(i) (ii)
(iii) Fonte: Elaboração Própria
Como já fora comentado, pelo mapa 11 (i) temático pode ser observado que a grande maioria dos municípios sofreu redução na quantidade de viagens regionais realizadas, sobretudo no entorno da RMF, ao sul do Litoral Leste e na região dos Inhamuns. Em direção oposta, deve ser destacada a região Sobral/Ibiapaba e o Litoral Oeste (distante da RMF). A tendência de maior intensidade direcionada a essas duas localidades pode ser constatada pelo mapa de média móvel 11 (ii), enquanto nas demais localidades do território cearense há baixo nível de evolução de viagens.
Pelo mapa LISA 11 (iii), é possível verificar que houve crescimento significativo do número de viagens regionais na região de Sobral/Ibiapaba e Litoral Oeste distante da RMF. Já no entorno da RMF, Cariri e ao sul do Litoral Leste, houve redução significativa na quantidade de deslocamentos regionais.
Esses resultados podem ser explicados pelas hipóteses anteriormente levantadas. No entorno da RMF houve aumento do nível de renda da população e redução do poder polarizador regional. Com base nessas ocorrências, esperava-se que sua população adquirisse mais veículos particulares e tivesse maiores incentivos para satisfazer suas demandas em seu próprio território residencial, o que tende a reduzir as viagens regionais por transporte público.
No sul do Litoral Leste a hipótese de aumento de renda da população pode explicar a redução nas viagens regionais, na medida em que não se verificou uma tendência clara quanto ao poder de polarização regional.
Já na região do Cariri e Sertão Central, presume-se que o efeito da substituição do transporte público pelo particular tenha sido maior do que o incremento na atratividade exercida pelos respectivos polos regionais.
Com relação às áreas em que houve aumento de viagens regionais (Sobral/Ibiapaba e Litoral Oeste distante da RMF), devem ser destacadas algumas de suas características socioeconômicas observadas em 2004. Essas cidades formavam um conjunto com um dos menores patamares de renda do Estado, correspondente a cerca de 10% a menos que média cearense. Ademais, apresentava um alto patamar de desigualdade de renda, com índice de Gini em torno de 0,60, além de elevada proporção de habitantes considerados em extrema pobreza: cerca de 15% maior que o total do Estado.
Já em 2012, para essa mesma região onde se registrou majoração de viagens regionais, verificou-se uma melhora na distribuição de renda e um crescimento no nível de rendimento de seus habitantes acima da média observada no Estado.
A esses dados deve ser acrescentada a baixa capacidade econômica desse grupo em relação ao polo regional em 2012: enquanto os demais municípios cearenses possuíam um coeficiente médio em relação ao polo de cerca de 60%, nesse conjunto essa razão girava em torno de 17%.
Está-se diante, portanto, de um conjunto de municípios com peculiaridades socioeconômicas que os tornam dignos de que as análises dos seus resultados sejam realizadas de modo segregado. Afirma-se isso porque, como se trata de uma região pobre e desigual, conjectura-se que seus habitantes, que não tinham acesso ao sistema de transportes em 2004,
passaram a tê-lo com a melhora das condições de renda ocorrida até 2012. Aliando esse fator ao ainda expressivo poder polarizador regional existente, há incentivos para realização de viagens regionais.
Sendo assim, a seguir tabela 21 a seguir apresenta um resumo acerca das análises acima e correspondentes conclusões:
Tabela 21 – Síntese da análise exploratória em relação às hipóteses formuladas sobre evolução de viagens regionais por transporte público
Região Evolução do Nível de renda P. Polarizador regional Evolução de viagens regionais
Conclusão: há indícios de ocorrência das duas hipóteses elaboradas? Entorno da
RMF ↑ ↓ ↓ Sim.
L. Oeste longe
RMF ↑ S.S. ↑
Não. Conjectura-se que as condições socioecômicas peculiares da região (baixo
nível de renda e alta desigualdade) demandem análises segregadas das demais
regiões.
Sobral ↑ S.S. ↑
L. Leste - Sul ↑ S.S. ↓ Não. Apenas se observa a ocorrência de uma das hipóteses elaboradas.
Sertão Central ↑ ↑ ↓
Não. Conjectura-se que o efeito de uma das hipóteses seja maior do que da outra.
Cariri ↑ ↑ ↓
S.S.: Sem Significância Fonte: Elaboração Própria
Isso posto e de acordo com o método apresentado no capítulo anterior, cabe levantar os indicadores de correlação entre viagens regionais e as duas variáveis explicativas (evolução do nível de renda e evolução do poder polarizador dos polos regionais entre 2004 e 2012).
A tabela 22 abaixo expõe os resultados das correlações tabular e espacial global entre esses atributos:
Tabela 22 – Correlação tabular e espacial global entre evolução de viagens regionais e as variáveis explicativas
Evolução do Nível de renda P. Polarizador Polos Regionais
Correlação tabular VGRG 0,102 -0,049
P-Valor 0,186 0,527
Correlação Espacial VGRG 0,051 -0,005
P-Valor 0,023 0,37
Fonte: Elaboração Própria
Observe-se que o valor dos indicadores é baixo e sem significância estatística ao nível de 5%. Isso significa que a hipótese de não existir correlação entre as variáveis não pode ser descartada.
Porém, esses resultados já eram esperados, haja vista que a análise local da evolução da demanda por transportes evidenciou a existência de comportamento com intensidades diferentes a depender da região analisada: enquanto a oeste do Estado houve aumento da quantidade de viagens, no entorno da RMF, ao sul do Litoral Leste e no Cariri observou-se o oposto. Dessa forma, não se supunha que um único indicador fosse capaz de expressar a complexidade das relações espaciais entre os fenômenos sob estudo.
Havendo a necessidade de aprofundar a análise para o nível local, abaixo são apresentados os mapas Lisa 12 (i e ii), elaborados a partir do levantamento dos índices de Moran bivariados:
Mapa 12 – Lisa Map bivariado entre a evolução das viagens regionais e (i) evolução da renda