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3 THE NORDIC CORPORATE BOND MARKET

3.1 Corporate bond issuers

“Eu tenho um sonho lutar pelos direitos dos homens. Eu tenho um sonho

tornar nosso mundo verde e limpinho. Eu tenho um sonho de boa educa-

ção para as crianças. Eu tenho um sonho de voar livre com um passari-

nho. Eu tenho um sonho ter amigos de todas as raças. Eu tenho um sonho

que o mundo viva em paz e em parte alguma haja guerra. Eu tenho um so-

nho acabar com a pobreza na Terra. Eu tenho um sonho. Eu tenho um

monte de sonhos... Quero que todos se realizem. Mas como? Marchemos

de mãos dadas e ombro a ombro. Para que os sonhos de todos se reali-

zem!!!”

A. A grande meta de cada instituição:

Acreditamos ser possível desvelar, através das observações cotidianas e também de fa- las das educadoras e coordenadores, qual o principal objetivo de cada instituição.

Buscando os objetivos da instituição filantrópica na documentação existente, encon- tramos o Relatório de Atividades do Ano de 2003, documento elaborado pela assistente social no qual consta:

É uma entidade civil de direito privado, beneficente, filantrópica, caritativa e de assistência social, sem fins lucrativos (...) atendimento a 100 crianças na faixa etária de 04 (quatro meses) à 05 (anos), em situações onde as mães comprovadamente trabalhem fora do lar e não possuem outros familiares para dispensar-lhes cuidados. (Relatório de Atividade, 2003, p. 01)

Evidencia-se a destinação do atendimento e o principal objetivo da creche – o objetivo de guarda.

Talvez o propósito de guarda se sobreponha ao de uma educação integral, isto é, que contemple também o pedagógico, explicando, assim, a ausência de uma proposta pedagógica estruturada na instituição.

Podemos dizer, então, que a instituição possui cunho essencialmente assistencialista, na medida em que visa ao atendimento de crianças carentes, filhas de mães trabalhadoras, constituindo-se, assim, um direito da mãe e não da criança:

(...) há a necessidade de que a mãe trabalhe, né e que seja de família caren-

te, se a mãe não está trabalhando, não tem por que deixar na creche por- que... eu acredito que ela deve olhar a criança dela, né, mas se ela tá traba- lhando... aqui... é... trabalha a assistente social, por exemplo, quando uma mãe... perde o emprego, nós não eliminamos a criança, né, nós damos um prazo para que a mãe pegue e arrume um outro emprego, né... o prazo a princípio é quinze dias, quinze dias pra ela sair e pra arrumar emprego, se ela não conseguir nestes quinze dias, aí sim, aí tira a criança. Damos ainda um prazo para ela, de mais uns dias, aí ela traz a criança de manhã pra ela procurar emprego, à tarde ela vem e pega a criança, entendeu? [meio perí- odo?] Meio período. Meio período pra ela procurar emprego. (Entrevista do

presidente da Instituição Sr. Aparecido29)

Os Relatórios de Atividades dos anos de 2003 e 2004 trazem uma descrição dos usuá- rios – as crianças – destacando que não há distinção de raça, cor ou religião, embora a institu- ição seja mantida pela igreja católica. Constam, inclusive, a subdivisão das crianças em seto- res: berçário e maternal; os objetivos gerais e específicos da creche; as metas e os serviços executados pela assistente social; o quadro de funcionários da creche; os materiais (estrutura física); os cuidados com saúde, nutrição e higiene; limpeza; educação e avaliação da assisten- te social e do presidente da instituição.

Devemos destacar, ainda, a utilização da nomenclatura usuários para denominar as cri- anças que fazem parte da creche, pois esta nomenclatura não é comumente empregada em ambientes escolares, mas sim para designar usuários de planos de saúde, de pessoas atendidas em unidades hospitalares, etc. Fato este que, se repete, assim como foi feito quando a assisten- te social disse que a creche recebe um valor “por berço”.

Constatamos que a creche não possui uma pedagoga, ficando a tarefa de orientação pedagógica a cargo da assistente social que administra principalmente as demandas por vagas, preocupando-se em trazer profissionais voluntários para contribuírem com a formação das educadoras, além de elaborar projetos para viabilização de verbas, dentre outras atividades.

A preocupação central pode ser descrita como oferecer um espaço seguro, onde as cri- anças possam proteger-se dos perigos da rua, sendo conduzidas ao “caminho correto” através do aprendizado de normas e preceitos da religião católica que contribuam para uma educação em consonância com a formação de valores morais adotados. Além disso, a prioridade conce- dida a famílias carentes evidencia a preocupação de contribuir com a sociedade, em especial, com as classes menos favorecidas.

(...) Posteriormente, as crianças fazem orações agradecendo a Deus pelo alimento que irão receber e tomam o café da manhã, sendo que neste mo- mento as turmas de Maternal I e II já estão separadas.(Diário de Campo –

Conforme apontamos, quando resgatamos o percurso histórico de surgimento de insti- tuições destinadas ao atendimento à criança, as idéias de caridade e auxílio à populações po- bres permanecem vivas no interior desta instituição filantrópica, pertencente à igreja católica.

Além das orações, alguns pressupostos parecem orientar a prática das educadoras com as crianças para que possa proporcionar o que consideram uma “boa formação”:

(...) Chegando a esta sala, a educadora dá brinquedos de encaixe e deixa as crianças livres para brincarem enquanto ela se dedica a recortar o desenho que elas pintaram quando ensinou o número 2, chamando sua atenção ape- nas nos momentos em que elas montam armas e começam a brincar de ati- rar. Como forma para desviar a atenção das crianças desta atividade “re- provável”, em sua visão, ela as convida a montar um grande castelo. (Diá-

rio de Campo – Observação 8 – 24/05/04)

Também na creche da rede pública de ensino, o atendimento permanece vinculado à necessidade das mães, visto que dentre os documentos exigidos para a matrícula consta o ates- tado de trabalho da mãe, conforme dados da Secretaria Municipal da Educação fornecidos à pesquisadora:

É necessário que a criança tenha de 4 meses a 3 anos e 6 meses para in- gressar na Creche e ter de 3 anos e 7 meses a 6 anos para ingressar na EMEI. Os documentos necessários para a criança ingressar na Educação Infantil do município são: cópias da certidão de nascimento, da carteira de vacinas e de um comprovante de residência. Nas creches exige-se atestado de trabalho das mães.

Segundo a Proposta Pedagógica da Educação Infantil, elaborada por uma equipe com- posta por de pedagogos, educadores da rede municipal de educação infantil (Casas da Crian- ça, EMEIs e Creches), supervisora pedagógica e diretora da coordenação de educação infantil da Secretaria Municipal de Educação do Município, ainda existe lista de espera nas creches, contudo, a afirmação “(...) apenas para os filhos de mães que não trabalham fora” nos indica que o atendimento a esta faixa etária permanece relacionado à impossibilidade das mães tra- balhadoras de cuidar de seus filhos, ficando a educação a cargo do poder público. Assim, parece difícil romper com esta visão histórica de negação de investimentos na educação da criança de 0 a 3 anos, afinal, este atendimento permanece como direito da mãe (conforme

determinava a Constituição de 1988) ao invés de ser encarado como direito da criança, dever do Estado e opção da família (de acordo com a LDB 9394/96).

A fim de atender a crescente demanda por este atendimento, sem onerar demasiada- mente as contas públicas, a prefeitura de Americana tem investido em convênios com entida- des filantrópicas que possam absorver uma parte desta demanda recebendo, para isto, auxílio financeiro e pedagógico da Secretaria Municipal de Educação (SIC).

A estimativa de custo por aluno na faixa etária dos 4 meses aos 3 anos, segundo do- cumento oferecido pela Secretaria Municipal de Educação, é de aproximadamente R$ 1.200,00/ano, porém, na entrevista concedida pelo Secretário de Educação, ele aponta um gasto real de R$ 2.500,00 a 3.000,00/ano por criança mantida nas creches municipais.

Segundo levantamento realizado pelo MEC/INEP30, cada criança matriculada em uma creche, que oferece educação de qualidade, atinge o custo anual de R$ 2.383,00, enquan- to que uma criança na pré-escola custa R$ 1.242,00/ano.

As entidades que irão absorver parte da demanda excedente (200 crianças, segundo in- formação do Secretário de Educação) contarão com recursos da ordem de R$ 1.200,00, por ano, para cada criança atendida. Entretanto, podemos observar que tal valor está aquém do que se gasta nas creches públicas e também ao custo anual que o MEC/INEP estimam para uma educação de qualidade31.

Tais convênios nos fazem refletir sobre a complementaridade existente entre as institu- ições filantrópicas e públicas. Talvez esta seja a razão pela qual as creches filantrópicas, de cunho caritativo-religioso, tenham resistido tanto à passagem dos anos, visto que, absorvem a parcela da população que os serviços públicos não dão conta.

30 Estimativa de Custo Hipotético de custeio de uma creche (0 a 3 anos) de qualidade. In: Seminário “Financia-

mento para uma Educação de Qualidade”. MEC/INEP. Brasília – DF, 2003 (mimeo).

31Concordamos com a forma como MOSS (2002, p.23) define qualidade: “O conceito de qualidade corporifica

os valores e crenças da modernidade e tem um significado muito específico: que existe um padrão objetivo, conhecido e universal que pode ser definido, medido e assegurado por especialistas com base em um conheci-

Assim, encontramos uma proximidade muito grande entre a creche pública municipal e a filantrópica, pois embora tenham origens distintas, os objetivos são basicamente os mes- mos: atender a mães trabalhadoras oferecendo um ambiente adequado a seus filhos durante este período de sua ausência.

A distinção parece se dar apenas quanto à forma pela qual cada uma das instituições se organiza para chegar ao seu objetivo: a filantrópica valoriza o cuidado e uma atuação educati- va, contemplando a inculcação de valores morais e a pública se limita a cuidar e oferecer ati- vidades educativas de acordo com a orientação de uma equipe técnica especializada, confor- me discutiremos com mais detalhes na seção a seguir (A Criança dentro de cada Instituição).

Nossas constatações vão ao encontro dos estudos realizados por Sanches, Rodrigues & Homma (1999, p. 15-16), que encontraram:

Com exceção do Nordeste, o critério mais adotado como primeira opção pa- ra o atendimento das crianças nas regiões é a situação de trabalho da mãe. Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, mais da metade das creches adota este critério como principal para a determinação do atendimento à criança. (...) De forma geral, os critérios de atendimento estão intimamente ligados à renda familiar baixa, sendo este o principal fator da necessidade de trabalho da mãe e uma das causas da desnutrição das crianças. A priorização destes critérios configura um quadro de ausência de condições de sobrevivência, o que leva a entender a creche e a pré-escola como alternativas ao enfrenta- mento dessa problemática social. A eleição desses critérios pode levar ao não privilegiamento de outros aspectos do atendimento, fundamentais ao desenvolvimento da criança em sua totalidade.

mento inquestionável. Qualidade é um exemplo daquilo que tem sido chamado de tecnologia de distância. Clama para ser aplicado em qualquer lugar, independente do contexto, e é capaz de excluir interpretações subjetivas”.