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4.3 Results

5.2.2 Introducing Additional Controls

O ser humano, imerso na atmosfera que o envolve, faz passar em média 12 m3 de ar por dia pelos seus pulmões. Esse ar atinge os alvéolos pulmonares, onde se processam a oxigenação e a eliminação do dióxido de carbono do sangue. O organismo humano é capaz de captar cerca de 250 milímetros de oxigênio e eliminar 200 milímetros de gás carbono por minuto. Os pulmões têm capacidade suficiente para oxigenar até 30 litros de sangue venoso por minuto.

O aparelho respiratório, pelas funções que desempenha, está particularmente exposto às agressões do ambiente e é, frequentemente, sede de alterações de maior ou menor intensidade e de maior ou menor gravidade (GOMES, 2002)

Segundo Fonseca (apud SOUZA, 2008, p. 64),

a saúde vincula-se diretamente com o ambiente (compreendido por meio da interação da sociedade com a natureza de forma indissociável), já que as condições e ou alterações do meio natural só têm importância para o homem quando passam a ser percebidos ou afetam seu bem-estar e modo de vida. E o clima, por suas alterações cíclicas e variações inesperadas e danosas para o homem e o meio social (de forma geral), é certamente um fator que interage, de maneira direta, com a saúde humana.

Segundo Serra (1974, p. 91),

as infecções respiratórias são mais freqüentes no inverno ou nas mudanças de estação e menos comum no verão ou na zona quente equatorial. O número de casos aumenta com temperatura baixa e maior variabilidade interdiurna dos elementos. O hemisfério sul está mais favorecido que o norte, pois, neste último, a estação fria é acompanhada por intensa variabilidade de temperatura. O que faz elevar de 4 a 5 vezes a mortalidade por agravos respiratórios no inverno em relação à taxa do verão

Para Pitton (2008, p. 54),

Doenças do aparelho respiratório, tais como asma, bronquite resfriados e outras infecções das vias respiratórias superiores (IVAS), estão associadas às mudanças do tempo atmosférico e ocorrem com maior freqüência no inverno. A influência das baixas temperaturas sobre as doenças respiratórias pode ser explicada pela bronco constricção, devido à respiração do ar frio que aumenta a suscetibilidade das infecções pulmonares

Os eventos climáticos, tanto aqueles que provocam aquecimento excessivo como os de extrema secura do ar, interferem na saúde. Os efeitos causados sobre o meio ambiente afetam a qualidade do ar. É preciso fomentar a busca das relações entre o clima e a saúde, trazendo a tona temas que abordem a preocupação ambiental, além de estudos e debates relacionando às doenças respiratórias e à qualidade do ar.

Nesse sentido, deve-se ressaltar o trabalho pioneiro de Sobral (1988), a qual avaliou os impactos da qualidade do ar na saúde pública, quando do seu estudo que associou os tipos de tempo, poluição e doenças respiratórias agudas, concluindo que as incidências dessas patologias eram maiores no inverno que no verão, bem como maiores em áreas mais poluídas da cidade de São Paulo.

Botelho (2003) reforçou que no período seco foi encontrado maior percentual de crianças com pneumonias que necessitaram de internação, e concluiu que nesse período crítico do ano as crianças sofrem mais o impacto na saúde, possivelmente pelo processo inflamatório que acomete as vias aéreas, com a má qualidade do ar respirado. Tudo faz com que as crianças demorem mais a se recuperar, aumentando a chance de complicações.

Um dos aspectos importantes da exposição ao frio em crianças com enfermidades respiratórias está ligado à hipotermia, bem como distúrbio metabólico e de coagulação sanguínea.

Além do fator climático interferindo no desenvolvimento das enfermidades respiratórias, existem outros fatores ambientais que predispõem a essas patologias, principalmente a pneumonia, que são: a exposição à fumaça (contaminação atmosférica, contaminação doméstica por resíduos orgânicos, tabaco) e o confinamento.

Victoria (1996, p. 53), em uma revisão dos fatores de risco para pneumonia em crianças abaixo de 5 anos, comissionada pela Organização Mundial da Saúde, aponta

Entre os fatores ambientais, a fumaça ambiental por tabaco e a contaminação do ar, especialmente os níveis de partículas e o confinamento, estão claramente associados com a morbidade respiratória em crianças pequenas, ainda que alguns desses fatores possam interagir entre si com respeito a efeitos sobre as infecções respiratórias agudas baixas. IRAB

Ainda segundo Victoria (1996), existe associação entre a fumaça ambiental do tabaco e as doenças respiratórias, principalmente nas crianças cujos pais são fumantes. Nessas, há incidência de 1,5 a 2 vezes maior de contraírem pneumonias que nos filhos de não fumantes. O autor supracitado destaca também que o confinamento, seja em casa ou em instituições, está ligado com as ocorrências das pneumonias.

O Ministério da Saúde do Brasil recomenda, em seu manual de “Assistência e Controle das IVAs”, evitar que as crianças fiquem em ambientes poluídos por fumaça causada por fogo ou cigarros. (DUCHIADE, 1992, p. 2).

Ribeiro et al. (2010) constataram, através de estudo com crianças em diferentes áreas, que outros fatores como desnutrição, condições de moradia (fatores sociais), além da poluição atmosférica, podem ocasionar enfermidades respiratórias.

Conforme Victoria (1996, p. 51)

Existe evidência abundante de que as crianças severamente desnutridas apresentam uma resposta imunológica deficiente, particularmente a nível celular e conseqüentemente tem infecções mais graves que as crianças com estado nutricional adequado.[...] mostram associação entre a desnutrição e as IRAB/pneumonias. Deve-se destacar que existem várias maneiras de se evitarem as doenças respiratórias: a primária, quando a mãe com um recém-nascido evita o ato de fumar;

a secundária, que visa o tratamento da doença respiratória no sentido de evitar complicação, e o nível terciário, quando ela já estiver instalada, visando minimizar os danos ocorridos.

O ar que transporta o oxigênio pode transportar também outros gases que são tóxicos, além do material particulado de tamanho suficiente para alcançar os alvéolos, podendo ser removidos pelas barreiras naturais do homem contra as impurezas do ar (secreção mucosa das vias aéreas superiores; cílios que atapetam a mucosa respiratória, reflexo de tosse e espirros, além da função de filtração do ar realizado pelas fossas nasais) ou produzir ação irritante que culmina como os processos inflamatórios da árvore tráqueo-brônquica.

As partículas inaláveis são aquelas com diâmetro aerodinâmico menor que 10 micra, e dentre estas destacam as inaláveis finas com diâmetro inferior a 2,5 micra, as quais penetram profundamente no trato respiratório, podendo acarretar patologias.

A repercussão da contaminação atmosférica sobre o homem e o ambiente pode ocorrer em distintas formas. Essa pode ser aguda, estando relacionada com altos níveis de contaminação durante curto espaço de tempo, de algumas horas ou dias. Pode ser crônica, quando ocorre repetidamente durante um longo período de tempo por vários anos como, por exemplo, na vida cotidiana, como a exposição rotineira à poluição do ar (GOMES, 2002).

Como exposição aguda, podemos citar os conhecidos acidentes do Vale do Meuse, na França, em 1930; de Donora, nos EUA, em 1948, e de Londres, em 1952, que chamaram a atenção para a ação deletéria da poluição atmosférica sobre o aparelho respiratório. Esses acidentes, relacionados com intenso aumento da poluição atmosférica, causaram um grande número de mortes e, consequentemente, alertaram as autoridades para as graves consequências causadas por períodos agudos de poluição e estimularam a realização de diversos estudos epidemiológicos que identificaram os principais poluentes e suas repercussões sobre a saúde.

O projeto APHEA (Air Pollution and Health: a European Approach) tem utilizado dados coletados em 29 cidades européias e encontrou um aumento de 1% nas internações por doença pulmonar obstrutiva crônica para um aumento de 10 g/m3 na concentração de material particulado. (CANÇADO et al, 2006).

Existem vários estudos na literatura biomédica sobre os efeitos agudos e crônicos da poluição na saúde. No quadro 7 são apresentados os principais efeitos respiratórios associados à exposição à poluição do ar.

Devemos frisar também que outra fonte importante de poluição atmosférica ocorre pela queima de biomassa (palha da cana-de-açúcar), utilizada desde a pré- história para a produção de energia, e que ainda é muito utilizada no Estado de São Paulo e está associada ao aumento da morbidade respiratória.

Estudos realizados por Cançado et al. (2006) confirmam que

[...] a fumaça proveniente da queima da biomassa em ambientes internos já indicavam uma relação consistente entre a exposição e o desenvolvimento de doença pulmonar crônica em adultos, além de bronquiectasias e fibrose pulmonar e infecções respiratórias em crianças, provavelmente devido às alterações no mecanismo mucociliar e à redução do poder fagocitário dos macrófagos pulmonares. Nos últimos dez anos, estudos têm apresentado evidências importantes sobre os efeitos da poluição do ar na morbidade e mortalidade por doenças cardiovasculares (cardíacas, arteriais e cerebrovasculares).

Devemos reforçar que indivíduos idosos e portadores de doenças cardiovasculares prévias constituem populações mais susceptíveis, destacando que, além do tabagismo, sedentarismo e dieta, a poluição do ar é um importante fator de risco a ser controlado.

Segundo Serrano (apud SOUZA, 2008, p. 69),

Para entender mejor los mecanismos de daño, em el ser humano, concretamente em el aparato respiratório, es necessario compreender la importancia que tiene el aire para los organismos com el ser humano que depende de el constantemente.El intercambio gaseoso que tiene lugar em los pulmões permite el desecho del bióxido de carbono que produce el metabolismo general del organismo y el aprovisionamento del oxigênio necessário para los tejidos; es este um fenómeno vital tan importante que debe producirse continuadamente, noche y dia, para permitir La continuacion de La vida. Um adulto requiere aproximadamente 14 Kg de aire cada dia; em tanto que necessita solo um poço más de 1 Kg de alimento y 2 kg de água. Se estima que um ser humano puede vivir de cuatro a cinco semanas sin comida, casi cinco dias sin água,pero no alcanza a vivir cinco minutos sin aire

Segundo Cançado et al. (2006), a poluição atmosférica pode ser entendida como a presença de substâncias nocivas na atmosfera, decorrentes da atividade

humana ou de processos naturais interferindo na saúde e bem-estar dos seres vivos.