A região do Vale do Acre abriga 71,56% da população total e 63,63% dos municípios do Estado do Acre, e ocupa quase 50% da área total do Estado (Figura 7). É o maior pólo de atividade socioeconômica, além de ser o destino da maioria das ações de instituições governamentais e não-governamentais existentes no Estado. As dimensões cultural, social e econômica dessa região confundem-se com as correspondentes dimensões em nível estadual. Conhecer a região é, portanto, conhecer o próprio Estado.
Situado no extremo oeste brasileiro, na região Norte, o Estado do Acre faz fronteira com os Estados do Amazonas e Rondônia e com os países Peru e Bolívia. Sua superfície territorial é de 153.149,9 km2, que corresponde a 3,2% da Amazônia brasileira e 1,8% do território nacional.
O Acre, área litigiosa até o início do século XX, definiu-se com a conclusão das negociações em torno de seus limites com a Bolívia, em 1903, e com o Peru, em 1912, sendo anexado definitivamente ao Brasil. Desde então, passou à Unidade da Federação Brasileira com o status político-administrativo de Território Federal, tendo sido elevado à condição de Estado por meio da Lei n.o 4.070, de 15/06/1962.
Do ponto de vista do relevo, o Estado divide-se em regiões de planícies, baixos platôs e Serras do Divisor. Sua vegetação natural é composta, basicamente, por floresta tropical aberta (baixos platôs e aluvial) e por floresta tropical densa (baixos platôs, superfície dissecada da Serra do Divisor).
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Esta seção baseia-se em informações obtidas do GOVERNO DO ESTADO DO ACRE (2001a), GOVERNO DO ESTADO DO ACRE (2001b) e ISAE (1998).
58 Figura 7 - Mapa da região de estudo.
As condições geológicas do Estado do Acre são atípicas, se comparadas às dos demais Estados da Amazônia Brasileira. No Acre, as rochas são sedimentos tenros, ternários e quaternários, enquanto as terras do Estado de Rondônia, por exemplo, assentam-se sobre o escudo cristalino.
A bacia do Acre apresenta uma área total de, aproximadamente, 230.000 km, sendo limitada ao Nordeste, Leste e Sudeste pelo arco de Iquitos; ao Sul, pelo Escudo Brasileiro; e a Oeste e Nordeste, pelo território peruano, que recebe o nome de Bacia de Pastaza, limitando-se pela Cordilheira Andina Oriental.
A floresta tropical aberta ocupa a maior parte da superfície do Estado e é predominantemente uma subclasse de formação de climas quentes úmidos, com chuvas torrenciais. As áreas aplainadas mostram uma fisionomia florestal de baixa altura. Nas áreas cortadas por estreitos vales encontram-se espécies
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arbóreas mais desenvolvidas (superiores a 25 metros) e densamente dispostas. Esta floresta apresenta três tipos de sub-bosques: cipó, palmeira e bambu.
A floresta densa, também conhecida como floresta chuvosa, é caracterizada sobretudo por grandes árvores, que emergem de um estrato arbóreo uniforme, de 25 a 35 metros de altura.
O Estado do Acre possui grande variedade de ecossistemas. A diversidade de paisagens é imensa, e estudos recentes confirmam altíssima biodiversidade, tanto do ponto de vista da flora quanto da fauna. É o Estado da Amazônia brasileira que tem maior área de floresta tropical continua intacta, sediando o Corredor Verde do Oeste da Amazônia, considerado da mais alta prioridade para conservação da biodiversidade no Brasil, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).
A área alterada do Estado do Acre, incluindo desmatamento e outras formas de antropização, é de aproximadamente 1.600.000 ha, ou 10% da sua superfície. As áreas desmatadas concentram-se, em sua maioria, ao longo dos eixos rodoviários da BR-364, BR-317 e AC-40, onde se destacam os problemas e conflitos resultantes de projetos de colonização e do avanço da pecuária e das madeireiras.
O potencial econômico da flora é imensurável. Sua biodiversidade abriga essências de grande valor madeireiro, oleaginoso, resinífero, aromatizante, corante, frutífero e medicinal.
O clima do Estado é classificado, genericamente, como tropical chuvoso (temperatura média do mês mais frio superior a 18ºC), com pequena estação seca. A umidade relativa apresenta-se em níveis elevados durante todo o ano, com médias mensais em torno de 80-90%, sem significativas oscilações no decorrer do ano. É um clima quente e úmido, com duas estações: seca e chuvosa. A estação seca estende-se de maio a outubro; a chuvosa - o "inverno" - caracterizada por chuvas constantes, prolonga-se de maio a outubro. No "inverno" são comuns as "friagens", fenômeno efêmero, porém comum na região. A "friagem" resulta do avanço da Frente Polar, que, impulsionada pela Massa de Ar Polar, provoca brusca queda de temperatura, permanecendo por alguns dias
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com média em torno de 10ºC. Os totais pluviométricos anuais variam de 1.600 mm a 2.750 mm.
As principais vias de acesso rodoviário à região são as BR-364 e BR- 317. A primeira liga o Estado de Rondônia e o Sudoeste e Sul do País a Rio Branco, atravessando todo o Estado até Cruzeiro do Sul, na fronteira com o Peru. A segunda liga o sul do Amazonas a Rio Branco, estendendo-se aos municípios de Xapuri, Brasiléia e Assis Brasil, na fronteira com o Peru e com a Bolívia. Estas duas grandes rodovias têm importância estratégica para a integração econômica, comercial e cultural do Estado com os países andinos, permitindo o acesso do Brasil aos portos do Pacífico. A malha de rodovias e estradas estaduais e municipais permite a comunicação entre as principais cidades da região.
A linha de fronteira internacional é de 2.183 km, dividida ao Sul e a Leste com a Bolívia (618 km); e ao Sul e a Oeste com o Peru (1.565 km). O Acre é a unidade da federação mais próxima do Oceano Pacífico, distante, aproximadamente, 800 km, em linha reta, e cerca de 1.200 km, por via rodoviária, estrada já aberta e implantada.
O crescimento populacional no Estado obedeceu, historicamente, a movimentos migratórios determinados por efeitos de políticas públicas. A primeira grande leva de imigrantes ocorreu na década de 40, quando os nordestinos encontraram na extração da borracha uma maneira de não servir à Segunda Guerra Mundial. A partir da década de 70, com a abertura de estradas e com a expansão da atividade pecuária, o Estado recebeu imigrantes das regiões Centro, Sul e Nordeste do País. Nos últimos 30 anos, a população total do Estado subiu de 215 mil habitantes para, aproximadamente, 547 mil habitantes - 65% na área urbana e 35% na área rural. A capital ainda concentra o maior número de habitantes - 50% do total.
A população indígena acreana, atualmente estimada em 9.300 pessoas, constitui 1,4% da população do Estado. É formada por 12 diferentes povos falantes de línguas Pano, Aruak e Arawá. Nos últimos 25 anos, foram reconhecidas pelo governo federal 28 terras indígenas no Acre. Desse total, 17
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terras, que representam 71,3% da extensão do território indígena existente no Estado, foram homologadas por decretos presidenciais.
O Acre tem, em razão de sua geografia, uma particularidade muito especial. Por ser um Estado situado em área de fronteira (com Peru e Bolívia) e por ter a BR 364 que corta seu território em sentido longitudinal (rodovia federal com extensa faixa de domínio), praticamente todas suas terras são de domínio da União.
Outra particularidade se refere às extensas Áreas Especiais, tais como Reservas ou Áreas Indígenas, Parques Nacionais, Reserva Florestal, Santuário e Estação Ecológica, Área de Proteção Ambiental, Floresta Nacional, além de Reservas Extrativistas. Estas Áreas Especiais, que dependem do controle absoluto do poder público para sua ocupação e, em especial, sua exploração, representavam, em 1998, 34% de todo o território acreano.
Dos diversos estudos que objetivavam levantar a ocupação do território acreano, seja pela expansão da fronteira agrícola, seja pela ocupação das cidades, rios e estradas, pode-se afirmar que o Acre tem, segundo dados do IBGE 1996/97, apenas 10% do seu território desmatado e ocupado, restando, portanto, 90% de floresta natural.