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2. THEORETICAL BACKGROUND

2.2 P REVIOUS LINGUISTIC RESEARCH IN S HETLAND

2.2.2 Smith and Durham

- Como se desenvolve a prática intergeracional -

No entanto, estas definições são insuficientes para caraterizar a prática intergeracional e aquilo em que esta se materializa. O nosso objetivo com esta dissertação não é propor um modelo de categorização da prática intergeracional, como o faz Kaplan (Kaplan, 2002), e sim definir o PIC nas suas várias vertentes. Especificando: Springate et al. referem-se ao tipo de atividades realizadas, por exemplo ‘educação ambiental’ e ‘horticultura’ (Springate et al., 2008), remetendo para a adequação desta dinâmica ao tipo de atividades que propomos (de ciência), sendo que os mais comuns são os projetos sociais e de saúde (Fuselier, 2015); enquanto MacCallum et al. se referem a ‘projetos comunitários’ ou de ‘aprendizagem conjunta’ (MacCallum et al., 2006); adicionalmente, referem os resultados esperados para este tipo de atividades, dos quais salientamos ‘aprendizagem’, ‘capital social’ e ‘coesão comunitária’ (MacCallum et al., 2006) (Springate et al., 2008), enquanto a ENIL –

European Network of Intergenerational acrescenta, entre outros, ‘transferência de experiências,

conhecimento, saber-fazer e memórias’ (TOY Project Consortium, 2013).

Por seu lado, Kaplan refere diferentes níveis de intergeracionalidade: Nível 1 – Aprender sobre

o Outro grupo, sem contacto direto; são exemplos deste nível a unidade “Aprender sobre o

Envelhecimento” do currículo escolar, nas escolas dos Estados Unidos, ou o a exposição itinerante “Os Segredos do Envelhecimento” cuja abertura começou no Museu de Boston em 2000; Nível 2 –

Ver o Outro grupo à distância; como exemplo, temos os programas de correspondências entre

crianças e séniores; Nível 3 – Conhecer o Outro; o encontro geralmente é um evento pontual em

20 É o relatório de 2012 da ENIL que faz a ponte entre intergeracionalidade e envelhecimento ativo, através do contacto entre as gerações e de atividades que funcionam como mediação social e cultural (TOY Project Consortium, 2013)

21 Por ‘Educação ao Longo da Vida’, entenda-se: “Not only must it (lifelong learning) adapt to changes in the nature of work, but it must

also constitute a continuous process of forming whole beings - their knowledge and aptitudes, as well as the critical faculty and the ability to act. It should enable people to develop awareness of themselves and their environment and encourage them to play their social role and work in the community.” (TOY Project Consortium, 2013).

atividades deste nível; Nível 4 – Atividades periódicas ou anuais; ainda que pouco frequentes, podem vir a simbolizar a união da comunidade e a abertura a atividades mais regulares; Nível 5 –

Demonstrações; são os projetos-piloto que visam a implementação de programas intergeracionais

de maior dimensão e impacto; Nível 6 – Programas Intergeracionais em Progresso; aqueles que resultam do sucesso dos projetos implementados no nível anterior; Nível 7 – Comunicação, partilha

e apoio intergeracional contínuo; quando a pratica intergeracional se torna o padrão na comunidade.

O impacto de cada um destes níveis é proporcional ao grau de envolvimento dos participantes: tanto maior quanto maior o envolvimento. Se os nossos objetivos se prendem, como é o caso, com a ‘mudança de atitudes’, ‘coesão da comunidade’, ‘aumento da autoconfiança’, e o ‘estabelecimento de relações próximas’, então os níveis adequados são os níveis 4 a 7, com a verdadeira prática intergeracional a ser concretizada nos níveis 5 e acima (Kaplan, 2002), sem descurar a importância dos primeiros, pois um projeto de nível 7 é o resultado do sucesso em todos os níveis anteriores (Murphy, 2012) e, portanto, um projeto intergeracional bem sucedido deverá passar por estas fases. A par da diversidade relativa a estes níveis de implementação, a diversidade de tópicos associada à prática intergeracional, aos quais se acrescentam aqueles que não estão diretamente relacionados com o PIC, remete para o desafio inerente à prática intergeracional: muito à semelhança do desafio inerente à comunicação de ciência, os públicos são bastante distintos no capital (científico) que trazem à ‘conversa’ (Ames e Youatt, 1994) (Kaplan, 2002) (Granado e Malheiros, 2015). Apesar disso, existem vários modelos que propõe uma metodologia de planeamento de atividades intergeracionais, entre eles o Modelo de Ames e Youatt, definem uma estratégia de seleção de atividades, num processo hierárquico de 4 fases: Fase 1) ajustamento da atividade aos objetivos do projeto e da instituição. Fase 2) ajuste ao nível etário dos participantes, já que jovens e adultos tendem a ter necessidades diferentes. Por exemplo, crianças/jovens tendem a explorar livremente atividades autopropostas, enquanto adultos preferem atividades relevantes ou úteis; os adultos são influenciados pelo carácter social da situação e pelo entusiasmo do facilitador; as crianças/jovens têm necessidade de movimento, enquanto que os séniores podem ter limitações físicas. Fase 3) considerar os grupos específicos a envolver, já que existe uma grande variedade mesmo dentro do mesmo grupo etário, seja em termos físicos, habilitacionais, socioeconómicos, etc. A prática intergeracional eficaz implica que os participantes se sintam motivados a participar e a envolverem- se e a persistir. Fase 4) existência dos recursos necessários (Ames e Youatt, 1994). A título de exemplo, citamos análise de Springate et al., que prossegue com a referência a uma série de projetos

que exemplificam o que é a prática intergeracional, entre os quais Generations in Action, que recruta séniores voluntários para ensinar competências variadas aos mais novos, neste caso grupos mais vulneráveis; o sentido de cidadania dos séniores parece beneficiar desta interação, que diversificaram as suas experiências de voluntariado em consequência da sua participação; adicionalmente, declaram melhorias no seu bem-estar e saúde (Springate et al., 2008).

Em suma, a prática intergeracional é um veículo social que promove a troca de recursos e a aprendizagem, intencional e recorrente, entre as gerações e devolve um conjunto de benefícios que comprovam a sua utilidade enquanto abordagem facilitadora da aprendizagem para jovens em risco de exclusão. De facto, a intergeracionalidade revela benefícios para jovens, séniores e comunidade, enumerados em baixo e discriminados por referência bibliográfica na Tabela 1.