• No results found

International structures for cooperation in the Arctic

In document of the Arctic Region (sider 25-28)

A View from the European Parliament – SCPAR 25 Years

2.  International structures for cooperation in the Arctic

Num outro nível, Bessière argumenta que o filme é uma crítica ao romantismo, ao seu discurso e à ilusão do amor romântico e ideal, pois é a ilusão da protagonista que faz com que ela caia na armadilha de Osmond e Merle. Assim, argumenta Bessière, Isabel é vítima não só da manipulação de Osmond e Merle, mas também do desejo tradicional do amor. Deste modo, o romantismo representa o lado frágil da personagem, através da criação de ilusões que vão perturbar o desejo de independência da heroína. O idealismo de Isabel, quanto à sua independência e do casamento, vão tornar a protagonista “cega” aos eventos que se vão sucedendo e às pessoas que vai conhecendo. Numa entrevista a Lizzie Francke, Campion revela o seu interesse no idealismo do amor e nos seus perigos, sobretudo para as mulheres, “We’re always going to be caught up in contradictions and fantasies. But I think the dream of finding a soul mate is the most dangerous – it’s not that relationships don’t matter, but it’s dangerous to have such extraordinary hopes for them. How can a relationship complete you? That’s work you have to do yourself.” (Francke, 2007:161-2) Contrariamente, a intenção de Isabel é a de encontrar alguém que a completa, e a conclusão é mais do que óbvia. Na mesma entrevista, Campion argumenta que estas ideias são-nos impostas pela sociedade patriarcal, fazendo com que a mulher se sinta incompleta, como se tivesse algo de errado, caso não tenha um admirador, “In our culture, male ideas so dominate our psyches we tend to think of ourselves through a male screen. It’s inherent in the myths of romance and love we live with – if you haven’t got a man loving you or you’re not in a relationship it’s as if you’re not alive, as if what happens to you has no value.” (Francke, 2007:159) Numa outra entrevista com Lynn Geller, Campion comenta que em Sweetie (1989), o vilão da história é o pai, porque ele não consegue enfrentar os seus sentimentos, nem de afirmar que a sua filha precisa de ajuda, ajuda que ele não pode dar. Assim, Campion alerta para o perigo dos sentimentos exagerados e inconscientes.

77

2.10. O final

O final do filme é aberto, ao contrário do romance, o que faz do primeiro mais otimista, uma vez que não sabemos o que é que a protagonista vai fazer. Será que volta para Roma? Será que fica com Goodwood? Será que fica sozinha? James faz com que a sua protagonista regresse a Roma, para junto do seu marido, num último ato de coragem e responsabilidade, afirma Bessière. Contudo, no filme, Isabel viaja, para Inglaterra, para ir ter com o único homem que verdadeiramente a amou, e para estar com ele na sua morte. Nos momentos finais do filme, Isabel volta a estar em sintonia com a natureza, por exemplo, após a morte de Ralph, é debaixo de uma árvore onde ela se vai refugiar. Bessière afirma que é na união com a Natureza que Isabel se torna consciente da sua situação, e que mesmo que ela retorne a Roma, a sua vida jamais será a mesma. Na minha opinião, Isabel pode, estar nestes momentos finais, consciente da sua situação, mas ao desobedecer a Osmond, que claramente a proibiu de ir a Inglaterra e depois de tentar levar Pansy consigo, caso ela volte para ele, a sua infelicidade será ainda maior. Há sem dúvida uma libertação da personagem, mas até que ponto, uma vez que ela nunca se vai ver livre da sociedade. Para Bessière, o último momento em que vemos Isabel a caminhar para a casa dos Touchett, não é um momento triste, pois tal como o último olhar que a personagem dá para a câmara, representa a possibilidade de criar um nova vida, uma vida mais apropriada aos seus desejos, e a concretização do seu final feliz. No entanto, no que toca à identificação do espectador com a personagem feminina parece degradar-se ao longo dos tempos, pois como Davis defende, passados cem anos, dificilmente alguém acredita que Isabel é uma vítima na sua própria história e a mulher inocente que conhece pessoas más e a quem coisas más acontecem. Tal como a própria Jane Campion admite numa entrevista a Rachel Abramowitz, “Jane Campion” (1999):

She has that kind of conviction that she’s worth more than most and she’s been told so. (...) But also she’s feeling. She’s sensitive. She participates in her fate. She’s not just a sad victim to it. She participates in the decisions that occur through her blindness and her own self-inflation, and also through things deeper than any of us can imagine. (Abramowitz, 1999: 187)

Na cena final, depois da morte de Ralph, Goodwood aborda Isabel por debaixo de uma árvore, a mesma árvore de que ela fugiu quando recusou o pedido de casamento de Warburton. Curiosamente, a fuga de Warburton acontece no verão, altura em que Isabel ainda sonha e acredita nas pessoas, e quando foge de Casper já é inverno, altura em que Isabel está quebrada, que já não sonha e que já não acredita. Nesta cena, ela anda de um lado para o outro, enquanto Goodwood tenta segurar no seu rosto. Esta cena é curiosa por duas razões, a primeira é que, tal como Murphy no seu artigo afirmou, parece que Goodwood é um predador a tentar apanhar a sua presa, através de

78 um simples toque, correspondência à sedução de Osmond, na cena do museu; e segundo, Isabel agora tenta fugir do toque que lhe suscitou uma fantasia erótica e que desejou quando decidiu casar- se com Osmond. Há uma troca de palavras entre Isabel e Casper interessante, nomeadamente: “Why go through this ghostly form?”, Casper pergunta, ao que Isabel responde “To get away from you.” Este jogo do “toca e foge” leva a que Isabel fique sem um lugar para onde ir, porque ela não pertence à casa dos Touchett, ainda que sejam a sua família, e não pertence em Itália, com Osmond. Assim, a resposta à questão sobre o próximo passo de Isabel é ainda mais misteriosa no filme.

McHugh argumenta que se, no início, Isabel lutou para evitar ser um retrato de uma senhora, ao recusar casar-se com Warburton e Goodwood, por pensar que eles lhe iriam confinar a uma experiência tradicional e patriarcal. No fim do filme, ela não passa de um retrato que luta para manter as aparências, uma vez que ela muda a sua aparência e postura para ser mais “adequada” ao seu papel como esposa (ela tornou-se aquilo que não queria ser como mulher). Por fim, apesar da energia e da paixão pela vida e pelo saber, tanto Merle como Isabel, as duas mulheres com mais importância na narrativa, acabam por ter poucas escolhas, devido a uma série de decisões erradas que as confinaram a uma prisão, a da sociedade e a do casamento, no caso de Isabel.

79

In document of the Arctic Region (sider 25-28)