5. 0 Review of Papers I – IV
6.1. Methodological considerations
6.1.2 Internal validity
Para a elaboração das tarefas do trabalho de projeto, os grupos regeram-se por um conjunto de orientações, que foram sempre colocados na conta de email criada para o efeito. Os procedimentos foram mais específicos para a recolha tratamento de dados estatísticos, dado que são atividades que os alunos não estão habituados a efetuar com regularidade.
112 A 1ª fase era composta por três tipos de atividades: exercícios de tratamento de texto; pesquisa e registo documental; recolha, tratamento e interpretação de dados estatísticos (construção de gráficos). Só os grupos 2, 4, 5 e 6 fizeram as tarefas da 1ª fase, apesar das atividades do grupo 5 estarem incompletas.
Em relação aos exercícios de tratamento de texto, os grupos revelaram mais dificuldades na elaboração do resumo do texto do Gabinete de Assuntos Religiosos e Sociais Específicos (GARSE). Apenas o grupo 2 conseguiu responder melhor às solicitações, escrevendo um texto claro, conciso e bem estruturado. Possui as ideias principais e os conceitos mais relevantes. O texto que formularam sobre o bairro da Quinta da Fonte também está muito bom e apelativo (figura 27).
Figura 27 – Texto sobre o bairro da Quinta da Fonte do grupo 2.
Os restantes grupos têm textos fracos e resultam basicamente de copy-paste do texto original. O texto sobre o bairro do Mocho que o grupo 6 produziu (figura 28) tem muitos erros ortográficos e nele são mal aplicados alguns conceitos geográficos. Certas frases não fazem sentido e, por vezes, parecem um pouco opinião dos alunos.
113 Figura 28 – Texto sobre o bairro do Mocho do grupo 6.
Na recolha, tratamento e interpretação de dados estatísticos (2ª fase), grande parte dos grupos sentiu mais facilidade (quadro 10). Somente o grupo 4 teve problemas na recolha dos dados, o que condicionou o respetivo tratamento. As pequenas incorreções cometidas pelos outros grupos são sobretudo por falta dos eixos, dos rótulos e/ou dos títulos. Em alguns casos os indicadores não foram transformados em percentagem, o que foi solicitado aos alunos.
É curioso verificar que, enquanto o grupo 2 tem mais facilidades na produção escrita, os restantes grupos (3,5 e 6) são melhores na construção e interpretação gráfica. Na descrição dos gráficos valorizámos essencialmente o destaque dos contrastes, acompanhado dos respetivos valores. Neste aspeto, o grupo 2 manifestou mais dificuldades. E ainda, os grupos 2, 4 e 5 não interpretaram o gráfico dos principais municípios de residência da população de nacionalidade estrangeira.
114 Quadro 10 – Gráficos construídos pelos grupos durante a fase 2 do trabalho.
Grup o 2 Grup o 3 Grup o 4 Grup o 5 Grup o 6 0 10000 20000 30000 Percentagens do número de habitantes estrangeiros residentes.
115 A 3ª fase foi elaborada pelos grupos 2, 3, 5 e 6 (quadro 11). Os discentes tiveram de preencher um mapa do concelho de Loures, utilizando os indicadores estatísticos recolhidos na fase 2 e as classes da legenda que fornecemos. Os grupos 2, 3 e 6 inseriram algumas freguesias na classe errada. Os grupos 3 e 6 não interpretaram o gráfico.
Na descrição do mapa, valorizámos, fundamentalmente, o destaque para a distribuição geográfica dos imigrantes no concelho de Loures. Os grupos 2 e 5 foram os únicos que fizeram observações sobre esse aspeto.
Quadro 11 – Mapas preenchidos pelos grupos na 3ª fase.
Grupo 2 Grupo 3
116 A fase 4 pressupunha a redação de um texto argumentativo com a sugestão de várias propostas de soluções para colmatar os problemas associados à diversidade cultural dos bairros Quinta da Fonte e do Mocho. Apenas os grupos 2, 4, 5 e 6 produziram esse texto.
Considerando os critérios de avaliação estipulados, entendemos que o grupo 2 apresentou as melhores propostas. Confrontaram os problemas com as soluções, o que é bastante positivo. Sugeriram medidas que promovem o convívio e a aproximação entre os diferentes grupos culturais. Porém, as soluções estão pouco justificadas e uma das soluções apontada pelo grupo não faz sentido. Segue-se o texto na figura 29.
Figura 29 – Texto argumentativo do grupo 2.
Apesar das sugestões do grupo 2 nos parecerem um pouco mais interessantes em comparação com os restantes grupos, o grupo 4 apresenta uma melhor fundamentação. O grupo 5 também propõe soluções interessantes, mas pouco fundamentadas (figura 30). O grupo 6, por sua vez, tem um texto confuso e com muitos erros ortográficos. Algumas propostas não fazem sentido e confundem civismo com civilização.
117 Figura 30 – Texto argumentativo do grupo 5.
Na avaliação do trabalho final, penalizámos os grupos que não fizeram as alterações sugeridas nas 4 fases. Apenas os grupos 2, 3 e 5 fizeram o trabalho final21. Fomos rigorosos, sobretudo, com o cumprimento das orientações fornecidas aos grupos sobre: a estrutura do trabalho; o alcance dos objetivos; a classificação do debate.
Consideramos que o grupo 2 tem o melhor trabalho, por isso obteve muito bom na classificação final. A escrita está clara, concisa e objetiva. Não fizeram algumas alterações sugeridas, exceto nos gráficos. Têm uma excelente conclusão, indicando as ideias principais que se destacam ao longo do trabalho e referem o que aprenderam. O texto argumentativo foi ligeiramente modificado, um pouco melhor fundamentado do que inicialmente.
O grupo 3 tem o trabalho com uma apresentação muito cuidada e encontra-se bem escrito. O resumo sobre o texto da diversidade religiosa em Loures (que ainda não tinham feito) está conciso e contém as ideias principais, todavia resulta de copy-paste de várias frases do texto original, mas identificaram bem os problemas. Não fizeram algumas alterações sugeridas no mapa e num dos gráficos. Têm uma boa conclusão, contudo não apresentam novamente as propostas de soluções.
O grupo 5 também tem um dos melhores trabalhos, tendo-lhe sido atribuído muito bom na classificação final, apesar de estar ligeiramente inferior ao grupo 2. A apresentação do trabalho está muito cuidada e está muito bem escrito. Continua a persistir o problema do copy-paste de várias frases. Continuam a faltar informações
118 importantes na interpretação do mapa da fase 4, assim como foi indicado nas sugestões de alteração.
Os grupos 1 e 7 não fizeram nenhuma tarefa das 4 fases, nem o trabalho final. O grupo 1 apenas enviou o resumo do texto do GARSE, que estava bastante incompleto e resultou de copy-paste de 2 ou 3 parágrafos do texto original.
Os grupos que demonstraram mais competências sociais foram os 2 e 3. O grupo 2 revelou responsabilidades por cumprir sempre com a calendarização e com as atividades propostas. O Vítor (do grupo 2) demonstrou falta de algumas competências sociais ao longo do debate, pois, por vezes, não deixava os colegas falar nem pedia autorização para participar. Notámos, inclusive, que, quando pedimos aos grupos para escolherem o porta-voz, o Vítor nem consultou os colegas de grupo, tendo assumido de imediato como o porta-voz.
O grupo 3 também foi responsável, pois cumpriu a calendarização e entregou maior parte das tarefas. Apesar de tomarem pouca iniciativa de intervenção no debate, sempre que o fizeram foram respeitadores e esperavam pela sua vez para participar.
Os grupos 1 e 7 não fizeram nenhuma das tarefas e, mesmo assim, o Júlio e o Roberto queixaram-se (no inquérito final aplicado) que os colegas Vicente e Sebastião não fizeram nada. Ficámos sem perceber a contestação dos dois alunos, porque de facto este grupo não fez nenhuma das tarefas. No grupo 5, o David também se lamentou porque só ele fez grande parte do trabalho e o mesmo aconteceu com o Simão e o Miguel do grupo 6.
A maioria dos alunos demonstrou respeito e muito interesse pela diversidade cultural. Contudo, notou-se alguma relutância dos alunos face aos indivíduos que se envolviam em conflitos e desacatos. Essa reação hostil verifica-se na solução proposta por maior parte dos grupos, o aumento do policiamento dos bairros, bem como algumas medidas de punição para os indivíduos conflituosos.
119 V – Avaliação do processo de ensino-aprendizagem
1.A ficha de avaliação sumativa
No final da unidade didática aplicámos uma ficha de avaliação sumativa ao 8º A com a duração de 45 minutos. Atendendo ao tempo da ficha, procurámos elaborar poucas questões, mas diversificadas. Evidentemente que não abrangemos todos os descritores das metas curriculares abordados nas aulas, mas tivemos a preocupação de selecionar aqueles em que houve uma maior persistência nas aulas. Assim, atribuímos uma maior cotação às questões relacionada com a descrição da distribuição da população mundial e da explicação dos fatores naturais e humanos de fixação da população mundial.
Para ter uma noção mais precisa de como formular as questões atendendo aos pesos taxonómicos que pretendíamos dar mais importância, então elaborámos uma matriz de objetivos/conteúdos22. Procedemos também à construção de uma matriz de correção da ficha de avaliação sumativa, de acordo com as orientações da professora cooperante23.
Em relação às cotações atribuídas às questões, 50% corresponde às perguntas de aquisição de conhecimentos e outros 50% às questões de aplicação de conhecimentos. Na distribuição das questões por níveis taxonómicos, há cinco questões de memorização e conhecimentos (1.1. – 10 %; 2.1. – 5%; 2.2. – 5%; 2.3. – 5%) e uma questão de compreensão (1.2. – 25%). As questões de aplicação de conhecimentos têm as seguintes cotações: 3.1. – 15%; 3.2. – 15%; 4 – 20%.
A prova é constituída por quatro grupos de itens, num total de oito questões - seis questões de resposta curta/objetiva e duas questões de resposta longa/composição. Na primeira questão, o aluno deve assinalar no mapa as grandes concentrações populacionais. As restantes três questões de resposta curta são de escolha-múltipla e as outras duas é o aluno que enuncia a resposta.
A primeira questão de resposta longa é de compreensão porque se solicita a interpretação do mapa da distribuição da população mundial. As questões 3.1. e 3.2. requerem a aplicação de conhecimentos, pois exige a mobilização e relacionamento das suas aprendizagens, para indicar os fatores atrativos e repulsivos em situação. A questão 4 é de aplicação, porque os alunos têm de demonstrar a importância dos fatores de identidade cultural. Na resposta, os mesmos têm de expressar que, não só,
22 Consultar no anexo 13.
120 compreenderam o conceito como demonstrar a sua utilidade, relacionando aqueles fatores.
No grupo das questões de escolha-múltipla consideramos que as indicações iniciais ficaram pouco claras. No ponto 2, a segunda parte da frase devia aparecer no singular e não no plural. Deveríamos ter escrito assim: (…) assinala com um X a
afirmação que consideres correta. Desta forma, não se corria o risco dos alunos
assinalarem mais do que uma hipótese, o que aconteceu num ou dois casos, apesar de termos esclarecido este aspeto antes dos discentes iniciarem a prova.