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Interpretation of Prior Probabilities

Foram realizadas quatro perguntas abertas aos estudantes no questionário destinado a eles. O intuito era de que eles pudessem expressar de forma mais ampla o que eles pensavam sobre os temas abordados. Após a análise das respostas, houve uma categorização de cada questão, no intuito de formar tópicos com respostas que fossem semelhantes ou que tivessem a mesma ideia.

9.3.1 Primeira pergunta aberta do questionário para os discentes

A primeira pergunta aberta aos alunos foi “você, como professor em formação, acha que a experiência com a avaliação da aprendizagem no curso de Pedagogia vai interferir na sua prática docente? Sim/Não. Em caso afirmativo, de que forma? ”. Esta pergunta se baseia na ideia de Luckesi (2005a, 2005b) de que o professor é reflexo da sua própria formação e que para que ocorram mudanças, é preciso desconstruir o legado do exame escolar.

Como se percebe na tabela 3426, eles concordam com esse pensamento (22,8%) e

realmente querem mudar o modo de ensinar, colocando-se no lugar do aluno (8,6%), aprendendo novos métodos e instrumentos de avaliação (25,7%) e levando em consideração que o erro é parte do aprendizado (3,8%). Além disso, acham que questões emocionais podem sim estar ligadas à avaliação (10,5%). Outro fator importante é que os discentes pensam nos impactos referentes ao modo de avaliar e querem produzir mudanças em sala de aula (7,6%), para evitar que seus alunos sofram com situações que eles mesmos passaram. E o último

ponto falado por eles é de que seja realizada sempre uma avaliação que seja condizente com o conteúdo que é exposto em sala (2,9%).

Ao querer mudar o modo de ensinar, o aluno de Pedagogia busca romper o histórico da cultura do exame, tão citada por Luckesi (2005b) e outros autores. A questão de saber que a influência das emoções na aprendizagem demonstra que os discentes compreendem a ideia de Vygotsky que não há como separar emoção de cognição (NETO, 2012 apud BARBOSA, 2013). Por fim, tais respostas condizem com o que foi citado anteriormente (ANTUNES, 2012; LUCKESI, 2005a, 2005b; HOFFMANN, 2003) e trazem uma esperança de que os futuros pedagogos querem sim, uma mudança profunda na Educação e evitar desenvolver medos e ansiedade em relação à avaliação da aprendizagem em seus futuros alunos.

Tabela 34 - Frequências e porcentagens da primeira pergunta

Categorias da primeira pergunta Frequência Porcentagem

1. Se colocar no lugar no aluno. 9 8,6

2. O professor é o reflexo de sua formação. 24 22,8

3. Aprender novos métodos e instrumentos de

avaliação e saber quais devem ser utilizados ou não. 27 25,7

4. O erro faz parte do aprendizado. 4 3,8

5.Questões emocionais ligadas à avaliação

(medo/ansiedade/traumas). 11 10,5

6. O impacto e as mudanças no modo de avaliar. 8 7,6

7. Uma avaliação condizente com o conteúdo

exposto em sala. 3 2,9

8. Não. 17 16,2

9. Sem resposta. 2 1,9

Total 105 100,0

Fonte: Pesquisa aplicada

9.3.2 Segunda pergunta aberta do questionário para os discentes

A segunda pergunta foi “Fale de sua melhor experiência em avaliação da aprendizagem no curso de Pedagogia no sentido da avaliação deixar você calmo e capaz de expressar seus verdadeiros conhecimentos”. Tal questão foi feita para refletir sobre o que os alunos de Pedagogia pensam sobre a forma de avaliar do curso.

Na tabela 3527, são elencadas as categorias das respostas referentes a essa questão. Os

alunos apontam bastante para a afinidade, domínio do tema e avaliações que condizem e com o conteúdo (20%). Também apontam para a importância de um professor que seja atuante no

processo de aprendizagem e na relação com os alunos (16,2%). Eles gostam de avaliações que causem reflexão e uma aprendizagem significativa (6,7%) e aquelas que permitem a livre expressão, de forma prazerosa e criativa (17,1%). Alguns alunos citaram alguns tipos de instrumentos de avaliação que se sentem melhor em fazer, porque se sentem calmos e seguros com eles (19%). Outros, infelizmente, alegam que independentemente do tipo de avaliação, sempre sentirão medo/ansiedade ao serem avaliados (5,7%). Por fim, alguns alunos destacaram que não possuem nenhuma lembrança positiva de alguma avaliação ou não tiveram ainda nenhuma experiência positiva em relação à questão (2,9%).

Resumidamente, os alunos descrevem em suas respostas a ideia de uma avaliação diferente, uma que leve em consideração o próprio aluno, que o faça refletir e aprender, que não seja necessariamente uma prova. O conteúdo deve sempre estar de acordo com o que será avaliado, para lhes trazer confiança (LUCKESI, 2005a, 2005b). Para aqueles que sempre sentem medo ou ansiedade ao serem avaliados, é necessário um acompanhamento maior do professor, para que esses transtornos sejam minimizados e ocorram mudanças significativas na forma desses estudantes conceberem a avaliação.

Tabela 35 - Frequências e porcentagens da segunda pergunta

Categorias da segunda pergunta Frequência Porcentagem 1. Afinidade, domínio do tema e avaliações que

condizem com o conteúdo. 21 20,0

2. Professor atuante no processo de aprendizagem e

na relação com o aluno. 17 16,2

3. Avaliações que causam reflexão e uma

aprendizagem significativa. 7 6,7

4. Avaliações que permitem a livre expressão, de

forma prazerosa e criativa. 18 17,1

5. Sente-se melhor ao fazer esta avaliação porque lhe

traz calma e segurança. 20 19,0

6.Sente medo/ansiedade ao fazer avaliações em

geral. 6 5,7

7.Ainda não teve nenhuma experiência positiva ou

não se recorda de nenhuma. 3 2,9

8.Sem resposta. 13 12,4

Total 105 100,0

Fonte: Pesquisa aplicada

9.3.3 Terceira pergunta aberta do questionário para os discentes

A terceira pergunta, foi “fale de sua pior experiência em avaliação da aprendizagem no curso de Pedagogia no sentido da avaliação deixar você ansioso ou com medo e incapaz de expressar seus verdadeiros conhecimentos”. Essa talvez tenha sido a mais difícil e sincera questão que eles responderam, pela forma que se expressaram. Como se pode ver na tabela 3628, a primeira categoria fala sobre eles terem ou se tiveram algum sentimento ligado ao

medo/ansiedade em relação a alguma avaliação (14,3%). Outros citaram ter problemas com o modo de avaliar de algum professor, devido a alguns fatores como: i) muitas atividades em pouco tempo; ii) Ensino tradicionalista; iii) Não faz feedback (19%). Novamente, o assunto conteúdo é levantado, só que, nesse caso, os alunos apontam que ele era diferente do que estava contido na avaliação (10,5%). Há também casos de problemas no relacionamento entre o estudante e o professor, o que causa problemas no momento da avaliação (5,7%). Na questão anterior, alguns alunos se sentiam confortáveis com algum tipo de instrumento de avaliação; nesse caso, é o oposto. Certas formas de avaliar causam desconforto nos discentes (26,7%). Há também alunos que não sentem de forma alguma medo ou ansiedade ligados ao momento da avaliação (2,9%). E, por último, alguns alunos não tiveram nenhuma experiência negativa no curso ligada à avaliação (7,6%).

Nesse caso, percebe-se claramente o papel do professor diante das experiências negativas vividas pelos alunos. Como já citado anteriormente, é importante que exista uma relação positiva entre o educador e seus educandos e que o aprendizado ocorra sem desvios, de forma que os alunos se sintam seguros. O problema nesses casos parece estar intimamente ligado às vivências do estudante no curso, com seus professores e com a forma que o conteúdo é disposto em sala. É preciso que haja mudanças na forma de ensinar e que se busque um ensino menos tradicionalista e mais formativo, com um planejamento adequado ao tempo do semestre (BARBOSA, 2013; LUCKESI, 2005b).

Tabela 36 - Frequências e porcentagens da terceira pergunta

Categorias da terceira pergunta Frequência Porcentagem

1. Tem ou teve sentimentos ligados a

medo/ansiedade em alguma avaliação. 15 14,3

Tabela 36 - Continuação

Categorias da terceira pergunta Frequência Porcentagem

2. Tem problemas com o modo de avaliar do professor (i. muitas atividades em pouco tempo; ii. Ensino tradicionalista; iii. Não faz feedback; iv. Etc).

20 19,0

3. O conteúdo dado em sala é diferente do que está

contido na avaliação. 11 10,5

4. Problemas na interação entre aluno e professor. 6 5,7 5. Não se sente confortável em fazer essa (as)

avaliação (ões). 28 26,7

6. Não sente medo/ansiedade ligado(a) ao momento

da avaliação de forma alguma. 3 2,9

7. Ainda não teve nenhuma experiência negativa

ligada à avaliação neste curso. 8 7,6

8. Sem resposta. 14 13,3

Total 105 100,0

Fonte: Pesquisa aplicada

9.3.4 Quarta pergunta aberta do questionário para os discentes

Por fim, a última questão para os alunos foi “que sugestões você dá para uma avaliação da aprendizagem em que o próprio momento avaliativo não ocasione ansiedade e/ou medo”. Na tabela 3729, uma sugestão é de que a avalição seja sempre condizente com os

conteúdos expostos em sala (15,2%). Fala-se também da importância do bom relacionamento do professor com os alunos, no qual haja uma preparação para as avaliações de uma forma tranquila, sem peso e que seja dado sempre o retorno dos resultados (24,8%). Sugerem também que a avaliação seja processual e dinâmica, sendo utilizados diversos instrumentos de avaliar ao longo do semestre (28,6%). Há sugestões que falam sobre fugir do tradicionalismo e permitir que os alunos se expressem livremente sobre o que têm aprendido (15,2%). Por fim, infelizmente há alunos que não conseguem ser avaliados sem sentir ansiedade, logo, não conseguem sugerir nada (1,9%).

Nessa categoria, os alunos resumem tudo o que eles consideram como uma verdadeira avaliação de aprendizagem e o que se nota é como estas definições se aproximam da ideia registrada na literatura. E nos casos de discentes que não conseguem sequer sugerir algo sobre avaliação, é preciso uma atenção especial a eles, para que, durante o período do curso, eles possam vivenciar experiências positivas nesta área, caso contrário, provavelmente devem perpetuar os problemas relacionados à avaliação e continuar com a cultura do exame escolar:

punitiva, julgadora e que exclui aqueles que não se encaixam em seus padrões (BRAGA et. al., 2014; HOFFMANN, 2003; LUCKESI, 2005a, 2005b).

Tabela 37 - Frequências e porcentagens da quarta pergunta

Categorias da terceira pergunta Frequência Porcentagem 1. Que a avaliação seja condizente com os

conteúdos dados em sala. 16 15,2

2. Que o professor tenha um bom relacionamento com seus alunos, preparando-os para as avaliações de forma tranquila, sem peso e sempre dando o feedback.

26 24,8

3. Que as avaliações sejam processuais e dinâmicas e que sejam utilizados diversos modos de avaliar ao

longo do semestre. 30 28,6

4. Avaliações que fujam do modelo tradicional de ensino e que permitam que o aluno se expresse

livremente sobre o que tem aprendido. 16 15,2

5. Não existe formas de avaliar sem que se sinta

ansioso. 2 1,9

6. Sem respostas. 15 14,3

Total 105 100,0

Fonte: Pesquisa aplicada