A primeira etapa do fluxo de produção é a leitura crítica, que ocorre com bastante antecedência em relação ao início real do projeto de cada livro, logo, seu nível de interferência, no que diz respeito a atrasos, não deve ser considerado relevante. Deste modo, o ponto crucial do estudo será a partir da segunda etapa do fluxo: a leitura pedagógica realizada pelos Editores de Texto. Normalmente, um livro é divido em subprojetos de disciplinas que, por sua vez, são trabalhados por capítulos que seguem separados até a etapa de check pós (explicada no item 5.2.2 – Fluxograma da Produção Editorial) e são unificados de acordo com a disciplina para as etapas de alteração final e controle de qualidade.
O primeiro passo, dentro da fase de planejamento, é estabelecer o tempo de leitura de cada capítulo, já que este pode variar de acordo com a disciplina e com o nível de intervenção e a quantidade de alterações propostas pelo professor especialista na leitura crítica. O mínimo estabelecido é 6 (seis) horas (equivalente a um dia de trabalho de um Editor de Texto com expediente de 6 (seis) horas diárias) e o máximo é 27 (vinte e sete) horas (equivalente a 3 (três) dias de trabalho de um editor de texto com expediente de 8,8 (oito) horas diárias).
Quando a leitura pedagógica demora mais que o tempo estimado na etapa de planejamento, é comum que se gerem atrasos nas etapas posteriores, principalmente quando esse atraso é devido a grandes alterações apontadas pelo editor de texto e, assim, o tempo previsto para a execução de cada etapa é reduzido. Logo, para sanar essas demoras não previstas e concluir o projeto no prazo acordado, faz-se necessário horas extras e terceirizações, além de encurtar o tempo de realização de algumas etapas ou, até mesmo, excluí-las por completo, sem ter a real noção do impacto pedagógico disto.
Desta forma, a primeira etapa do estudo de caso visa compreender a situação atual do processo produtivo da editora. Para tanto, fez-se necessário a construção da figura 5, na qual exemplifica o controle dos tempos de leitura pedagógica, considerando 5 (cinco) meses de produção, totalizando, então, 43 (quarenta e três) observações.
Os limites da figura 5 são definidos pela própria equipe de produção editorial, sendo o limite inferior de 6 (seis) horas, o equivalente a 1 (um) dia de trabalho de um editor de texto com esta jornada de trabalho, e o superior de 27 (vinte e sete) horas, equivalente a 3 (três) dias de trabalho de um editor de texto de expediente de 8,8 (oito) horas. Deste modo, foram extraídos do sistema as seguintes informações de tempo de leitura de um capítulo:
Tabela 1: Amostra dos Tempos de Leitura
Observação Tempo de Leitura (em horas) Observação Tempo de Leitura (em horas) Observação Tempo de Leitura (em horas)
1 28,81 16 12 31 16,32 2 17,13 17 22,8 32 39,72 3 15,60 18 4,3 33 15,75 4 17,45 19 12 34 27,17 5 17,13 20 6,77 35 7,6 6 7,55 21 20,6 36 13,18 7 14,67 22 16,56 37 28,63 8 34,5 23 34,28 38 32,72 9 36,93 24 11,86 39 18,82 10 10,9 25 32,86 40 19,7 11 8,62 26 9,63 41 11,35 12 18,02 27 5,92 42 10,85 13 29,93 28 13,08 43 14,47 14 37,52 29 5 15 14,02 30 21,93
Fonte: Dados retirados do Sistema de Produção.
Em seguida, plotou-se o gráfico de controle com base nas observações e nos limites superiores e inferiores de controle:
Gráfico 1: Gráfico de Controle do Tempo de Leitura pedagógica
Fonte: Elaborada pela autora
A análise dos tempos de leitura pedagógica mostra que 14 (quatorze) observações se encontram fora dos limites de controle, sendo 3 (três) abaixo e 11 (onze) acima. A partir disso, calcula-se a capabilidade (Cp) do processo da seguinte maneira:
�� = �� − �� � 0 5 10 15 20 25 30 35 40
Onde LSE é o Limite Superior de Especificação, LIE é o � é o desvio-padrão representado por:
� = √∑��=0 �� − � −
Onde xi é o tempo de leitura da observação de “i” e � é a média aritmética das observações. Deste modo, tem-se:
� = ,
Uma vez encontrado o desvio-padrão amostral, calcula-se a Capabilidade (Cp) do processo:
�� = −, = ,
Além disto, para determinar a capacidade do processo de leitura pedagógica, é necessário determinar o Cpk do processo, por meio da seguinte fórmula:
��� = � �� × �̿�̂ , �� × �̿�̂ ��� = � , , , = ,
Assim, como Cp < 1 e Cpk < 1, conclui-se que o processo de leitura pedagógica é “incapaz”. Tal fato pode justificar o estudo em questão, pois o atraso no início do processo produtivo pode trazer a ineficiência no processo de planejamento da produção editorial, uma vez que as datas de início e término previstas tendem a não seguir a programação planejada e consequentemente geram atrasos e gargalos nas etapas seguintes.
De modo semelhante à análise feita para a leitura pedagógica, pode-se construir um gráfico de controle para o processo de diagramação, com base nos tempos desta etapa considerando 5 (cinco) meses de produção, totalizando, então, 42 (quarenta e duas) observações. Os limites do gráfico são definidos pela própria equipe de produção editorial, sendo o limite inferior de 8 (oito) horas, o equivalente a 1 (um) dia de trabalho de um diagramador, e o superior de 16 (dezesseis) horas, equivalente a 2 (dois) dias de trabalho de um diagramador.
Assim, foram extraídos do sistema as seguintes informações de tempo de diagramação de um capitulo e, em seguida, plotou-se o gráfico de controle considerando os limites superiores e inferiores de controle.
Tabela 2: Amostra dos Tempos de Diagramação Observação Diagramação Tempo de
(em horas) Observação
Tempo de Diagramação
(em horas) Observação
Tempo de Diagramação (em horas) 1 14,42 15 14,48 29 9,68 2 11,68 16 10,33 30 8,73 3 13,92 17 11,05 31 15,90 4 12,75 18 14,2 32 4,75 5 14,27 19 9,35 33 10,55 6 12,75 20 17,27 34 9,65 7 11,55 21 28,03 35 14,72 8 25,93 22 16,87 36 12,10 9 16,93 23 10,47 37 19,30 10 9,73 24 16,78 38 8,67 11 18,38 25 17,53 39 9,2 12 18,45 26 10,05 40 13,27 13 8,07 27 10,50 41 11,62 14 10,32 28 10,63 42 15,42
Fonte: Dados retirados do Sistema de Produção.
Gráfico 2: Gráfico de Controle do Tempo de Diagramação
Fonte: Elaborada pela autora
A análise dos tempos de diagramação mostra que 11 (onze) observações, equivalente a 26% (vinte e seis por cento) do total, encontram-se fora dos limites de controle, sendo 1 (uma) abaixo do Limite Inferior de Controle e 10 (dez) acima do Limite Superior de Controle. A partir disso, calculam-se o Cp e o Cpk do processo de maneira semelhante ao cálculo realizado para a Leitura pedagógica:
0 5 10 15 20 25 30
�� =���−���6�
�� = − , = ,
��� = � �� × �̿�̂ , �� × �̿�̂
��� = � , , , = ,
Assim, como Cp < 1 Cpk < 1, conclui-se que o processo de diagramação é “incapaz”, assim como mostrado para o processo de leitura pedagógica. A partir disso, é possível inferir que a demora não planejada nessa etapa, somada à ocorrida na etapa de leitura pedagógica, acarreta atrasos nas etapas seguintes do processo produtivo e, assim, impactam no tempo de execução das etapas finais do processo, pois, normalmente, a “folga de tempo” disponível no projeto é utilizada nas etapas iniciais, não restando tempo para eventuais contratempos e problemas que possam ocorrer durante a execução do projeto.
Por fim, o processo de 1ª revisão é analisado por meio da mesma metodologia utilizada para as etapas de leitura pedagógica e diagramação, considerando 5 (cinco) meses de produção, totalizando, então, 41 (quarenta e uma) observações. Os limites do gráfico são definidos pela própria equipe de produção editorial, sendo o limite inferior de 8 (oito) horas, o equivalente a 1 (um) dia de trabalho de um revisor, e o superior de 16 (dezesseis) horas, equivalente a 2 (dois) dias de trabalho de um revisor.
Deste modo, foram extraídos do sistema as seguintes informações de tempo de diagramação de um capitulo e, em seguida, plotou-se o gráfico de controle considerando os limites superiores e inferiores de controle.
Tabela 3: Amostra dos Tempos de 1ª revisão Observação Tempo de 1ª revisão
(em horas) Observação
Tempo de 1ª revisão
(em horas) Observação
Tempo de 1ª revisão (em horas) 1 10,52 13 10,17 25 9,45 2 7,55 14 13,17 26 12,13 3 9,10 15 7,83 27 7,18 4 13,98 16 9,18 28 11,42 5 15,97 17 10,10 29 15,60 6 9,63 18 15,63 30 7,53 7 7,92 19 7,88 31 9,15 8 7,57 20 14,38 32 19,38 9 9,88 21 6,62 33 20,02 10 9,97 22 8,02 34 11,90 11 6,12 23 6,23 35 22,48 12 8,23 24 15,75 36 9,93
Fonte: Dados retirados do Sistema de Produção.
Gráfico 3: Gráfico de Controle do Tempo de 1ª revisão
Fonte: Elaborada pela autora
A análise dos tempos de 1ª revisão mostra que 13 (treze) observações, equivalente a 30% (trinta por cento) do total, encontram-se fora dos limites de controle, sendo 10 (dez) abaixo e 3 (três) acima. A partir disso, encontram-se os valores de Cp e Cpk do processo através dos métodos utilizados anteriormente:
�� = �� − ��� 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00
�� = − , = ,
��� = � �� × �̿�̂ , �� × �̿�̂
��� = � , , , = ,
Assim, como Cp < 1 e Cpk < 1, conclui-se que o processo de 1ª revisão é “incapaz”. Mas é importante ressaltar que, das 13 (treze) observações que ultrapassam os limites de controle, apenas três delas são maiores que o limite superior de controle, ou seja, apenas 8% das observações geram o atraso propriamente dito no processo.
Os gráficos de controle mostrados anteriormente apontam que não há padronização quanto ao tempo de execução dessas etapas, o que corrobora com um planejamento não- assertivo dos marcos do projeto. Quando uma etapa atrasa, uma série de problemas se torna propícia a ocorrer. Dentre eles: ociosidade devido a determinada tarefa estar programada para um indivíduo naquele período determinado, utilização de horas extras e serviços terceirizados para cobrir os picos de trabalho da equipe, sobrecarga de trabalho da equipe na data de fechamento do projeto, ausência de tempo suficiente nos prazos finais do projeto para eventuais problemas que possam surgir.