Os centros de processamento, denominação atribuída às indústrias de processamento e beneficiamento do camarão, é um dos canais de escoamento do camarão para o mercado consumidor.
Ao chegarem no centro de processamento, os camarões são selecionados e submetidos a análise sensorial e de qualidade, para assegurar que se encontram dentro dos padrões e conformidades exigidas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e pelos consumidores, sendo armazenados em câmaras de espera, a uma temperatura de -5ºC, para preservar suas características e frescor natural. Ao serem liberados para o salão de beneficiamento, passam pelo separador de gelo, contendo água gelada e hiperclorada, onde são separados mecanicamente (Figura 17) e transportados por esteira, para a plataforma de lavagem e inspeção (Figura 18), quando são retirados os materiais estranhos e os camarões danificados ou fora dos padrões de consumo (ROCHA, 2011).
Figura 17 – Máquina Classificadora de Camarão
Fonte: Empresa Marine Equipament, 2013. Disponível em: <http://www.marineequipment.com.br>.
Figura 18 – Linha de Processamento da ENSEG Localizada em Macaíba/RN
Fonte: Empresa ENSEG, 2012.
Disponível em: http://www.enseg.com.br/2012/industria_instalacoes.html.
Após esse processo, os camarões são transferidos via esteira para a classificadora mecânica (Figura 19), contendo seis canais, cada um correspondendo
a uma classe de tamanho, definida pelos padrões nacionais e internacionais, sendo pesados, embalados em caixetas e colocados em túneis de congelamento.
Figura 19 – Máquina Classificadora de Camarão da Indústria ENSEG Localizada em Macaíba/RN
Fonte: Empresa ENSEG.
Disponível em: <http://www.enseg.com.br/2012/industria_instalacoes.html>.
Os blocos congelados são retirados das estantes de congelamento e acondicionados em caixas, que são armazenadas nas câmaras de estocagem de acordo com o tipo do produto, classificação, lote e data de fabricação (Figura 20). Dependendo da demanda do setor comercial, estas são retiradas das câmaras de estocagem e transportadas por via terrestre ou por navio, para os centros consumidores, no Brasil e no Exterior (ROCHA, 2011).
Figura 20 – Processo da Embalagem e Armazenagem do Camarão Processado nas Câmaras Frigoríficas - Indústria ENSEG, Localizada em Macaíba/RN
Fonte: Empresa ENSEG.
Disponível em: <http://www.enseg.com.br/2012/industria_instalacoes.html>.
Esta etapa da carcinicultura é realizada por alguns poucos estados brasileiros produtores de camarão, aspecto revelador de uma topologia bastante pontual. Por sua vez, os procedimentos técnicos que ocorrem no interior das indústrias de beneficiamento, mencionados anteriormente, podem variar consideravelmente de uma unidade para outra. Pois, considera-se como centro de processamento desde grandes indústrias processadoras com sistemas extremamente automatizados de seleção e beneficiamento do camarão, como também, frigoríficos que adquirem o produto, realizam a limpeza do camarão, efetuam a seleção por peso, em seguida, congelam o produto e, por fim, revendem para os mercados consumidores.
4.5 A TOPOLOGIA DOS AGENTES ENVOLVIDOS NA ETAPA DO BENEFICIAMENTO
O Censo Aquicola de 2011 revelou uma redução considerável do número de centros de processamento de camarão no Brasil. Neste ano foram identificados 32 unidades de processamento do camarão. Entretanto, a empresa Marine, localizada no município de Canguaretama/RN e a empresa Aqua Products, com sede no
município de Jaguarabi na Bahia, estavam com suas unidades paradas desde 2006. Considerando então 30 centros de processamento em funcionamento, esse segmento da carcinicultura teve uma redução entre os anos de 2003 a 2011 de 13 unidades.
Todos os centros de processamento de camarão estão localizados em estados da Região Nordeste. Devido a sua dependência quanto ao fornecimento do camarão oriundo das fazendas, a localização destes estabelecimentos se justifica perante a primazia dessa região quanto à produção de camarão no país (Cartograma 09).
A Região Nordeste foi responsável por 98,82% da produção de camarão marinho no Brasil no ano de 2011. Apenas os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná com 0,87%, 0,06% e 0,25% de participação na produção de camarão no Brasil, respectivamente, não fazem parte dessa região. Dito isto, a concentração na Região Nordeste dos 30 centros de processamento em funcionamento, no ano de 2011, pode ser compreendida. Nessa região, o estado do Rio Grande do Norte é aquele com o maior número de unidades de processamento de camarão, 13 no total. Em seguida, o estado do Ceará com nove centros de processamento, evidencia a sua importância nesse segmento da carcinicultura. Por sua vez, o estado de Pernambuco com seis, a Bahia com três e o Piauí com um centro de processamento, são os outros a participarem desse segmento do circuito espacial produtivo da carcinicultura brasileira.
O Rio Grande do Norte com uma produção total em 2011 de 17.431 toneladas de camarão contou naquele ano com 13 centros de processamento, estando em funcionamento 12 unidades.
Cartograma 09 – Brasil: Distribuição de Centros de Processamento de Camarão (2011)
Fonte: Censo Aquicola - MPA/ABCC, 2011. Elaboração: O autor.
Embora o município de Natal, bem como, aqueles localizados em seu entorno não constituam a região de maior produção de camarão no estado, é nesta região que se concentra o maior número de centros de processamento de camarão no Rio Grande do Norte (Cartograma 10).
O município de Natal com quatro centros de processamento, Macaíba com dois, Extremoz com uma unidade de beneficiamento e Parnamirim com um centro de processamento de camarão, formam a região de maior concentração desse fixo
geográfico da carcinicultura no estado potiguar, somando juntos oito unidades de processamento, ou seja, 61,53% do total instalado no Rio Grande do Norte. Por outro lado, no ano de 2011, esses municípios foram responsáveis por apenas 6,34% da produção de camarão marinho no Rio Grande do Norte.
Esse descompasso existente entre a produção de camarão e o número de unidades de processamento na região de entorno do município de Natal está atrelada as possibilidades de escoamento do camarão proporcionadas, sobretudo, pela capital do estado do Rio Grande do Norte devido a infraestrutura instalada, além da maior demanda pelo consumo do camarão expressada pela existência de diversos restaurantes e redes de supermercados nessa região.
Em Natal está localizado o maior porto do estado do Rio Grande do Norte com capacidade de armazenagem, em seu frigorífico, de aproximadamente 2.000 toneladas. Além da capacidade de estocagem, este fixo geográfico até 2011, foi o principal meio de escoamento do camarão potiguar para os mercados estrangeiros. Dessa maneira, ainda que o município de Natal juntamente com os municípios do seu entorno não respondam por uma grande quantidade produtiva de camarão, a presença do porto, bem como, da polarização dessa região quanto ao serviço de alimentação, devido à elevada quantidade de restaurantes e redes de supermercados, corroboram para a concentração dos centros de processamento de camarão em Natal e no seu entorno.
Fonte: Censo Aquicola - MPA/ABCC, 2011. Elaboração: O autor.
Por sua vez, os centros de processamento localizados nos municípios de Canguaretama, Pendências e Mossoró pertencem a grandes empresas da carcinicultura potiguar que, também participam da fase de engorda. Em Canguaretama/RN, o centro de processamento localizado no município, pertence a empresa Camanor Produtos Marinhos. Esta empresa, como vimos na seção sobre a instância da produção propriamente dita que ocorre no interior das fazendas de engorda, possui mais de 200 hectares de terras direcionados a produção de camarão marinho em viveiros. Por seu turno, o centro de processamento da empresa Potiporã localizado no município de Pendências, também atua na etapa da engorda do camarão, por meio de sua fazenda Espera Nova com mais de 900 hectares de terras no mesmo município de localização da unidade de processamento do camarão. Já o centro de processamento da firma Aquarium Aquicultura do Brasil Ltda, localizado em Mossoró, também conta com uma fazenda de engorda (Aquarium Aquicultura do Brasil) com mais de 780 hectares de terras dedicadas ao cultivo de camarão marinho em viveiros.
Para as empresas, possuir a fazenda de engorda, bem como, o centro de processamento, lhes garantem a segurança da oferta do camarão para as unidades de processamento. Além disso, o domínio dessas duas etapas do circuito espacial produtivo da carcinicultura evita a necessidade de adquirir o camarão de terceiros. Destaca-se também, a garantia da qualidade do produto assegurada pela firma, haja vista o controle desde o início da etapa de cultivo do camarão, até a fase de processamento. Este aspecto é muito considerado pelos mercados consumidores mais exigentes.
Entretanto, as diferenças qualitativas existentes entre os centros de processamento vão além do transbordamento da empresa para outras etapas da carcinicultura. No interior da própria firma, aspectos técnicos e normativos, evidenciam diferentes tipologias de unidades de processamento de camarão no Rio Grande do Norte.
4.6 A TIPOLOGIA DOS AGENTES ENVOLVIDOS NA ETAPA DO