• No results found

Dataflyt‐diagrammer, og bruk av trussellister som STRIDE

relação aos demais:

“Utilizo mais a audição que a visão no relacionamento com meus alunos, prefiro ouvir mais, consigo identificar, de cabeça baixa, todos os alunos, pelas suas vozes; inclusive, faço a chamada sem precisar olhar para eles, faço a confirmação da presença pelo timbre de voz.”

Heloisa, ao contrário, afirma que há necessidade desse contato do olhar em seu relacionamento com os alunos e principalmente na hora da chamada, caso contrário ela não consegue identificá-los.

Voltaram à discussão sobre o desgaste, o mau uso e o cansaço em relação à voz. Particularmente, nos assustamos, pois em dezoito anos de prática educacional encontramos poucos professores em um coletivo fazendo tais reclamações de forma insistente como no caso específico desse grupo. A questão da voz era um dos grandes problemas detectados e com certeza não só relacionados a eles e sim a toda a categoria, o que se confirma com uma pesquisa sobre as condições de trabalho e as conseqüências à saúde dos professores feita pelo sindicato dos professores de São Paulo – Apeoesp31, em 2003, que enfatiza o tema.

Silvia apontou como saída emergencial para o problema um intervalo de alguns minutos para se beber água ou pelo menos comer uma maçã, e que nem isso podia ser feito:

“Eu, em particular, ando carregada de livros no dia-a-dia escolar, em um sobe-e-desce de escadas, entre as salas de ensino fundamental e médio, o que dificulta carregar uma garrafa de água e, se assim o fizesse, seria chato, pois os alunos iriam me ver tomando água e

aguçaria a vontade deles também. Cinco minutos para tomarmos água na sala dos professores já faria diferença.”

Silvia continuou falando sobre possíveis soluções para o problema da voz e deu uma dica para o grupo, em especial para Murinel:

“Comer maçã é um dos melhores remédios para o problema, pois a maçã possui nutrientes que fazem a limpeza da garganta e ainda rejuvenesce a voz.”

Murinel recebeu o conselho com um grande sorriso. Fizemos mais uma provocação sobre estratégias para diminuir esse sofrimento, na organização de uma aula, por exemplo, perguntamos se eles buscam as estratégias pensando desde o espaço físico da sala, a posição das carteiras e o local onde os professores se sentam: "Falem-nos um pouco a respeito da rotina de vocês durante uma aula".

Rebelo nos olhou como quem quer dizer "Agora ela vai ensinar como eu devo sentar na minha sala de aula?". E realmente era isso que queríamos aguçar, estávamos discutindo esse tema já há duas semanas e queríamos ouvir idéias práticas, que eles mesmos pudessem executar para amenizar, pelo menos, aquele sofrimento que os incomodava e a nós agora também.

Rebelo afirmou que não conhecíamos, como pesquisadora, todas as salas de aula daquela escola, pois elas não ajudam muito nessa mudança física dos assentos, possuem muitas carteiras, e que o professor acabava por optar sempre pelas fileiras, “aprisionando" os alunos aos conteúdos, à lousa e ao giz, concluiu.

Silvia complementou alegando que não existem no seu horário de aula atual aulas dobradas32, algumas salas possuem mais de uma lousa e isso dificulta essa locomoção. Insistimos mais uma vez: "Será que é medo em relação às modificações?".

“Não. Não é medo! É falta de hábito mesmo de se fazer o diferente.”,retrucou Silvia.

"Não será o professor que está aprisionado nessa estratégia da lousa e do giz, sempre à frente, e distante do aluno?", continuamos as indagações. "O contrário da realidade citada por vocês iria exigir muito mais preparo do professor, mais

32 Referia-se às suas aulas, pois no grupo havia professores com aulas dobradas, ou seja, duas aulas em seqüência.

domínio do tema, desapego da lousa e do giz, saber dialogar, seduzir à participação, olhar nos olhos, saber dividir seus problemas com seus pares, planejar outros recursos e correr atrás, não é fácil mesmo! Requer tentativas, preparos, acreditar em melhorias do professor, do sistema, do aluno..."

Exageramos um pouco nas intervenções com o objetivo de irritá-los e jogar a responsabilidade para os sujeitos dessa pesquisa, o professor. Essa atitude não significa que não tenhamos consciência do quanto o sistema, a política educacional está falha em vários setores, que o problema é complexo, macro; entretanto, queríamos sacudi-los, obrigá-los a refletir mais, a superar fases, mas tememos ter exagerado.

“Nos acomodamos mesmo, sem falar que o outro professor da sala não vai aceitar as carteiras fora do lugar e perderíamos um tempo arrumando tudo outra vez para seus lugares.”,respondeu Murinel, deixando um vácuo na sala, um silêncio conclusivo.

O grupo desistiu da discussão, deviam estar cansados de pensar e correr atrás de alternativas que em um piscar de olhos são destruídas e desconsideradas, porque talvez o mais fácil e óbvio fosse deixar como estava: "Para que procurar soluções?". Passamos a refletir um pouco sobre a situação.

Quebrando o silêncio e o clima tenso que pairou na sala, Rebelo aproveitou para contar algo que o incomodava muito nesse ano letivo de 2005:

“Tenho dificuldades com as sétimas séries, me irritam tanto que por muitas vezes não consigo cumprir o meu papel. Me desestruturo profissionalmente, nada rende, nada dá certo, e quando chega o meio da semana, já penso nessas salas e me desanimo, é um sofrimento”, concluiu.

“Realmente, eu também tenho muitas dificuldades com as sétimas séries, me irrito sempre”, colaborou Silvia.

Percebemos que os problemas relatados são sempre vividos por vários deles, não é um caso à parte, por isso perguntamos: "Vocês levam essas discussões, esses problemas para os HTPCs? Como trabalham essas dificuldades?".

Assim, não resolvem a situação e vão levando, aumentando o sofrimento: "Vejam só o cabo de guerra que é: de um lado o professor, e de outro os trinta e cinco, quarenta e cinco alunos, que já perceberam que incomodam, que desestruturam o professor; detalhe: eles estão no coletivo e se articulam muito bem! E vocês?". Desafiei-os mais uma vez.

"Algo está errado! Lembram-se do nosso jogo, na primeira sessão, em que o coletivo teria que resolver um problema que envolvia todos individualmente, e só um de vocês tomou a frente e sentiu na pele o risco de não conseguir solucionar, e que se fosse discutido antes o problema no grupo, amenizaria mais a tensão da decisão? Esse foi um relato de avaliação de vocês mesmos. Tenho mais uma pergunta: esses problemas mal resolvidos na escola afetavam a vida pessoal de vocês? Como lidam com isso?"

“Levo todos esses problemas para casa, chego acabada, não tenho energia para nada, a não ser cuidar do meu filho, pois não há outro jeito.”, alegou Silvia.

“Levo todo o peso da insatisfação para o meu lar e isso é terrível”, continuou Murinel. Rebelo, depois de minutos em silêncio, disse que conseguia, de certa forma, não estender muito os problemas para fora da escola.

“Tento ser, sempre que possível, muito animado e definido a resolver os problemas na própria escola, e me sinto muito à vontade, apesar do cansaço. Quanto ao espaço coletivo, minha disciplina, Arte, tem uma história de sucessos na escola, talvez por isso consigo trabalhar um pouco mais, no interno, esses problemas.”

“Mas ainda há falta de espaço para algumas disciplinas que não sejam a matemática e o português.”, argumentou Silvia.

“Nós [professores de arte] não temos o mesmo espaço nos conselhos de classe, nas discussões, nas prioridades educacionais”, Heloisa intensificou o protesto.

Heloisa aproveitou para falar de seu compromisso com a educação; que em cinco anos de experiência, apenas, ela se esforça para criar estratégias diferentes para as aulas, fazendo, por exemplo, várias avaliações, dando oportunidade aos

alunos de aprender de forma mais eficaz, incluindo a auto-avaliação, na qual o seu aluno se dá uma nota.

“Em relação à auto-avaliação, lembro que, quando aprendi essa estratégia na faculdade, nunca imaginei conseguir desenvolver de forma eficaz na sala de aula, os alunos não iriam levar a sério, confundiriam com uma grande brincadeira, mas foi o contrário; com poucas exceções, os alunos são bem conscientes de suas produções, avaliam-se com notas abaixo da minha expectativa, o que me faz reforçar e estimular o aluno a fazer uma análise melhor de tudo que foi trabalhado no período, os avanços, as dificuldades, as superações, e isso o faz enxergar que houve desenvolvimento sim, e muitas modificações aconteceram.”

A contribuição de Heloisa nos é muito pertinente, pois já que estamos nos referindo à realidade educacional e às possíveis modificações das estratégias desenvolvidas pelos professores em suas aulas, esse era um dos aspectos falhos no sistema de educação, o aluno não é convidado à reflexão, a rever sua prática, a ser co-responsável no processo avaliativo, a discutir avanços, tropeços, a ajudar o professor a retomar a alguns itens não alcançados ou avançar na sua proposta curricular. Como vemos, eles, os alunos, também sofrem nesse processo “mal traçado” de formação.

Despedimos-nos em clima de interrogações e satisfações em aguardar por esses diálogos, por essa convivência na próxima sessão.

Análise dos dois encontros da Avaliação 1

– Após essa primeira fase da