONAGY 2000; WATERS & COLS. 2000).

Os padrões de ligação seguros colaboram com o desenvolvimento de modelos internos caracterizados por valorização e apoio. Nessas relações, as crianças aprendem expectativas sociais positivas e um entendimento rudimentar de trocas recíprocas. Por outro lado, nas relações de apego inseguro, em função de interações aversivas, a criança pode desenvolver expectativas negativas, especialmente em torno da disponibilidade dos outros em momentos de necessidade e estresse, resultando, posteriormente, em insensibilidade, raiva, agressão e falta de empatia nas relações subsequentes (BOWLBY 1969/1990).

Conforme exposto pelo psiquiatra Bowlby, muitos dos pacientes encaminhados a psiquiatras são pessoas ansiosas, inseguras, imaturas e geralmente superdependentes, que em condições de estresse tendem a desenvolver sintomas neuróticos, fobias ou depressão. Segundo o médico, baseado em acompanhamento de pesquisas, esses pacientes muitas vezes estiveram expostos a certos padrões da parentalidade patogênica. Ele cita: ausência constante de respostas às necessidades da criança, com rejeição ou depreciação; descontinuidade da parentalidade por afastamentos mais ou menos frequentes; ameaças pelos pais de deixar de amar ou abandonar a criança como um modo de exercer o controle sobre ela; indução de culpa na criança, responsabilizando-a pela infelicidade dos pais (BOWLBY 2006).

Marrone (2001) destaca que os fatores principais que contribuem para a instauração de um vínculo seguro no filho seriam a mãe poder responder a ele de modo empático, com respostas que considerem suas necessidades e seu estado emocional, e manter conversações significativas com ele, que abordem os temas da interação. O autor pontua que a empatia

pode ser inibida nos pais, por mecanismos de defesa frente às experiências emocionais negativas e aos sentimentos de vulnerabilidade destes.

A Teoria do Apego, com algumas ampliações no que se refere ao conceito de modelo interno de funcionamento, como representante das relações futuras fixadas nas relações mãe-bebê, dá ao apego uma flexibilidade relacional e contextual, passível de se atualizar ao longo das experiências com diferentes pessoas significativas, em diferentes situações. Esta teoria tem agregado várias disciplinas que têm como foco de estudo o desenvolvimento dos vínculos humanos. O apego tem sido considerado como um importante fator constituinte da personalidade, tanto que foi incluída no DSM-IV uma classificação diagnóstica para estas disfunções sob o título de "Transtorno de Apego Reativo na Infância", descrito como

(...) ligação acentuadamente perturbada e inadequada ao nível de desenvolvimento na maioria dos contextos, com início antes dos 5 anos de idade e associada ao recebimento de cuidados amplamente patológicos (...) (DSM-IV p. 113).