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Advantages and Disadvantages of the Theoretical Framework

CHAPTER 2: Towards the Framework for the Strategic Culture Analysis

2.4 Advantages and Disadvantages of the Theoretical Framework

Na actividade desportiva ocorrem actividades, situações, rotinas, interacções, estratégias e tácticas cujo conhecimento e compreensão resultam essenciais para descrever, compreender e analisar o comportamento desportivo (Pollán y Hernández Mendo, 1996, cit. Anguera y Blanco, 2001), razão pela qual os treinadores e investigadores recorrem à observação da actividade dos jogadores e das equipas para analisarem e estudarem o jogo, tendo em vista o incremento do processo de preparação desportiva (Hughes & Bartlett, 2002; Garganta, 1998c; Lames & Hansen, 2001).

Nos últimos anos, no âmbito do desporto e da conduta cinésio-motora, registou-se um incremento notório do volume de estudos realizados mediante a utilização da metodologia observacional, sendo este incremento lógico, dado que se trata de investigações realizadas sobre um conteúdo em que predominam as condutas perceptíveis, que são um elemento essencial nesta metodologia (Anguera, 1999).

Muitos desses estudos baseiam-se na análise do jogo com recurso à utilização de sistemas observacionais, o que permite um aumento de conhecimentos sobre o jogo, desde as exigências fisiológicas e psicológicas até às exigências técnicas e tácticas (Hughes & Bartlett, 2002) e ainda a compreensão do desenvolvimento do jogo e do treino, através da identificação dos comportamentos que testemunham a eficiência e a eficácia dos jogadores e das equipas (Garganta, 1997b).

O processo metodológico da observação constitui “...um procedimento que se destina a articular uma percepção deliberada da realidade manifesta com a sua adequada interpretação, captando o seu significado, de forma que mediante um registo objectivo, sistemático e específico da conduta gerada de forma espontânea num determinado contexto, e uma vez que se tenha submetido a uma adequada codificação e análise, nos proporciona resultados válidos dentro de um marco específico de conhecimento.” (Anguera, 1988:526).

Esta codificação é, aliás, o primeiro passo de uma investigação observacional, onde o desenvolvimento de um esquema de codificação constitui uma etapa que requer tempo e atenção consideráveis (Bakeman & Gottman, 1989).

A metodologia observacional, realizada em contextos naturais ou habituais, consiste assim num procedimento científico que põe em destaque a ocorrência de condutas perceptíveis, para proceder ao seu registo organizado bem como à sua análise – tanto qualitativa como quantitativa - mediante um instrumento adequado e parâmetros convenientes, possibilitando a detecção das relações de diversa ordem existentes entre elas e avaliando-as (Anguera, 2001b).

Esta metodologia, com uma expansão inegável nas últimas décadas e cujo carácter científico se encontra claramente avalizado, conforme referem Anguera et al. (2000), Bakeman & Gottman (1989) e Sharpe & Koperwas (2003), requer o cumprimento de alguns requisitos básicos como: a espontaneidade do comportamento, i.e. , que este ocorra num contexto natural (o campo de Andebol, como um de Futebol, ou uma piscina, pela habituação no seu uso é percebido e sentido como natural); que seja um estudo prioritariamente ideográfico (pequenos grupos de indivíduos, tríades de jogadores que se formam no decorrer do jogo ou componentes de uma equipa, constituem uma unidade); que o instrumento de observação seja elaborado ad hoc (só um instrumento específico para cada caso permite dar resposta a situações de observação distintas e quando a diversidade de condutas a estudar é elevada); que se garanta continuidade temporal (a necessidade de continuidade temporal resulta da variabilidade permanente que se produz no comportamento desportivo); que o comportamento seja perceptível, i.e., as condutas devem ser passíveis de ser observadas. Todos estes requisitos constituindo argumentos a favor da utilização desta metodologia (Anguera y Blanco, 2003).

tempo) na informação recolhida (Cruz, 1995 cit. Anguera y Blanco, 2001). Como afirmam Bakeman & Gottman (1989), o estudo de certos problemas, como é o caso da interacção social, requer uma perspectiva dinâmica da conduta social em vez de uma estática.

O desporto, a competição desportiva, constitui uma situação social em mudança permanente, razão pela qual os procedimentos estáticos de análise não são suficientes, antes requerem uma perspectiva dinâmica das condutas, o que coloca a metodologia observacional como ferramenta mais adequada (Hernández Mendo y Macias, 2002).

Tratando-se de uma metodologia científica, a metodologia observacional implica o seguimento de todas as fases próprias do método científico, caracterizando- se por um escasso ou nulo controlo interno, um controlo mínimo das variáveis, um grau máximo de naturalidade e uma participação sobretudo passiva do investigador (Hernández Mendo, Villena, Garcia, Orozco, y Roldán, 2000).

Tal é o caso do Andebol, JDC, já que pode afirmar-se que nesta modalidade também o quadro do jogo é organizado e conhecido, embora o seu conteúdo seja imprevisível e aleatório, como afirma Garganta (1997b) referindo-se ao Futebol. No entanto, e apesar do peso do factor aleas, as acções de jogo são categorizáveis, i.e., reconvertíveis em categorias ou tipos de ocorrências, constituindo unidades de acção como refere Garganta (2000), o que permite a elaboração de um instrumento específico que, após adequada validação, deverá possibilitar a observação e registo objectivo, sistemático e específico dos comportamentos gerados no decorrer do jogo.

Recorrendo à metodologia observacional, pode observar-se, de forma sistemática, os comportamentos dos jogadores e das equipas em competição, procurando padrões de conduta, prospectivos e retrospectivos, de sucesso ou de insucesso, bem como estudar a complexa rede de inter-relações que se estabelecem entre as diferentes categorias que constituem o sistema ad hoc, de acordo com os objectivos perseguidos, e cujo conhecimento resulta da necessidade de descrever, compreender e analisar os fenómenos que ocorrem (Anguera y Blanco, 2003).

Garganta (2001) constatou que nos últimos anos os autores vêm recorrendo a diversas metodologias para analisar os JDC, como a análise sequencial e a análise de coordenadas polares, para além da análise de unidades tácticas e de clusters, e ainda ao estudo das unidades de competição. Para o autor, “...a metodologia observacional (Anguera, 1999) e a análise de dados abrem territórios fecundos de investigação no

domínio das Ciências do Desporto, nomeadamente no que respeita ao entendimento das condições que concorrem para o sucesso nos jogos desportivos...” (Garganta, 2001:64).

Nos últimos anos foram desenvolvidos alguns estudos no âmbito do Andebol, utilizando a metodologia observacional com recurso à análise sequencial, embora sejam ainda escassos como se pode observar no Quadro 31.

Quadro 31trabalhos realizados no âmbito do Andebol utilizando a metodologia observacional e com recurso à análise sequencial

Autor Ano Título Tipo de trabalho

Ribeiro & Silva 2002 A importância dos meios tácticos de grupo ofensivos na obtenção do golo em Andebol. Um estudo com recurso à análise sequencial

Comunicação apresentada no II Congresso Nacional de técnicos especialistas en Balonmano- Espanha Prudente et al. 2005 Indicadores de sucesso do contra-ataque em Andebol.

Estudo do Campeonato da Europa de Andebol de 2002, com recurso à análise sequencial

Artigo publicado na revista Temas Actuais (X), 63-92, UFMG- Brasil

Ferreira, N. 2006 O Processo Ofensivo em Desigualdade Numérica no Andebol. Um estudo com recurso à Análise Sequencial

Dissertação de Mestrado

Ferreira, D. 2006 Métodos de Jogo Ofensivo na Transição Defesa- Ataque em Andebol. Estudo do Contra-ataque e do Ataque rápido com recurso à Análise Sequencial

Dissertação de Mestrado

O estudo de Ribeiro & Silva (2002) pretendeu verificar da existência, ou não, de um padrão de conduta entre as zonas onde o golo foi obtido e as acções de ruptura que lhes poderão estar na origem. Recorrendo à análise sequencial, os autores concluíram pela existência de um padrão de conduta entre a zona de onde os golos são obtidos e as acções de ruptura que lhes estão na origem, nomeadamente: (1) o meio táctico penetrações sucessivas é uma conduta que induz o golo na zona dos extremos; (2) os meios tácticos de grupo cruzamento e permuta são condutas que induzem a obtenção do golo na primeira linha; (3) o meio táctico de grupo bloqueio é uma conduta que induz a obtenção do golo na segunda linha.

Ferreira (2006b) analisou as acções de ruptura no processo ofensivo em desigualdade numérica, tendo concluído que as equipas optam por utilizar os meios tácticos individuais em detrimento dos de grupo, sendo o “1x1” o mais utilizado. Segundo o autor, o golo, em situação de superioridade numérica, apresenta uma probabilidade significativa de ser antecedido por passes de ruptura, que provocam situações de remates isoladas contra o guarda-redes, com finalização na segunda linha

situação de inferioridade numérica, o golo tem uma probabilidade significativa de ser antecedido por uma desmarcação, passe de ruptura e ressalto, que possibilitam a finalização em situações de remates isoladas contra o guarda-redes, na ponta esquerda, lateral esquerdo e na zona central da segunda linha ofensiva ou através da conquista de livres de sete metros.

Os resultados de Ferreira (2006b) não confirmam os dados de Ribeiro & Silva (2002) porque apontam os meios tácticos individuais como os mais utilizados, como também não detectaram nenhum padrão de conduta entre a obtenção do golo e os meios tácticos penetrações sucessivas, cruzamento, permuta e bloqueio.

Prudente et al. (2005), ao estudarem os indicadores de sucesso do contra- ataque no Campeonato da Europa 2002, referem que a falta sofrida é a primeira razão para a interrupção do contra-ataque e que a conduta drible tem uma probabilidade significativa de anteceder a falta sofrida. Segundo os autores, a recuperação da bola pelos jogadores de campo induz a utilização do drible como modo de desencadeamento do contra-ataque, enquanto que a recuperação da bola pelo guarda- redes induz o passe curto, como modo de início de contra-ataque.