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Drøfting

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A redução das exportações do camarão cultivado foi acompanhada pela redução também, da produção de camarão em todo o país. No ano de 2004, a produção já era 15,83% inferior a produção obtida em 2003. Por sua vez, de 2005 a 2007 a produção já havia caído 27,92% referente a 2003, já em 2008 a produção voltou a crescer, porém caindo novamente no ano seguinte. Entretanto, no ano de 2010 a carcinicultura obteve uma pequena recuperação, pois atingiu a produção de 80.000 toneladas de camarão (Tabela 08).

Tabela 08 – Brasil: Evolução da área e da produção da carcinicultura (2003 a 2010) Indicadores/Ano 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Área de viveiros em hectares 14824 16598 15000 15280 17600 19715 18500 18500 Produção em Toneladas 90190 75904 65000 65000 65000 75000 65000 80000 Produtividade em kg/ha/ano 6084 4571 4333 4276 3824 3551 3514 4324 Fonte: ABCC, 2010.

Com o aumento da produção e a redução das exportações o consumo de camarões per capita no Brasil subiu de 250g em 2006 para 400g em 2008, um aumento de 60%. O consumo per capita de camarões no Brasil equivale a metade do consumo per capita no mundo em 2007. Comparado às demais carnes, o camarão representa uma pequena parcela do consumo mundial, o que se deve ao fato de que a sua produção é apenas 5% da produção mundial de pescado, fato que implica diretamente sobre o preço do produto, restringindo assim, o mercado consumidor (CARVALHO, 2009).

A participação em valores das vendas internas de camarão do Rio Grande do Norte no total gerado pela comercialização desse produto oriundo das fazendas potiguares, evidencia o processo de reconfiguração da circulação desse produto. No ano de 2008, as vendas internas somaram R$ 87 milhões, ou seja, mais de 63% do total gerado em reais por essa atividade no estado. Os principais destinos interestaduais do camarão potiguar foram os estados de Pernambuco, Rio de

Janeiro, Ceará, Bahia e São Paulo, que juntos absorveram 86% das vendas internas realizadas pelos agentes do estado (Cartograma 13). Entretanto, enquanto que os estados do Rio de Janeiro e São Paulo por meio das suas redes de distribuição regionais, supermercados e restaurantes são importantes centros consumidores, os estados do Nordeste que adquirem o camarão do Rio Grande do Norte atuam principalmente no reprocessamento e venda do camarão para outros estados.

Cartograma 13 – Saídas Interestaduais de Camarão do Rio Grande do Norte (2008)

Elaborado com Philcarto * 08/02/2013 23:48:58 * http://philcarto.free.frDalyson Luiz R$ 23.890.207 R$ 18.746.098 R$ 13.221.552 R$ 9.057.917 R$ 3.136.367 R$ 840

Transporte utilizado na Distribuição do Camarão Produzido no Rio Grande do Norte

Fonte: Carvalho, 2009 / SET/RN. Elaboração: O autor.

Inclusive, verifica-se que uma parte da produção do Rio Grande do Norte que é comercializada com os estados vizinhos, reingresse no estado após passar pelo processamento. Ou seja, o camarão é vendido por um preço baixo, haja vista que é comercializado ainda in natura e retorna com valor agregado para ser consumido no estado. De 2009 a 2012, segundo dados da Secretaria Estadual de Tributação, os valores resultantes das entradas de camarão no Rio Grande do Norte foram de R$ 408.768.581,52, enquanto que nesse período, saíram R$ 633.758.879,27, ou seja, um saldo positivo de R$ 224.990.315,75.

Uma hipótese que pode ser levantada é que boa parte desse camarão que (re)ingressa no Rio Grande do Norte, seja originalmente produzido nas micros, pequenas e médias propriedades potiguares, pois como vimos no capítulo 4, estes produtores tem no mercado regional o principal destino dos seus produtos. Então, se esse camarão fosse beneficiado no próprio estado, talvez as divisas geradas por ele representassem cifras maiores, enquanto que as aquisições se reduziriam.

Além disso, outro aspecto pode ser observado na circulação do camarão do Rio Grande do Norte, pegando como ponto de análise, a participação das diferentes tipologias de produtores de camarão do estado. Já vimos que quanto menor a propriedade, menor a capacidade técnica, organizacional e nível de capital dos produtores, menor a capacidade ou controle de movimento do seu produto. Vimos também que, os mercados nacionais mais longínquos são alcançados principalmente pelas médias e grandes propriedades.

Estes, por terem uma densidade técnica significativa, um maior poder de organização, bem como, um elevado nível de capital, conseguem atender as demandas das grandes redes de supermercados e restaurantes, principalmente, do sudeste. Além disso, por possuírem uma melhor infraestrutura expressada por meio da elevada quantidade de viveiros10, os médios e, sobretudo, os grandes produtores, conseguem ter num mesmo momento, camarões com diferentes pesos, facilitando ainda mais a realização de contratos com redes de supermercados e restaurantes com diferentes demandas. Dessa maneira, de modo geral, esses produtores não

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A partir do cruzamento das variáveis: área em operação e quantidade de viveiros em operação, disponibilizadas no Censo Aquicola de 2011, concluiu-se que a média de viveiros entre os micros produtores é de 1,62, entre os pequenos produtores é de 3,59, entre os médios produtores é de 8 viveiros e entre os grandes produtores essa média sobe para 35 viveiros. Cada viveiro pode ter um ciclo com datas diferentes, por exemplo, enquanto um pode conter camarões com 7g, outro pode possuir camarões com 12 gramas e assim por diante. Dessa maneira, uma mesma fazenda pode abastecer diferentes mercados com diferentes demandas quanto ao tamanho e o peso do camarão.

chegam a se preocupar em realizar contratos logo no início da produção e muito menos, já no período próximo a despesca. Na verdade, a despesca vai ser programada ao longo do cultivo de acordo com os contratos que serão fechados durante a fase de engorda. Sendo assim, a determinação do preço pode ainda permanecer sob o domínio da fazenda.

A situação dos micros e pequenos produtores, quanto a participação na circulação da carcinicultura, no processo de mediação entre a produção e o consumo final do camarão, não é a mesma que a dos outros produtores participantes do circuito. Estes por possuírem uma baixa tecnificação, poucos recursos financeiros para prolongar o período da despesca e pouco conhecimento sobre o mercado do camarão, bem como, pouco contato com possíveis consumidores mais distantes, além de possuírem em média 1,62 ha de área de viveiros entre os micros produtores e de 3,59 ha de área de viveiros entre os pequenos produtores, são limitados a firmar contratos o mais rápido possível, correndo o risco de não ter a renda necessária nem se quer para investir no próximo ciclo. Dessa maneira, os preços são normalmente definidos pelo comprador, que se aproveitando dessa situação do pequeno produtor, adquire o produto a valores bem abaixo da média de mercado. Assim, muitas vezes o valor recebido pelos produtores é inferior ao necessário para que as famílias consigam ter uma vida digna fomentada apenas por essa atividade. Desta feita, esta questão merece maior destaque, por isso, dedicamos a próxima seção a entender os principais mecanismos de sujeição presentes na fase da circulação da carcinicultura.

6.3 O IMPERATIVO DA CIRCULAÇÃO E A SUJEIÇÃO DA PRODUÇÃO FAMILIAR

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