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As mudanças e as transformações no cenário global das quais falei no item anterior, chegam também e principalmente no âmbito escolar, por isso a gestão de uma escola precisa estar preparada, ter uma formação adequada para ter condições de promover na escola as ações necessárias ao favorecimento de um ambiente de aprendizagem, assegurando as condições necessárias para elevar a qualidade do serviço ofertado. A gestão escolar, nesse contexto, exige uma participação de toda a comunidade escolar, analisando situações, decidindo e agindo no coletivo. É perceptível que nos espaços escolares onde há uma ação construtiva conjunta de

seus componentes, pelo trabalho associado, mediante reciprocidade cria-se uma organização exitosa (SILVA, 2010). Dessa forma percebemos uma perspectiva cidadã da gestão escolar, onde as concepções e práticas dialógicas, interativas, participativas e democráticas ganham espaço à medida que proporcionam o direito de participação que favoreça a construção de saberes.

A gestão escolar tem uma característica central que é ir além do sentido de mobilizar as pessoas para a realização eficaz das atividades, implica, pois na intencionalidade para definição de um rumo, de uma tomada de decisão diante dos objetivos sociais e políticos de uma escola. A escola, ao cumprir sua função social influi na formação da personalidade humana e não é possível estruturá-la para o cumprimento da sua função social, sem levar em consideração objetivos políticos, técnicos e pedagógicos. Segundo Libâneo (2004) a intencionalidade projeta-se nos objetivos que dão o rumo, a direção da ação. Desse ponto de vista, a gestão escolar passa, necessariamente, pelo entendimento de que “administrar uma escola é possibilitar que crianças e jovens, de quaisquer camadas sociais, se apropriem do conhecimento e construam valores e isso só ocorrerá quando ela se organizar pedagógica e administrativamente para a melhoria contínua de sua qualidade (SANTOS, 2008).

Corroborando com Silva (2010) confirmamos que a razão de ser da educação está na formação de pessoas. Na inteireza de seu ser e de sua vocação de criarem- se e partilharem com os outros a construção livre e responsável da vida cotidiana individual e coletiva. Nessa perspectiva o sentido da educação escolar é o de recriar continuamente comunidades aprendentes geradoras de saberes e, de maneira crescente e sem limites, abertas ao diálogo e à intercomunicação. Para tanto o espaço escolar necessita de uma gestão que agregue esforço para a construção de valores que venham a proporcionar competências e habilidades necessárias ao educando para a vida social. Esta gestão deve estar em constante sintonia com o Projeto Político Pedagógico, estabelecendo metas e perseguindo-as com o compromisso efetivo em promover a aprendizagem dos educandos.

O gestor escolar com visão humanística estabelece o direcionamento e a mobilização cultural capazes de dinamizar a cultura presente na escola, realiza ações conjuntas, associadas a um planejamento global, sem que todos os esforços e recursos sejam despendidos. Ele busca a sustentabilidade sem perder de vistas a

necessidade de ofertar um serviço cada vez melhor, utilizando as tecnologias disponíveis, buscando as melhores condições para o favorecimento de um serviço de excelência, mesmo diante do quadro desolador em que se pauta a educação brasileira, o bom gestor não pode perder este critério de vista – o da excelência para uma aprendizagem com sucesso. Na escola, isso leva à busca deliberada, consciente, planejada de integração e unidade de objetivos e ação em torno de normas e atitudes comuns.

O gestor responsável pelo espaço educacional assume posturas profissionais decorrentes do seu compromisso profissional na dimensão educacional. Essa postura envolve os aspectos referentes ao contexto da prática escolar, suas experiências pessoais, a influência das políticas públicas, do entorno onde a escola está inserida, do grupo de profissionais nas dimensões: pedagógica, técnica e política. (CAMPOS e SILVA, 2008).

Segundo Wittmann (2004) podemos falar que a gestão escolar possui três aspectos inalienáveis e inter-relacionados: a competência técnica, a liderança na comunidade e o compromisso público-político, as demais funções da gestão escolar, por mais importantes e indispensáveis, são adjetivas e complementares.

A dimensão pedagógica envolve a organização do trabalho escolar no que diz respeito à elaboração do projeto pedagógico, no planejamento anual, nas reuniões pedagógicas, nos conselhos de classe, na recuperação da aprendizagem dos alunos com menor rendimento escolar, na organização do tempo e do espaço escolar, no acolhimento às famílias e os alunos, no índice de aprovação e correção da defasagem idade/aprendizagem.

A dimensão ou competência técnica refere-se à organização do trabalho escolar na dimensão administrativa e financeira. Essa competência requer do gestor conhecimentos para o gerenciamento de recursos humanos e materiais, na obtenção dos recursos e prestação de contas dos mesmos, conservação dos materiais e patrimônio público.

A dimensão política está associada à participação na gestão e a responsabilidade individual de cada membro da equipe escolar. O gestor coordena, mobiliza, motiva, lidera, delega responsabilidades decorrentes das decisões dos membros da equipe escolar, presta contas e submete à avaliação do grupo o desenvolvimento das decisões tomadas coletivamente. Essa dimensão associa-se ao desenvolvimento do trabalho no sentido de buscar parcerias, articular a

comunidade escolar na representatividade dos conselhos escolares, nas ações que envolvem o trabalho no cotidiano escolar, trazendo a comunidade exterior para o interior da escola, ou seja, abrir as portas do espaço educacional para que toda a comunidade possa usufruir e participar das decisões decorrentes daquele ambiente educacional. (CAMPOS e SILVA, 2008).

Lück (2005) relaciona habilidades e conhecimentos em áreas: administrativas, relacionamento interpessoal e pedagógica elencando as principais habilidades e conhecimentos que os profissionais da gestão precisam refletir de modo que possam liderar de forma competente uma escola, independentemente do nível de escolaridade que esta ofereça. Na área pedagógica a autora sugere:

Compreensão dos fundamentos e bases da ação educacional; Compreensão da relação entre ações pedagógicas e seus resultados na aprendizagem e formação dos alunos; conhecimento sobre organização do currículo e articulação entre seus componentes e processos; Habilidade de mobilização da equipe escolar para a promoção dos objetivos educacionais da escola; habilidade de orientação e feedback ao trabalho pedagógico. (LUCK, 2005, p. 85).

Há conhecimentos, aptidões cognitivas e aptidões atitudinais requeridas para o exercício da gestão escolar. Para gerir a escola há necessidade de formação específica, mas especificamente o gestor na área administrativa deve ter clareza e compreensão do trabalho educacional, vejamos:

Visão de conjunto e de futuro sobre o trabalho educacional e o papel da escola na comunidade; Conhecimento de política e da legislação educacional; Habilidade de planejamento e compreensão do seu papel na orientação do trabalho conjunto; Habilidade de manejo e controle do orçamento; habilidade de organização do trabalho educacional; habilidade de acompanhamento e monitoramento de programas, projetos e ações; habilidade de avaliação diagnóstica, formativa e somativa; habilidade de tomar decisões eficazmente; habilidade de resolver problemas criativamente e de emprego de grande variedade de técnicas. (LÜCK, 2005, p. 84)

No estado de Pernambuco, promovido pela Secretaria de Educação - SEE, no ano de 2012 aconteceu um Curso de Aperfeiçoamento em Gestão Escolar com vistas ao processo de qualificação profissional, buscando o aprofundamento e a ampliação de conhecimentos indispensáveis ao exercício de gestão escolar. A expectativa da SEE ao ofertar esse curso é que os participantes melhorassem os conhecimentos a cerca da função de diretor escolar e diretor adjunto e isso implicasse na melhoria da qualidade e consequentemente dos resultados (PERNAMBUCO, 2012, p.8).

Participamos desta formação por doze sábados estudávamos um módulo. Mas um especificamente foi marcante, seu conteúdo foi dedicado exclusivamente a Gestão com foco na Educação em Valores. Este módulo nos proporcionou a reflexão sobre o papel ético do gestor: “ser ético não é sinônimo de ser bom. O bom é circunstancial, o bem é universal. Os gestores atuam de forma ética quando enraízam suas ações em valores humanos universais e estabelecem um diálogo transparente com sua própria consciência” (PERNAMBUCO, 2012, p.6). Nesse sentido, é relevante à compreensão do conceito de valores que para a autora do módulo, Regina de Fátima Migliori, são pontos de partida onde enraizamos nossas ações: inspiram nossas consciências, direcionam ações e seus resultados. Ao estudarmos este módulo podemos refletir que a tarefa da educação é inspirar consciências, produzir as bases e buscar resultados adequados para o bem viver, onde o compromisso pessoal e coletivo seja responsável.

Neste sentido a gestão escolar precisa está preparada para assegurar educação com qualidade social para todos, tendo em vista o compromisso benéfico que devemos ter com todos que dela precisam, ou seja, com seres que sequer conhecemos, mas que serão impactados pela nossa atuação; com seres que só existirão no futuro, e que também serão impactados pela forma como agimos na atualidade (PERNAMBUCO, 2012, II, p.12). Neste cenário, a pedagogia da presença deve ser praticada incorporando a gestão as dimensões tangíveis e intangíveis da nossa atuação e o compromisso ético para com a qualidade do ensino e o sucesso dos educandos.

Em relação à gestão escolar Libâneo (2004) considera a existência de quatro concepções de gestão escolar:

a) Concepção técnico-científica – baseia-se na hierarquia de cargos e funções nas regras e procedimentos administrativos, visando à racionalização do trabalho e a eficiência dos serviços escolares. Algumas características desse modelo são: prescrição detalhada de funções e tarefas, acentuando-se a divisão técnica do trabalho escolar; poder centralizado no diretor, destacando-se as relações de subordinação, em que uns têm mais autoridade do que outros; rígido sistema de normas; formas de comunicação verticalizadas (de cima para baixo), baseadas mais

em normas e regras do que em consensos; maior ênfase nas tarefas do que nas interações pessoais;

b) Concepção autogestionária baseia-se na responsabilidade coletiva, ausência de direção centralizada e acentuação da participação direta e por igual de todos os membros da instituição. Tende a recusar o exercício da autoridade e formas mais estruturadas de organização e gestão.

c) Concepção interpretativa considera como elemento prioritário na análise dos processos de organização e gestão os significados subjetivos, as intenções e a interação entre as pessoas. Entende que as práticas organizativas são socialmente construídas, com base nas experiências subjetivas e as interações sociais das pessoas. No extremo, essa concepção, também recusa a possibilidade de se ter um conhecimento mais preciso dos modos de funcionar uma organização e, em consequência, de se ter certas normas, estratégias e procedimentos organizativos. d) Concepção democrático-participativa apoia-se na relação orgânica entre a direção e os membros da equipe na busca de objetivos comuns assumidos por todos. Defende uma forma coletiva de tomada de decisões sem, todavia, desobrigar as pessoas da responsabilidade individual. Advoga formas de gestão participativa, mas não exclui a necessidade de liderança, de coordenação, de diferenciação de competências profissionais entre os membros da equipe, de gestão eficaz e de avaliação sistemática da execução das decisões tomadas. Para isso, valoriza os elementos internos do processo organizacional - o planejamento, a organização, a direção, a avaliação -, uma vez que não basta a tomada de decisões: é preciso que elas sejam postas em prática em função de prover as melhores condições para viabilizar os processos de ensino e aprendizagem.

Em relação à gestão participativa na escola, entendemos como sendo um meio para possibilitar um maior e melhor envolvimento dos sujeitos envolvidos no processo do ensino/aprendizagem, tendo como ponto de partida o planejamento e a tomada de decisões na prática cotidiana, e assim estimular a formação de líderes, é o que esclarece Santos (2008). E vai mais adiante quando esclarece que a escola como espaço por excelência de aprendizagem, todos, portanto devem participar de processos decisórios, mas também desenvolver a profissionalidade, fomentar o empreendedorismo individual para o sucesso do trabalho e a realização pessoal e

coletiva. Nesse sentido, é importante salientar que gerir uma escola implica em conhecê-la bem e, conhecer, observar e avaliar os processos internos e externos que lhe trarão forças e os que denotam fraquezas, socializando experiências, tudo caminhando para o sucesso da aprendizagem dos educandos, assunto sobre o qual trataremos mais adiante. Para tratarmos de sucesso da aprendizagem e permanência irei antes fazer algumas considerações sobre evasão que é o que se contrapõe a permanência com sucesso dos educandos no ambiente escolar.