1. Introduction
1.1. Introduction and research question
Devido à escassez de dados sobre a biodiversidade da área de estudo (Vasconcelos, M.F. 2001; França & Stehmann, 2004; Costa et al., 2006), as áreas já indicadas como prioritárias para conservação da biodiversidade de Minas Gerais situadas no corredor (Drummond et al., 2005) foram utilizadas para orientar a construção de indicadores da diversidade de espécies. Esse procedimento se justifica uma vez que o exercício de indicar prioridades é fortemente amparado na experiência do grupo de especialistas que participam do processo, refletindo grande parte do conhecimento atual sobre a diversidade de espécies no Estado. A partir dessa orientação inicial, foram levantados dados secundários para confirmar, ou não, a relevância dessas áreas no contexto regional.
A riqueza total de espécies; a riqueza de espécies endêmicas, ameaçadas e raras; a presença de espécie de distribuição restrita à área proposta; a presença de ambiente único; a ocorrência de fenômeno biológico especial; o tamanho do fragmento; o grau de conservação e de ameaça são os elementos de diagnóstico para priorização pelos diferentes grupos temáticos que participam do exercício para selecionar as áreas prioritárias no Estado (Costa et al., 1998). As áreas selecionadas como prioritárias são classificadas em cinco categorias de importância biológica: i) especial: áreas com ocorrência de espécie(s) restrita(s) à área e/ou ambiente(s) único(s) no local alvo da análise; ii) extrema: áreas com alta riqueza de espécies endêmicas, ameaçadas ou raras e/ou fenômeno biológico especial; iii) muito alta: áreas com média riqueza de espécies endêmicas, ameaçadas ou raras e/ou que representem extensos remanescentes significativos, altamente ameaçados ou com alto grau de conservação; iv) alta: áreas com alta riqueza de espécies em geral, presença de espécies raras ou ameaçadas e/ou que representem remanescente de vegetação significativo ou com alto grau de conectividade; v) potencial: áreas insuficientemente conhecidas, mas com provável importância biológica, sendo, portanto, prioritárias para investigação científica (Costa et al., 1998).
Todo o território do Corredor Ecológico da Mantiqueira está inserido em uma grande área prioritária para conservação da biodiversidade do Estado de Minas Gerais, denominada ‘Região da Serra da Mantiqueira’, incluída na categoria ‘especial’. Dentro dessa grande área estão localizadas áreas menores, que foram destacadas por alguns grupos temáticos (Figura 24).
A B
C D
E
Prioridades para conservação:
A) Áreas prioritárias para conservação da biodiversidade do Estado de Minas Gerais – resultado da integração dos grupos biológicos B) Resultado do grupo de aves C) Resultado do grupo da flora
D) Resultado do grupo de herpetofauna E) Resultado do grupo dos mamíferos
Figura 24 - Áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade do Estado de Minas Gerais (Drummond et al., 2005). São apresentados o mapa com o resultado final (A) e os mapas com as áreas indicadas pelos grupos temáticos (B – E). Os mapas foram extraídos do site www.biodiversitas.org.br.
A metodologia usualmente utilizada nos projetos para indicar as áreas prioritárias para conservação da biodiversidade, baseada em consultas a especialistas, é composta por duas etapas principais (Costa et al, 1998). Num primeiro momento, grupos temáticos (invertebrados, peixes, anfíbios, répteis, aves, mamíferos, plantas, ou outros) para os quais
se tenha conhecimento biológico suficiente, determinam as prioridades segundo a importância biológica da área para aquele grupo. Num segundo momento do processo, os resultados dos grupos temáticos são integrados para a definição final das áreas prioritárias. Essa integração final carrega uma boa dose de subjetividade, uma vez que é difícil estabelecer métodos quantitativos e que atendam as demandas dos diferentes os grupos temáticos. Uma área particularmente importante para a conservação de anfíbios, por exemplo, pode não ter nenhum impacto na conservação dos mamíferos ou das plantas.
Para contornar essa limitação do método e adaptá-lo aos objetivos do presente estudo, foram utilizados para as análises somente os resultados dos grupos temáticos, ou seja, foram consideradas apenas as áreas destacadas independentemente pelos grupos de aves, mamíferos, herpetofauna e plantas. O destaque refere-se à indicação mais específica dentro da grande região da Mantiqueira, ou seja, quando os pesquisadores salientaram áreas menores com grande importância para o grupo (Figura 24). Devido à escassez de dados na literatura científica sobre a distribuição de invertebrados, o que inviabilizaria o detalhamento dos limites das áreas indicadas por esse grupo temático, e pelo presente estudo tratar de análises de ambientes terrestres, não foram considerados os resultados dos grupos de peixes e de e invertebrados. Outra limitação é que devido à escala trabalhada, que abrange todo o Estado de Minas Gerais, a localização e delimitação do limites das áreas indicadas são bastante imprecisas, sendo necessária a revisão e adequação dos limites.
Para fazer a revisão das áreas indicadas pelos grupos temáticos, e o posterior refinamento de sua localização e limites, foram utilizados os dados secundários sobre as espécies. A partir do levantamento bibliográfico, da consulta a especialistas que participaram do workshop para a segunda edição do Atlas da Biodiversidade de Minas Gerais (Drummond et al., 2005), ou que desenvolvem pesquisas no corredor, foi possível localizar e delimitar com maior precisão, em um novo mapa, as áreas potencialmente mais importantes para conservação da biodiversidade regional. Só foram consideradas as áreas cujos dados secundários confirmaram no mínimo um registro de endemismo restrito à área ou a relevância biológica foi destacada por no mínimo dois grupos temáticos.
Os limites das áreas confirmadas como relevantes foram refinados através da sobreposição das coordenadas geográficas registradas nas pesquisas com o mapa dos remanescentes de
mata atlântica (Scolforo & Carvalho, 2006). O mapa gerado foi utilizado para indicar os locais de concentração de espécies ameaçadas, raras e endêmicas do Corredor Ecológico da Mantiqueira. O presente estudo assumiu a premissa de que os locais com concentração de espécies ameaçadas, raras e endêmicas da região são indicadores (surrogates) da biodiversidade regional. Esses indicadores biológicos foram utilizados na etapa de priorização das áreas dos grupos de manejo ‘proteção’ e ‘formação de micro-corredor’. O critério não foi utilizado para priorização no grupo de ‘recuperação’ uma vez que nenhuma microbacia desse grupo estava localizada nas áreas prioritárias para conservação da biodiversidade regional.
Essas informações foram reunidas em uma camada temática denominada Áreas Prioritárias, que também foi inserida no BDE.