7 ROTTERS ”LOCUS OF CONTROL”
7.3 Rotters sosiale læringsteori
7.4.2 Internal “locus of control”
Em 2011Albuquerque e Lima-Marques(2011, p. 65) apresentam uma síntese das perspec- tivas sob as quais a Arquitetura da Informação tem sido abordada:
– “Arquitetura da Informação como design para um ambiente espe- cífico. Como representantes desta categoria pode-se citar a Ar- quitetura da Informação voltada para a web de Rosenfeld e Mor- ville (2006), no sentido que é usualmente aplicada na prática; a voltada para organizações, de Davenport (2001) ou de Mcgee e Prusak (1998); ou voltada para sistemas de informação, nos ter- mos de Bailey (2003).
– Arquitetura da Informação como organização de espaços de in- formação de qualquer tipo. Aqui, pode-se citar Rosenfeld e Mor- ville (2006) adaptados por Wyllys (2000) e a proposta original de Wurman (1997). As propostas de Lima-Marques e Macedo (2006) e de Macedo (2005) também poderiam ser enquadradas nesta categoria. Não obstante, a preocupação desses autores com aspectos filosóficos e epistemológicos sugere que eles estejam em uma categoria intermediária para a seguinte.
– Arquitetura da Informação como percepção da realidade. Esta é a agenda da Grande Arquitetura da Informação identificada por Dillon (2002).“
Em recente publicação dedicada ao tema Arquitetura da Informação (GOMES; COSTA,2011) é possível constatar as diferentes abordagens que o assunto ainda tem recebido, confirmando a afirmação apresentada porAlbuquerque e Lima-Marques(2011), apresentada acima. O mesmo pode ser visto em Teixeira (2011) e EBAI (2011) , onde se apresentam a) um resumo do 5o Encontro Brasileiro de Arquitetura da Informação e o conjunto de temas apresentados nele.
No âmbito internacional identifica-se em Martin, Dmitriev e Akeroyd (2010), Resmini e Rosati (2011) e Dade-Robertson(2011) a manutenção de uma abordagem estritamente tecni- cista para a Arquitetura da Informação.
6.2 Referenciais Teóricos para a Arquitetura da Informação 127
6.2
Referenciais Teóricos para a Arquitetura da Infor-
mação
Em 2006, um candidato ao doutorado da Florida State Univesity chamado Brian Arbogast deHubert-Miller(2006) publicou no Bulletin of the American Society for Information Science and Technology-AugustlSepternber 2006 um curto e interessante artigo sobre o problema da fundamentação teórica da Arquitetura da Informação. À época, Hubert-Miller era um candidato a doutorado daquela Universidade, mas faleceu antes de concluir sua proposta de um projeto teórico para a Arquitetura da Informação. O texto, intitulado “The IA of Potentiality:Toward a Grounded Theory of Information Architecture Philosophy,Theory and Research” apresenta a dificuldade em estabelecer bases teóricas para a disciplina de Arquitetura da Informação.
Hubert-Miller reconhece a possibilidade de diferentes abordagem para compor um referen- cial teórico em Arquitetura da Informação, mas adota o seguinte:
“The most immediately obvious way to approach philosophizing about IA is to first compose a philosophical argument about the nature of information, then extend the racionale of that argument to account for/describe the set of characteristics of information that, for purposes of IA, can be said to constitute its architecture.” (p. 11)4
O articulista propõe três postulados sobre a natureza da informação antes de abordar os aspectos teóricos da Arquitetura da Informação:
– Postulado 1: Informação não é apenas uma coisa.
– Postulado 2: Informação é significado “tomando forma”.
– Postulado 3: Informação é um evento.
A partir destes postulados Hubert-Miller indica que “For the purposes of IA, I propose that information be understood as that which brings together content, comunication and context.”5 – e o faz com o propósito de manter um alinhamento com as práticas correntes de Arquitetura da Informação, como propostas emRosenfeld e Morville(2006), que fundamenta a Arquitetura da Informação na tríade conteúdo, usuário e contexto.
4A maneira mais óbvia para abordar filosoficamente a IA é primeiramente compor um argumento filosófico
sobre a natureza de informação, em seguida, estender o raciocínio deste argumento para descrever e considerar que o conjunto de características da informação , para os propósitos da IA, constituem a sua arquitetura – tradução livre.
5para os fins de IA, proponho que a informação seja entendida como aquilo que reúne comunicação, conteúdo
128 6 Sobre a Arquitetura da Informação
A preocupação de Hubert-Miller é a de fundamentar a prática de Arquitetura da Informa- ção dentro de uma estrutura filosófica e científica que possam justificar a adoção de conceitos e manutenção da integridade deles ao longo do processo de investigação dos problemas e com- posição das soluções, tanto teóricas quanto tecnológicas.
A mesma preocupação, levouAlbuquerque, Siqueira e Lima-Marques(2007) a investiga- rem os fundamentos da Arquitetura da Informação partindo da identificação de uma definição abrangente para o termo. A estratégia adotada – embora sem conhecimento do trabalho de Hubert-Miller – partiu das definições de Arquitetura e de Informação para compor um domínio de conceitos que permita delimitar o que seja, e o que não seja, uma Arquitetura da Informação. O trabalho foi, posteriormente desenvolvido, numa tese de doutorado no Centro de Pesquisa em Arquitetura da Informação (CPAI) , vide (ALBUQUERQUE,2010).
Outra tentativa recente de estabelecer um referencial teórico para a Arquitetura da Infor- mação pode ser encontrado no livro “The Architecture of Information: Architecture, Interaction Design and the Patterning of Digital Information” (DADE-ROBERTSON, 2011). O autor é um doutor em filosofia pela Universidade de Cambridge (Darwin College) com enfâse de pesquisa em Information Architecture. Na obra, Martyn Dade-Robertson explora seus referenciais na for- mação como arquiteto e como filósofo para investigar a natureza e os problemas da Arquitetura da Informação.
O referencial utilizado pelo autor é baseado na relação entre a Arquitetura como disciplina de organização de espaços para o habitar humano, e a organização das formas conceituais, realizada pelos mecanismos neuro-psíquicos do homem. A partir desta relação é possível – segundo o autor – explorar a natureza de uma discussão sobre a Arquitetura da Informação. Diz ele, introduzindo o seu trabalho:
“As well as addressing the emergence of forms which humans have developed to shape and pattern their environment, this chapter will also develop an ac- count of a cognitive architecture by looking at theories on how the brain struc- tures knowledge by defining patterns of ideas, both consciously and subcons- ciously. These descriptions of knowledge representation, which are borrowed from cognitive psycologhy, reveal the bind between the cognitive propensity to spatialize knowledge and the imprints of that knowledge as aticulated in the spatial world.”(p. 36)6
Na obra, Martyn Dade-Robertson explora a natureza dos conceitos arquitetônicos e o im- 6Tão bem como endereçar a emergência das formas pelas quais os humanos desenvolveram e moldaram seus
ambientes, este capítulo irá também desenvolver uma abordagem de uma arquitetura cognitiva pela apreciação de teorias de como o cérebro estrutura conhecimento pela definição de padrões de ideias, tanto conscientes quanto in- conscientes. Estas descrições de representação do conhecimento, os quais são emprestados da psicologia cognitiva, revela o acoplamento entre a propensão cognitiva de espacializar o conhecimento e a impressão deste conhecimento como articulado no mundo espacial – tradução livre.
6.2 Referenciais Teóricos para a Arquitetura da Informação 129
pacto da concepção espacial na forma como o homem organiza e pensa a realidade, buscando nos fundamentos espaciais – e lembrando o trabalho de Immanuel Kant neste contexto – as categorias fundamentais de organização utilizadas pelo homem. Partindo das abordagens de Claude Levi-Strauss (1963–1995), Emile Durkheim e Marcel Mauss, o autor analisa o impacto da antropologia social na formulação de uma teoria da classificação do espaços e tenta identifi- car como esta categoria espacial determina o pensar humano. Ele explora o modo como como os espaços físicos determinam o pensamento humano e investiga como o conhecimento é repre- sentado na mente através das categorias espaciais, estabelecendo relações entre a linguagem, a psicologia cognitiva, a neurociência e a ciência da computação. Dentro deste discurso, o au- tor propõe que na representação do conhecimento é possível distinguir três níveis de estruturas cognitivas: (a) a simbólica, (b) a conceitual e (c) a de representação subconceitual. Para esta concepção o autor utiliza os elementos desenvolvidos por PeterGärdenfors(2004) quando ana- lisa os Espaços Conceituais dentro de um paradigma matemático. Baseando-se no trabalho de Gärdenfors, Dade-Robertson advoga a existência de um “espaço conceitual” que oferece uma estrutura que o homem perceba e represente informações a respeito do mundo. Sendo este o seu fundamento epistemológico para a Arquitetura da Informação.
Observe-se que, em 2008, em sua dissertação de mestrado sobre “A lógica e a linguagem como fundamentos para a Arquitetura da Informação” Siqueira (2008) propõe a relação dos espaços conceituais deGärdenfors (2004), vistos dentro de uma perspectiva fenomenológica, com o desenvolvimento e a estruturação dos mecanismos de conhecimento fornecidos pela evolução biológica do homem (LORENZ,1977;MATURANA; VARELA,1997).
O trabalho deSiqueira(2008) também considera o papel da linguagem como fator determi- nante para a estruturação de um referencial teórico para a Arquitetura da Informação. Tomando como fundamentos os trabalhos deLakoff e Johnson(1980),Lakoff e Johnson(1999), deWitt- genstein(1995), deLorenz(1977), deMaturana e Varela(1997), deBrier(1998) e deHofkirch- ner(1999), argumenta que a Lógica e a Linguagem devem ser adotadas como fundamentos para a Arquitetura da Informação, como disciplina. Na proposta de Siqueira um conjunto de termos – em forma de um sistema axiomático – deve ser estabelecido na forma de uma ontologia para a Arquitetura da Informação. O mesmo caminho foi adotado posteriormente porAlbuquerque
(2010) na formulação de uma teoria para a Arquitetura da Informação baseada na teoria das categorias e álgebra de fronteiras.
Os trabalhos deSiqueira (2008) e Albuquerque(2010) – ambos desenvolvidos no âmbito do Centro de Pesquisa em Arquitetura da Informação (CPAI), fazem parte da construção de uma nova proposta para a definição da Arquitetura da Informação como disciplina científica, objeto
130 6 Sobre a Arquitetura da Informação
de pesquisa do presente trabalho – videCapítulo A, página275, no Apêndice.
6.2.1
O Referencial da World Wide Web
Os esforços de classificação da informação para otimizar a sua recuperação e uso deram ori- gem ao fenômeno da “Axiedade da Informação”, como denominado por SaulWurman(1991). É a partir das considerações deste autor que surge a preocupação com uma nova abordagem para a Arquitetura – como disciplina de organização dos espaços para o conforto e utilidade dos seres humanos – a denominada “Arquitetura da Informação”.
Com a preocupação de organizar os espaços virtuais – em particular os oferecidos na in- ternet pela World Wide Web, surge a proposta deRosenfeld e Morville(2006) para a prática da Arquitetura da Informação em termos tecnológicos.
Estes autores propõe que a Arquitetura da Informação é:
– A combinação de organização, rotulagem e esquemas de navegação dentro de sis- temas de informação; desenho estrutural de um espaço informacional para facilitar a realização de tarefas e para o acesso intuitivo ao conteúdo;
– A arte e ciência de estrutura e classificar web sites e intranets para ajudar as pessoas encontrar e gerenciar informação;
– A disciplina emergente e comunidade de prática com o objetivo de trazer os princí- pios de desenho e arquitetura para o mundo digital;
Com este enfoque eminentemente tecnológico, estes autores estabelecem a analogia entre os espaços conceituais e os espaços digitais e apontam a necessidade de práticas de arquitetura para garantir a estabilidade, a flexibilidade e a escalabilidade dos websites.
Partindo dos conceitos de informação, estruturação, organização e rotulagem; busca e ge- renciamento e do pressuposto de que a Arquitetura da Informação é ao mesmo tempo uma arte e uma ciência – como o é a Arquitetura, os autores estabelecem que são noções primárias em Arquitetura da Informação: componentes, dimensões, fronteiras, propósito, heterogeneidade e centralização – todos estes conceitos importados de práticas de organização de informações ad- vindas da documentação e biblioteconomia. Então os autores formula uma proposta de que os conceitos chaves em Arquitetura da Informação são:
– A construção de sistema complexo exige que se considerem o contexto, o conteúdo e os usuários.
6.2 Referenciais Teóricos para a Arquitetura da Informação 131
– A Arquitetura da Informação é invisível pois a interface é a ponta do icebergue);
– A Arquitetura da Informação estrutura uma rede de conhecimento;
– A Arquitetura da Informação facilita o comportamento de busca de informação;
– A Arquitetura da Informação tem foca na construção de sistemas de busca; sistemas de navegação e sistemas de redes semânticas.
–
Com esta perspectiva , os autores pretendem que a Arquitetura da Informação seja uma disciplina de articulação de (a) contexto – que considera a missão, a visão, os valores, a estraté- gia, a cultura, etc; (b) conteúdo – documentos, aplicações, serviços, metadados, etc; (c) usuário – os hábitos e preferência dos usuários que se traduzem em necessidades e comportamentos específicos; para a construção de websites.
Dentro deste mesmo referencial teórico, pode-se encontrar em Guilhermo Almeida dosReis
(2007) uma formulação teórica – também de natureza tecnológica, que busca centrar as práticas de Arquitetura da Informação no usuários. A proposta de Guilhermo é:
“Estudar as práticas de projetos de arquitetura da informação de websites com profissionais brasileiros que atuam na área para verificar o grau de aderência das metodologias de projetos dessa natureza co a propostas teóricas.”
E quais são estas propostas teóricas? As mesmas de Rosenfeld e Morville(2006): a cons- trução de Sistemas de Organização, de Sistemas de Navegação e de Sistemas de Rotulação articulados dentro de uma Arquitetura da Informação. Para isto são aplicadas metodologias para o levantamento de requisitos, para a concepção de conceitos pertinentes; para a especifica- ção do website – considerando os fluxos de transações, o wireframe e o vocabulário controlado; para a implementação e avaliação das arquitetura da informação dos websites.