4. CHAPTER FOUR – POSSIBLE APPROACH TO INTEGRATE SAVS
4.4. Interventions and Strategies to integrate SAVs
Segundo Butts e Singh (2010, p. 179) “Turismo de Base Comunitária (TBC) é um meio de envolver as comunidades na gestão dos recursos ambientais e culturais, bem como, nas práticas que contribuem e dão incentivos a essas atividades”, se baseia na participação ativa da comunidade local. Kalson (2009) complementa que, além de sua contribuição potencial para o desenvolvimento sustentável, o turismo de base comunitária é dito ser capaz de trazer benefícios imediatos tanto para as comunidades receptoras quanto para os visitantes. Segundo o autor, a criação de eventos na comunidade, pode favorecer este tipo de turismo, ao mesmo tempo em que ajuda a criar uma relação entre comunidade local e visitante.
Assim, turismo de base comunitária pode ser visto como uma forma de capacitar as comunidades locais e proteger o meio ambiente, por meio do desenvolvimento de novas oportunidades de emprego, reforçando a economia local, a preservação do conhecimento tradicional e práticas indígenas e a conscientização pública (BUTTS, 2010). Para Lopez-Guzmán et al (2011), um fator fundamental deve ser salientado: a decisão de explorar os recursos naturais e culturais, a fim de elaborar políticas de desenvolvimento deve partir da própria comunidade local. Nesse sentido, Maldonado (2009) explica que a introdução de uma determinada atividade, a exemplo do turismo, não deve suplantar ou competir com outras atividades tradicionais. Mas deve sim, ser um complemento na economia e ocupação, de forma que as atividades desenvolvidas nas comunidades sejam potencializadas e dinamizadas.
De acordo com Lopez-Guzmán et al (2011), no início do século XXI, observou-se uma alteração no gosto dos turistas, que passaram a optar por novas formas de turismo. O que pode ter ocorrido devido ao conhecimento sobre novos
destinos, até certo ponto inexplorado pelos turistas ou pela busca de um destino com maior enfoque sobre os costumes, história, ética e sobre a cultura específica do local. Aliado a isso, existe por parte das comunidades, a vontade de sobrepujar a pobreza e para isso, buscam fontes alternativas de renda.
Maldonado (2009) menciona atividades como o turismo e os “eco negócios”, como potenciais ainda pouco explorados, que podem contribuir para a melhoria da economia, se geridos sob determinadas condições. Podendo contribuir para a valorização do patrimônio ambiental e cultural, além de gerar vantagens
competitivas para os negócios comunitários. Dessa maneira, TBC pode ser
considerado um instrumento para inclusão social e promoção do desenvolvimento sustentável, no qual a população se insere ativamente, auxilia em todo o processo de construção, planejamento e organização de uma determinada atividade (CORDIOLI, 2001; CORIOLANO, 2003).
Ainda no entendimento de Maldonado (2009), TBC é uma forma de organização empresarial que tem como base a propriedade e a autogestão dos recursos das comunidades, sejam eles ambientais ou culturais. Seguindo práticas de cooperação, equidade na distribuição de renda e outros benefícios gerados pelas atividades turísticas. Segundo Snow (1998), embora possam existir efeitos negativos inevitáveis associados ao turismo, as comunidades podem melhorar alguns desses problemas ao formular um plano claro e disseminar pela comunidade seu conteúdo. No caso de comunidades indígenas, os benefícios são maximizados quando são informados e orientados por seus próprios líderes. Segundo o autor, onde a cultura indígena é mais forte, ou seja, menos influenciada pela sociedade não indígena, o turismo pode causar sua deterioração. Entretanto, onde ela é mais fraca, o turismo pode dar incentivos para a sua regeneração (SNOW, 1998, BYRD, 2007).
O turismo, conforme Simpson (2008) pode ser retratado, por um lado, como destruidor da cultura, minando as normas sociais e econômicas, degradando estruturas sociais, despojando as comunidades de individualidade. Por outro lado, é visto como um agente de oportunidades aos pobres e desfavorecidos, proporcionando benefícios econômicos e, promovendo o intercâmbio social e aumentando os meios de subsistência. Snow (1998) comenta que os povos indígenas devem ser parceiros e não as vítimas no desenvolvimento econômico de
suas comunidades. Além disso, afirma que as oportunidades econômicas não devem simplesmente gerar dinheiro, mas também promover os sistemas culturais e sociais dos povos indígenas. Adams (1991) apud Snow (1998) argumenta que os povos indígenas devem ter controle sobre a língua, território, comunidade, rituais, reprodução e expansão, se quiserem ter uma chance razoável de prosperar.
Simpson (2008) entende que existem diferenças fundamentais entre o TBC e outros tipos de turismo. Um dos princípios que o define é a transferência de benefícios para uma comunidade, independentemente da localização, tamanho, nível de riqueza, envolvimento, propriedade ou controle. A interpretação e definição de turismo de base comunitária centra na questão da propriedade, gestão e/ou controle de projetos de turismo (SIMPSON, 2008). Segundo o autor, o TBC está centrado no forncecimento de meios de subsistência e outros benefícios para a comunidade como um todo. Já para Ruiz et al (2008), TBC significa prover a comunidade de autonomia e propriedade, conservação dos recursos naturais e culturais, desenvolvimento social e econômico, e qualidade na experiência do visitante.
O TBC possui, pelo menos, uma característica que se assemelha ao ecoturismo: a plena participação da comunidade. A ausência deste elemento inviabilizaria as experiências ecoturísticas e traria efeitos negativos (SIMPSON, 2008; RUIZ ET AL, 2008). Ruiz et al (2008) acrescenta que o TBC transcende o turismo baseado na natureza e pode se desenvolver em qualquer outro âmbito do setor turístico, seja cultural, aventura, dentre outros. O autor conclui que, comunidade não é lugar onde “todos são iguais”, mas sem ela não existe turismo de base comunitária.
As questões locais têm influência direta sobre a experiência turística. Assim, os ambientes turísticos devem ser criados em harmonia com o clima social, onde os moradores são beneficiados com o turismo e não se tornam suas vítimas (LI, 2004; OKASAKI, 2008). Okasaki (2008) acrescenta que a imagem do turimo se baseia nos ativos da comunidade local, incluindo não apenas os moradores, mas também o ambiente natural, a infraestrutura, instalações e eventos, em função disso, a cooperação da comunidade de acolhimento é essencial para desenvolver esses acessos de forma adequada. Ainda nesse contexto, Mc’Alpin (2008) argumenta que
TBC oferece uma fonte potencial de renda para as comunidades e depende dos recursos naturais e culturais disponíveis. O autor comenta o sucesso das experiências de TBC em comunidades no Sul do Chile, em que os moradores confirmam que por meio do turismo obtêm os benefícios da floresta sem cortá-la.
No Brasil, de acordo com Sansolo e Bursztyn (2005) as experiências de TBC concentram-se na região Nordeste, e ocorrem em pequenas comunidades, aldeias e vilas. Os autores não encontraram experiências que ocorrem em um município como um todo, prevalencendo relações de proximidades. Constatou-se ainda uma ocorrência maior nas proximidades ou no interior de áreas protegidadas, em aproximadamente 80% dos casos. O que remete novamente ao ecoturismo, que tem ocorrência maior nessas áreas e promove a conservação dos recursos naturais e culturais locais, tornando as comunidades mais conscientes do valor desses recursos (MC’ALPIN, 2008; SIMPSON, 2008; RUIZ ET AL, 2008).
Simpson (2008) acrescenta que os princípios do TBC são altamente relevantes para a gestão e operação de todas as iniciativas de turismo. Nas quais são enfatizadas o papel de entidades como: indústria, governos e organizações não governamentais, ligadas na gestão do turismo, e levam em conta as necessidades das comunidades em todas as situações e em todos os ambientes. Sem o apoio das comunidades locais o desenvolvimento do TBC é incerto, pois este se baseia na participação ativa daquela (LI, 2004; LOPEZ-GUZMÁN et al, 2005; KIBICHO, 2008;).
Como preconiza a OMT, o turismo, quando bem planejado, desenvolvido e gerenciado, gera empregos e renda para o local, oferece oportunidades para empresários locais e pode melhorar os padrões de vida dos residentes (OMT, 2003). Entretanto, Okasaki (2008) menciona que embora muitos estudos sugiram a participação da comunidade, as ações práticas necessárias para promovê-lo dificilmente têm sido articuladas. Já no exemplo dado por Bagul (2005), sobre o ecoturismo de base comunitária, realizado na ilha de Sabah localizada no sul da China, o autor esclarece que a comunidade é composta principalmente por agricultores e alguns poucos funcionários do governo. Naquela localidade, a comunidade teve uma boa aceitação em relação ao ecoturismo, todos participam e
recebem os benefícios da atividade. Entretanto, as oportunidades de emprego são pequenas e a renda gerada com o ecoturismo ainda é secundária.
Observa-se que o conceito de TBC é relevante no contexto do turismo indígena, tendo em vista que se trata de inserir a atividade nas comunidades, aproveitando seu potencial natural e cultural. Como mencionam Fuller et al (2007) as paisagens naturais e culturais são indivisíveis. Assim, para as comunidades indígenas em particular, é indispensável que a importância da cultura seja reconhecida. Neste contexto, recomenda-se que no ecoturismo indígena, sejam incluídos os seguintes elementos: os componentes natural e cultural; sustentabilidade e a educação (FULLER et al, 2007).
O presente capítulo apresentou os conceitos e perspectivas sobre desenvolvimento local sustentável, turismo sustentável, ecoturismo, turismo de base comunitária, bem como, sobre o turismo indígena. Mostrou abordagens propostas por diversos autores. As reflexões apresentadas mostraram que, de alguma maneira, que as compreensões acerca dessas temáticas estão correlacionadas ou vêm sendo inseridas no contexto uma das outras. Assim, também se pode mencionar que tais conceitos têm sido levados à prática, a partir da aplicabilidade em uma atividade econômica a exemplo do turismo indígena. Observa-se, que o desenvolvimento sustentável do turismo, ainda que seja considerado utópico por alguns autores, tem sido tratado com fins de consolidação de seus princípios e aspirações. Tais princípios estão fortemente ligados ao desenvolvimento do turismo indígena, como se pode observar nos capítulos seguintes.