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INTERVIEW WITH A QC REPRESENTATIVE

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CHAPTER 14   ‐  THE INTERVIEWS

14.5   INTERVIEW WITH A QC REPRESENTATIVE

O acompanhamento do utente no período pós-operatório, após o regresso a casa, torna-se uma etapa fundamental para garantir a continuidade do seu processo de reabilitação e de ensino-aprendizagem. É nesta fase, segundo Santos (2000), que a pessoa ostomizada necessita de reforços para manter ou mesmo iniciar o desenvolvimento de atividades promotoras da autonomia no autocuidado à ostomia.

A manutenção da pessoa no domicílio constitui uma característica privilegiada dos cuidados na comunidade, não só pela redução dos custos, nomeadamente ao nível dos cuidados diferenciados, mas pelo respeito pelas expectativas, tanto da pessoa dependente, como da sua família e conviventes.

Página | 32 ESEP_ MEC 2010/2011 Quando falamos da realidade atual dos cuidados de saúde primários, é inegável destacar a importância da recente implementação das equipas de cuidados continuados integrados e de outras equipas de intervenção comunitária no contexto das UCC. Nestas unidades, para além da assistência à pessoa dependente, projetos direcionados à promoção da saúde na comunidade podem também contemplar o acompanhamento de pessoas ostomizadas em articulação com as equipas de saúde familiar, a qual se alicerça

“(…) na partilha sistemática de informação, na complementaridade e na união de esforços; na utilização de linguagem e instrumentos de registos comuns; na avaliação, através de normas objetivas; na implementação de redes de comunicação e, finalmente, na centralização de toda a sua intervenção na vontade e nos padrões de

vida do utente” (Tavares, 2008, p.170).

A enfermagem tem a oportunidade de fazer uma profunda diferença na vida das pessoas que necessitam de cuidados na comunidade, principalmente pelo facto de promover uma prestação de cuidados personalizada, que favorece a continuidade de cuidados de saúde. Também no caso das pessoas ostomizadas, as equipas de enfermagem na comunidade são, segundo Borwell (2009a), um importante apoio profissional na fase de transição, não só atendendo às questões físicas mas também pelas implicações psicológicas decorrentes da doença.

Segundo algumas referências na literatura, no período pós-operatório, o fator tempo pode ser atenuante das dificuldades de adaptação, sendo assim evidente a importância do acompanhamento das pessoas recém-ostomizadas (Thorpe et al., 2009). Neste sentido e para compreender a relação entre o contacto sistemático da equipa de enfermagem e a estabilidade do ostomizado, Ito e colaboradores (2005) desenvolveram um estudo com 133 ostomizados. Segundo os resultados apresentados demonstrou-se que a oportunidade da participação em consultas de apoio de forma regular contribuiu para a sensação de estabilidade na vida diária e teve um efeito positivo sobre a autoestima dos utentes (Ito et al., 2005).

A aprendizagem precoce de conhecimentos e habilidades para o autocuidado é essencial em contexto domiciliário, uma vez que é improvável que o utente tenha tempo para se adaptar à nova condição de ostomizado enquanto está internado (Williams, 2007; Black, 2009 e Bradshaw et al., 2008). Deste modo é fundamental capacitar o utente no seu novo papel, sendo a intervenção de enfermagem privilegiada para reconhecer e antecipar potenciais complicações.

Quando nos referimos aos cuidados à pessoa ostomizada na comunidade, estes podem passar pela consulta de enfermagem nas unidades de saúde, contactos telefónicos e visitas domiciliárias. Fundamental é garantir que os utentes e conviventes saibam como aceder aos recursos disponíveis e quais os critérios a considerar para pedir ajuda (Elcoat et al., 2010). No que se refere à questão das

visitas domiciliárias, um estudo foi desenvolvido em Inglaterra e apresentado por Pringle e outros investigadores (2001) que avaliaram a necessidade das visitas domiciliárias aos ostomizados, após terem sido submetidos a cirurgia por carcinoma colo-retal. O objetivo deste estudo foi monitorizar o progresso dos colostomizados, na primeira semana, um mês, seis meses e um ano após a alta. Os autores do estudo supracitado concluem que são importantes as visitas domiciliárias e o acompanhamento sistemático dos utentes ostomizados, sugerindo que a primeira visita seja realizada nos primeiros dias após a alta. Os autores fundamentam os resultados pelo tipo de problemas que surge em casa ser geralmente diferente do sentido em contexto intra-hospitalar, para além de existir outra motivação e disponibilidade para gerir a comunicação (Pringle et al., 2001).

A alta incidência de complicações da ostomia e de sintomas físicos encontrados no primeiro ano após a cirurgia sugere que seria prudente a realização de visitas domiciliárias, inclusive até aos seis meses e um ano após a cirurgia, para que eventuais problemas possam ser identificados. Os utentes devem ser formalmente avaliados quanto a sintomas físicos, condições da ostomia e outros sinais de inadaptação social, ansiedade e depressão (Pringle et al., 2001 ).

Um estudo de Addis (2003 cit. por RNAO, 2009) relata um ensaio clínico com 50 utentes recém-ostomizados. O objetivo era perceber, utilizando um grupo de controlo, que diferenças existiam com a realização ou não de visitas domiciliárias. Os resultados demonstraram que a visita domiciliária entre dois a cinco dias após a alta e visitas mensais durante seis meses promoveram melhores índices de auto- eficácia e de autoestima dos utentes. Numa outra vertente, mas complementar, um outro estudo, este prospetivo, quasi-experimental realizado por Bohnenkamp e colaboradores (2004) evidencia que a acessibilidade, na comunidade, a uma estomaterapeuta melhora a qualidade de vida da pessoa e pode mesmo reduzir a frequência de procedimentos de autocuidado como a substituição do material e acessórios da ostomia (cit. por RNAO, 2009).

Recuperando a questão das visitas domiciliárias e dos cuidados domiciliários em geral, estes representam uma estratégia de devolução da atenção para os cuidados de saúde primários, outrora centrada nos hospitais. Para tal contribui a construção de uma lógica atenta à promoção e prevenção da saúde e à humanização dos cuidados prestados no ambiente familiar do utente, os quais se devem fundamentar no trabalho em equipa e na articulação de recursos.

A dedicação ao tema dos cuidados de enfermagem em contexto comunitário está associado ao reconhecimento de que o desenvolvimento de competências de autocuidado à ostomia permite à pessoa ostomizada cultivar a motivação e

Página | 34 ESEP_ MEC 2010/2011 autoestima. O enfermeiro tem neste percurso da pessoa ostomizada, um papel profissional essencialmente de facilitador do processo de adaptação.

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