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Kapittel 4: Metode

4.5 Intervjuene

Um dos principais estudos do Trivium no período escolástico diz respeito a identificação de erros falaciosos em proposições silogísticas. Em definição geral, uma falácia consiste em um tipo de pensamento vicioso que infringe regras fundamentais do pensamento silogístico (SANTOS, 1959, p.55), mesmo se com isso não intencionar57

um silogismo falso, pois a origem da falácia se dá na relação errônea das proposições e não nos termos que podem determinar a validade ou não dos silogismos completos (JOSEPH, 2008, p.217). Os estudantes analisavam os dois tipos possíveis de falácias: a formal e a material.

Uma falácia formal surge da infração a regras que determinam as relações formais das proposições, tais como supor a validade de uma proposição a partir da possível falsidade de outra sem com isso se dar conta da possibilidade do valor ser desconhecido. Em caráter geral é uma falácia que acompanha os descumprimentos das regras básicas de um silogismo pela não distribuição do termo médio e pela possibilidade de haver duas premissas negativas, assim como outras regras já mencionadas anteriormente (JOSEPH, 2008, p.217-218).

57 Todo termo (símbolo) transmite um significado que pode possuir duas intencionalidades: 1) Uma

referência à realidade tal qual na primeira imposição; 2) Uma para referir-se a si mesmo como termo ou conceito lógico. Exemplo: “Quadrado [segunda intenção] é um conceito [primeira intenção]” (JOSEPH, 2008, p.60).

79 Por sua vez, as falácias materiais originam-se de problemas nos termos (símbolos) em si mesmos, antecedendo assim um problema nas relações proposicionais. Dentro dessas falácias é possível separa-las em dois grandes blocos denominados in

dictione e extra dictionem.

As falácias in dictione possuem relação com ambiguidades da linguagem estabelecida, ou seja, consistem na ausência de clareza dos termos utilizados para a construção propositiva, podendo acarretar nas seguintes possibilidades falaciosas:

Quadro 7: Falácias in dictione e suas características

Tipo de falácia Natureza Exemplo

Equívoco Possui ambiguidade por simbolizar dois ou mais termos diferentes.

P1)Feathers are light. P2)Light is the opposite of darkness.

C)Feathers are the opposite of darkness.

Anfilobia Possui ambiguidade de sintaxe ou estrutura gramatical. Ele disse a seu irmão que ele tinha ganhado o prêmio. (Quem ganhou?)

Composição

Estabelece-se pela falsa conjunção, ou seja, quando as partes predicam ilicitamente o todo.

P1)Sódio e cloro são elementos tóxicos.

P2)Elementos tóxicos são nocivos. C) Cloreto de sódio é nocivo.

Divisão

Oposto a composição, ou seja, ocorre quando o todo predica ilicitamente as partes.

P1)Nove mais sete é igual a dezesseis.

P2)Dezesseis é um número par. C)Nove e sete são números pares.

Acentuação58

A presença ou ausência de acentuação em uma palavra pode afetar em seu significado, assim como na ideia que quer ser transmitida.

Ela pode. Ela pôde.

58 A falácia in dictione de acentuação pode ocorrer tanto graficamente como oralmente a partir de uma

tonalidade empregada na expressão, como em caso de uso de um tom irônico (JOSEPH, 2008, p.220- 221).

80 Forma verbal

Ocorre pela suposição de similaridade correspondente entre formas de linguagem e significado propositivo.

Falácia:

P1) Aquele que dorme menos está mais sonolento.

P2) Aquele que está mais sonolento dorme mais.

C) Aquele que dorme menos dorme mais.

Correto:

P1) Aquele que dormiu menos está mais sonolento.

P2) Aquele que está mais sonolento dormirá mais.

C) Aquele que dormiu menos dormirá mais.

Fonte: JOSEPH, 2008, p.218-223 (adaptado).

Acerca das falácias extra dictionem, o estudante de lógica compreendia a falsidade de certas suposições ocultas por não possuírem correspondência correta entre ideias e expressão concreta, falácia essa que poderia ocorrer entre cinco casos dos mais principais:

Quadro 8: Falácias extra dictionem e suas características

Tipo de falácia Natureza Exemplo

Falácia do acidente59 Dá-se pela falsa suposição de que tudo que foi predicado do sujeito

será predicado do seu acidente

Comunicar conhecimento é louvável. Mexericar é comunicar conhecimento. Mexericar é louvável. Confusão do Relativo com o Absoluto

Dá-se pela falsa suposição de que uma proposição verdadeira em determinado aspecto será também absolutamente verdadeira.

“Não matarás”. Portanto, matar animais para obter alimento é errado.

Ignorância do consequente

Dá-se pela falsa suposição de que uma proposição pode ser convertida quando não na verdade não pode.

Um homem é um animal. Bucéfalo é um animal. Bucéfalo é um homem.

59 A irmã Miriam Joseph alerta para o fato de a falácia do acidente assemelhar-se ao equívoco, entretanto,

o problema desta falácia se estabelece pela mudança da imposição do termo e não do termo em si mesmo, como no exemplo a seguir: 1)Penas são leves; 2) Leve é um adjetivo; 3) Penas são adjetivos. Leve na primeira premissa está na primeira imposição (como referência direta à realidade), já na sequência se coloca na segunda imposição (com referência à gramática).

81 Ignorância da questão60

Dá-se pela falsa suposição de que um argumento foi refutado ou desmentido, quando na verdade não o foi.

Afirmação: O presidente dos Estados Unidos governa o país inteiro. Falsa refutação: O presidente dos Estados Unidos não foi eleito pela maioria dos americanos.

Causa falsa

Dá-se quando o acidente de uma coisa é utilizado para determinar sua natureza.

Corridas de cavalo são nocivas porque algumas pessoas apostam dinheiro demais nos resultados.

Fonte: JOSEPH, 2008, p. 223 -236 (adaptado).

É possível perceber a relação concreta entre as artes da gramática e a de lógica pelas falácias in dictione. O erro estabelecido gramaticalmente, seja pelos termos tomados individualmente, ou seja, pela sintaxe propositiva, refletem diretamente em uma falácia silogística, ocasionando que o erro de execução em uma das artes ecoará fatalmente nas demais pela organicidade natural que é própria ao Trivium.