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A média, o desvio padrão e o coeficiente de variação dos dados da CBT estão apresentados na Tabela 5. Observou0se que, no período de Diagnóstico, a média da CBT estava bastante elevada, constatando0se que o leite estava sendo produzido fora dos padrões aceitáveis de higiene, bem acima dos valores encontrados por Barbosa et al. (2008) e Cassoli et al. (2008), em pesquisas realizadas em outras regiões do Brasil. Os dados mostram que houve uma redução nos níveis médios de CBT nas fases de Capacitação e Acompanhamento, indicando que as propriedades passaram a atender, em média, o limite máximo de 750.000 UFC/mL estabelecido pela IN 51 (BRASIL, 2002). Após a capacitação, além da redução dos níveis médios de CBT, houve também uma redução na variabilidade do processo de produção, revelando maior homogeneidade dos resultados entre as propriedades estudadas.

Tabela 5 – Análise descritiva para os valores (x 1000) da Contagem Bacteriana Total das amostras analisadas nos três períodos, em propriedades no agreste do Estado do Rio Grande do Norte

Período N Média Desvio padrão CV*

(mil UFC/mL)

Diagnóstico 59 2.049 3.268 159,5

Capacitação 179 440 1.513 343,8

Acompanhamento 203 416 367 88,4

*CV Coeficiente de Variação

De acordo com Santos (2010), para produzir leite com baixa CBT é necessária a realização da higiene correta dos tetos antes da ordenha, dos procedimentos adequados

de limpeza dos equipamentos de ordenha e tanques, com o uso de detergentes alcalinos e ácidos, além da sanitização, e ainda, da temperatura e tempo de armazenamento do leite.

Em trabalho realizado por Arcuri et al, (2006), os resultados da CBT de até 100.000 UFC/mL estavam associados com o uso de procedimentos adequados de higienização do equipamento de ordenha e do tanque de refrigeração do leite, com todos os produtos de limpeza recomendados: detergentes alcalino e ácido e sanitizante. As contagens entre 101.000 e 500.000 UFC/mL estavam associadas ao uso de pelo menos dois produtos de higienização (detergente alcalino e ácido, detergente alcalino e sanitizante, detergente ácido e sanitizante) e as contagens acima de 500.000 UFC/mL estavam associadas ao emprego de apenas um ou nenhum desses produtos na higienização.

De acordo com a IN51, é obrigatória a refrigeração do leite em tanques de expansão direta até temperatura igual ou inferior a 4ºC (quatro graus Celsius) no tempo máximo de 3 h (três horas), após o término da ordenha, independente da sua capacidade (BRASIL, 2002). Em trabalho realizado por Izidoro (2008), avaliou0se o efeito da temperatura de armazenamento do leite sobre o crescimento microbiano psicotrófico, e constatou0se que o leite com contagem bacteriana inicial de 6.500 UFC/mL, armazenado a temperatura de 4ºC por um período de 48 h, aumentou sua carga para 330.000 UFC/mL.

Tabela 6 – Adequação das amostras de leite à IN51 quanto à CBT nos três períodos, em propriedades no agreste do estado do Rio Grande do Norte, no período de janeiro de 2010 a julho de 2011 CBT ≥ 750.000 < 750.000 Fases N (%) N (%) Diagnóstico 28 47,5 31 52,5 Capacitação 21 11,7 158 88,3 Acompanhamento 21 10,3 182 89,6 X2= 51,0; para valor p < 0,001

Isso mostra que o resfriamento do leite deve estar associado obrigatoriamente com boas práticas de manejo e higiene na ordenha, limpeza e sanitização dos utensílios de

ordenha, procedimentos que, neste estudo, provavelmente contribuíram para a adequação das propriedades à IN 51 a partir do período de capacitação.

Considerando0se o percentual de amostras de leite cru durante as visitas às propriedades, verificou0se que na fase de Diagnóstico, 52,5% das amostras de leite cru apresentaram CBT adequadas à IN 51, passando nas fases de Capacitação e Acompanhamento para aproximadamente 90% de amostras de leite cru adequadas à IN 51 (Tabela 6).

A Tabela 7 mostra que apenas três (C, D e H) das oito propriedades já atendiam os limites estabelecidos pela IN51/02 em 100% das amostras de leite durante as visitas realizadas no período de Diagnóstico. Porém, no período final de Acompanhamento, houve uma evolução no sentido de aumentar a proporção de registros em níveis aceitáveis. Isso mostra que ao longo do tempo as propriedades se adequaram à legislação vigente em relação à CBT. Dessa forma, pode0se ressaltar não só a importância do uso dos procedimentos adequados, mas também das recomendações em boas práticas agropecuárias por meio da capacitação dos profissionais que lidam diretamente com a produção leiteira.

Tabela 7 – Percentual de visitas com níveis de CBT adequados à IN51 nos três períodos analisados nas propriedades leiteiras no agreste do estado do Rio Grande do Norte, de janeiro de 2010 a julho de 2011

Propriedade Diagnóstico Capacitação Acompanhamento

% A 50,0 80,0 100,0 B 0,0 83,3 66,7 C 100,0 100,0 100,0 D 100,0 100,0 100,0 E 0,0 55,0 80,9 F 50,0 100,0 100,0 G 0,0 83,3 65,2 H 100,0 100,0 100,0 GERAL 52,5 88,3 89,7

Os dados descritos no sub0item 3.2.1 foram analisados, a priori, segundo a metodologia das EEGs, ou seja, objetivou0se impor uma estrutura de correlação a fim de ajustar o modelo 1. Para modelar a dependência entre as observações dentro de propriedades foi utilizada a estrutura de correlação Permutável, para a qual o referido modelo ajustado apresentou função desvio (dnviancn residual) satisfatória. A Tabela 8 apresenta as estimativas dos parâmetros e os respectivos testes de Wald para os coeficientes individuais.

Tabela 8 – Estimativas para os parâmetros do modelo marginal com estrutura de correlação Permutável

Parâmetro Estimativa Erro0padrão Teste de Wald Nível descritivo Intercepto 04,62 1,56 8,77 < 0,001 período 0,02 0,49 0,003 0,957 ordenha 1,31 0,49 6,87 0,008 limpeza1 0,03 0,02 1,59 0,206 limpeza2 0,37 0,13 8,17 0,004

A estimativa do parâmetro de correlação foi15 = 0,16 com erro padrão 0,31. Os resultados mostram significância estatística dos efeitos de ordenha e limpeza 2, mostrando a importância com os cuidados no procedimento de ordenha bem como a limpeza e resfriamento do tanque em que o leite fica armazenado, sendo que a covariável ordenha é a que mais contribui para se ter uma proporção maior de propriedades abaixo do limite de 750.000 UFC/mL. Assim, um modelo mais parcimonioso, selecionado pela função desvio (modelos encaixados) é:

$6 = −4,62 + 1,35 '#( ℎ" + 0,39 +, -"2 (3) Na ótica dos modelos lineares generalizados de efeitos mistos, para esses dados, ajustou0se um modelo considerando propriedade como efeito aleatório. A estrutura funcional do modelo é representada pela equação 2. As estimativas dos parâmetros para esse modelo bem como os testes de significância para cada coeficiente individual estão dispostos na Tabela 9.

Tabela 9 – Estimativas dos efeitos fixos para modelo misto, tendo como efeito aleatório as propriedades

Parâmetro Estimativa Erro0padrão Estatística t Nível descritivo

Intercepto 07,58 2,56 02,95 0,003

período 0,07 0,24 0,31 0,759

ordenha 1,03 0,42 2,44 0,015

limpeza1 0,31 0,37 0,82 0,410

limpeza2 0,77 0,21 3,62 < 0,001

Esse modelo corrobora com os resultados obtidos com o uso das EEGs, ou seja, são significativos os efeitos de ordenha e limpeza 2. Porém, esse modelo estima um parâmetro a mais referente ao efeito aleatório do intercepto, cujo desvio0padrão estimado foi de 2,49. Esse termo de variabilidade capta a heterogeneidade entre as propriedades leiteiras estudadas.