2 Omtale av instituttene med rapport for bruk av grunnbevilgningen
2.1 Institutter som omfattes av det resultatbaserte finansieringssystemet
2.1.24 Østfoldforskning AS
Para introduzir a questão em foco, nesta seção, pode-se dizer que o ISD postula que os conhecimentos são construídos em atividades de linguagem coletivas, as quais organizam e medeiam as interações entre os sujeitos e o mundo (cf. VYGOTSKY, 1999, retomado por BRONCKART (1999, 2004, 2006, 2008). Os conhecimentos mobilizados pelos sujeitos são, dessa perspectiva, resultantes de sua experiência intersubjetiva, a qual é mediada por formas simbólicas – base do sentido que cada ser humano constrói em suas ações. Dito de outra maneira, o sentido individual é fundado nas interações, mas aquilo que o “eu” significa é determinado por aquilo que o “nós” constrói socialmente. Nesse sentido, pensamento, linguagem e sociedade são realidades
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indissociáveis, na medida em que todo pensamento é semiotizado e todo processo de semiotização pressupõe a interação social (cf. MATENCIO, 2005).
Tem-se, ainda, desse ponto de vista, que toda e qualquer ação individual de produção de linguagem está implicada em uma atividade, assim como a linguagem – capacidade humana de simbolizar e de realizar ações simbólicas – é regulada nas interações sociais. Desse modo, realizar ações linguísticasé realizar um trabalho na (e para a) interação, na (e para a) co-construção de atividades de linguagem, o qual envolve tanto a produção de sentidos como o estabelecimento de relações sociais.
Tais atividades, deve-se ressaltar, são semiotizadas em textos, orais ou escritos, o que implica tanto sua relação com uma língua particular quanto com um gênero de texto específico (cf. BRONCKART, 2008:87). Acrescenta-se a esse ponto de vista que se pode conceber o texto como resultado de ações simbólicas, não exclusivamente linguísticas, já que diferentes sistemas de conhecimento contribuem para a construção de sentido.
Outra questão sobre o processo de produção de sentido é a de que ele é engendrado pela experiência intersubjetiva, porque concebe a construção de saberes relativos aos processos linguageiros como vinculada tanto ao desenvolvimento biológico do sujeito quanto ao cultural, o que lhe permite executar ações e operações orientadas por uma motivação e uma finalidade, embora nem sempre totalmente conscientes. Portanto, segundo o posicionamento do ISD, as condutas humanas não podem ser explicadas, nem pelas propriedades do substrato neurobiológico (cognitivismo e neurociências), nem pela posição behaviorista (estímulo-resposta). Ao contrário dessas vertentes, para o ISD, “o comportamento só pode ser explicado pela história dos comportamentos” (VYGOTSKY apud BRONCKART, 2006:55)
Essas teses defendidas pelo ISD situam-se num quadro epistemológico de correntes filosóficas e das ciências humanas. Essas correntes têm em comum o fato de conceberem as condutas humanas como resultado do processo histórico de socialização, possibilitado pela procedência e pelo desenvolvimento dos instrumentos semióticos.
A questão levantada por Bronckart (BRONCKART, 1999:22) é a de que é preciso clarificar as relações colocadas entre estruturas de ação e estruturas de linguagem, para poder compreender a relação entre as ações socializadas e as ações puras. Em outras palavras, o autor questiona como é possível delimitar e articular o
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social e o psicológico. Para tentar esclarecer tal questão é que Bronckart recorre às teorias da ação, sobretudo aos trabalhos de Ascombe e Von Wright.
De acordo com Ascombe (apud BRONCKART: 2007), há fenômenos que são da ordem do agir humano – que a autora chamou de ação – e fenômenos que são da ordem dos acontecimentos da natureza. Esses dois fenômenos diferem entre si pelo fato de o primeiro se constituir como uma ação significante e o segundo se realizar a partir de um evento produzido pela natureza. Para exemplificar as diferenças entre eventos da natureza e ações significantes, Bronckart (2007) toma os seguintes enunciados: Duas
telhas caem do telhado sob o efeito de vento e Eu deixo cair duas telhas do telhado
para estragar o carro da vizinha que eu detesto. Eles são distintos pelo fato de
o primeiro descrever um evento e o segundo descrever uma intervenção humana no mundo, a qual pode ser explicada pela seqüência „eu deixo cair duas telhas’. “Essa intervenção no mundo é que define a ação” – seqüência organizada de eventos imputáveis a um agente, ao qual pode ser atribuído um motivo (ou uma razão de agir) e uma intenção (uma representação do efeito). (BRONCKART, 2006:66).
Desse ponto de vista, é a ação significante que constitui a unidade fundamental da psicologia. O argumento usado pelo autor para justificar a ação como unidade psicológica reside no fato de que a ação pode ser definida sem se fazer referência à língua que vai concretizá-la e semiotizá-la, e é justamente por isso, que a ação se constitui como uma unidade psicológica (BRONCKART, 1999:99).
O ISD, portanto, segundo Bronckart (2006:68), propõe-se a realizar uma parte do interacionismo social: seu objetivo maior é demonstrar o papel fundador da linguagem e do funcionamento discursivo no desenvolvimento humano, delimitando o agir como unidade de análise desse desenvolvimento. O autor sustenta, assim, a tese de que “é a atividade nas formações sociais (unidades sociológicas) que constitui o princípio explicativo das ações imputáveis a uma pessoa (unidades psicológicas)”.
Atualmente, segundo Bronckart (2008), o ISD realiza um trabalho de análise descendente que envolve três etapas: i) primeiramente, análise dos componentes dos pré-construtos específicos do meio humano: as atividades coletivas, as formações sociais, os textos e os gêneros, as representações do mundo físico, social e subjetivo; ii) em seguida, estudo dos processos de mediação sociossemióticos em que se realiza, na criança e no adulto, a apropriação de alguns aspectos desses pré-construtos: os procedimentos de educação informal, os procedimentos de educação formal, os
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procedimentos de interação social cotidianos; e iii) análise dos efeitos dos processos de mediação e de apropriação sobre a constituição do pensamento psíquico: o processo de emergência do pensamento consciente, o processo de desenvolvimento permanente das pessoas e os processos de transformação dos elementos pré-construtos.
É importante destacar três orientações do ISD que nos permitem explicar a escolha teórico-metodológica desta pesquisa: i) o papel central dado ao agir e suas relações com o trabalho e com o desenvolvimento humano; ii) o papel conferido à linguagem, que justifica a análise de textos como indiciadores de representações do agir em situação de trabalho; iii) a unicidade que deve caracterizar as Ciências Humanas/Sociais, o que justifica, neste trabalho, a escolha de duas vertentes das Ciências do Trabalho1: a Ergonomia da Atividade (AMIGUES, 2004) e a Clínica da Atividade (CLOT et al., 2001, CLOT, 2006). A escolha por essas duas ciências está relacionada ao fato de que elas compartilham das bases teóricas do ISD, ou seja, a Ergonomia da Atividade e a Clínica da Atividade fundamentam-se em autores como Vygotsky (para explicar o funcionamento do desenvolvimento humano) e Bakhtin (para explicar o papel da linguagem nas interações sociais), como já assinalamos antes.
Delineadas em linhas gerais as bases teóricas do ISD, passemos à discussão sobre a problemática do agir e sua relação com a linguagem.