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Integrating functional interactions between large herbivores and plant communities into species distribution models

SYNTHESIS, PERSPECTIVES & DIRECTIONS

7.3 Integrating functional interactions between large herbivores and plant communities into species distribution models

A cultura de um país pode influenciar diversas atividades prati- cadas por seus habitantes. Uma dessas atividades, a prática dos esportes, normalmente está carregada de simbolismos relativos a cultura, desde a escolha da modalidade mais popular no país até a forma como ela é praticada. De acordo com o historiador holandês Johan Huizinga (2000), o jogo seria anterior à cultura, responsável ainda por influenciá-la, e não o contrário. Segundo ele, embora a cultura estivesse diretamente relacionada aos seres humanos, já que é constituída por eles, o jogo nasceria de forma primitiva, por meio dos animais, sendo este o prin- cipal argumento que comprovaria a ordem hierárquica que ele estabelece.

Aprofundando-se nesta questão, Huizinga (2000) diz ainda que as grandes atividades da sociedade humana, como, por exemplo, a linguagem e os mitos, são definitivamente marcadas

pelo jogo. Para ele, o jogo constitui-se em um elemento inde- pendente que não desempenha função moral alguma, o que impossibilitaria que fossem aplicadas a ele noções de vício e virtude. No entanto, ele estaria incluso no domínio da estética, mesmo que não se possa afirmar que a beleza seja inerente ao jogo.

Em relação às manifestações culturais do jogo, Huizinga crê que ele possua algumas características formais. O fato de ser livre e de ser uma atividade voluntária é a primeira delas. Já o fato de não fazer parte da vida “corrente” ou “real”, somado ao fato de que o jogo é uma atividade temporária e que se realiza com o objetivo de causar satisfação, garantir-lhe-ia momentos de intervalo em nossas vidas cotidianas, tornando-se assim uma necessidade tanto individual como social, adquirindo nesse ponto uma função cultural. Como terceira característica, Huizinga diz ser o jogo uma atividade isolada e limitada no tempo e no espaço. A quarta característica refere-se a seu poder de criar ordem e ser ordem, visto que ele exige certa organização para que não seja descaracterizado. Na tentativa de resumir as características do jogo, o historiador diz que “poderíamos considerá-lo uma atividade livre, conscientemente tomada como ‘não séria’ e exterior à vida habitual, mas ao mesmo tempo capaz de absorver o jogador de maneira intensa e total” (HUIZINGA, 2000, p. 16).

Já o sociólogo francês Roger Caillois (1990), complemen- tando a contribuição de Huizinga, classifica o jogo a partir de seis características. A primeira delas tem a ver com o fato de que ele é uma atividade livre, ou seja, o indivíduo não é obrigado a integrá-lo; se o fosse, o jogo perderia sua natureza de diversão. Caillois diz ser o jogo também uma prática delimitada, sendo restrita no tempo e no espaço. Ainda segundo ele, o jogo tem um caráter incerto, já que não se pode prever qual será seu resultado antes do momento de sua conclusão. O jogo carrega também a ideia de ser algo improdutivo, ou seja, não gera bens,

riquezas ou elementos novos de espécie alguma, sendo que o indivíduo termina da mesma forma que começou. Outra qua- lidade atribuída a ele é a da regulamentação, estando sujeito a convenções que suspendem as leis normais e instauram de forma momentânea uma nova legislação, sendo esta a única que conta. A última característica que Caillois atribui ao jogo é o fato de este ser fictício, ou seja, a realidade que o acompanha é outra, distinta da vida “normal”.

Como pudemos verificar, quatro das características apontadas por Caillois em sua classificação do jogo remontam à contribuição de Huizinga. A distinção entre eles, entre outras questões, tem a ver com o fato de o sociólogo francês não ter caído na armadilha de hierarquizar o jogo como anterior à cultura, preferindo antes criar outra taxonomia para definir os tipos de jogos. É o que ele faz ao classificá-los a partir dos conceitos de agon, alea, mimicry e ilinx. O agon estaria relacionado aos jogos de competição, a partir de disputas regulamentadas e pautadas pela igualdade de condições para os competidores, característica intrínseca do esporte hodierno. O alea diria res- peito aos jogos em que o competidor age de modo mais passivo (ao contrário do agon), ficando ao sabor da sorte (ou do azar); como exemplo, temos as atividades subordinadas a loterias, cassinos, casas de apostas etc. O mimicry representaria os jogos de imitação, representação e simulacro, típicos do teatro e da dança, ou da imitação que a criança faz do mundo adulto (como, por exemplo, as brincadeiras de boneca, que mimetizam cenas domésticas e profissionais do mundo dos familiares). Por último, o ilinx diria respeito aos jogos em que se buscaria a vertigem, cujo transe representaria uma fuga temporária da realidade (caso dos esportes radicais e das atividades que buscam perda provisória ou parcial da consciência, por meio de brinquedos extremos de parques de diversão, por meio do uso de drogas e álcool etc.).

Em relação à cultura, Edward Tylor (1871 apud LARAIA, 2009, p. 25), um dos definidores do atual conceito da palavra, sintetizou termos que se referiam a ela no vocábulo inglês

Culture, com a seguinte definição: “é este todo complexo que

inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade”. Desta forma, Tylor com- preendia a cultura como todas as possibilidades da realização humana, além de fazer menção ao caráter de aprendizado da cultura opostamente à ideia de aquisição inata. Em relação a isso, o antropólogo Marvin Harris (1969 apud LARAIA, 2009, p. 26) também diz que “nenhuma ordem social é baseada em verdades inatas, uma mudança no ambiente resulta numa mudança no comportamento”. Quem encerrou o processo, iniciado pela definição de Tylor (1871), do afastamento entre o cultural e o natural foi Alfred Kroeber (1917), antropólogo americano, dizendo ser o primeiro superior ao segundo, e que graças à cultura a humanidade se distanciou do mundo animal. Laraia (2009) resume as ideias dos autores estudados, dizendo que o grande diferencial do homem é sua possibilidade de comunicação oral e de fabricar instrumentos que tornam mais eficientes seu aparato biológico. Isso o faria ser o único possuidor de cultura, em comparação aos demais animais. É fato que o homem necessita suprir suas funções biológicas, as quais seriam iguais a todos, independentemente de raça ou nacionalidade. O que diferenciaria os indivíduos, portanto, seria a forma como eles buscam atender a essas necessidades, o que varia de acordo com sua cultura. Ou seja, a herança genética de cada um não determina ações e pensamentos, já que os atos humanos dependem totalmente de um processo de aprendiza- gem (LARAIA, 2009), sendo este o papel da cultura.

De acordo com estas definições, entende-se que a cultura está em constante interação com a sociedade, definindo hábitos e costumes dos indivíduos pertencentes a ela e sendo construída

através do desenvolvimento dos próprios indivíduos. O esporte, compreendido como uma atividade praticada e acompanhada pela sociedade, também lhe concede traços característicos que o vão diferenciar em relação à forma como é praticado em regiões diversas, e ele também, através de suas regras e táticas, consegue moldá-la à sua maneira, ocupando em muitos casos uma dimensão tão importante quanto outros assuntos de interesse público, como a política ou a economia.

Neste artigo, entretanto, mais importante do que saber em que sentido se dá a influência entre cultura e esporte é verificar quão próxima se dá a relação entre uma e outro. Em nosso caso particular, a preocupação é perceber o fute- bol brasileiro como reflexo de práticas culturais próprias de nossa “brasilidade”. Para avançar mais no propósito que aqui destacaremos, nosso objetivo será o de perceber como a noção de futebol-arte, historicamente legitimada para dar conta de algumas singularidades da prática do futebol no Brasil, traz consigo ainda a valorização do elemento individualizante, em detrimento do sentido coletivo que subjaz ao nascimento do próprio futebol (não nos esqueçamos de que a denominação oficial deste esporte é football-association – ou futebol associação. Basta referir que a entidade que regula este esporte em todo o mundo atende pelo nome de Fifa – Fédération Internationale de Football-Association).

A leitura que propomos tem a ver com três aspectos comunicacionais decorrentes da Copa do Mundo Fifa-2014, realizada no Brasil: as vinhetas utilizadas pelas emissoras de TV aberta brasileiras na divulgação das transmissões do evento; as frases escolhidas para decorar os ônibus que transporta- ram cada seleção nacional pelas cidades brasileiras durante a competição; e duas capas de jornais – Lance! e Correio Braziliense – de 8 de julho de 2014 retratando a ausência inesperada do jogador Neymar (principal jogador da Seleção Brasileira) na semifinal da competição diante da Alemanha, em virtude de

uma séria contusão sofrida na partida contra a Colômbia, pelas quartas-de-final do Mundial.