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Investir na formação pessoal16 do professor requer integração nas dimensões pedagógicas, lúdicas, psicológicas e sociológicas, pois é latente a falta de compreensão em relação ao pessoal, ao social dos professores, nos diversos setores da educação e em especial no ambiente de trabalho do docente, a escola. Não se discute e nem se investe em projetos, em formações que visem debater e trabalhar o pessoal em conjunto com o profissional dos docentes.

Imersos nas loucuras da atualidade, nas cobranças e obrigações exageradas, os professores são um alvo perfeito para o fenômeno de incômodo, de desajuste pessoal e profissional denominado hoje de “mal-estar docente”. Diante dessas circunstâncias, está estampada na realidade da educação brasileira uma desestrutura em relação às crises surgidas no dia-a-dia da escola, que aumenta consideravelmente o desgaste físico e mental dos professores, afetando o seu pessoal, pedagógico e profissional.

Esteve (1984a, apud LOPES, 2001, p. 22) afirma que a formação, inicial e contínua, deveria ser a melhor prevenção para esses estados, mas é ela mesma que contribui para o agravamento desses incômodos, pois aguça, alimenta uma idéia “messiânica e redentora da profissão”, que no lugar de investir em uma boa formação, no desenvolvimento pessoal e profissional, reforça fragilidades e imaturidades pessoais, valoriza demasiadamente os conteúdos em detrimento das relações pessoais, transmite aos formandos modelos de professores, nunca testados e por vezes inoperantes.

Há ações que contribuem para a melhoria da profissão docente, como elencar aspectos positivos, destacar os bons resultados, inverter papéis que contribuem para a má aceitação profissional entre os próprios docentes e a sociedade em si, conforme afirma Lopes (2001).

Nesse sentido, Dunham (1992, apud JESUS, 2002, p. 22) apresenta um levantamento de aspectos a serem considerados nesse processo de valorização da profissão docente, tais como:

16 “Pessoal” aqui se refere à valorização da identidade de cada um que compõe o coletivo, suas atitudes, experiências e reflexões, e não o sentido individualista nas relações.

Diversidade de tarefas, a interacção com os alunos, a preparação e implementação de novos métodos de ensino e de tópicos não utilizados anteriormente, a oportunidade de realizar o trabalho à sua maneira na sala de aula, a imprevisibilidade do quotidiano, o processo de tentar encontrar soluções para os problemas, a investigação sobre os temas a ensinar, a preparação das aulas, os novos desafios e o trabalho com colegas e as oportunidades para actualização e aprendizagem através da participação em congressos e acções de formação.

Entre os autores pesquisados sobre os incômodos atuais da docência e as estratégias necessárias para reverter essas situações, Jesus (2002) foi quem na prática esclareceu o processo de investimento no pessoal do profissional da educação, de uma maneira próxima à prática de formação específica desta investigação. O autor desenvolveu uma capacitação para professores de ensino médio, que também eram professores voluntários, voltada aos problemas que assolavam a categoria, em especial, o estresse e a falta de conscientização necessária para que se buscassem melhorias nos aspectos pessoais e profissionais.

Jesus (2002) dividiu esse curso de formação em sessões, em encontros com professores regados de muita discussão, análises, relaxamentos e desvios da tensão do escolar. A partir dessas interferências chegou a resultados satisfatórios, testemunhados pelos próprios participantes, tais como a diminuição do estresse profissional, o aumento de motivação, a diminuição da exaustão emocional e as reivindicações por duração maior dessas atividades formativas, para análises e aprofundamentos dos tópicos trabalhados, o que significa que houve satisfação e grande interesse pelo tipo de formação desenvolvida com o grupo de professores.

Essa experiência é um exemplo de como trabalhar a formação contínua voltada ao pessoal dos profissionais de ensino e aos seus anseios; é um contributo que reforça a prática formativa dirigida ao bem-estar docente, um instrumento a favor das transformações no contexto da educação escolar, entre os quais a conquista de um espaço para discussões e investimentos em torno do subjetivo dos docentes.

Para entendermos melhor esse universo pessoal, composto por razões e emoções, vamos nos remeter à teoria de Henry Wallon (1812-1904), um educador francês, médico, psicólogo e filósofo que revolucionou as mais eruditas teorias educacionais existentes no início do século XX ao afirmar que o desenvolvimento da inteligência envolve muito mais do que o aspecto cognitivo, acrescentando a

afetividade, o movimento (conjunto motor) e a formação do eu e do outro como ser pessoal e social.

Wallon demonstrou a existência de um todo a ser conhecido e trabalhado, e que esses aspectos estão em um mesmo plano de importância e eficácia para a composição humana, por isso aproveitamos-nos de suas palavras para reforçar que a intenção dessa investigação não é o de segregar, dividir a formação pessoal da profissional, mas valorizar, agregar experiências, destacá-las para melhor compreendê-las e ter a certeza de ter cumprido as metas de valorização e investimento no âmbito do integral, pois, segundo Wallon, fragmentá-la é um grande equívoco.

Mahoney & Almeida (2004), em A constituição da pessoa na proposta de Henry Wallon, conceituam alguns determinantes, descritos a seguir, necessários à compreensão da prática de formação pessoal junto à profissional almejada nessa investigação.

a) Afetividade – É a disposição do ser humano de ser afetado pelo mundo (externo/interno), por sensações agradáveis ou desagradáveis, por prazeres ou desprazeres.

b) Emoção – É a exteriorização da afetividade, tem um poder expressivo e contagioso. É o primeiro recurso que liga o orgânico ao social, estabelecendo os primeiros laços com o mundo humano e a partir dele com o mundo físico. A emoção dá rapidez às respostas, promovendo o ato de atacar ou fugir sem que haja tempo para deliberar, ou seja, é apta para provocar reflexos condicionados.

c) Sentimentos – São ligados à expressão representacional da afetividade, que não implica em reações rápidas e diretas como na emoção. Eles podem ser expressos através de mímica, de linguagem que multiplicam as tonalidades, as cumplicidades tácitas ou subentendidas. O adulto tem mais recursos para essas representações. Ele observa, reflete antes de agir e traduz seus motivos e circunstâncias.

d) Paixão – Reveladora do aparecimento do autocontrole para conter ou dominar uma situação, na tentativa de silenciar a emoção. Caracteriza-se geralmente por ciúmes, exigências, exclusividade etc.

Em sua teoria de desenvolvimento psicogenética, Wallon define cinco estágios de desenvolvimento do ser humano, que vai desde o seu nascimento até a sua fase adulta (a que nos interessa nessa pesquisa). No aprofundamento do último estágio vai amadurecendo a identificação das diferenças entre idéias, sentimentos, valores próprios e valores do outro, buscando responder aos questionamentos sobre “quem sou” e “quais são os meus valores”.

Nessa fase adulta pode-se responder com segurança e discernimento a tais questionamentos, pois já se conhecem melhores possibilidades, limitações, pontos fortes, motivações, valores e sentimentos. Nesse estágio de equilíbrio entre o afetivo e o cognitivo, esse ser adulto, que para Mahoney & Almeida (2004) já adquiriu e desenvolveu uma consciência moral, deve ter reconhecido e assumido com clareza seus valores.

Deve saber também dirigir suas decisões e escolhas na quais os recursos de aprendizagem acontecem pela convivência com o outro, através de experiências próprias que se transformam em preceitos e em princípios; por isso, o equilíbrio entre o estar centrado em si e no outro é um indício do conhecimento de si, do outro e do mundo, característica indispensável ao professor, ao acolhimento do outro, ou seja, dos alunos e de seus pares, concluem as autoras.

Wallon propõe o estudo do indivíduo como um todo, analisando e investindo em cada parte de sua composição, por isso a formação contínua do professor deve ser trabalhada a partir da formação integral (intelectual, afetiva e social), não se limitando aos conteúdos, que soterram cada vez mais o indivíduo em informações e estratégias pouco eficazes à realidade educacional vigente.

Precisamos17 inicialmente ouvir mais o professor, depois acrescentar fontes de formações além dos livros, conhecer suas histórias, seu percurso pessoal e profissional para fazermos melhores interpretações de suas experiências. Para isso temos de recorrer à afetividade, às emoções (individual e social), à memória do professor, que há tanto tempo vive exposto às críticas, às culpas lançadas pela sociedade, como também pela instituição de ensino.

Valorizar esse professor nas formações contínuas é fazê-lo autor das ações, é partir de suas experiências, de suas necessidades para então, organizar, como colaboradores, uma formação mais personalizada na valorização de um conjunto de

17 Todos nós (alunos, professores formadores, pesquisadores), responsáveis pela educação (inicial e contínua) dos professores.

aspectos de sua composição humana: cognitivo, afetivo, motor (individual, coletivo) para só então termos uma melhor compreensão pessoal e profissional desse educador.

Com base nas práticas simultâneas do processo de formação (racional e emocional), a pesquisa proporcionou aos professores momentos de mais liberdade e segurança, a fim de que pudessem falar das suas experiências, do seu pessoal, compartilhar suas conquistas, suas inovações, fragilidades e insatisfações. A seguir exemplificamos alguns desses momentos de diálogo, de auto-reflexão partilhada no coletivo.

a) Você se sente realizado na sua profissão?

“Sim, embora o salário deixe a desejar. E a indisciplina na sala de aula também.” – Aida

“Me sinto bem no local onde trabalho, me sinto útil nos meus propósitos. Realização é gostar do que faz e se envolver nesta busca, principalmente de ensino-aprendizagem.” – Rebelo

“Vez ou outra, mas bastante decepcionada com o salário que não valoriza o professor e suas atribuições.” – Heloisa

“Não. Infelizmente, a realização profissional não vem só de um resultado, não é unilateral. Acredito que essa realização profissional está longe de acontecer, pois a cada ano percebo o descaso com que nós professores estamos sendo tratado pelas autoridades governamentais, pela sociedade, há falta de respeito. A seriedade com que levamos o nosso trabalho não é reconhecida, haja vista os parcos salários que recebemos e a falta de estrutura em que trabalhamos.” – Marcos

b) O que é ser professor hoje para você?

“Ser professora hoje para mim é muito bom. É pena que eu entrei no ensino numa época em que os alunos não querem estudar. É muito gratificante a nossa profissão, “professor”. Ensinar é sublime, é bom, é maravilhoso, se os alunos quisessem...” – Aida

“Conseguir ensinar e o aluno aprender, principalmente o que há além da sua realidade individual, a coletividade tão necessária à convivência na sociedade.” – Rebelo

“Atribuição árdua, baixo salário, falta de apoio do governo no que diz respeito às salas superlotadas, muitos direitos aos alunos e poucos ao professor. Trabalho com pouco recurso dado pela escola, pelo governo, sem material apropriado (nós é que temos que correr atrás) dado pela escola para o trabalho e as atividades realizadas com os alunos.” – Heloisa

“Ser professor hoje é ir além dos conteúdos, ir além da sala de aula. A escola, como espaço laico, aceita tudo, e o professor nem sempre está preparado para esse “tudo”, pois ao mesmo tempo tem que estar preparado para ser psicólogo, pai, padre, pastor, sexólogo...” – Marcos

c) Hoje você se sente mais seguro em relação à sua profissão, “professor”?

“Obviamente que, com o passar dos anos, ficamos mais fortes e seguros, porque as lições vão se tornando até decoradas em nossa mente, e nos sentimos seguros com isso. As conquistas notórias ocorrem quando os alunos nos respeitam, quando sabemos e conhecemos a matéria e conseguimos nos impor em sala, uma vez que não temos o que temer. No momento não há deficiência, pois há quatro anos estou aprendendo quando preparo e dou aulas.” – Aida

“A cada ano há a necessidade de fazermos uma reflexão para mudar algumas atitudes, posturas e estratégias a fim de melhorar e direcionar as aulas dadas. A segurança de cada ano é fruto dessas auto-avaliações. As conquistas notórias são: domínio total da matéria, a contínua curiosidade dos alunos e o gosto pela matéria. As deficiências ficam por conta de não termos um espaço adequado para a realização das atividades que envolvem certos materiais relacionados a tintas, água, falta de um espaço para teatro, falta de materiais por parte dos alunos.” – Heloisa

“Seguro quanto aos conteúdos, sim, mas sabedor de que o conteúdo é apenas um detalhe se comparado à sensibilidade do relacionamento humano. Sempre dá aquele “friozinho” na barriga quando precisamos nos aproximar do aluno que não conhecemos e tentar fazer com que ele nos enxergue não apenas como professor, mas sobretudo como alguém que fará parte de sua vida (ainda que temporariamente) e que a convivência precisa ser, se não agradável, o menos amarga possível. Orgulho-me em dizer que um das conquistas mais notórias em meus tempos de magistério é a minha transparência com os meus alunos e o aprendizado socialista de que todos são iguais como seres humanos, embora diferentes

intelectualmente. Às vezes vejo como deficiência minha superfranqueza, não só com os alunos, mas também com a direção e os colegas; nem sempre é preciso dizer tudo o que se pensa.” – Marcos

Durante a sessão, que tinha como um dos focos o trabalho com o emocional e as relações de afetividade, os professores refletiram sobre equilíbrio e limites necessários dentro do contexto da sala de aula, da escola em geral, expuseram suas fragilidades a respeito do emocional na relação diária com alunos e com seus pares, refletiram sobre o afetar-se em demasia diante de algumas situações, como também falaram de suas lutas constantes para diminuir o desgaste emocional nas relações profissionais:

“[...] Às vezes não sabemos como e nem por onde começar, sozinhos é difícil mesmo [...]. Meu envolvimento com os alunos é, até onde posso atuar, a sala de aula; se a dificuldade é externa a esse espaço, tento ajudar, mas de forma limitada.

“Em relação aos colegas, eu me mostro um ser normal, com dificuldades e fragilidades, me coloco além de professor, um ser humano, com erros e acertos e sempre em busca de melhorias, consigo pedir desculpas pelos meus erros e me sinto bem localizado no meu grupo da escola, sou atuante, aglutino algumas forças e sou responsável pelo respeito à disciplina Arte de certa forma na minha escola.” – Rebelo

“No ambiente escolar é preciso ter um equilíbrio emocional, muitas vezes nos defrontamos com casos de alunos com problemas sérios na família e que nos afetam em demasia, mas procuramos juntamente com outros profissionais, sejam eles professores ou de outras áreas, sanar estes problemas.

“Com os professores, coordenação e direção, meu relacionamento é bem equilibrado nos momentos adequados, com conversas em geral e devidas. Procuro ser transparente nos meus relacionamentos, sem neuras, uma pessoa normal e equilibrada, sinto-me perfeitamente enquadrada e localizada no ambiente em que trabalho.” – Heloisa

“Por força de temperamento, não sei muito fingir o que não sou. Procuro ser sempre coerente com as pessoas, em primeiro lugar pelo respeito que tenho por todos, e segundo, porque, quando se consegue conviver num ambiente com pessoas tão diversificadas culturalmente, já é um modo de saber com quem estamos falando e do que podemos falar [...]” – Marcos

A respeito do tema abordado Codo & Gazzotti (1999), chama-nos a atenção o fato de o professor canalizar essa energia afetiva para alvos que não podem muitas vezes ser atingidos, fugindo do conjunto de normas e técnicas de trabalho. Com isso o professor vai se transformando em uma verdadeira “panela de pressão”, preparada para explodir, pois não encontra uma válvula de escape (como a panela de pressão tem).

Esse acúmulo de energia acaba se voltando para si mesmo em forma de sofrimento, desequilibrando também a vida pessoal. Por isso faz-se necessário que o professor encontre formas de lidar com essa situação, ampliando sua resistência para que consiga administrar melhor a sua energia afetiva.

As ações com jogos teatrais tornam-se, nas relações do coletivo da pesquisa, uma forma de dar vazão a essa energia afetiva “abafada”, pois dão oportunidades aos professores de vivenciarem seus conflitos, refletirem suas práticas e buscarem, em conjunto, soluções ou possibilidades de melhorias (pessoal e profissional) ao mal-estar vigente.

[...] a energia afetiva que não encontrou formas de ter vazão, quando retorna para sua origem, inverte sua polaridade. Isso significa que, de afeto, de energia construtiva, passa a ser negativa, destrutiva, nesse caminho de volta. O resultado é o indivíduo agredindo a si mesmo. Os sintomas desse sofrimento podem ser notados a todo momento, seja através de dores de cabeça, dores nas costas, perda da voz, cansaço, irritabilidade, dificuldade em estabelecer relações afetivas mais profundas, etc. (CODO & GAZZOTTI, 2006, p. 57)

Assim, essa pesquisa almejou, a partir das vivências teatrais, valorizar pessoal e profissionalmente o professor, investindo no ato de dar voz às suas reflexões, escutar suas reivindicações, dar oportunidade para que ele pudesse dividir com seus pares as suas experiências, seus anseios, seus conhecimentos.

Valorizar o professor é uma prática que se deve iniciar pelos conceitos, pelo olhar de respeito, de compreensão, evitando a onda de rotulações e de desprezo em relação à educação, hoje tão bem propagado pelas mídias do nosso país, que não dão credibilidade a esse profissional como sujeito pessoal e social, não focam seus sucessos e acréscimos à formação social, não abrem caminho para que suas experiências educacionais ecoem com respeito e façam histórias, exemplifiquem,

orientem e dividam com a sociedade a responsabilidade de educar para e na vida atual.

Temos consciência, entretanto, que essa transformação, essa superação, é um processo e requer paciência, credibilidade, empenho dos profissionais da educação no que diz respeito à sua profissão, pois fica cada vez mais notório o quanto há de inversões nos investimentos aos docentes, o quanto se exige na rapidez de resultados, o quanto se quer ensinar, sentar o professor nos bancos de formações, não lhe permitindo falas, deixando que “outros” conceituem e tracem saídas e soluções para os seus problemas, em escala maior, as promessas de uma vida melhor ao professor.

Fala-se muito de educação, mas em regra geral não são os professores que falam. A nossa voz hoje é muito ausente do debate educativo. E se quisermos criar uma melhor credibilidade profissional, temos que aprender a ter uma voz e uma intervenção pública mais forte, mais crítica, mais decisiva em função da educação. Creio que é essa voz que nos permite em parte ganhar esse espaço público da educação. (NÓVOA, 2006, p. 18)18

Para tanto, é preciso lutar de maneira diversa da que fazemos hoje, pois nossa tendência, no papel de “guerreiros”, como dizia o educador Paulo Freire, é dividir forças na luta entre e contra nós mesmos em vez de lutarmos contra o inimigo, que é a massificação, as inadequadas formações (inicial e contínua), o desrespeito, a falta de conhecimento da sociedade em relação à experiência e aos conhecimentos do professor.

A desconsideração à afetividade, o emocional, que permeiam as relações pedagógicas, a falta de estrutura da profissão, a má remuneração salarial, as poucas verbas e baixos investimentos no intelectual e no pessoal do grande fazedor da educação: o professor.

Pensar e trabalhar o pessoal junto ao profissional é respeitar o todo (motor, afetivo e cognitivo) do eu e do outro na educação, como recomenda Wallon. É propor, através de formações, aqui especificamente a contínua em serviço, avanços e superações, considerando os erros, as dificuldades, as inversões que a rotina educacional adquiriu na sua trajetória de vida, e não provocar rupturas, fragmentos que fragilizam ainda mais o trabalho da escola e dos responsáveis pela educação.

18 Palestra intitulada “Desafios do trabalho do professor no mundo contemporâneo”. Sinpro SP. Disponível em: http://www.sinprosp.org.br/arquivos/novoa/livreto_novoa.pdf Acesso em: mar. 2007.