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Institutter utenfor det resultatbaserte finansieringssystemet

2 Omtale av instituttene med rapport for bruk av grunnbevilgningen

2.2 Institutter utenfor det resultatbaserte finansieringssystemet

O trabalho se constitui como um tipo de atividade ou de prática, especificamente, humana (BRONCKART, 2006: 209). Mas, como questiona o próprio autor, se o trabalho é um tipo de atividade, o que é atividade (ou a ação, ou o agir)? Embora, como ele mesmo diz, não haja definições unanimemente aceitas sobre o que sejam os termos atividade, ação e agir, ele, fornece, entretanto, uma explicação sobre as inter-relações entre atividade/agir/signo, bem como definições estáveis que guiam suas

1 A Ergologia, a Ergonomia e a Psicologia do Trabalho constituem-se também como Ciências do

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afirmações. Passemos, portanto, primeiramente, à explicação dessa inter-relação e, em segundo lugar, a essas definições.

O que diferencia os seres humanos dos animais é a capacidade de negociar por meio da linguagem a participação em uma atividade. Como afirma Bronckart (1999: 32), “na espécie humana, a cooperação do indivíduo na atividade é [...] regulada e mediada por verdadeiras interações verbais e a atividade caracteriza-se, portanto, por essa dimensão que Habermas chamou de ação comunicativa (grifo do autor)”. Essa ação é, ao mesmo tempo, constitutiva do social e do psiquismo humano, o qual se reestrutura através dos signos de maneira negociável nas mais diversas interações humanas. Sob essa perspectiva, “o desenvolvimento humano se efetiva no agir, o que significa, em primeiro lugar, que todos os conhecimentos construídos são produtos de um agir e não de secreções diretas do cérebro, do espírito ou da alma” (BRONCKART, 2004).

Segundo Bronckart (2006:137), embora todas as espécies vivas demonstrem formas de agir socializado, somente a espécie humana desenvolveu um agir comunicativo verbal, “mobilizando signos organizados em textos”, os quais permitem a construção de “mundos de conhecimentos” que podem, por sua vez, tanto se tornarem autônomos em relação às circunstâncias individuais da vida, como podem se acumular socio-historicamente na vida dos grupos. Por isso, ele distingue para a espécie humana um agir não-verbal, que chama de agir geral e um agir verbal, o qual denomina de agir

de linguagem.

Argumenta, também, o autor que:

Assumir que o desenvolvimento humano efetiva-se no agir também implica um posicionamento de ordem epistemológica e política: o de que os conhecimentos científicos que focalizam o humano também devem ser construídos em trabalhos de intervenção ou, em outras palavras, como Durkheim (1894-95/1963) já sustentava firmemente há um século e como Touraine o faz mais recentemente (1973), implica considerar que as ciências humanas/sociais devem se dotar de meios para serem úteis, para contribuírem para uma evolução positiva dos grupos sociais e de seus membros.(BRONCKART, 2004).

Portanto, o agir humano constitui-se como objeto privilegiado de estudo do ISD, dadas suas aspirações políticas e suas bases epistemológicas.

Enfim, a definição que o autor oferece para o termo agir é a de que o esse termo (ou agir-referente) denomina, de forma geral, qualquer modo de intervenção orientada

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de um ou de vários seres humanos no mundo. Esse agir pode se constituir de um trabalho, cuja estrutura compõe-se de tarefas. Na progressão temporal do curso do agir, distinguem-se cadeias de processos, que podem ser de atos e/ou de gestos (BRONCKART: 2008).

Retomando e reformulando os trabalhos de Habermas sobre o agir, Bronckart (OP. cit.) considera que ao agir, o agente exerce condutas observáveis, as quais exibem pretensões à validade em relação aos pré-construtos humanos (modelos de atividades e de textos). Em outras palavras, ao agir, avaliamos se o que fazemos é válido em relação às representações sobre: i) o mundo objetivo, o qual compreende os conhecimentos elaborados sobre o mundo material; ii) o mundo social, ou seja, normas e valores elaborados entre os grupos sociais e iii) o mundo subjetivo que se constitui das características próprias de cada indivíduo e dos conhecimentos coletivos sobre tais características (BRONCKART: 2008).

Para a investigação desse agir, Bronckart argumenta que se deve assumir dois níveis de análise: i) o primeiro é o das condutas observáveis; ii) o segundo é o da avaliação ou da reformulação de alguns aspectos do agir, que se inscreve em textos que delimitam porções da atividade e que atribuem aos actantes uma determinada responsabilidade sobre ela. Esse processo constrói ações e agentes externos – formas que provêm da avaliação dos outros – e agentes e ações internas – representações que os actantes constroem sobre seus motivos, suas capacidades e suas responsabilidades nas atividades coletivas.

Essas ações (externas e internas), de acordo com Bronckart (2006:245), se inscrevem em diferentes formas, dentre elas: i) nos modelos para o agir, os quais são socio-historicamente construídos e constituem-se como pano de fundo para o agir a ser realizado; ii) nos textos de prefiguração geral e textos de prefiguração específica (textos prescritivos); e iii) finalmente, nos textos dos observadores externos, interpretativos/avaliativos.

Em relação a essa divisão dos textos, Bronckart (2006:216) apresenta o seguinte esquema que descreve os textos que são objetos de análise do grupo LAF:

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Esquema 1: Plano geral dos textos analisados pelo grupo LAF

Os textos analisados em nossa pesquisa fazem parte dos textos dos observadores externos. A Autoconfrontação Simples e a Instrução ao Sósia são textos produzidos a partir da observação do trabalho dos professores informantes. O texto originado no primeiro procedimento é registrado em vídeo e o texto do segundo procedimento é registrado em áudio.

Para avançar na discussão sobre os modelos do agir e sobre os textos que inscrevem as formas de ações, discutidos anteriormente, Bronckart (2006), recorre às relações entre o agir e a linguagem. Para ele, ao usar a linguagem, estamos agindo sobre os nossos interlocutores em um contexto social, e as nossas atitudes são significativas na medida em que são coerentes com esse contexto. Em face dessa natureza da linguagem, ela é entendida como atividade2 e se configura como um processo de interação, ligado às atividades sociais humanas, que organiza, comenta e regula essas atividades. Assim, a prática de linguagem se desenvolve em mecanismos complexos,

2 A esse respeito, ver também FRANCHI (1977).

Textos dos actantes anteriores ao agir

Textos dos actantes posteriores ao agir Observação das condutas dos actantes (áudio e vídeo) Textos institucionais de prescrição do agir

Textos das observações dos pesquisadores

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por meio dos quais há uma negociação contínua entre as representações do indivíduo sobre seu agir e as avaliações do outro, o que se desenvolve de forma dialógica, propiciando a transformação dos indivíduos e das atividades (BRONCKART, 20006:254).

À luz dessa explicação sobre o modo como a atividade, ação e signo se inter- relacionam, o autor elenca dois elementos para reflexão: i) o primeiro é que o que se chama de atividade ou de ação é sempre resultante de um processo interpretativo, pois o que é passível de medida são os comportamentos humanos e, nesse sentido, qualificar esses comportamentos de atividade ou de ação significa atribuir aos protagonistas coletivos ou individuais propriedades que não são observáveis diretamente, mas que podem servir de guia para esses comportamentos; ii) o segundo é que, para o autor, ao operar com essas noções – atividade, ação, agir – corre-se o risco de enfrentar um problema de semiologia, pois essas noções são utilizadas de maneira aleatória (BRONCKART, 2006:212). Em conseqüência disso, ele nos apresenta definições estáveis, embora não unanimemente aceitas, sobre esses termos, as quais são, resumidamente, as seguintes:

 o termo agir (ou agir eferente) designa o dado observável, ou seja, as diferentes ocorrências de intervenção orientada dos seres humanos no mundo, enquanto os termos atividade e ação denominam as interpretações desse agir. Tem-se a atividade quando se toma o agir do ponto de vista coletivo. Já a ação é de natureza individual3;

 no plano motivacional, distinguem-se os determinantes externos, que são de origem coletiva, e os internos, que são as razões de agir de uma pessoa particular. Exemplos de determinantes externos são os documentos oficiais, como os PCNs, que parametrizam o trabalho do professor, e determinantes internos, os motivos que levam o professor a usar um dado livro;

 no plano intencional, diferenciam-se as finalidades, de origem coletiva e socialmente legitimadas, das intenções, que são os fins do agir, interiorizados por uma pessoa particular;

3 Filliettaz (2004:209) ao apresentar a distinção entre atividade e ação afirma que “a atividade apreende o

agir no plano sócio-histórico e designa representações coletivas que os agentes constroem sobre práticas desenvolvidas em uma coletividade”. Já a ação “designa condutas finalizadas assumidas pelos agentes de carne e osso nas situações de ação não típicas, mas concretas”.

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 no plano dos recursos para o agir, delimitam-se os instrumentos – artefatos concretos à disposição de alguém e modelos para o agir construídos sócio-historicamente – , e as capacidades – recursos mentais e comportamentais que se atribuem a uma pessoa particular. Exemplos de instrumentos são o projetor multimídia, o quadro e os textos. Como exemplo de capacidade interna, pode-se citar o domínio para utilizar os instrumentos tecnológicos.

Representando tais noções de maneira esquematizada, pode-se lê-las a partir do seguinte quadro: