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O trabalho realizado na Meta I e Meta II e que se desenvolveu na gestão da educação de Sobral de 2001-2004, apesar dos resultados significativos em relação à alfabetização, mostrou-se insuficiente, pois os resultados, tão trabalhosamente conquistados, não foram percebidos e incorporados pelos estudantes nas séries subsequentes, conforme se vê no gráfico que segue. A Secretaria de Educação de Sobral então, sentiu a necessidade de ampliar o trabalho para a segunda série do ensino fundamental, numa perspectiva de progressivamente fazer o atendimento qualificado de todas séries do ensino fundamental I, atendidas pelo município.

Gráfico 4.3 – Percentual do resultado da avaliação externa do município em 2004 – 3º ano. Fonte: Secretaria de

Educação de Sobral-Ce.

A partir de 2004, a Secretaria de Educação iniciou, no 3º ano do ensino fundamental, um trabalho de formação das professoras, que tinha como um dos objetivos, otimizar os recursos disponíveis em sala de aula, sobretudo o livro didático, além de ampliar os instrumentos didáticos e o tempo pedagógico na sala de aula, uma vez que, segundo consta no Projeto Boas Práticas – Vencendo o desafio da aprendizagem nas séries iniciais – A experiência de Sobral – Ce (BRASIL, 2006, p.32)

A nova polítca educacional exigiu um olhar especial para o que ocorria, até então, na sala de aula. As observações iniciais indicaram que, embora o livro didático fosse utilizado, as atividades realizadas no dia-a-dia pelos alunos podiam ser resumidas em apenas duas etapas: na primeira parte da aula, os professores descreviam uma

tarefa de lousa e os alunos a transcreviam para seus cadernos; na segunda parte, após o recreio, os alunos resolviam a tarefa.

Além disso, foram implementados novos métodos de ensino, partindo da compreensão de que, para as mudanças necessárias na aprendizagem dos estudantes, era necessário intervir na metodologia de ensino. Aliado a isto era fundamental fortalecer e ampliar a formação das professoras, a fim de que estas pudessem se apropriar das novas metodologias de ensino e dos materiais que foram implementados, como as ―matrizes

pedagógicas‖, que se constituiam em atividades desenvolvidas com os estudantes em cada dia

de aula, assim como as tarefas de casa, que eram elaboradas por uma equipe de consultores e eram impressas, para que se evitasse a perda de tempo com a cópia das atividades no quadro.

Estas atividades até o ano de 2004, eram desenvovidas de forma prioritária para as professoras da 1ª série básica e 1ª série regular e de forma secundária com as professoras do 3º ano. No ano de 2005, o trabalho de formação foi ampliado de forma significativa para as professoras d0 3º ano e de acordo com Rossi e Silva (2006) [...] o trabalho de formação com os professores da segunda série do ensino fundamental, foi ao mesmo tempo, ampliado e focalizado. Elegeu-se como prioridade o trabalho com as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática.

Neste ano de 2005, a Secretaria de Educação começa um trabalho com a disciplina de Matemática no 3º ano que além de utilizar o livro didático como apoio

pedagógico, utilizou também as ―matrizes pedagógicas‖, como material de apoio, que foi

produzido e distribuido para todas as turmas do segundo ano.

As ―matrizes pedagógicas‖ elaboradas para complementar o trabalho com o livro

didático, foram pensadas na perspectiva de uma maior aproximação entre o conteúdo matemático curricular e a realidade dos estudantes, além de possibilitar que a aprendizagem Matemática dos estudantes pudesse ser mais significativa. O foco das ―matrizes‖ como passaram a ser chamados os cadernos de atividades Matemáticas que recebiam os estudantes do 3º ano, era a resolução de problemas matemáticos, a proposição de desafios e uma Matemática mais lúdica e divertida. As matrizes foram produzidas para que cada estudante da 3º ano do município de Sobral realizasse uma página de atividades da matriz de Matemática

por dia, seguindo a metodologia que se usava para as atividades de alfabetização.

Mas este material ao chegar na escola recebeu resistência por parte das professoras, pois segundo Rossi e Silva (2006), elas afirmavam:

- É difícil demais para os alunos.

Esta resistência encontrada em parte das professoras foi sendo vencida nos encontros de formação mensais que era oferecido às professoras, pois nestes momentos eram discutidos os conteúdos e as metodologias próprias da Matemática e que poderiam ser realizadas, a partir dos conteúdos matemáticos presentes nas matrizes. Além disso houve um acompanhamento da equipe de formadores das professoras, com o intuito de verificar a adequação do material às dificuldades presentes na sala de aula, a partir do uso das matrizes por parte das professores e dos estudantes.

Este acompanhamento apontou para a necessidade de alguns ajustes nas matrizes, em função das dificuldades encontradas, porém pela percepção da equipe de acompanhamento, segundo Rossi e Silva (2006), a maior dificuldade […] não era em relação aos alunos, mas com os professores, muito habituados à utilização de exercícios matemáticos descontextualizados e apoiados pelo princípio da repetição, não no raciocínio.

Um dado que aponta os efeitos do trabalho de formação das professoras do 3º ano e a ultilização das matrizes não de Matemática, mas também de português, pode ser visto no gráfico que segue, pois este apresenta os resultados da avaliação externa do município em 2005, quando se comparam os resultados dos estudantes da 3º e do 4º ano do ensino fundamental, sendo que este último não teve nenhum programa de acompanhamento e realizou a avaliação externa,b usando o mesmo instrumento avaliativo utilizado no 4º ano.

Gráfico 4.4 – Percentual do resultado da avaliação externa do 3º e 4º ano em 2005. Fonte: Secretaria

de Educação de Sobral – Ce.

A formação das professoras do 3º ano do município e um acompanhamento mais de perto das direções e coordenações pedagógicas das escolas nestes anos, aliados à utilização, discussão e ajustes feitos nas matrizes, mostrou um caminho importante, mas apontou também que melhorias e aperfeiçoamentos seriam necessários para avançar numa política educacional mais ampla de atendimento a todas as séries do ensino fundamental I da rede municipal de educação de Sobral.