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Interdisciplinarity in teaching and research •

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3.7. Innovation in educational methods

3.7.1. Interdisciplinarity in teaching and research •

Este estudo teve como objetivo principal investigar a dinâmica das relações

afetivas de adultos jovens em relacionamento estável, frente às suas crenças, satisfações e

comprometimentos à fidelidade e as possíveis implicações para a vulnerabilidade ao

HIV/AIDS. Observou-se que muitas das recentes motivações, crenças assumidas e práticas

exercidas pelos adultos jovens em relacionamento estável são ressignificadas

subjetivamente por eles mesmos, a partir de organizadores de sentido que reportam aos

mitos tradicionais do amor romântico, em que as demandas são situadas na confiança na

fidelidade do parceiro(a) contestando o seu direito à eternidade, mesmo diante das

99 Apreende-se, nesse sentido, que os jovens aqui estudados são caracterizados, em

geral, como possuidores de crenças românticas moderadas, com as mulheres apresentando

índices médios de crenças românticas majoritários aos homens. Embora as crenças

românticas não estejam diretamente correlacionadas com a auto-percepção de

vulnerabilidade, sua presença como medida indireta, relacionando-se a dois dos

determinantes diretos da percepção de vulnerabilidade (satisfação e comportamento infiel)

mostra sua relevância. Crentes no amor romantizado, caracterizado na entrega plena e

exclusiva ao parceiro, com certezas de recíprocas e satisfações mútuas, acabam, pois, não

exigindo o uso do preservativo nas relações, tornando-se vulneráveis ao HIV/AIDS.

Esta implicação foi evidenciada na justificativa dada pelos participantes para a

ausência do uso de preservativo, em especial pelo sexo feminino, pautada na confiança no

parceiro(a), reflexo da detenção às crenças românticas, o que resulta na associação de que

quanto maior o tempo de relacionamento, maior a convicção na fidelidade do outro e

consequentemente na abdicação do preservativo na relação. Os participantes alegaram

ainda não usar o preservativo por terem-no substituído pela pílula anticoncepcional, ou

mesmo os que afirmaram usá-lo, disseram fazê-lo somente para evitar a gravidez. Esses

resultados apontam a percepção equivocada do preservativo para a amostra, percebendo-o

apenas com o caráter de precaução reprodutiva ou gestacional.

Apesar dos resultados considerados até aqui serem mais despendidos às mulheres,

estas se mostraram mais conscientes quanto a sua auto-percepção de vulnerabilidade ao

HIV. Todavia, no geral, os participantes apresentaram uma tendência de transferência do

risco de contrair o vírus ao “outro”, haja vista admitirem índices numéricos maiores à interrogativa de percepção de vulnerabilidade de um amigo, do que a sua própria auto-

100 AIDS, que provém desde o seu surgimento, representada como uma doença do “outro”, que era dos homossexuais, profissionais do sexo ou demais promíscuos, e por esta razão,

ocultou a vulnerabilidade dos homens e das mulheres heterossexuais, resultando

posteriormente em contágio por parte desses.

O comportamento de infidelidade associado à vulnerabilidade ao HIV esteve

presente na amostra, uma vez que os participantes masculinos, em maior número que as

mulheres, alegaram já terem traído suas parceiras. Verificou-se ainda que nessas relações

extra-oficiais nem sempre fazem uso do preservativo, bem como também, em maioria, não

usam em seus relacionamento oficiais com suas parceiras fixas. Tal dado denota um

apontamento à vulnerabilidade social executada, já que além de estarem se expondo à

infecções por DST/AIDS, expõem suas parceira ao risco e põem em precipitação a vida de

ambos.

Diante do que já foi exposto, apreende-se que os resultados aqui elucidados

apresentaram-se relevantes com a discussão da literatura pertinente, confirmando que é na

intimidade dos laços afetivos e negociações do uso do preservativo com o sexo oposto que

se situam os pontos principais de vulnerabilidades e fragilização. Haja vista a confirmação

que as transformações que legitimam o período histórico atual, caracterizado

principalmente pela descentralização da sexualidade do poder masculino e à preservação

da identidade individual no casal igualitário, têm força de persistência menor nas decisões

amorosas, do que as ordens imaginárias sociais instituídas na modernidade, baseadas

principalmente na passividade feminina.

Tais evidências suscitam três sentidos de alerta importantes. O primeiro faz

referência à forma como se dá e se interpreta a negociação do uso do preservativo entre os

101 padrão sexual construído, que permite maior liberdade ao homem do que à mulher, cria-se

a esfera de interpretação pelo casal que o poder de decisão quanto ao uso do preservativo

está na vontade masculina, valorizando assim, as demandas socioculturais construídas.

O segundo alerta é situado na vulnerabilidade programática, pois apesar de alguns

dos jovens aqui estudados terem demonstrado em seus discursos a consciência das

consequências que estão expostos sexualmente ao não se prevenirem, enfatiza-se à

necessidade do aumento no número de informações sobre DST/AIDS voltados a homens e

mulheres heterossexuais envolvidos em relacionamentos estáveis. Tal enfoque se justifica

pelas campanhas midiáticas atuais ainda serem focadas nos jovens solteiros, a exemplo das

campanhas no período carnavalesco, onde há o entendimento social da “festa dos solteiros”. Portanto, a informação pode chegar aos jovens envolvidos amorosamente de maneira equivocada, atribuindo o uso do preservativo apenas àqueles que não possuem

compromisso estável.

O terceiro sentido de alerta deste estudo encontra-se na conclusão evidenciada de

que as crenças, condutas e papéis desempenhados pelos participantes são compartilhados

por seus grupos de pertença num contexto de comunalidade. Esse dado gera apreensão,

devido à presença de componentes aqui analisados nos participantes, tais como, à lealdade

às crenças românticas, às percepções equivocadas acerca do risco de vulnerabilidade ao

HIV, bem como as práticas sexuais desprotegidas, seja oficialmente no relacionamento ou

extra-oficialmente. Esses componentes estão expondo além desses jovens ao risco de

infecção, àqueles que com eles convivem, afinal, as conseqüências não se restringem

apenas ao jovem atuante, mas também ao seu companheiro afetivo e para os demais

102 No tocante à satisfação amorosa, a amostra se caracterizou como bastante satisfeita

afetivamente, tendo os homens se apresentado como mais satisfeitos nos seus

relacionamentos do que as mulheres, ou mais seguros desta satisfação, ou talvez, menos

exigentes. Contudo, os participantes do sexo masculino que se declararam em

relacionamento aberto classificaram seus relacionamentos num nível de satisfação

negativo. Infere-se deste modo, que os novos comandos de adequação ao estabelecimento

de vínculos afetivos na contemporaneidade, nem sempre são satisfatórios aos envolvidos,

pois no relacionamento aberto, por exemplo, a expectativa de não continuidade ou a

imprevisibilidade no rompimento do relacionamento se sobrepõe aos interesses do casal,

satisfazendo apenas o interesse do isolado do indivíduo.

Todos esses componentes aqui argumentados apontam para imprecisões e

fragilidades nas iniciativas de promoção da saúde e de prevenção às DST/AIDS no campo

das dinâmicas relacionais afetivas, o que resulta em equívocos nas práticas preventivas e

em situação de vulnerabilidade. Espera-se, portanto, que os resultados dessa pesquisa

possam subsidiar reflexões e melhorias à qualidade e satisfação dos relacionamentos de

indivíduos envolvidos em vínculos estáveis, ampliando-se assim, a construção de projetos

de vida baseados no comprometimento e responsabilidade individual para consigo, e

social para com o outro, diminuindo as vulnerabilidades, apreendidas como resultados da

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113 ANEXOS

ANEXO I

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO

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