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dos valores ´e intensificada, j´a que as avalia¸c˜oes do tipo Poliana 4 n˜ao ter˜ao

raz˜ao para existir (CONTE; PAOLUCCI, 2002);

2. Ao receber a informa¸c˜ao sobre a reputa¸c˜ao de um alvo, o agente dever´a armazen´a-la e transmiti-la no pr´oximo ciclo de simula¸c˜ao segundo duas condi¸c˜oes: caso a reputa¸c˜ao seja negativa, transmiti-la sempre; caso a re- puta¸c˜ao seja positiva, transmiti-la somente se for condizente com a imagem que o agente possui do alvo. Segundo (CONTE; PAOLUCCI, 2002), uma certa percentagem de cal´unias (m´a reputa¸c˜ao n˜ao merecida) ´e melhor do que o silˆencio, ou seja, a n˜ao transmiss˜ao de nenhum tipo de reputa¸c˜ao;

3. Os agentes integrantes receber˜ao as informa¸c˜oes sobre a reputa¸c˜ao de agen- tes candidatos a parceiro sem precisar solicit´a-las aos vizinhos, aumentando drasticamente a eficiˆencia do mecanismo de reputa¸c˜ao (CONTE; PAOLUCCI, 2002). Um agente, ao ser informado sobre uma reputa¸c˜ao de um alvo que estiver de acordo com a regra n´umero 2, acima, dever´a transmiti-la a todos os seus vizinhos, sem que estes a tenham solicitado.

Estas restri¸c˜oes diminuem a complexidade do sistema RePart, ao mesmo tempo que fazem com que a reputa¸c˜ao transmitida apresente uma maior eficiˆencia, ou seja, desempenhe de forma mais satisfat´oria seu papel como mecanismo de controle social.

4.3

Arquitetura do sistema

O sistema RePart ´e formado por trˆes componentes b´asicos: um n´ucleo de si- mula¸c˜ao, uma interface com o usu´ario e os agentes (consumidores e empresas).

4.3.1

Vis˜ao geral

A arquitetura do sistema RePart ´e representada na Figura 4.2. Seus componentes apresentam as seguintes fun¸c˜oes:

1. Agentes: s˜ao os protagonistas das parcerias, sendo cada qual autˆonomo para a escolha de seus parceiros. Agentes consumidores apresentam perfis distintos para a sele¸c˜ao de parceiros, definidos pelo usu´ario, e capacidade de armazenar imagens e reputa¸c˜oes de agentes alvo, obtidos por meio do

4

4.3 Arquitetura do sistema 42

Figura 4.2: Arquitetura da ferramenta de simula¸c˜ao RePart

m´odulo Repage. J´a agentes empresas tˆem sua atua¸c˜ao na sociedade regida pelo seu perfil, tamb´em determinado pelo usu´ario;

2. N´ucleo de Simula¸c˜ao: inicia a simula¸c˜ao, criando os agentes de acordo com os parˆametros especificados pelo usu´ario, atribuindo-lhes tamb´em sua vizinhan¸ca. Ao longo do processo de simula¸c˜ao, permite a troca de men- sagens entre os agentes vizinhos, inser¸c˜ao de boatos e ´e respons´avel pelo incremento nos passos discretos de tempo do sistema (ciclos);

3. Interface: permite que o usu´ario entre com os parˆametros da simula¸c˜ao, como percentagem de agentes com perfis distintos na sociedade, n´umero total de agentes na simula¸c˜ao, n´umero de ciclos a serem simulados.

Um ciclo no processo de simula¸c˜ao ´e apresentado no Pseudo-algoritmo 4.1.

1 w h i l e t < c y c l e s 2 do 3 f o r each Consumer i n S o c i e t y 4 C o n s u l t s n e i g h b o u r s ( t h i r d p a r t y images ) ; 5 A n a l y s e s t h e i n f o r m a t i o n g a t h e r e d ; 6 S e l e c t s t he e n t e r p r i s e ; 7 R e c e i v e s t he good from th e e n t e r p r i s e ; 8 E v a l u a t e s t h e good ; 9 Forms an image o f th e e n t e r p r i s e ; 10 Propagate r e p u t a t i o n s among n e i g h b o u r s ; 11 f o r each E n t e r p r i s e i n S o c i e t y 12 A n a l y s e s p e r f o r m a n c e ; 13 Updates p r i c e / q u a l i t y o f goods ; 14 done

4.3 Arquitetura do sistema 43

Os passos 6 e 13 relativos `a sele¸c˜ao de empresas por parte dos consumidores e `a atualiza¸c˜ao de custo e qualidade da mercadoria por parte das empresas s˜ao feitos segundo o perfil de cada agente e encontram-se descritos em maiores detalhes nas se¸c˜oes 4.3.2 e 4.3.3.

4.3.2

Agentes consumidores

Protagonistas das parcerias, os agentes consumidores devem ser autˆonomos nas suas escolhas de parceiros. Esta op¸c˜ao deve ser coerente com seu perfil, suas cren¸cas e seu estado mental. Sendo assim, no sistema RePart, cada agente consu- midor deve possuir mecanismos internos para suas tomadas de decis˜ao. A seguir, ser˜ao descritos estes mecanismos e a arquitetura interna dos agentes consumidores que permitem que tal fato ocorra.

4.3.2.1 Arquitetura interna

A arquitetura interna dos agentes consumidores, ilustrada na Figura 4.3, divide-se em trˆes m´odulos, listados a seguir.

Figura 4.3: Arquitetura interna dos agentes consumidores integrantes do sistema RePart

Mem´oria Consiste em uma lista que cont´em a identifica¸c˜ao dos candidatos a parceiro, bem como sua imagem, sua reputa¸c˜ao, a confian¸ca depositada e o custo cobrado pela empresa, conforme indica a Figura 4.4.

Segundo (CASTELFRANCHI; FALCONE, 2000), a confian¸ca que um agente deposita em um alvo ´e forte e claramente baseada na imagem/reputa¸c˜ao

4.3 Arquitetura do sistema 44

Figura 4.4: Mem´oria dos agentes consumidores

deste frente ao avaliador. Portanto, para fins de simplifica¸c˜ao, na plata- forma RePart adotaremos que a confian¸ca depositada em um agente ser´a calculada segundo o Pseudo-algoritmo 4.2.

1 imgX:= image o f agent X

2 i f imgX i s not n u l l then t r u s t :=imgX 3 e l s e t r u s t :=repX

Pseudo-Algoritmo 4.2: C´alculo de confian¸ca

A imagem do agente alvo sempre possui prioridade frente a reputa¸c˜ao do mesmo, visto que uma imagem ´e uma avalia¸c˜ao proveniente de experiˆencias diretas ou de terceiros, enquanto que a reputa¸c˜ao ´e apenas uma informa¸c˜ao sobre o que se diz na sociedade sobre determinado alvo (PINYOL et al., 2007). O modelo Repage n˜ao retorna um valor exato da imagem ou reputa¸c˜ao, e sim uma tupla de n´umeros que indica a aderˆencia do conceito a cada conjunto fuzzy. Sendo assim, a confian¸ca no agente alvo ser´a calculada por meio de uma defuzzica¸c˜ao dos valores da tupla que indica sua imagem ou reputa¸c˜ao.

A mem´oria do sub-m´odulo C´alculo de Imagem/Reputa¸c˜ao (modelo Repage) acessa esta mem´oria principal do agente para fornecer subs´ıdio a seus pro- cessos de inferˆencia. Esta integra¸c˜ao ´e feita de forma direta e clara (PINYOL et al., 2007).

A mem´oria do agente ´e atualizada (1) a cada nova intera¸c˜ao com uma empresa; (2) ap´os a coleta de imagens de terceiros e (3) ap´os o recebimento de informa¸c˜oes sobre a reputa¸c˜ao de uma empresa alvo. Ao final de cada ciclo, o valor dos custos cobrados pelas empresas tamb´em ´e atualizado. M´odulo de Tomada de Decis˜ao Este m´odulo ´e respons´avel pelas escolhas fei-

tas pelos consumidores ao longo do processo de simula¸c˜ao. No sistema RePart, elas s˜ao duas: (1) com quem formar parceria? e (2) quando re- transmitir uma reputa¸c˜ao recebida aos vizinhos? Este ´e o m´odulo central

4.3 Arquitetura do sistema 45

dos consumidores, sendo formado por trˆes sub-m´odulos.

O primeiro deles, C´alculo de Imagem/Reputa¸c˜ao ´e respons´avel pelo c´alculo da imagem e reputa¸c˜ao dos demais agentes. A imagem ´e calculada a partir de experiˆencias diretas do avaliador com o alvo e de informa¸c˜oes sobre a imagem de terceiros. J´a a reputa¸c˜ao ´e obtida por meio da coleta de informa¸c˜oes anˆonimas que circulam na sociedade a respeito do agente alvo. Este m´odulo ´e baseado no modelo Repage (SABATER; PAOLUCCI; CONTE,

2005; PAOLUCCI et al., 2005).

O sub-m´odulo Sele¸c˜ao de Parceiros fornece a resposta `a quest˜ao n´umero (1), com quem formar parceria. Neste processo, cabe ao agente ponderar se o mesmo deseja realizar uma parceria com um agente j´a conhecido ou tentar explorar a sociedade na tentativa de descobrir um parceiro que lhe seja mais atrativo.

A quest˜ao explora¸c˜ao versus explota¸c˜ao ´e um dos pontos cruciais na ´area de pesquisa de Aprendizado por Refor¸co (SUTTON; BARTO, 1998). Geral- mente, adotam-se pol´ıticas denominadas “gulosas”, que selecionam a¸c˜oes que o agente j´a conhece e que mais lhes sejam atrativas. Estas a¸c˜oes s˜ao selecionadas com a probabilidade (1 − α) . A¸c˜oes desconhecidas s˜ao selecio- nadas, por conseguinte, com a probabilidade α. No caso do sistema RePart, as a¸c˜oes representam os poss´ıveis parceiros.

Para os agentes consumidores, adotaremos α = 1

numparceiros. A vari´avel

numparceiros armazena o n´umero de empresas j´a conhecidas pelo consu- midor, ou seja, com quantas empresas este j´a realizou parcerias. Neste caso, α ter´a um decaimento exponencial, sendo que o fator com que o agente ex- plora o ambiente ´e maior no ´ınicio das simula¸c˜oes e decai na medida em que o agente adquire um maior conhecimento a respeito dos demais agentes. Quando numparceiros for igual a zero, ou seja, na primeira intera¸c˜ao do agente, adotaremos α = 1.

Caso seja determinado que um parceiro j´a conhecido deva ser selecionado, a empresa que ocupar a primeira posi¸c˜ao na mem´oria do agente ser´a esco- lhida. Os perfis dos consumidores atuam de forma diferente no processo de ordena¸c˜ao da mem´oria, utilizando cada qual uma m´etrica para determinar qual a empresa, poss´ıvel parceira, lhe ´e mais atrativa.

1. Conservadores: Priorizam a confian¸ca depositada na empresa em de- trimento do custo cobrado pela mesma. A ordena¸c˜ao de empresas na mem´oria de agentes conservadores ´e feita baseando-se estritamente no

4.3 Arquitetura do sistema 46

campo confian¸ca. Quanto maior a confian¸ca, mais no topo da lista estar´a a empresa alvo.

A lista apresentada na Figura 4.4 ´e ordenada segundo este perfil, ori- ginando a lista indicada na Figura 4.5.

Figura 4.5: Mem´oria ordenada segundo o perfil conservador

2. Ousados: Apresentam tamb´em uma preocupa¸c˜ao com o custo deman- dado pela parceria. A ordena¸c˜ao da mem´oria ´e feita, por conseguinte, baseando-se na rela¸c˜ao existente entre o campo confian¸ca e custo. Quanto maior o resultado da divis˜ao destes dois campos, mais no topo da lista estar´a a empresa alvo.

A lista apresentada na Figura 4.4 ´e ordenada segundo este perfil, ori- ginando a lista indicada na Figura 4.6. Neste exemplo, temos que a rela¸c˜ao obtida entre os campos confian¸ca e custo para os agentes 1, 2 e 3 ´e, respectivamente, 1,12, 3,26 e 3,13. Sendo assim, o agente 2 ocupa o topo da lista, seguido pelos agentes 3 e 1.

Figura 4.6: Mem´oria ordenada segundo o perfil ousado

3. Avaros: Buscam custos inferiores, portanto baseiam a ordena¸c˜ao de sua mem´oria exclusivamente no campo custo. Quanto menor o mesmo, mais no topo da lista estar´a a empresa alvo.

A lista apresentada na Figura 4.4 ´e ordenada segundo este perfil, ori- ginando a lista indicada na Figura 4.7.

4.3 Arquitetura do sistema 47

A informa¸c˜ao sobre a imagem fornecida pelo sub-m´odulo C´alculo de Ima- gem/Reputa¸c˜ao tamb´em ´e utilizado pelo sub-m´odulo Transmiss˜ao de Re- puta¸c˜ao, que determina se uma reputa¸c˜ao deve ser propagada aos vizi- nhos segundo as regras apresentadas na se¸c˜ao 4.2.4, respondendo `a quest˜ao n´umero (2).

Comunica¸c˜ao Armazena as mensagens recebidas dos agentes informantes (ima- gens de terceiros e reputa¸c˜oes) at´e que estas precisem ser analisadas pelo m´odulo de Tomada de Decis˜ao. Tamb´em ´e respons´avel por armazenar as reputa¸c˜oes a serem retransmitidas, aprovadas pelo sub-m´odulo Transmiss˜ao de Reputa¸c˜ao.

4.3.3

Agentes empresas

As empresas, tamb´em protagonistas das parcerias, expressam sua autonomia no momento em que selecionam sua forma de atua¸c˜ao em uma sociedade norteada pelo conceito de reputa¸c˜ao. As vari´aveis custo e qualidade da mercadoria podem ser alteradas pelas empresas de acordo com sua estrat´egia de neg´ocio.

4.3.3.1 Arquitetura interna

Os agentes que representam as empresas no sistema RePart s˜ao agentes reativos simples (RUSSELL; NORVIG, 2004), baseando suas a¸c˜oes somente na sua percep¸c˜ao

atual. No caso, o n´umero de parcerias (input) determina a a¸c˜ao do agente que, de acordo com seu perfil, atualiza seu pre¸co ou qualidade da mercadoria.

Como descrito na se¸c˜ao 4.2.2.2, existem 7 perfis distintos de empresas no sistema RePart, que representam as estrat´egias de neg´ocio com rela¸c˜ao ao custo e `a qualidade das mercadorias. Estas estrat´egias representam poss´ıveis decis˜oes de agentes que, inseridos em uma sociedade orientada `a reputa¸c˜ao, tentam extrair o maior benef´ıcio poss´ıvel de tal fato.

As vari´aveis quality e cost representam respectivamente a qualidade da mer- cadoria e seu custo. Estas vari´aveis s˜ao alteradas de acordo com o perfil da empresa, expresso na vari´avel personality, com o n´umero de parcerias do ciclo anterior, lastN umP artnerships e com o n´umero de parcerias realizadas no ciclo atual, numP artnerships.

Reativo (Reactive) N˜ao altera as vari´aveis quality e cost ao longo do processo de simula¸c˜ao;

4.3 Arquitetura do sistema 48

Investidor (Investor) Incrementa a vari´avel quality caso numP artnerships seja maior que lastN umP artnerships;

Decadente (Decadent) Decrementa a vari´avel quality caso numP artnerships seja menor que lastN umP artnerships;

Trapaceiro (Cheater) Decrementa a vari´avel quality caso numP artnerships seja maior que lastN umP artnerships;

Ganancioso (Greedy) Incrementa a vari´avel cost caso numP artnerships seja maior que lastN umP artnerships;

Estrategista (Strategist) Decrementa a vari´avel cost caso numP artnerships seja menor que lastN umP artnerships;

Atacadista (Wholesaler) Decrementa a vari´avel cost caso numP artnerships seja maior que lastN umP artnerships.

Este processo ´e descrito no Pseudo-algoritmo 4.3.

1 i f ( numPartnerships > l a s t N u m P a r t n e r s h i p s ) 2 s w i t c h ( p e r s o n a l i t y ) 3 c a s e INVESTOR: 4 q u a l i t y = q u a l i t y + ( q u a l i t y ∗ p r o p o r t i o n ) 5 c a s e CHEATER: 6 q u a l i t y = q u a l i t y − ( q u a l i t y ∗ p r o p o r t i o n ) 7 c a s e GREEDY: 8 c o s t = c o s t + ( c o s t ∗ p r o p o r t i o n ) 9 c a s e WHOLESALER: 10 c o s t = c o s t − ( c o s t ∗ p r o p o r t i o n ) 11 e l s e i f ( numPartnerships < l a s t N u m P a r t n e r s h i p s ) 12 s w i t c h ( p e r s o n a l i t y ) 13 c a s e DECADENT: 14 q u a l i t y = q u a l i t y − ( q u a l i t y ∗ p r o p o r t i o n ) 15 c a s e STRATEGIST : 16 c o s t = c o s t − ( c o s t ∗ p r o p o r t i o n )

Pseudo-Algoritmo 4.3: Atualiza¸c˜ao de qualidade e custo da mercadoria por parte dos agentes empresas

4.3 Arquitetura do sistema 49

A vari´avel proportion, que representa a propor¸c˜ao com a qual as vari´aveis quality e cost ser˜ao alteradas, est´a configurada no sistema RePart com o valor de 0,2, podendo ser alterada para suprir as necessidades de outras simula¸c˜oes.

4.3.4

N´ucleo de simula¸c˜ao

Este componente do sistema, conforme denotado pelo seu pr´oprio nome, ´e res- pons´avel pelas fun¸c˜oes centrais no processo de simula¸c˜ao, sendo elas:

1. inicializa¸c˜ao dos parˆametros da simula¸c˜ao e cria¸c˜ao de agentes segundo especifica¸c˜ao do usu´ario e vari´aveis aleat´orias;

2. estabelecimento de comunica¸c˜ao entre os agentes; 3. incremento nos passos de tempo;

4. inser¸c˜ao de boato;

5. armazenamento dos resultados em um arquivo de log.

A pol´ıtica de escalonamento de a¸c˜oes numa plataforma de simula¸c˜ao, que est´a fortemente vinculada ao incremento nos passos de tempo, desempenha papel crucial nos resultados obtidos com o processo de simula¸c˜ao (MICHEL; FERBER; GUTKNECHT, 2001). Na ferramenta de simula¸c˜ao RePart, optou-se por um es- calonador de tempo discreto, que consiste na execu¸c˜ao seq¨uencial de a¸c˜oes por parte dos agentes. Ap´os o t´ermino desta seq¨uˆencia de a¸c˜oes pr´e-estabelecida, o passo de tempo da ferramenta de simula¸c˜ao ´e incrementado. Esta abordagem evita conflitos no acesso a vari´aveis globais e faz com que os agentes estejam sincronizados por defini¸c˜ao, dado o modelo de escalonamento.

Por outro lado, a ordem escolhida para a execu¸c˜ao das a¸c˜oes pode alterar os resultados obtidos. Na tentativa de minimizar estes efeitos, uma solu¸c˜ao bastante recorrente ´e a ordena¸c˜ao aleat´oria dos agentes que executar˜ao as a¸c˜oes (EPSTEIN; AXTELL, 1996). No caso do sistema RePart, esta aleatoriedade ´e gerada no pro-

cesso de aloca¸c˜ao dos agentes consumidores no reticulado de c´elulas. A lista na mem´oria de cada agente tamb´em apresenta um grau de aleatoriedade quanto a ordem das empresas, evitando assim que no in´ıcio da simula¸c˜ao a empresa que ocupasse a primeira posi¸c˜ao de mem´oria se beneficiasse de tal fato5.

Dado o car´ater seq¨uˆencial inerente `a forma¸c˜ao das parcerias, o m´etodo de escalonamento de tempo discreto mostra-se adequado, tendo inclusive o benef´ıcio

5

4.3 Arquitetura do sistema 50

de ser a abordagem mais simples, que demanda o menor poder computacional para a execu¸c˜ao dos ciclos de simula¸c˜ao.

A funcionalidade 4 apresentada, de inser¸c˜ao de boato, ´e ativada pelo usu´ario por meio da interface. No sistema RePart, um boato ´e o equivalente ao conceito de reputa¸c˜ao do modelo Repage, ou seja, ´e uma avalia¸c˜ao anˆonima sobre determi- nado alvo propagada na sociedade. Sua inser¸c˜ao ´e feita pelo N´ucleo de Simula¸c˜ao, que fornece a uma percentagem de consumidores uma informa¸c˜ao anˆonima sobre uma empresa alvo. Esta informa¸c˜ao ´e ent˜ao incorporada pelos agentes, por meio do predicado Reputa¸c˜ao (Figura 3.1).

Todo o processo de simula¸c˜ao pode ser posteriormente analisado por meio do log gerado, armazenado pelo sistema RePart no arquivo simulation.txt.

4.3.5

Interface

No sistema RePart o usu´ario pode definir alguns parˆametros de simula¸c˜ao a fim de que estes se adaptem `as necessidades de seus experimentos. A Figura 4.8 denota as op¸c˜oes apresentadas ao usu´ario. O idioma inglˆes foi adotado a fim de que a interface fosse o mais universal poss´ıvel.

Figura 4.8: Interface do sistema RePart

4.4 S´ıntese 51

desejados. No segundo agrupamento, a percentagem de perfis de consumidores ´e requerida, bem como o n´umero total de consumidores que dever˜ao compor a sociedade na simula¸c˜ao. O terceiro agrupamento coleta as mesmas informa¸c˜oes que o precedente, s´o que com rela¸c˜ao `as empresas. O quarto e ´ultimo agrupa- mento ´e respons´avel pela ativa¸c˜ao da inser¸c˜ao de boato na sociedade, al´em de suas propriedades. As op¸c˜oes “enabled” e “disabled” ativam e desativam, respec- tivamente, a propaga¸c˜ao de avalia¸c˜oes anˆonimas na sociedade. Quando ativado, um boato pode ser verdadeiro ou falso (campos “true” e “false”). Da mesma forma, a reputa¸c˜ao propagada pode ser positiva (uma avalia¸c˜ao muito boa), ou negativa (uma avalia¸c˜ao muito ruim). Al´em disso, o usu´ario tamb´em deve de- terminar em que ciclo a inser¸c˜ao do boato deve ocorrer e quantos consumidores devem ser inicialmente expostos a tal informa¸c˜ao, o que ´e denotado pelos campos “When?” e “Percentage of Consumers”, respectivamente.

A sele¸c˜ao das op¸c˜oes que ativam a propaga¸c˜ao de uma falso boato negativo, por exemplo, faz com que no ciclo determinado pelo usu´ario seja inserida uma informa¸c˜ao sobre uma avalia¸c˜ao muito ruim referindo-se `a empresa com o melhor desempenho no momento, ou seja, que tenha formado o maior n´umero de parcerias no ciclo imediatamente anterior. J´a um falso boato positivo representa uma informa¸c˜ao sobre uma avalia¸c˜ao muito boa referindo-se `a empresa com a pior qualidade de mercadorias (menor valor associado `a vari´avel quality).

4.4

S´ıntese

A ferramenta de simula¸c˜ao RePart foi desenvolvida na linguagem Java. O m´odulo Repage, disponibilizado pela sua equipe de desenvolvimento6, foi utilizado como uma biblioteca, integrando os agentes consumidores.

O processo de simula¸c˜ao gera o arquivo de sa´ıda simulation.txt, que fornece as informa¸c˜oes das vari´aveis atribu´ıdas aos agentes no seu processo de cria¸c˜ao, bem como os resultados da simula¸c˜ao. Estes est˜ao distribu´ıdos em 15 colunas que indicam: (1) ciclo, (2) qualidade m´edia das mercadorias recebidas pelos con- sumidores conservadores, (3) qualidade m´edia das mercadorias recebidas pelos consumidores ousados, (4) qualidade m´edia das mercadorias recebidas pelos con- sumidores avaros, (5) gasto m´edio dos consumidores conservadores, (6) gasto m´edio dos consumidores ousados, (7) gasto m´edio dos consumidores avaros, (8) ganho m´edio das empresas investidoras, (9) ganho m´edio das empresas decaden- tes, (10) ganho m´edio das empresas trapaceiras, (11) ganho m´edio das empresas

6

4.4 S´ıntese 52

gananciosas, (12) ganho m´edio das empresas estrategistas, (13) ganho m´edio das empresas atacadistas, (14) ganho m´edio das empresas reativas e (15) n´umero de parcerias firmadas com a empresa alvo do boato inserido na sociedade. Caso a op¸c˜ao de inser¸c˜ao de boato esteja desabilitada, est´a coluna apresentar´a o s´ımbolo –.

Os testes realizados com a ferramenta RePart, que visam investigar o uso do conceito de reputa¸c˜ao na forma¸c˜ao de parcerias, ser˜ao apresentados a seguir.

53

5

Experimentos

A plataforma RePart tem por objetivo proporcionar a simula¸c˜ao de diversos cen´arios envolvendo o conceito de reputa¸c˜ao como parˆametro no processo de to- mada de decis˜ao de agentes autˆonomos. Os experimentos aqui descritos possuem a finalidade de responder `as quest˜oes propostas inicialmente na se¸c˜ao 1.1:

Quest˜ao 1 Como escolher um parceiro, levando em conta a reputa¸c˜ao do can- didato e o custo associado `a parceria?

Quest˜ao 2 O qu˜ao vantajoso ´e manipular informa¸c˜oes visando benef´ıcio pr´oprio? Quest˜ao 3 Como agir em uma sociedade norteada pelo conceito de reputa¸c˜ao a

fim de que melhores resultados sejam obtidos?

Este cap´ıtulo apresenta, primeiramente, a t´ecnica adotada para a an´alise dos resultados dos experimentos. A seguir, os experimentos realizados, bem como seus resultados s˜ao detalhados. Os experimentos, divididos em 3 tipos, s˜ao apre- sentados respectivamente nas se¸c˜oes 5.2, 5.3 e 5.4. Cada tipo de experimento responde a uma das 3 quest˜oes supramencionadas. Ao final, na se¸c˜ao 5.5, ´e apresentada uma s´ıntese da an´alise dos resultados.

5.1

Metodologia de testes

Resultados obtidos a partir de simula¸c˜oes distintas em um mesmo cen´ario podem apresentar grandes diferen¸cas e discrepˆancias. Muitas vezes, `a primeira vista, torna-se imposs´ıvel realizar uma afirma¸c˜ao com propriedade e seguran¸ca. Por isso, neste trabalho s˜ao utilizados recursos estat´ısticos que fornecem subs´ıdio `a