3 Resultatstyring og regnskapsmanipulering
3.2 Insentiver
Boddewyn e Brewer (2004) enfatizam que algumas abordagens como a teoria dos custos de transação (COASE, 1937; WILLIAMSON, 1975,1985), e teoria da agência (JENSEN e MECKLING, 1976) silenciam sobre o nonmarket, embora este fenômeno afete a eficiência que é uma questão paradigmática para tais abordagens. Também, destacam que na ótica da popular teoria baseada em recursos (BARNEY, 1991; PETERAF, 1993) as competências distintivas das empresas são essencialmente econômicas e organizacionais, não sendo consideradas como derivadas da posse e utilização de recursos de natureza política. Boddewyn e Brewer (2004) ainda observam que para os teóricos desta abordagem, os fatores políticos aparecem apenas como restrições e que somente os mercados econômicos são considerados, de forma que os meios adquiridos e utilizados para gerar rendas, que é objetivo de comportamento estratégico, são puramente intraeconômicos.
As particularidades pontuadas acima trazem à tona o debate sobre a necessidade de integrar as ações direcionadas ao mercado competitivo (market strategy), com condutas que visam criar, fortalecer e/ou salvaguardar posições ou recursos importantes para firma, e que são controlados ou fortemente regulados pela esfera governamental.
Schuler, Keim e Hillman (2004) observam que através de atividades políticas corporativas as firmas procuram de várias maneiras moldar a política governamental de forma a torná-la mais favorável aos seus interesses. Baron (1995) argumenta que desenvolver ações de nonmarket é particularmente importante, pois estas permitem as empresas controlar oportunidades existentes no mercado. Boddewyn e Brewer (2004, p. 121) enfatizam, porém, que o comportamento político não constitui um fim para as
organizações, mas um meio para alcançar os objetivos estratégicos, podendo até mesmo predominar sobre estratégias econômicas, por exemplo, quando determinada indústria demanda proteção governamental contra a concorrência e é atendida.
Para Boddewyn e Brewer (1994, p. 121) o comportamento político é atrativo por diversas razões. Em primeiro lugar, os atos do governo criam vencedores e perdedores individuais no mercado Em segundo lugar, o comportamento político não exige necessariamente riqueza, mas também pode resultar de outros recursos, como organização, legitimidade, informação privilegiada e acesso. Terceiro, o conluio (como uma forma de ação coletiva) é legal no comportamento político, enquanto, geralmente não é permitido no mercado. Em quarto lugar, o poder político pode ser mantido por mais tempo do que o poder econômico, ainda que seja preciso mais tempo para se construir o primeiro; motivo pelo qual pode oferecer mais vantagens competitivas sustentáveis. Em quinto lugar, em ambientes politicamente construídos, os atores nem sempre experimentam diretamente as consequências de suas ações. Em outras palavras, eles podem se beneficiarem de “externalidades políticas” como no caso do protecionismo que beneficia alguns em detrimento de muitos outros.
Diversos motivos levam as empresas a se aventurarem no mercado político. Estudos indicam que as empresas altamente dependentes de regulamentação do governo ou de contratos que afetem a sua sobrevivência econômica (MASTERS e KEIM, 1985), as grandes empresas (SALAMON e SIEGFRIED, 1977), e as que operam em indústrias mais concentradas (MASTERS e KEIM, 1985) são politicamente mais ativas. Também tem sido observado que as empresas estão mais dispostas a exercer atividade política quando ações do governo afetam significativamente os seus negócios (BONARDI, HILLMAN e KEIM, 2005).
Visualizando o mercado político como um conjunto de mercados individuais Hillman e Hitt (1999) ponderam que a troca é o cerne da interação entre demandantes e fornecedores, pois em um mercado econômico, moeda ou bens e serviços são trocados por outros bens ou serviços da mesma forma que demandantes podem participar de um mercado político, oferecendo informações, votos e apoio financeiro. Logo, o mercado político pode ser concebido como uma coleção de mercados políticos, onde demandantes de políticas públicas interagem com os fornecedores, à semelhança dos mercados econômicos (HILLMAN e HITT, 1999).
Bonardi, Hillman e Keim (2005) argumentam que o sucesso em um mercado político é parcialmente determinado pela sua atratividade sendo que tal atração é um determinante importante da razão pela qual as empresas se engajam em estratégias políticas. Assim, para Bonardi, Hillman e Keim (2005) a atratividade de um mercado político é uma função do nível de rivalidade em ambos demanda e oferta, de forma que tal como no mercado econômico, mercados políticos atraentes para uma empresa entrar são aqueles com baixa rivalidade do lado da procura. Baixa rivalidade entre os burocratas do lado da oferta ou rivalidade elevada entre eleitos do lado da oferta também torna os mercados políticos mais atraentes (ou seja, a probabilidade de sucesso é maior). Isto é contrário aos pressupostos dos mercados econômicos, em que uma maior concorrência do lado da oferta é sempre melhor para os compradores.
Bonardi, Hillman e Keim (2005) postulam ainda que as empresas que operam num mercado político podem oferecer informação, dinheiro e/ou voto. Fornecedores Legislativos ou burocráticos podem oferecer informações e/ou posições políticas. A atratividade de um mercado político, no entanto, depende da natureza da concorrência existente a demanda e a oferta desse mercado, de forma que a atratividade de um mercado político tem múltiplas dimensões, conforme sintetizado abaixo (Quadro 1).
Atratividade Demanda Oferta
Mercado político atrativo
Baixa rivalidade entre demandantes Questões não eleitorais
Questões com benefícios concentrados e custos difusos
Questões com custos concentrados e benefícios difusos
Defesa de questões existentes / status quo
Defesa de novas questões
Baixa rivalidade entre burocratas Questões com domínios políticos estreitos
Alta rivalidade entre os funcionários eleitos
Questões sem identificação partidária única
Mercado político não atrativo
Alta Rivalidade entre os demandantes Questões eleitorais
Questões com benefícios concentrados e custos concentrados
Questões com benefícios difusos e custos difusos
Desafio de um regulamento ou política existente
Alta rivalidade entre burocratas Problemas com domínios políticos amplos
Baixa rivalidade entre os funcionários Questões com identificação partidária única
Quadro 1 - Características da competição nos mercados políticos Fonte: Bonardi, Hillman e Keim, 2005, p.409.
De fato, a influência de governos no ambiente competitivo tem levado as empresas a se utilizarem cada vez mais de estratégias políticas corporativas como uma resposta ao impacto da ação governamental em seu negócio (HILLMAN, 2003; REHBEIN e
SCHULER, 1999; SHAFFER, 1995; VOGEL, 1996), e tal cenário sugere a necessidade de análises mais aprofundadas sobre os motivos que levam as empresas a participarem, em graus variados, do mercado político. Porém, em que pese o progresso considerável de estudos já realizados sobre os determinantes das estratégias políticas das firmas (GETZ, 1997; GRIER, MUNGER e ROBERTS, 1991; BAYSINGER, 1985), ainda há questões em aberto. Na busca de superar as lacunas observadas pesquisadores têm ampliado o espectro do campo de estudo em estratégia com investigações que enfocam a integração da dimensão política com as dimensões econômicas e organizacionais (BARON, 1995) o que tem resultado na ênfase em estudos sobre as atividades e os antecedentes do comportamento corporativo no ambiente político.