• No results found

Integrative demokratimekanismer i Grunnloven

5. IMPLEMENTERINGEN AV GRUNNLOVEN OG DAYTONAVTALEN FORØVRIG

5.1.1 Integrative demokratimekanismer i Grunnloven

BLUMENAU (SC)

Tamiris Ertmann*Ana Caroline Groh**Daniela Ewald***Valeska De Costa*** Camila Bona***

*

Acadêmica do Curso de Graduação em Nutrição do grupo Uniasselvi da Faculdade Metropolitana de Blumenau (FAMEBLU). Blumenau, Rua Engenheiro Udo Deeke, 531, Salto do Norte - Fone: (47) 3221-9595, SC, Brasil. E-mail: [email protected]. **

Acadêmica do Curso de Graduação em Nutrição da FAMEBLU/UNIASSELVI. Blumenau, SC, Brasil. *** Docentes do Curso de Graduação em Nutrição da FAMEBLU/ UNIASSELVI. Blumenau, SC, Brasil.

RESUMO

Má absorção de lactose é um problema fisiológico atribuído a um desequilíbrio entre a quantidade de lactose ingerida e capacidade de lactase para hidrolisar o dissacarídeo. Na sua ausência, a lactose é fermentada no cólon causando desconforto por distensão intestinal, flatulência, diarréia e diversos sintomas sistêmicos. O objetivo foi avaliar a prevalência de intolerância à lactose em um laboratório médico de análises clínicas particular na cidade de Blumenau (SC). Realizou-se um estudo de coorte, quantitativo, constituído por clientes que realizaram testes de sobrecarga de lactose durante o ano de 2010 e no primeiro semestre de 2011, obtendo banco de dados referente a 18 meses, além de gênero e faixa etária. Foram classificados com intolerância à lactose os que apresentavam uma elevação na glicemia menor que 20 mg/dL no sangue. Avaliou-se 691 indivíduos, 72% (n= 499) do gênero feminino e 28% (n= 192) masculino. Verificou-se que 53% (n= 367) foram tolerantes à lactose e 47% (n= 324) foram intolerantes. A maior procura foi entre 20 a 29 anos (24%), seguindo por 30 a 39 anos (23%). Não houve associação significativa da tolerância ou intolerância à lactose em relação ao gênero e a faixa etária, porém, torna-se importante a realização de estudos envolvendo este tema, já que a prevalência de intolerância à lactose tem-se mostrado bastante significativa em estudos, a fim de contribuir com informações à população e aos profissionais de saúde. Palavras-chave: intolerância à lactose; lactase; teste de sobrecarga de lactose.

1 INTRODUÇÃO

A intolerância à lactose se caracteriza por ser uma intolerância a um carboidrato muito comum, e afeta pessoas de todos os grupos etários. A má digestão de lactose é causada por uma deficiência de lactase, a enzima que digere o açúcar do leite (1). O leite se constitui em um dos principais alimentos com valor nutricional importante para os mamíferos, que contém quantidades consideráveis de cálcio, ferro, fósforo e proteínas (2). A intolerância a esses elementos, considerados importantes no metabolismo, repercute em alterações nutricionais decisivas, ocasionando, consequentemente alterações no desenvolvimento físico dos indivíduos (3).

A lactase constitui-se em uma enzima digestiva que em quantidade suficiente realiza a conversão da lactose em galactose e glicose no topo das vilosidades intestinais, nos enterócitos maduros. A lactase também se constitui em uma substância que participa de diversos processos fisiológicos e é produzida pelo próprio organismo, encontrada no intestino delgado, sendo esse um fator de importância clínica quando se considera o efeito da doença diarréica na capacidade de tolerar o leite (4,5).

A intolerância à lactose é responsável por diversos sintomas sistêmicos, como dores de cabeça e vertigens, perda de concentração, dificuldade de memória de curto prazo, dores musculares e articulares, cansaço intenso, alergias diversas, arritmia cardíaca, úlceras orais,

dor de garganta e aumento da frequência de micção. Na presença de sintomas sistêmicos, é preciso avaliar se de fato decorrem da intolerância à lactose ou de sintomas coincidentes ou se decorrem de alergia à proteína do leite de vaca (que afeta até 20% dos pacientes com sintomas sugestivos de intolerância à lactose) (6).

No Brasil, a miscigenação, associada às condições precárias de higiene, com constante contaminação do tubo digestivo, originam baixa atividade da lactase nas crianças (7). Segundo Will, Silva e Hames (4) a intolerância à lactose afeta 7 a cada 10 brasileiros, sendo que 60% desta população não sabem a sua doença.

Neste contexto, o objetivo do estudo foi verificar a prevalência de intolerância à lactose na clientela de um laboratório de análises clínicas particular da cidade de Blumenau (SC) e correlacionar os dados encontrados com gênero e a faixa etária, a fim de contribuir com informações à população e aos profissionais de saúde.

2 METODOLOGIA

Foi realizado um estudo de coorte, quantitativo, onde se definiu uma data de início e fim para a coleta dos dados.

A população amostral foi constituída por todos os clientes que realizaram teste de sobrecarga de lactose no período determinado para a coleta dos dados, em um laboratório médico de análises clínicas particular na cidade de Blumenau (SC).

A coleta dos dados consistiu em buscar pela tecnologia da informação do Laboratório Médico, dados referentes aos testes de sobrecarga de lactose realizados por clientes no ano de 2010 e o primeiro semestre de 2011, obtendo assim um banco de dados de 18 meses. Também foi pesquisado no sistema, o gênero e a faixa etária dos clientes nesse período.

A metodologia preconizada pelo laboratório médico para a realização do teste de sobrecarga de lactose consiste em obter as dosagens de glicose no sangue dos indivíduos em jejum de 8 a 10 horas e nas novas amostras de sangue colhidas em 30 e 60 minutos após a administração, via oral, de no máximo de 10 minutos de lactose na dose de 2g/kg do paciente, sem exceder a dose máxima de 50g. A população amostral foi classificada com tolerância ou intolerância à lactose conforme a metodologia proposta por Wallach (8) e aqueles que apresentavam uma elevação na glicemia menor que 20 mg/dL no sangue foram classificados como intolerantes à lactose.

Em relação aos aspectos éticos foi solicitado ao responsável pelo laboratório médico de análises clínicas, assinatura de duas vias do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, onde constavam todas as etapas do estudo, com adendo para a não divulgação dos nomes dos clientes inclusos no estudo.

Os dados foram tabulados no programa Microsoft Office Excel 2007®, utilizando- se para a análise estatística o teste Qui-quadrado ao nível de significância de 5% (p<0,05). 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Participaram do estudo 691 indivíduos que realizaram o teste de sobrecarga à lactose no período de 18 meses, onde 53% (n= 367) foram tolerantes à lactose e 47% (n= 324) foram intolerantes à lactose.

Em um dos raros estudos realizados no Brasil, especificamente na região sul, em Joinville (SC), Pereira Filho e Furlan (3) encontraram em uma população de 1088 indivíduos, que realizaram o teste de sobrecarga de lactose entre os anos de 2001 e 2002 no Laboratório de Análises Clínicas Dona Francisca, 37,60% dos indivíduos com resultados normais, 18,29% limítrofes e 44,11% intolerantes à lactose. Este resultado vem ao encontro do presente estudo, porém o estudo de Pereira Filho e Furlan (3) diferenciam-se por utilizar a classificação limítrofe, avaliado como mal absorvedor de lactose, onde o

aumento varia entre 20 e 34 mg, sendo considerado mais um parâmetro utilizado para interpretação do teste de sobrecarga de lactose.

A tabela 1 apresenta a distribuição de gênero entre tolerância à lactose e intolerância à lactose.

Observou-se que entre todos os clientes que realizaram o teste de sobrecarga à lactose, 72% (n= 499) eram do gênero feminino e 28% (n= 192) eram do gênero masculino.

No presente estudo, ao diferenciar os indivíduos caracterizados como tolerantes e intolerantes à lactose em relação ao gênero feminino e masculino, os dados são confirmados, pois ao aplicar o teste Qui-quadrado obteve-se p=0,17. Assim, ao nível de significância de 5%, concluiu-se que não existe diferença significativa entre gênero e o resultado do teste à lactose, ao menos nas amostras estudadas, onde 43% (n=82) são do gênero masculino e 48% (n=242) são do gênero feminino.

Frye (9) afirma que em função do caráter autossômico e recessivo genético, ou seja, por não ser um dos cromossomos sexuais o que determina a intolerância à lactose, os resultados não devem mostrar diferença significativa entre pessoas do sexo masculino e do sexo feminino.

A tabela 2 apresenta a distribuição dos indivíduos avaliados segundo a faixa etária. Em relação à faixa etária, foi possível observar que a procura pelo teste de sobrecarga à lactose ocorreu em 24% entre indivíduos de 20 a 29 anos, seguido por 23% com 30 a 39 anos e em porcentagem reduzida, 4% e 6% em clientes com 60 anos ou mais e 0 a 4 anos, respectivamente.

Um fato que chama a atenção foi a alta prevalência da intolerância à lactose (52%, n=169) em clientes na faixa etária entre 20 a 39 anos, que provavelmente pode estar relacionado ao fato da maior procura do teste de sobrecarga de lactose para essa faixa etária.

A análise estatística aplicada em relação a faixa etária e a tolerância e intolerância à lactose demonstrou p=0,13. Assim ao nível de significância de 5%, concluiu-se que não há associação significativa entre as faixas etárias e a prevalência ou não da intolerância à lactose, ao menos nas amostras estudadas.

Em um estudo realizado na região sudeste do país, em Duque de Caxias (RJ), foram avaliadas 100 crianças, sendo 61% do sexo masculino e 39% do feminino. O teste de sobrecarga de lactose demonstrou haver 51% da população pediátrica com resultado positivo para intolerância e 49% com resultado negativo. Em relação à faixa etária, houve uma variação de 2 a 13 anos de idade assim distribuídos: 30% de 2 a 4 anos; 37% de 5 a 7 anos; 24% de 8 a 10 anos e 9% de 11 a 13 anos (7).

4 CONCLUSÕES

Observou-se que a intolerância à lactose não é somente uma doença desenvolvida na infância, relatada por grande parte dos estudos, mas está presente em todas as faixas etárias e gêneros. Evidenciou-se a grande procura pelo teste de sobrecarga de lactose na fase adulta. De forma geral, a prevalência de testes positivos para intolerância à lactose foi alta, visto que quase metade da população teve confirmação do diagnóstico.

Ressalta-se a importância do tratamento, pois a restrição parcial ou total da ingestão de lactose é indicada somente com diagnóstico comprovado, para que o indivíduo tenha a substituição adequada para o leite de vaca, com suplementação de vitaminas e minerais e indicações de alimentos para o caso. Salienta-se, portanto, o papel fundamental do profissional nutricionista nesta fase.

TABELA 1 - Distribuição dos clientes segundo gênero entre tolerância e intolerância a lactose. Laboratório Médico, Blumenau (SC), 2010, 2011. Número (n) e prevalência (%).

Gênero Classificação Feminino n (%) Masculino n (%) Total* n (%) TOLERÂNCIA 257 52 110 57 367 53 INTOLERÂNCIA 242 48 82 43 324 47 TOTAL 499 100 192 100 691 100 * Teste qui-quadrado (p<0,05)

TABELA 2 - Distribuição dos clientes segundo faixa etária entre tolerância e intolerância a lactose. Laboratório Médico, Blumenau (SC), 2010, 2011. Número (n) e prevalência (%).

Classificação Faixa etária Tolerância

n (%) Intolerância n (%) Total* n (%) entre 0 a 4 anos 24 60 16 40 40 6 entre 5 a 9 anos 32 59 22 41 54 8 entre 10 a 19 anos 40 58 29 42 69 10 entre 20 a 29 anos 77 46 90 54 167 24 entre 30 a 39 anos 83 51 79 49 162 23 entre 40 a 49 anos 48 48 52 52 100 15 entre 50 a 59 anos 44 64 25 36 69 10 60 anos ou mais 19 63 11 37 30 4 367 324 691 100 * Teste qui-quadrado (p<0,05) AGRADECIMENTOS

Ao Laboratório Médico que nos consentiu a realização deste estudo. REFERÊNCIAS

1- Mahan LK, Escott-Stump S. Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. Editora Rocca Ltda. 11ª ed. São Paulo: 2005.

2- Barbosa MR, Araujo EH. Estudo da Produção da Enzima Lactase utilizando soro de queijo e fungo filamentoso Aspergillus Níger. 2007. Disponível em:

<http://www.seer.ufu.br/index.php/horizontecientifico/article/viewFile/3786/2791>. Acesso em: 04/09/2011.

3- Pereira Filho D, Furlan SA. Prevalência de Intolerância à Lactose em função da faixa etária e do sexo: experiência do Laboratório Dona Francisca, Joinville (SC). Revista Saúde e Ambiente / Health and Environment Journal. 2004:(5)1:24-30.

4-Will AR, Silva MOV, Hames MLC. Convivendo em Família com uma Criança com Intolerância à Lactose. Biguaçu, 2007. Monografia. Disponível em:

<http://siaibib01.univali.br/pdf/Andrea%20Regina%20Will.pdf>. Acesso em: 15/08/2011. 5- Heyman MB. Lactose Intolerance in Infants, Children, and Adolescents. Pediatrics.

2006:(118)3. Disponível em: http://www.pediatricsdigest.mobi/content/118/3/1279.full Acesso em : 04/09/2011.

6-Mattar R, Mazo DFC. Intolerância à Lactose: Mudança de paradigmas com biologia molecular. Rev. Assoc. Méd. Bras. 2010:(56)2. São Paulo.

7-Lopes RRS. et al. Prevalência de Intolerância à Lactose em Pré-Escolares e Escolares no Município de Duque de Caxias. Trabalho apresentado na Sexta Amostra Acadêmica Unimep. Rio de Janeiro, 2008. Disponível em:

<http://www.unimep.br/phpg/mostraacademica/anais/6mostra/1/356.pdf> Acesso em: 24/07/2011. 8- Wallach J. Interpretação de Exames Laboratoriais. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 8ª ed. 2011:p.771.

9-Frye RE. Lactose intolerance. Clínica Fellow, Departamento de Neurologia, Hospital de Crianças de Boston, Escola Médica Harvard, 2002.