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5.7 Metodediskusjon

5.7.1 Intern validitet - troverdighet

Em todas as nossas atividades, sejam informais ou formais, valemo-nos dos gêneros do discurso, sejam eles, orais, escritos ou multimodais. Quando conversamos com um amigo, escrevemos uma lista de compras, escrevemos um bilhete ou fazemos um cartaz, estamos utilizando os gêneros do discurso. Os gêneros organizam nossa comunicação bem como a nossa vida diária. Por ser um elemento vital para a nossa interação é que validamos a importância de se estudar o funcionamento dos gêneros do discurso.

Segundo Bakhtin (1997[1979]), o uso da língua efetua-se com a produção de enunciados8, sejam orais ou escritos, que surgem dos integrantes de uma ou de

outra esfera da atividade humana. O teórico, nessa esteira, afirma que os enunciados são produzidos, refletindo as condições específicas e as finalidades de cada uma dessas esferas, sendo essa produção nomeada de gêneros discursivos.

Para o teórico, os gêneros discursivos são formas ou modelos sociais reconhecíveis nas situações comunicativas. De acordo com esse conceito, os gêneros são considerados modelos relativamente estáveis, pois são construídos pela exigência de determinado momento histórico e de determinada situação em que a sua circulação é necessária. Ao se dar relevo a sua historicidade, Bakhtin (1997) pretende chamar atenção para o fato de que os gêneros não são formas fechadas e definidas, mas, sim, formas maleáveis que se configuram nas práticas sociais9.

Dessa forma, entendemos que apesar de os gêneros parecerem estáveis pela forma com que certos modelos são impostos a nós, como modelos já pré- fixados, devemos observá-los quanto à sua relativa estabilidade, pois eles são produtos sócio-históricos construídos por variadas culturas.

Os gêneros, então, são, de acordo com Bakhtin (1997[1979]), modelos relativamente estáveis de enunciados, sendo caracterizados pelo seu conteúdo

8 Os enunciados são produtos da interação de dois ou mais indivíduos, socialmente constituídos, que

interagem por meio da língua.

9 Práticas sociais são “maneiras habituais, em tempos e espaços particulares, pelas quais pessoas

aplicam recursos-materiais ou simbólicos- para agirem juntas no mundo” (CHOULIARAKI & FAIRCLOUGH, 1999, p.21). Esse conceito é oriundo e adaptado de Harvey (1996).

temático, estilo e construção composicional. Para o autor, essas três dimensões do gênero são indissociáveis e estão ligados no todo do enunciado e são determinadas pela especificidade de um determinado campo da comunicação.

O primeiro item elencado, o conteúdo temático, é o elemento que organiza o conteúdo da enunciação, bem como estabelece sua unidade de sentido e a sua orientação ideológica. Essa afirmação esclarece que o conteúdo temático não se resume, apenas, nos conteúdos e no tema. Ademais, ele engloba a apreciação valorativa que o locutor lhe dá sobre o tema, ou seja, o conteúdo temático é o conteúdo mais a apreciação valorativa que atribuímos a ele.

Rojo e Barbosa esclarecem:

O tema é o sentido de um dado texto tomado como um todo, “único e irrepetível”, justamente porque se encontra viabilizado pela refração da apreciação de valor do locutor no momento de sua produção. É pelo tema que a ideologia circula (ROJO E BARBOSA, 2015, p.88).

Dessa forma, através do tema constatamos diferentes valorações. Podemos ter um jornal que enaltece a figura dos políticos, como cidadãos honrados que administram a cidade e o país para o bem comum, como podemos ter outro jornal que propõe que os políticos são indivíduos que administram e legislam para o bem próprio, sem se importar com as pessoas, as quais os elegeram. Os sentidos que são atribuídos aos dois jornais são diferentes, observamos dois projetos que se diferem. Em termos bakhtinianos, observamos dois temas diferentes, já que são discutidos duas apreciações de valores opostas.

Quanto ao estilo, Bakthin (2003[1979]) o apresenta como as escolhas linguísticas que fazemos para externar o que pretendemos dizer. As escolhas linguísticas são de ordem lexical, sintática e de registro (formal/informal), e acrescentaríamos também, escolhas de cores, figuras, imagens, implicando a existência de gêneros orais, escritos e multimodais. Nesse ponto, destacamos que nossas escolhas linguísticas não são inocentes, nós refletimos sobre as nossas escolhas com o intuito de alcançar o sentido que queremos dar.

Bakhtin (1997[1979]) diferencia ainda o estilo, em estilo individual (de autor) e estilos linguísticos (de gêneros). Em relação ao primeiro, o autor esclarece que todo enunciado “é individual e por isso pode refletir a individualidade de quem

fala (ou de quem escreve). Em outras palavras, possui um estilo individual” (BAKHTIN, 1997 [1979], p. 283). Quanto ao estilo linguístico, o autor esclarece que alguns gêneros não permitem variações de estilo individual, e também apresenta restrições quanto ao estilo de gênero, assim, em cada esfera social são empregados os seus gêneros, e esses gêneros apresentam determinado estilo.

Brait (2014) esclarece que o estilo relaciona-se com o gênero, o que tem como consequência coerções linguísticas, enunciativas e discursivas, próprias da atividade em que se insere. Dessa maneira, observamos que o conteúdo temático seleciona aspectos da realidade com os quais o gênero trabalhará; e o estilo seleciona os recursos linguísticos possíveis para aquele gênero retratar um aspecto da realidade.

Quanto à construção composicional, Bakhtin (1997 [1979]) a caracteriza como a organização e o acabamento do enunciado como um todo. Podemos concebê-la como a estrutura formal do gênero, sem aprisioná-la em uma estrutura rígida, pois os gêneros possuem como característica a dinamicidade e a fluidez. Dessa maneira, destacamos que não devemos focalizar nosso trabalho na estrutura do gênero.

Outra questão destacada pelo autor é a heterogeneidade dos gêneros do discurso. Bakhtin (1997[1979]) afirma a existência de incontáveis gêneros, pois estes são produzidos conforme temas, situações e sujeitos envolvidos.

Assim o autor afirma:

A riqueza e a variedade dos gêneros do discurso são infinitas, pois a variedade virtual da atividade humana é inesgotável, e cada esfera dessa atividade comporta um repertório de gêneros do discurso que vai diferenciando-se e ampliando-se à medida que a própria esfera se desenvolve e fica mais complexa. Cumpre salientar de um modo especial a heterogeneidade dos gêneros do discurso (orais e escritos) [...] (BAKHTIN, 1997[1979], p. 279).

Tal afirmação nos conduz ao entendimento de que os gêneros se relacionam com as diversas esferas de atividades humanas, sendo necessários para que haja a interação entre os participantes. Por isso, temos a heterogeneidade dos gêneros que ocorrem nas interações nas mais diversas esferas sociais.

As reflexões apresentadas nessa seção tiveram como objetivo salientar sobre os gêneros dos discursos e suas dimensões. Nessa abordagem, observamos

que há uma estreita correlação entre os gêneros e as suas funções na interação social, clarificando o seu caráter dinâmico de produção nas esferas de atividades. Consideramos que as ideias bakhtinianas influenciaram, mormente, vários teóricos, entre eles, Norman Fairclough. A seguir, trataremos das discussões que Fairclough (2001, 2003) aponta sobre os gêneros discursivos.