O aparelho respiratório é, dentre os aparelhos do corpo humano, o que tem maior relação com o meio ambiente. Nos dias de hoje, a poluição atmosférica gerada nos grandes centros urbanos tem provocado muitos danos à saúde.
Várias doenças respiratórias, tais como pneumonia, bronquite, rinite e asma, constituem importante causa de adoecimento e morte em adultos e crianças no mundo todo, sendo as pneumonias a principal causa de óbitos.
A poluição do ar causa inflamação nos tecidos e as sucessivas reações inflamatórias acabam provocando infecções. Os tecidos, que são agudos e, sobretudo, cronicamente inflamados, perdem sua capacidade de defesa contra os microorganismos que estão presentes no próprio organismo humano e no ar que respiramos. O equilíbrio entre o organismo e esses agentes é mantido por meio de engenhosos sistemas de proteção que garantem a saúde, porém, quando minados por inflamações crônicas, os microorganismos se instalam nos tecidos, proliferam e causam uma infecção. Assim, as faringites, rinites e bronquites, por exemplo, tornam-se inflamações infectadas. A mais temível das infecções do aparelho respiratório é a pneumonia, sendo esta uma doença grave, que necessita de cuidados médicos. Em crianças e idosos, as pneumonias podem levar à morte.
O sistema respiratório compreende o conjunto de órgãos tubulares e alveolares situados na cabeça, pescoço e cavidade torácica, responsáveis pela respiração. O termo respiração significa trocas gasosas que se efetuam entre o organismo e o meio ambiente. O homem absorve oxigênio do ar e elimina gás carbônico. Para que isto aconteça, o oxigênio do ar inspirado e o gás carbônico a ser expelido circulam através das vias aéreas compreendidas pelas cavidades nasais, faringe, laringe, traquéia e brônquios, a fim de intercomunicar o meio ambiente com os pulmões.
Os componentes do aparelho respiratório (Figura 1) são anatomicamente divididos em nasofaringe, laringe, traquéia e pulmões. O conjunto desses órgãos é responsável pela entrada e saída do ar no organismo do ser humano, bem como por sua filtração, aquecimento e umidificação.
Figura 1 - Componentes do sistema respiratório humano
Fonte: Sobotta (2006)
Segundo Moore e Dalley (2007), o nariz é a parte do trato respiratório situado acima do palato duro e contém o órgão periférico do olfato. Inclui o nariz externo e a cavidade nasal, dividida em direita e esquerda pelo septo nasal. As funções do nariz são olfato, respiração, filtração de poeira, umidificação do ar inspirado e recepção e eliminação de secreções dos seios paranasais e dos ductos lacrimonasais.
O nariz é a parte visível que se projeta da face, cujo esqueleto é principalmente cartilaginoso. O dorso do nariz se estende da raiz do nariz até o ápice do nariz. A superfície inferior do nariz é perfurada por duas aberturas, as narinas, que são limitadas lateralmente pelas asas do nariz. A parte cartilaginosa é revestida por pele, que possui pelos, os quais filtram partículas de poeira do ar que entra na cavidade nasal, de acordo com Moore e Dalley (2007).
Para Moore e Dalley (2007), a cavidade nasal é dividida em metades direita e esquerda pelo septo nasal, abre-se posteriormente na parte nasal da faringe
através das coanas e é revestida de mucosa. Os dois terços inferiores da mucosa nasal correspondem à área respiratória e o terço superior à área olfatória.
Nas cavidades nasais estão localizadas as conchas (superior, média e inferior), estruturas semelhantes a rolos, que oferecem uma grande área de superfície para troca de calor.
A faringe (garganta), conduto ímpar e mediano que pertence à via respiratória e ao tubo alimentar, estende-se da base do crânio até o nível da sexta vértebra cervical, tendo continuidade no esôfago. A faringe é dividida em três partes:
• Parte nasal da faringe: situa-se posteriormente ao palato mole e é a
extensão posterior das cavidades nasais. A tonsila faríngea, denominada adenóide, está situada na mucosa do teto e parede posterior da parte nasal da faringe. A parte nasal da faringe tem uma função respiratória.
• Parte oral da faringe: é limitada pelo palato mole superiormente, pela base
da língua inferiormente e pelos arcos palatoglosso e palato faríngeo lateralmente. As tonsilas palatinas estão localizadas de cada lado da parte oral da faringe, no espaço entre os arcos palatinos. A parte oral da faringe tem função digestiva.
• Parte laríngea da faringe: situa-se posteriormente à laringe, estendendo-se
da margem superior da epiglote e das pregas faringoepiglóticas até a margem inferior da cartilagem cricóidea, onde se estreita e se torna contínua com o esôfago.
A laringe é o complexo órgão de produção da voz, formada por nove cartilagens unidas por membranas e ligamentos e contendo as pregas vocais. A laringe está situada na região cervical anterior, no nível dos corpos das vértebras C3 a C6. A principal função da laringe é proteger as vias aéreas, principalmente durante a deglutição, quando serve como válvula do trato respiratório inferior, mantendo assim a via aérea permeável. Desempenha também papel de mecanismo fonador para a produção da voz.
A traquéia é um tubo fibrocartilaginoso, sustentado por anéis traqueais cartilaginosos incompletos, e ocupa posição mediana no pescoço. A traquéia se
estende da laringe até o tórax, termina inferiormente dividindo-se em brônquios principais direito e esquerdo, que penetram nos pulmões direito e esquerdo, respectivamente. Transporta o ar que entra e sai dos pulmões e seu epitélio impulsiona o muco com resíduos em direção à faringe, para expulsão pela boca.
Os brônquios resultam da bifurcação da traquéia, chamados de brônquios principais, e seguem um para cada pulmão. Nos pulmões, os brônquios ramificam-se de forma constante, para formar as raízes da árvore traqueobrônquica, como componentes da raiz de cada pulmão. Cada brônquio principal divide-se em brônquios lobares, dois à esquerda e três à direita, cada qual suprindo um lobo do pulmão. Cada brônquio lobar divide-se em vários brônquios segmentares, que suprem os segmentos broncopulmonares. Esses brônquios segmentares se dividem em bronquíolos e esses, por sua vez, se ramificam em tubos, gradativamente menores, até os bronquíolos terminais e, por fim, os bronquíolos respiratórios, até chegarem aos alvéolos. O alvéolo pulmonar é a unidade estrutural básica de troca gasosa no pulmão. Nossos alvéolos continuam a se desenvolver até cerca de oito anos de idade, período em que há aproximadamente 300 milhões de alvéolos.
Os pulmões são órgãos vitais da respiração. Sua principal função é oxigenar o sangue, colocando o ar inspirado bem próximo do sangue venoso, nos capilares pulmonares. É órgão par e tem formato piramidal, possuindo um ápice, uma base, três faces e três margens, e está situado na cavidade torácica.
Cada pulmão é revestido e envolvido por um saco pleural seroso, que consiste em duas membranas contínuas: a pleura visceral, que reveste toda a superfície pulmonar, e a pleura parietal, que reveste as cavidades pulmonares. A cavidade pleural – espaço virtual entre as camadas das pleuras – contém uma camada capilar de líquido pleural seroso, que lubrifica as superfícies pleurais e permite que as camadas de pleura deslizem suavemente uma sobre a outra durante a respiração.
A mucosa respiratória que reveste internamente as vias aéreas possui uma camada celular com vários tipos de células: as células mucosas e as células ciliadas. As primeiras secretam muco, recobrindo com uma camada fina as vias aéreas superiores; as outras movimentam seus cílios, de tal modo que a camada de muco é continuadamente deslocada de dentro para fora, dos pulmões para a boca. O muco é pegajoso e próprio para prender partículas de todo tipo que entram pelas vias aéreas durante a respiração. Graças ao papel das células ciliadas, as partículas ou
bactérias presas ao muco não alcançam os pulmões e são expulsas para a boca, sendo então deglutidas e anuladas pelo ácido clorídrico do aparelho respiratório. Esse aparelho de defesa é denominado aparelho mucociliar.